Melhores Filmes de 2017

Corra!, Logan, Moonlight, It, Uma Mulher Fantástica e A Criada estão entre os 20 maiores destaques nos cinemas brasileiros no ano passado.

Há alguns anos, eu diria que a TV superou o cinema em relevância. De certa forma, ainda é verdade. Entretanto, o cinema parece estar recuperando a importância que teve em outrora. Em um ano cheio de discussões envolvendo política, o cinema refletiu parte disso em obras que falam sobre representatividade, racismo, preconceito, homossexualidade, religião, as burocracias do sistema e aqueles que são marginalizados por ele. A telona também serviu como escapismo, mas sem deixar o coração e a faceta humana de lado — mesmo em histórias de super-heróis, androides, assaltos e palhaços que vivem em bueiros. Nesta lista, o Previamente fez o seu próprio Oscar e elegeu os 20 maiores destaques que estrearam oficialmente no Brasil ao longo de 2017 — seja no circuito de cinema comercial ou nos serviços de streaming. Confira abaixo!

20. Death Note

Direção: Adam Wingard
Elenco: Nat Wolff, Lakeith Stanfield, Margaret Qualley, Willem Dafoe, Shea Whigham

Poucos blockbusters são tão iconoclastas quanto Death Note de Adam Wingard. O filme distribuído pela Netflix é tão despreocupado com a obra original que muda drasticamente o caricato protagonista do mangá, que é dotado de uma inteligência crível apenas para quem ausenta de tal qualidade, por um Light — interpretado por Natt Wolff — que é a representação do fã da obra original. Tal mudança no mínimo legitima a coragem na visão de Wingard sobre a obra original, porém traduções culturais mais interessantes são inseridas, como o próprio caráter social existente no conflito entre Light e L — interpretado por Lakeith Stanfield — que evoca um teor racial. Importante pontuar inclusive que esse caráter em nenhum momento é exposto de forma verborrágica, porém é centralizado na própria existência do conflito dos personagens: o jovem de classe média branco idolatrado por toda sociedade e o afro descente que precisa provar sua competência para legitimar sua posição de detetive.

Se o material original abusava de um manto de escuridão para levantar uma bandeira de profundidade, Wingard ridiculariza isso em suas composições de cena. Seu trabalho é idealizado – tanto nas músicas, iluminação e escolhas de plano – na ironia do obscuro, criando um espirito retro que foge de nostalgia e busca um máximo estético. Death Note não é uma adaptação boa, porém é um filme gigantesco, incompreendido por estar mais preocupado no poder da imagem do que em entender seu público alvo.

19. Eu Não Sou Seu Negro (I Am Not Your Negro)

Direção: Raoul Peck
Elenco: Samuel L. Jackson, James Baldwin, Harry Belafonte

Nos últimos anos recebemos várias obras relembrando a história dos negros nos EUA e como isso reflete o mundo como é hoje. Ignorar a história é um erro e Eu Não Sou Seu Negro é um lembrete de como não devemos esquecer. Trazendo trechos da obra inacabada de James Baldwin — que morreu em 1987 — e de entrevistas suas, juntamente com acontecimentos da época da luta racial e seus direitos, com uma narração primordial de Samuel L. Jackson e uma direção perfeita de Raoul Peck, Eu Não Sou Um Negro é um engenhoso retrato de uma nação que ainda tem muitos problemas a lidar quanto à diversidade (não só os EUA, afinal no Brasil ainda há gente que acredita no mito de que racismo não existe). É um documentário com uma narrativa bem delineada e uma execução impecável, que faz com que cada fato levantado seja um tapa na cara da sociedade e nos incomode — e se te incomoda, é porque está causando o efeito certo.

18. Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake)

Direção: Ken Loach
Elenco: Dave Johns, Hayley Squires, Briana Shann, Dylan McKiernan, Kate Rutter

A história de um carpinteiro de 59 anos que sofre um enfarto mostra as dificuldades de envelhecer, se encaixar no mercado de trabalho, e conseguir vencer a burocracia de cada dia. Unindo pitadas de humor com temas sérios, Eu, Daniel Blake mostra-se competente em retratar a realidade de uma sociedade que se prende a um sistema que funciona apenas para poucos. É um soco no estômago e uma aula de empatia.

17. Silêncio (Silence)

Direção: Martin Scorsese
Elenco: Andrew Garfield, Adam Driver, Liam Neeson

Épico de Martin Scorsese, Silêncio, adaptação do romance homônimo de Shusaku Endõ, é uma das leituras mais interessantes sobre a influencia do catolicismo em escala global nas últimas décadas. Evidenciando uma dicotomia ética e antropológica nas atitudes dos Missionários Católicos no Japão, dicotomia que evoca uma problemática que conflita a perseguição dos imperadores japoneses perante os católicos, com a falta de empatia cultural que os protagonistas portugueses possuem em relação a nação do Sol Nascente – apatia existente em relação a comida japonesa, idioma e religião dominante. Em Silêncio não existe isenção moral em função da fé. A lentidão narrativa presente nos últimos longas de Scorsese também está presente em Silêncio, porém o defeito acaba soando como uma escolha estética, pois é uma constante temática os “repetitivos” esforços dos missionários na tentativa de evangelizar o Japão. Em vez de apenas cansativa, tal escolha soa como um artificio narrativo.

Brilhantemente fotografado por Rodrigo Pietro, harmonizado musicalmente por Howard Shore e contando no elenco consistentes atuações de dois atores em voga na atual geração – Adam Driver e Andrew Garfield — a obra é um espetáculo estético, funcionando como busca por uma catarse visual e espiritual.

16. Em Ritmo de Fuga (Baby Driver)

Direção: Edgar Wright
Elenco: Ansel Elgort, Jon Bernthal, Jon Hamm, Eiza González, Lily James, Jamie Foxx, Kevin Spacey

Responsável pela trilogia do Cornetto e Scott Pilgrim Contra o Mundo (além de ser roteirista de Homem Formiga), Edgar Wright é um dos diretores mais versáteis e criativos em Hollywood hoje. Com um orçamento considerável e um elenco impecável, Wright faz um filme de ação que não inventa a roda, mas que sabe brincar com os absurdos e clichês do próprio gênero, ainda que seja de tirar o fôlego nas sequências de ação, conta com personagens carismáticos e canastrões (de forma positiva), boas viradas e uma trilha sonora do cacete, que é essencial no desenvolvimento do roteiro e que depende muito da edição do filme para funcionar — que é tão bem executada a ponto de ter sido indicada ao Oscar deste ano.

15. It: A Coisa (It)

Direção: Andy Muschietti
Elenco: Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Bill Skarsgård

A produção de It remonta ao início da década. Mudança de diretores, roteiristas e por aí vai. O que parecia impossível acontecer devido às circunstâncias foi, talvez, a principal surpresa positiva dentro do cinema blockbuster de 2017. Baseado em uma das consideradas obras-primas de Stephen King, It: A Coisa é uma homenagem não apenas aos grandes monstros e fantasmas das histórias de terror, mas à infância em si. Equilibrando muito bem as doses de sustos e horror com os risos (voluntários ou não), It com toda a certeza foi uma das melhores opções de entretenimento no ano que passou. Finalmente valeu a pena esperar anos e anos por um filme sair do papel. Estamos ansiosos desde já para o próximo capítulo da história, previsto para 2019.

14. Personal Shopper

Direção: Olivier Assayas
Elenco: Kristen Stewart, Lars Eidinger, Sigrid Bouaziz, Anders Danielsen Lie

Maureen é uma jovem americana que vive em Paris, trabalhando como um assistente de moda de uma celebridade. Ela também tem a habilidade psíquica de se comunicar com espíritos, igual ao seu irmão gêmeo Lewis, que faleceu recentemente. Enquanto espera por um sinal de seu irmão, ela começa a receber mensagens de uma força desconhecida. No papel da protagonista deste filme está Kristen Stewart. E antes de qualquer torcida de nariz ou cara feia, se você não assistiu ao longa acredite: ela está ótima aqui. Dirigido pelo francês Olivier Assayas, Personal Shooper possui uma atmosfera intrigante, uma ambientação muito bem construída e um enredo que utiliza uma abordagem não convencional para falar do assunto.

13. La La Land: Cantando Estações (La La Land)

Direção: Damien Chazelle
Elenco: Ryan Gosling, Emma Stone

Por conta da estreia do filme ter acontecido em festivais de cinema no início de segundo semestre e do enorme buzz criado por conta da corrida do Oscar, não é difícil esquecer que La La Land estreou por aqui somente na segunda quinzena de janeiro. O musical de Damien Chazelle, que venceu o Oscar de melhor direção, é um deleite para quem gosta do gênero e até para aqueles que não são tão chegados. As músicas são boas, o roteiro é engajante e a direção de arte é simplesmente impecável. Não podemos nos esquecer também de Ryan Gosling e Emma Stone, que com charme e boa química dão vida aos personagens Seb e Mia. Embora pareça em um primeiro momento, La La Land não é somente uma homenagem a Hollywood. O filme também tem algo a dizer, sobre escolhas e as consequências que podem se aplicar além de um romance.

12. Logan

Direção: James Mangold
Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Elizabeth Rodriguez, Richard E. Grant

O longa dirigido por James Mangold foi o primeiro filme de heróis a estrear em 2017. E também foi o melhor. Logan é um filme sujo, áspero e que nos leva para dentro daquele universo de forma plausível, onde quase nos esquecemos por instantes que existem mutantes ali inseridos. É ai que reside o grande mérito da história em si, fazendo com que haja um senso de humanidade muito presente no filme. Ainda que não seja a maior obra-prima entre os mais de 50 filmes de super-heróis já feitos até hoje, Logan poderá compor listas dos melhores com obras como O Cavaleiro das Trevas e Homem-Aranha 2. Antes de tudo, é uma obra apreciável e que chega a um patamar que transcende o gênero, em que sabe dosar todos os seus componentes para compôr um resultado surpreendente. Isto sem mencionar as grandes performances de Hugh Jackman, Patrick Stewart e a estreante Dafne Keen.

11. Uma Mulher Fantástica (Una Mujer Fantástica)

Direção: Sebastián Lelio
Elenco: Daniela Vega, Francisco Reyes, Luis Gnecco, Aline Küppenheim

Devidamente reconhecido pela crítica, Uma Mulher Fantástica é um excelente filme. Dirigido por Sebastián Lelio, que co-escreve o roteiro com Gonzalo Maza, o longa chileno é um dos grandes favoritos ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A história acompanha Marina, uma garçonete transexual vivida de forma impecável pela atriz Daniela Vega. Marina ocupa seus dias trabalhando como garçonete e como cantora de música lírica. Seu sonho é fazer sucesso com a música e para isso, ela se apresenta nos clubes noturnos da cidade. Quando seu parceiro morre, Marina se vê diante da raiva e do preconceito da família dele sem ter o direito de se despedir de seu amado. O filme tem o grande mérito de mostrar, de forma crua e intimista, o ponto de vista da comunidade trans através da personagem de Daniela, que enfrenta o preconceito pelo simples (pelo menos deveria) fato de ser quem ela é.

10. Paterson

Direção: Jim Jarmusch
Elenco: Adam Driver, Golshfteh Farahani, Nellie

Jim Jarmusch é um diretor que consegue extrair da vida nada extraordinária algo único. Seja em Flores Partidas ou em Sobre Café e Cigarros, ele tem a capacidade de moldar o mundano em algo raro. Após trazer questionamentos humanos para vampiros em Amantes Eternos, o cineasta volta para contar uma história ordinária. A vida comum de um casal. Ela aspira em mudanças, enquanto os dias dele costumam se repetir com a rotina de motorista de ônibus. O filme mostra os triunfos e derrotas do dia a dia, enquanto constrói um quadro belíssimo sobre a vida cotiana e a complexidade de se viver.

9. Na Praia à Noite Sozinha (Bamui haebyun-eoseo honja)

Direção: Sang-soo Hong
Elenco: Min-hee Kim, Young-hwa Seo, Jae-yeong Jeong

Conciliando imagens contemplativas e verborragia de seus personagens, o sul-coreano Hong Sang-soo tem a habilidade de pegar temas aparentemente simples e trabalhá-los com complexidade. O longa conta a história de uma atriz, que se envolve com um diretor de cinema casado, vê o fim do relacionamento e então busca retomar sua estabilidade emocional, ainda que nem todos os assuntos tenham sido resolvidos no caso. A obra, então, trata sobre como a ruptura de uma relação nos deixa marcas, ao mesmo tempo em que faz com que as pessoas amadureçam. A produção fala sobre solidão, isolamento, questiona o que será do futuro, não condena as ações de sua protagonistas, exalta a figura feminina, reitera que todos somos passíveis de errar e que queremos ser amados. É um filme pessoal, singular e extremamente sensível.

8. Bom Comportamento (Good Time)

Direção: Benny Safdie, Josh Safdie
Elenco: Robert Pattinson, Benny Safdie, Taliah Webster, Jennifer Jason Leigh, Barkhad Abdi

Escolhas estéticas podem influenciar diretamente na crença do espectador na narrativa. São poucos filmes que conseguem abusar de uma ausência de racionalidade estética e manter intacta uma recepção textual – não apenas visceral. O filme dirigido por Bem Safdie e Joshua Safdie é uma das exceções. O abraço a fetichização estética em nenhum momento afasta o espectador, funcionando de forma contrário ao eleva uma máxima sensorial que nos aproxima ainda mais dos trágicos personagens da obra. Jogos de iluminação agressivos, planos fechados que impossibilitam em todo segundo de projeção uma possível sensação de liberdade, trilha sonora rítmica guiada pelo caos narrativo, todas escolhas conseguem desenvolver uma relação extremamente honesta entre público e obra – mesmo que em certos momentos sua natureza estética permita formas oníricas. A dupla principal de atores – Robert Pattinson e Benny Safdie – entrega um trabalho de atuação ímpar, criando personagens dúbios que transitam em uma linha moral extremamente situacional, porém sem distanciar o espectador desses personagens. Seus vícios morais aumentam sua complexidade e fortalecem o aspecto crível da obra. Bom Comportamento é esteticamente visceral e narrativamente necessário.

7. Toni Erdmann

Direção: Maren Ade
Elenco: Sandra Hüller, Peter Simonischek

Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro no ano passado, Toni Erdmann é um drama familiar estranho que se mistura com um humor negro peculiar. A premissa traz a reaproximação de um pai e uma filha, mas o longa vai além de um mero dramalhão de reconexão. Em quase três horas (!) de duração, o filme alemão se mostra criativo, inserindo momentos absurdos do nível de vergonha alheia que somente The Office (americana ou britânica, tanto faz) poderia oferecer. É impagável ver a dureza da filha enquanto o pai insiste em fazer algo para quebrar o gelo. Toni Erdmann é uma obra que coloca as relações humanas em evidência, sendo uma forma de se dirigir a nós mesmos, como nos comportamos e nos relacionamos, em especial, com a nossa família. É estranho, pouco convencional, mas cheio de afeto e boas intenções.

6. Dunkirk

Direção: Christopher Nolan
Elenco: Fionn Whitehead, Damien Bonnard, Aneurin Barnard, Lee Armstrong, James BLoor, Barry Keoghan, Mark Rylance, Tom Glynn-Carney, Tom Hardy, Kenneth Branagh, James D’Arcy, Harry Styles, Cillian Murphy

Certamente temos aqui um filme que não é o único dessa lista a dividir opiniões. Muitos acusam Dunkirk de ser um longa revestido de muita plasticidade e pouca emoção. Outros defendem o fato de que o filme dirigido e escrito por Christopher Nolan é uma experiência cinematográfica incrível e imersiva. De fato, o filme é dotado de uma cinematografia impecável que reúne elementos que se combinam para resultar em uma experiência única. Com poucos diálogos, o longa se apoia na trilha incessante e não convencional de Hans Zimmer, que dita o tom à medida em que as situações se desenrolam. Fazendo uso de muitos efeitos práticos, planos abertos exuberantes e com sequências incríveis no mar e no ar, o filme não precisa de um óculos 3D ou outro recurso para aumentar a experiência. A imersão é inevitável e a tensão da guerra com todos os seus medos e perigos é uma constante.

5. Manchester à Beira-Mar (Manchester By the Sea)

Direção: Kenneth Lonergan
Elenco: Casey Affleck, Michelle Williams, Kyle Chandler, Lucas Hedges

O luto é livre de fórmulas. Existem certas convenções sociais de como se comportar em funerais ou enterros, porém o longo período do luto é abstrato e subjetivo. O filme de Kenneth Lonergan é justamente sobre personagens nesse denso espaço temporal. Manchester À Beira-Mar não se preocupa em fazer o espectador soltar pontuais lagrimas em momentos de pico dramático. Tal ausência é preenchida por um universo extremamente denso e claustrofóbico, que levam o espectador em uma jornada sensorial que o próprio choro seria libertador. A relação de Lee Chandler – interpretado por Casey Affleck – e seu sobrinho Patrick – Lucas Hedges – é construída na ausência do irmão de Lee e pai de Patrick. O luto une esses personagens de forma inconveniente, mesmo que cada um precise lidar com o sentimento de sua própria forma, a empatia construída pela ausência é necessária – e quiçá a salvação. Todo o trabalho de atuação é competente, buscando algo mais naturalista e que evita grandes picos dramáticos – ou algum tipo de maneirismo. Manchester à Beira-Mar é um filme visceral em sua proposta, evitando choro fácil e apostando em uma experiência mais contida que acaba soando como um longo nó na garganta.

4. A Criada (Ah-ga-ssi)

Direção: Chan-wook Park
Elenco: Min-hee Kim, Jung-woo Ha, Jin-woong Jo

A Coreia do Sul parece não estar dominando apenas a música pop, mas também o cinema. Há uma década, pelo menos, o país já vem tendo obras ímpares e Chan-Wook Park é um dos responsáveis pela notoriedade do cinema sul-coreano. Dono do clássico Oldboy, o cineasta costumeiramente posiciona seus protagonistas em situações duras de lidar, com sofrimento e provações pelo caminho; A Criada não é diferente nesse sentido. Situado na década de 1930 num Japão e numa Coreia em era colonial, o diretor estabelece, inicialmente, uma história sobre um golpe. Entretanto, a narrativa vai fazendo com que a protagonista, uma jovem ingênua que é contratada como criada e faz parte do esquema para enganar sua patroa, acabe se envolvendo demais com o seu alvo. O filme tem uma vibe sensual e trata a sexualidade (da luxúria ao descobrimento dela) de maneira delicada, realista e sem excessos — é o famigerado sexy sem ser vulgar. Além de pintar uma relação profunda e verossímil, Park também consegue ser sacana, cruel até e jogar tudo pro alto o que construiu em boa parte da película, fazendo com que tudo pareça um truque de mágica. Os plots twists são surpreendentes, mas o charme da película vai além deles. A Criada é visualmente impecável e desafiador narrativamente.

3. Blade Runner 2049

Direção: Denis Villeneuve
Elenco: Ryan Gosling, Harrison Ford, Ana de Armas, Robin Wright, Dave Bautista, Jared Leto, Mackenzie Davis, Sylvia Hoeks

Trinta anos após os eventos do primeiro filme, um novo Blade Runner, o agente K (Ryan Gosling), descobre um segredo há muito enterrado que tem o potencial de mergulhar no caos o que resta da sociedade. A descoberta de K o leva a uma investigação para encontrar Rick Deckard (Harrison Ford), um ex-policial Blade Runner que está desaparecido há três décadas. Dennis Villeneuve dirige o filme de forma primorosa, entregando sua visão definitiva do longa direto nos cinemas. Tudo o que foi pensado está ali, sem versões finais ou edições extras. Uma viagem que inclui uma imersão visual contemplativa e única, diga-se. A câmera não é apressada e se move com elegância, leve o tempo que precisar. Além disso, há uma cena envolvendo sexo que certamente é diferente de tudo o que já vimos no cinema. Sem falar na deslumbrante fotografia de Roger Deakins, sem se esquecer da direção de arte que fica por conta de Dennis Gassner, embalados pela trilha de Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch. São duas horas e meia de puro deleite visual e narrativo. Não há dúvidas: Blade Runner 2049 é um filmaço.

2. Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)

Direção: Barry Jenkins
Elenco: Mahershala Ali, Naomie Harris, Alex Hibbert, Janelle Monáe, Ashton Sanders, Jaden Piner, Shariff Earp, Duan Sanderson

Dono de um dos momentos mais memoráveis da história do Oscar — ha ha, La La LandMoonlight é merecedor do prêmio que venceu. Dono de uma invejável aclamação mundial (média 99 no Metacritic), o filme é uma saga em três atos sobre a vida de um negro que vive na periferia de sua cidade e precisa encontrar formas de sobreviver. Ser afro-descendente e pobre já é difícil o suficiente, porém adicione aí ser homossexual que a situação sofre uma considerável piora. Da infância à vida adulta, são vários os testes, traumas e situações complicadas pela qual o protagonista precisa passar. A obra é poética, porém fincada com os dois pés no chão, chegando a ser brutal; ela dá voz a um povo periférico, que normalmente não possui chance de ser ouvido. É sobre crescimento, a descoberta da sexualidade, apaixonar-se, dor, política (ainda que não seja um tema direto, toda a ambientação prova-se ser uma película de cunho altamente social), sobre a vida de muitos. São temas universais dentro de contexto atual, sendo facilmente relacionáveis. É uma película necessária. É um presente. É uma obra de arte.

1. Corra! (Get Out)

Direção: Jordan Peele
Elenco: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Catherine Keener, Bradley Whitford, Lil Rel Howery

Entre a saída de Barack Obama e a chegada de Donald Trump à Casa Branca, Corra! pareceu ser o filme certo, na hora certa. Jordan Peele, conhecido por seus trabalho dentro da comédia, acabou realizando uma obra que dialoga com o momento atual do planeta e dos EUA. Corra! mistura crítica social com absurdos, transitando entre gêneros, passando por momentos hilários até suspense e terror psicológico. É praticamente o pesadelo de qualquer negro dentro e fora da América. De certa forma, o episódio parece um excelente episódio de Black Mirror. A obra desafia o espectador a todo momento, sendo surpreendente do início ao fim, sem nunca perder seu rumo. É um trabalho que sabe pra onde vai — diferente de outros indicados ao Oscar (cof, cof, Três Anúncios Para Um Crime). É relevante, provocador, tenso, tem uma estética apurada, um elenco primoroso, um sendo de humor peculiar e situações bizarras. É um espécime único. E talvez por isso seja o favorito do Previamente no ano que passou.

Fizeram parte desta eleição:
Ewerton Mera, bacharel em Letras, mestre em Semiótica, professor de português e editor do blog Uma Estante.
Marcelo Hessel, jornalista, redator e crítico de cinema do site Omelete.
Daniel Medeiros, crítico de cinema, editor e redator do blog 7Marte, pesquisador sobre cinema de terror e membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine )
Roberto Sadovski, jornalista e crítico de cinema, escreve sobre cinema para o site UOL.
Ana Carolina Nicolau, editora do site Take 148, matemática e estudante de Jornalismo.
Leonardo Barreto, editor do site Quarta Parede.
Fellipe José Souza, estudante de Cinema e colaborador do Previamente.
Rodrigo Ramos, jornalista, editor do site Previamente, repórter do Jornal O Navegantes, curador da Cineramabc Arthouse.
Diego Benevides, jornalista e crítico de cinema. Presidente da Associação Cearense de Críticos de Cinema (Aceccine) e membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Mestrando em Comunicação – Fotografia e Audiovisual pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Colaborador do Jornal Diário do Nordeste.

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Por Leonardo Barreto, Fellipe José Souza, Ewerton Mera & Rodrigo Ramos
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