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Melhores Discos de 2017

Lorde, Kendrick Lamar, Gorillaz, Dua Lipa, Arcade Fire e SZA estão entre os destaques da música do último ano.

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Melhores Clipes de 2014

Jack White, Beyoncé, Pharrell, Arcade Fire, entre outros estão na lista

Mais um ano está prestes a acabar e o que resta é relembrar o que de bom passou. No setor videoclíptico, muitos artistas se destacaram. Uns são por conta da fidelidade do clipe com o que é narrado nas letras das canções, outros devido a criatividade e impacto visual, enquanto uma terceira parcela aposta na simplicidade e ganha a atenção do público por isso mesmo. Seja como for, 2014 provou ser um celeiro criativo na arte de fazer videoclipes. Para celebrar o que há de melhor nessa área, o Previamente selecionou os 25 melhores vídeos musicais do ano e você pode conferir todos eles abaixo.

25. Rita Ora – I Will Never Let You Down

Direção: Francesco Carrozzini

Parece que Rita Ora acertou de verdade dessa vez. Neste vídeo, são várias as ambientações, como se tudo fosse um grande ensaio fotográfico para uma revista Vogue. Tudo bem coordenado, coreografia bacana e Rita fazendo bem para os olhos.

24. Jack White – Lazaretto

Direção: Jonas & Francois

Com um show de efeitos especiais e uma guitarra frenética, Jack White pode tudo. Vidros estraçalhados, palhetas voando, dançarinas estranhas, um boi, guitarras explodindo e ele falando gentilmente no vidro de atendimento. Uma experiência visalmente marcante.

23. Animalia – Stifling

Direção: Brandon Cronenberg

Perturbado de verdade é o clipe dirigido pelo filho do cineasta David Cronenberg. Seguindo os passos do pai, ele obviamente vai pelo caminho do bizarro neste vídeo em que as pessoas têm suas respectivas faces amassadas, como se houvesse um vidro invisível. Isso regado ao som de uma banda que tem uma sonoridade parecida com de Bjork.

22. M.I.A. & The Partysquad – Double Bubble Trouble

Direção: M.I.A.

Filmado de maneira precária, M.I.A. cria uma obra um tanto ilógica, com colagens toscas, macacos, armas feitas por impressoras 3D, pessoas fumando narguilé e efeitos visuais que podem causar epilepsia e dor de cabeça. Ainda assim, por algum motivo, a obra segura a atenção do espectador.

21. Hawk House – Chill Pill (Experiment 2)

Direção: Thomas Rhazi

Sabe quando você vai a algum museu e se depara com instalações de arte? Pense várias delas juntas em um único videoclipe. É o caso de “Chill Pill (Experiment 2)”, literalmente um experimento visual que mistura os objetos cênicos com pessoas para dar um efeito ainda mais pungente para o vídeo.

20. Eminem – Headlights (feat. Nate Ruess)

Direção: Spike Lee

Quem acompanha a carreira de Eminem sabe muito bem que ele nunca teve lá um relacionamento sadio com a mãe dele. As letras de “Headlights” é uma belíssima forma de se desculpar com ela. No vídeo, dirigido pelo cineasta Spike Lee, a filmagem é boa parte em primeira pessoa, pela perspectiva da mãe de Marshall, que tenta rever o filho famoso, sem sucesso. Comovente história.

19. She & Him – Stay Awhile

Direção: CANADA

She & Him eleva o significado de air guitar e traz toda aquela vibe retrô, com direito a muita dança de Zooey Deschanel com um dançarino invisível. É muita fofura.

18. Vic Mensa – Down on My Luck

Direção: Ben Dickinson

Já deu vontade de voltar alguns minutos ou horas atrás para refazer os seus passos, para apagar o que deu de errado? No clipe de “Down on My Luck” é isso o que acontece. Vic Mensa vai a uma balada e tudo de negativo acontece com ele. Cada vez que dá um passo errado, ele volta à estaca zero e começa tudo de novo. Impossível não lembrar dos filmes Feitiço no Tempo e o mais recente No Limite do Amanhã.

17. Ed Sheeran – Don’t

Direção: Emil Nava

O motivo de “Don’t” estar na lista é porque quando você coloca os olhos no dançarino Philiph Chbeeb é impossível parar de olhar. Simples assim. Assista e você entenderá.

16. Katy Perry – This is How We Do

Direção: Joel Kefali

Katy Perry vinha de clipes que seriam melhor esquecer. No entanto, com “This is How We Do” ela finalmente acerta. Uma salada de fruta pop, com cenários muito coloridos, misturando cenários com elementos cênicos reais e fakes, pessoas em carne e osso e animação. Mesmo com certa complexidade, é o vídeo mais despretensioso do álbum Prism.

15. Chet Faker – Talk is Cheap

Direção: Toby & Pete

A técnica do stop motion é muito bem empregada aqui. A era glacial, o surgimento da vida, a evolução do planeta e a morte são esboçadas na tela, mostrando que o clico da vida não tem fim. O resultado é impressionante.

14. Foster the People – Coming of Age

Direção: BRTHR

Não basta ter uma das melhores músicas de 2014 (apesar de o disco em si ser decepcionante). O grupo de Foster remete com primor aos anos 80 tanto em sonoridade e quanto (especialmente) no vídeo, com fotografia adequada e narrativa condizente. O clipe faz menções claras a Rocky, Top Gun, além dos filmes de despertar da juventude clássicos da época, especialmente nas mãos de John Hughes.

13. Shura – Touch

Direção: Ammr Khalifa

Lembram daquele vídeo que virou febre na internet, de pessoas desconhecidas beijando umas às outras? O clipe de “Touch” parece uma resposta à ele. O vídeo é bem simples: várias pessoas se encontram – de par em par, independe dos sexos – embalados pela canção e dão beijos calorosos e afetuosos. Belo trabalho.

12. Pharrell Williams – Marilyn Monroe

Direção: Luis Cerveró

Pharrell deixa meio claro no título de seu disco qual é a dele: homenagear as mulheres de todas as maneiras. “Marilyn Monroe” talvez seja a maior homenagem à figura feminina. O clipe estampa isso de várias maneiras, com cenários perfeitos para uma boa série de fotos e vários takes mostrando mulheres no seu cotidiano (porém, elas são bem menos diversas, opostamente ao clipe de John Legend, “You & I”). Pharrell é o homem no meio de tantos símbolos femininos e ele se curva diante de todas elas.

11. Kiesza – Hideaway

Direção: Kiesza, Ljuba Castot and Rami Samir Afuni

Kiesza não só resgatou um tipo de pop noventista que estava esquecido há tempos como também trouxe um dos clipes mais memoráveis do ano. Dançando pelas ruas do Brooklyn, em Nova York, a cantora vai de rua em rua, naturalmente, enquanto os outros dançarinos se envolvem cena a cena no clipe. Aparentemente, sem edição (pode até ter, e se tiver, é um baita trabalho eficiente), o vídeo conta com uma coreografia bem orquestrada e Kiesza se mostra um dos talentos promissores da música e dos videoclipes.

10. Lykke Li – No Rest For the Wicked

Direção: Tarik Saleh

A melhor história de amor contada em um clipe em 2014 é este aqui. Dá pra saber exatamente o que está rolando? Não. Mas é fácil notar que as pessoas ao redor do casal do vídeo não veem com bons olhos a relação. É tão singela a dinâmica deles que dentro de alguns instantes acreditamos nesse amor proibido e que não tem um desfecho feliz.

9. OK Go – The Writing’s on the Wall

Direção: Aaron Duffy, Damian Kulash, Jr. & Bob Partington

Os caras do OK Go a cada ano parecem se superar na arte videoclíptica. Neste caso, eles brincam com a ilusão de ótica com cores, formas, objetos e efeitos especiais. É tudo feito num galpão enorme, espaço o suficiente para uma instalação de arte gigante para brincar com a percepção do espectador. Uma obra fascinante.

8. Arcade Fire – We Exist

Direção: David Wilson

Estrelando Andrew Garfield, o clipe de “We Exist” casa muito bem com as letras da banda ao mostrar os conflitos de um rapaz que está lutando com a identidade de seu gênero e sai de casa vestido como mulher. É um clipe um tanto impactante, ousado e que tem como viés derrubar algumas barreiras. Se fez tanta diferença em escala global eu não sei dizer, porém a atitude do grupo é louvável. Belíssimo resultado com um dos melhores trabalhos de Garfield, mostrando não ter medo de se arriscar profissionalmente.

7. DJ Snake & Lil Jon – Turn Down For What

Direção: Daniels

Todo mundo está possuído pelo ritmo ragatanga neste vídeo. Começa com apenas um, no topo de um prédio. Conforme ele vai quebrando os pisos dos apartamentos, o ritmo contagiante toma conta enquanto rolam os alucinantes movimentos dançantes frenéticos. Os efeitos especiais são fantásticos e a insanidade do clipe é divertidíssima.

6. Beyoncé – 7/11

Direção: Beyoncé Knowles

Surgido na conta pessoal de Beyoncé no Youtube para promover o lançamento da “Platinum Edition” de seu disco homônimo, a cantora pega sua câmera e faz filmagem própria. Ela capta momentos seus em quarto de hotel enquanto está sozinha, com as amigas, secando cabelo, brincando com a decoração da árvore de natal, enfim, curtindo a vida. O resultado é prazeroso e percebe-se a naturalidade na concepção do vídeo. A cantora pode ser conhecida pelos seus videoclipes com altíssima produção, mas o vídeo caseiro de “7/11” está definitivamente entre os melhores.

5. Jamie xx – Sleep Sound

Direção: Sofia Mattioli and Cherise Payne

Difícil imaginar a vida sem música. Porém, os deficientes auditivos vivem essa experiência que para a maioria de nós é inimaginável. Diante de um comentário recebido de uma surda, que dizia que quase sentia a música ao vê-la dançar, a artista Sofia Mattioli resolveu dar essa oportunidade para outras pessoas com problemas de audição: dançar com eles, fazê-los sentir a música, sem ouvi-la de verdade, somente com os movimentos da dança.

4. Tove Lo – Habits (Stay High)

Direção: Motellet

A odisseia da cantora Tove Lo é perfeita no que se refere tentar superar um coração partido. No videoclipe do hit “Habits (Stay High)”, acompanhamos a saga diária da garota, do começo do dia até a cerimônia de se aprontar para sair em mais uma balada. As bebidas, os cigarros, as noitadas, os beijos e as transas são somente um cano de escape para adormecer a dor que ela sente. Nós da redação não recomendamos, mas compreendemos o sentimento. O clipe capta bem essa emoção devastadora presente na canção.

3. Taylor Swift – Blank Space

Direção: Joseph Kahn

A mudança de country para pop de Taylor Swift pode não ter sido um acerto completo sonoramente, mas ao menos a cantora agora tem se arriscado mais em seus clipes. “Shake It Off” é ela rindo de si mesma e suas limitações. Com “Blank Space” ela mostra um lado psicótico que, a julgar pela quantidade de ex-namorados oficiais que ela possui, deve ser um retrato verídico dela – ou ao menos parcial. Da doçura à loucura extrema, o vídeo consegue seguir perfeitamente o curso da composição e o resultado é um clipe criativo, luxuoso e divertido.

2. John Legend – You & I (Nobody in the World)

Direção: Mishka Kornai

John Legend parece entender a mente feminina e por isso faz músicas que tocam fundo no coração, até mesmo na alma. “All of Me” pode ter sido uma das canções mais tocadas do ano, mas “You & I (Nobody in the World)” tem letra e melodia tão belas quanto ao single notório e o videoclipe é de emocionar qualquer um. Parece simples. Foram juntadas várias mulheres, de todos os gêneros, profissões e idades, filmadas em meio ao seu dia a dia. É fantástico, vai por mim.

1. Sia – Chandelier

Direção: Sia & Daniel Askill

Dava pra imaginar que o melhor clipe do ano seria estrelado por uma dançarina de apenas 11 anos? Maddie Ziegler é a incrível protagonista de “Chandelier”, uma música potente (perderam essa hein, Rihanna e Beyoncé) e que colou com gosto na mente das pessoas em 2014. O vídeo traz a garota dançando dentro dos cômodos de um apartamento. Ela se estica, pula, faz careta, gira, se joga no chão e contra a parede, rola, ou seja, faz de tudo em menos de quatro minutos. O resultado é embasbacante – e a menina sabe a coreografia de cor, como já mostrou dançando ao vivo em alguns programas. Quando lançado, foi uma grande surpresa e ao longo dos meses do ano foi se consolidando como o melhor clipe que veríamos em 2014.

Confira também:
Melhores Discos de 2014
Melhores Clipes de 2013
Melhores Clipes de 2012
Melhores Clipes de 2011

Por Rodrigo Ramos

MTV VMA 2014 | Os Vencedores

Miley Cyrus conquista o principal prêmio da noite; Beyoncé é homenageada pela carreira

Wrecking Ball Miley Cyrus VMA

Por Rodrigo Ramos

O MTV Video Music Awards 2014 aconteceu na noite deste domingo (24), e teve como a grande vencedora Miley Cyrus. O clipe de “Wrecking Ball”, dirigido por Terry Richardson, foi coroado como melhor vídeo do ano. Já Beyoncé, a artista que liderava a lista de indicados, com oito nomeações, levou pra casa o prêmio Michael Jackson Video Vanguard por sua importância e contribuição à música e ao mundo dos videoclipes. Para receber o prêmio, ela se apresentou com um medley de 15 minutos das músicas do seu último álbum, encerrando a premiação. Ela também faturou os troféus de melhor vídeo com mensagem e fotografia para “Pretty Hurts” e melhor colaboração com “Drunk in Love”.

MTV Video Music AwardsTambém se apresentaram na festa Usher, Maroon 5, Taylor Swift, Ariana Grande, Nicki Minaj, Jessie J, 5 Seconds of Summer,  Taylor Swift, Iggy Azalea, Rita Ora e Sam Smith.

Confira abaixo os vencedores (em dourado), além dos demais indicados.

Melhor Clipe do Ano
Beyoncé ft. Jay Z – “Drunk In Love”
Iggy Azalea ft. Charli XCX – “Fancy”
Miley Cyrus – “Wrecking Ball”
Pharrell Williams – “Happy”
Sia – “Chandelier”

Melhor Clipe de Hip-Hop
Childish Gambino – “3005″
Drake ft. Majid Jordan – “Hold On (We’re Going Home)”
Eminem – “Berzerk”
Kanye West – “Black Skinhead”
Wiz Khalifa – “We Dem Boyz”

Melhor Clipe Masculino
Ed Sheeran ft. Pharrell Williams – “Sing”
Eminem ft. Rihanna – “The Monster”
John Legend – “All of Me”
Pharrell Williams – “Happy”
Sam Smith – “Stay With Me”

Melhor Clipe Feminino
Ariana Grande ft. Iggy Azalea – “Problem”
Beyoncé – “Partition”
Iggy Azalea ft. Charli XCX – “Fancy”
Katy Perry ft. Juicy J – “Dark Horse”
Lorde – “Royals”

Melhor Clipe de Pop
Ariana Grande ft. Iggy Azalea – “Problem”
Avicii ft. Aloe Blacc – “Wake Me Up”
Iggy Azalea ft. Charli XCX – “Fancy”
Jason Derulo ft. 2 Chainz – “Talk Dirty”
Pharrell Williams – “Happy”

Melhor Clipe de Rock
Arctic Monkeys – “Do I Wanna Know?”
Black Keys – “Fever”
Imagine Dragons – “Demons”
Linkin Park – “Until It’s Gone”
Lorde – “Royals”

Aristas Para Ficar de Olho
5 Seconds of Summer – “She Looks So Perfect”
Charli XCX – “Boom Clap”
Fifth Harmony – “Miss Movin’ On”
Sam Smith – “Stay With Me”
Schoolboy Q – “Man of the Year”

Melhor Colaboração
Ariana Grande ft. Iggy Azalea – “Problem”
Beyoncé ft. Jay Z – “Drunk In Love”
Chris Brown ft. Lil Wayne and Tyga – “Loyal”
Eminem ft. Rihanna – “The Monster”
Katy Perry ft. Juicy J – “Dark Horse”
Pitbull ft. Kesha – “Timber”

Prêmio MTV Clubland (música eletrônica)
Calvin Harris – “Summer”
Disclosure – “Grab Her!”
DJ Snake & Lil Jon – “Turn Down For What”
Martin Garrix – “Animals”
Zedd ft. Hayley Williams – “Stay the Night”

Melhor Clipe com Mensagem Social
Angel Haze ft. Sia – “Battle Cry”
Avicii ft. Dan Tyminski – “Hey Brother”
Beyoncé – “Pretty Hurts”
David Guetta – “One Voice”
J. Cole – “Crooked Smile”
Kelly Rowland – “Dirty Laundry”

Melhor Fotografia
30 Seconds to Mars – “City of Angels”
Arcade Fire – “Afterlife”
Beyoncé – “Pretty Hurts”
Gesaffelstein – “Hate Or Glory”
Lana Del Rey – “West Coast”

Melhor Edição
Beyoncé – “Pretty Hurts”
Eminem – “Rap God”
Fitz and the Tantrums – “The Walker”
MGMT – “Your Life is a Lie”
Zedd ft. Hayley Williams – “Stay the Night”

Melhor Coreografia
Beyoncé – “Partition”
Jason Derulo ft. 2 Chainz – “Talk Dirty”
Kiesza – “Hideaway”
Michael Jackson ft. Justin Timberlake – “Love Never Felt So Good”
Sia – “Chandelier”
Usher – “Good Kisser”

Melhor Direção
Beyoncé – “Pretty Hurts”
DJ Snake & Lil Jon – “Turn Down For What”
Eminem ft. Rihanna – “The Monster”
Miley Cyrus – “Wrecking Ball”
OK Go – “The Writing’s On The Wall”

Melhore Direção de Arte
Arcade Fire – “Reflektor”
DJ Snake & Lil Jon – “Turn Down For What”
Eminem – “Rap God”
Iggy Azalea ft. Charli XCX – “Fancy”
Tyler, the Creator – “Tamale”

Melhores Efeitos Especiais
Disclosure – “Grab Her!”
DJ Snake & Lil Jon – “Turn Down For What”
Eminem – “Rap God”
Jack White – “Lazaretto”
OK Go – “The Writing’s On The Wall”

Melhor Lyric-Video
5 Seconds of Summer – “Don’t Stop”
Demi Lovato ft. Cheryl Llooyd – “Really Don’t Care”
Ariana Grande ft. Iggy Azalea – “Problem”
Katy Perry – “Birthday”
Austin Mahone ft. Pitbull – “Mmm Yeah”

Michael Jackson Video Vanguard
Beyoncé

Há 10 Anos na Música | Review Retrô

Por Rodrigo Ramos

Previamente resolveu fazer um grande especial, um Review Retrô com o que aconteceu há dez anos na cultura pop, abraçando o cinema, a TV e a música. Nós olhamos o passado com bons olhos e curtimos uma nostalgia caprichada.

Confira a primeira parte do especial Há 10 Anos no Cinema

Confira a segunda parte do especial Há 10 Anos na TV

Nesta terceira e última edição, fizemos um apanhado sobre os 50 principais singles que representam a essência de 2004, além dos cinco álbuns mais marcantes deste ano – não necessariamente os melhores, mas os que ainda hoje lembramos com muito carinho e nem parece que saíram há tanto tempo assim.

Cinco Discos Marcantes de 2004!

Franz Ferdinand – Franz Ferdinand
Dois mil e quatro foi um ano em que o indie rock explodiu de tal maneira que ninguém anteriormente poderia prever. Teve álbum das bandas Kasabian, Interpol, The Libertines e Iron & Wine. Porém, destaque de verdade foi o disco de estreia dos escoceses do Franz Ferdinand. Autointitulado, o cd não é melodicamente original e tampouco suas letras, porém a banda consegue manter tudo interessante o suficiente para criar um espectro de diversão sonora. Há momentos empolgantes como em “Cheating on You” e “Michael”, outros mais introspectivos como em “Come on Home” e grandes faixas que se transformam dentro de si próprias como “Jacqueline” e “Take Me Out”, esta uma das melhores faixas da década passada.

Franz Ferdinand - Franz Ferdinand

Arcade Fire – Funeral
Olhando pra trás, hoje é fácil identificar Funeral como um dos melhores álbuns da década passada. Em seu primeiro trabalho, os caras do Arcade Fire já mostraram o que iriam entregar para todos nós ao longo dos anos. A ousadia musical é um dos fatores que chama a atenção. É uma verdadeira salada mista sonora, com uma rica variedade instrumental e até vocal. A sensação é de estar diante de uma ópera, em que cada ato (neste caso, faixa) é uma singular história (não é só na música country que se conta histórias, afinal) e que culmina num impactante ápice ao final de cada um deles, mas que juntos se tornam uma grandiosa obra. Emociona, empolga, arrepia. É o tipo de disco que se espera de um grupo com anos de estrada e muita experiência nas costas, mas o Arcade Fire provou logo de cara que seria uma das maiores bandas do planeta – e continua provando isso.

Arcade Fire - Funeral

Kanye West – The College Dropout
Para mim, o rap (re)nasceu a partir de 2004 quando ouvi esse disco. Nunca fora o meu gênero favorito, mas Kanye West traz um frescor à ele em seu trabalho que é impossível não se envolver e se entreter ao som de The College Dropout. Aqui ele ainda era um cara modesto dentro das possibilidades – nada de Yeezus. Suas canções não seguem um padrão rítmico, sendo cada faixa fazendo parte de seu próprio universo. Ele consegue ser mais simpático em faixas como “We Don’t Care”, mais intimista como em “All Falls Down”, político e religioso como em “Jesus Walks”, fala sobre família em “Family Bussiness”, e visita o R&B como em “Slow Jamz”. Kanye mostra grande facilidade na hora de criar melodias e letras, alcançando rimas impensáveis e trazendo à tona várias histórias e temas diferentes. Tudo bem, Jay Z é sortudo por ter Beyoncé, mas desde 2004 não há dúvidas de que Kanye West é o rei do rap e hip-hop. E ele sabe disso.

The College Dropout

Green Day – American Idiot
Um dos principais representantes do punk-rock de garagem dos anos 90, o Green Day se reinventou com American Idiot, um álbum odiado por alguns dos fãs xiitas que acham que eles tinham de permanecer na inércia dos álbuns anteriores. Não me entenda mal. O Green Day das antigas é muito bom no que faz, mas o sentimento de rebeldia jovial não funciona da mesma forma depois que se passa dos 30 anos. Por isso CPM 22 não faz mais sucesso hoje, pessoal, felizmente (ou não). American Idiot é um verdadeiro desafio para a banda liderada por Billie Joe Armstrong. Ainda há vestígios do DNA noventista, porém a sonoridade é bem mais adulta e apresenta um rock bem mais organizado. American Idiot não parece ter sido feito na garagem – para o bem e para o mal. A grande sacada aqui é transformar o disco em uma ópera rock, transformando as faixas, bem diferentes entre si, numa única narrativa. “Jesus of Suburbia”, canção de pouco mais de nove minutos, representa muito bem a bipolaridade do álbum. Ela própria é uma das melhores, mas vale também destacar a zoeira “American Idiot”, a punk “St. Jimmy” e a tocante “Wake Me Up When September Ends”. Outro trunfo do sétimo disco da banda é inserir um contexto político e trabalhar melhor suas letras, que em trabalhos anteriores por vezes eram vazias, mas que aqui possuem significado.

Green Day American Idiot

The Killers – Hot Fuss
É difícil uma banda acertar tão em cheio logo no primeiro disco. Aqui nesta lista já vimos alguns casos de que isso é possível. Pois bem, The Killers surgiu faz 10 anos com Hot Fuss, um disco quase irretocável. Desde a primeira faixa, “Jenny Was a Friend of Mine”, já dá pra perceber que a banda quer levantar voo e fazer as caixas de som explodir, misturando synth-pop com um rock n roll caprichado, movido a refrões empolgantes para serem cantados no volume mais alto que a sua voz conseguir alcançar. É uma canção melhor do que a outra, desde as mais pessoais como “Mr. Brightside” e “Smile Like You Mean It”, até as mais empolgantes e divertidas e dançantes como “Somebody Told Me” e “Midnight Show”. Brandon Flowers sabe como escrever uma letra e o hype em cima da banda e do disco não é em vão. Pena que ao longo dos anos não tenha conseguido manter o alto nível desse jeito.

The Killers - Hot Fuss

As 50 Músicas Que Marcaram 2004!

A seleção de músicas abaixo não necessariamente aponta quais foram as melhores. O intuito desta lista é lembrá-lo o que estava tocando no som dos carros, nas rádios, no seu mp3, na internet, nas festas e na MTV. Algumas delas até são de 2003, mas estouraram somente em 2004. Então aumente o volume, mergulhe na nostalgia e aproveite essas canções.

Britney Spears – “Toxic”

Evanscense – “My Immortal”

Maroon 5 – “She Will Be Loved”

Alicia Keys – “If I Ain’t Got You”

Avril Lavigne – “My Happy Ending”

Kanye West – “Jesus Walks”

Ja Rule – “Wonderful (feat. Ashanti & R. Kelly)”

Kelly Clarkson – “Breakaway”

Destiny’s Child – “Lose My Breath”

Snoop Dogg – “Drop It Like It’s Hot (feat. Pharrell)”

Arcade Fire – “Neighborhood #1 (Tunnels)”

Gwen Stefani – “What You Waiting For?”

Franz Ferdinand – “Take Me Out”

Jay Z – “99 Problems”

Fabolous – “Breathe”

M.I.A. – “Galang”

The Killers – “Mr. Brightside”

Black Eyed Peas – “Let’s Get it Started”

Blink 182 – “I Miss You”

Counting Crows – “Accidentally in Love”

Pitty – “Equalize”

Keane – “Somewhere Only We Know”

JoJo – “Leave (Get Out)”

Joss Stone – “You Had Me”

Daddy Yankee – “Gasolina”

Vanessa da Mata – “Ai, Ai, Ai”

Seu Jorge – “Tive Razão”

Natasha Bedingfield – “These Words”

Green Day – “Boulevard of Broken Dreams”

U2 – “Vertigo”

Khia – “My Neck, My Back (Lick It)”

Eric Prydz – “Call On Me”

Kylie Minogue – “Red Blooded Woman”

John Mayer – “Daughters”

O-Zone – “Dragostea Din Tei”/ Latino – “Festa no Apê”

Slipknot – “Duality”

Ashlee Simpson – “Pieces of Me”

Eminem – “Just Lose It”

Titãs – “Enquanto Houver Sol”

The Strokes – “Reptilia”

David Guetta – “The World is Mine (feat. JD Davis)”

Ciara – “Goodies (feat. Petey Pablo)”

Beastie Boys – “Ch-Check It Out”

My Chemical Romance – “I’m Not Okay (I Promise)”

Simple Plan – “Welcome to My Life”

Nina Sky – “Move Ya Body”

Usher – “Yeah! (feat. Ludacris & Lil Jon)”

Beyoncé – “Naughty Girl”

Hoobastank – “The Reason”

Outkast – “Hey Ya!”

Melhores Discos de 2013

É difícil imaginar a vida sem música. Qual seria a graça da vida sem ela? Você pode perguntar para alguém do que ela não gosta. Ela pode não gostar de chocolate. De cinema. De séries. De futebol. Mas dificilmente você conhecerá uma pessoa que detesta todo e qualquer tipo de música. Aquela longa viagem de carro. A caminhada na praia. Horas de exercício na academia. Um momento mais introspectivo, sozinho em casa. A balada do fim de semana. Um jantar a dois. Um longa-metragem no cinema. A vida não teria graça se nessas situações (e muitas outras) não tivéssemos uma trilha sonora.

Ao longo de 12 meses diversas canções embalaram nossas vidas e alguns discos nos marcaram. Rock, Pop, MPB, R&B, Rap, Indie, Folk, Country. Cada gênero teve seu momento e a responsabilidade de listar os 21 álbuns mais importantes do ano ficou nas mãos de um juri de 11 integrantes (a lista completa de jurados está no fim da postagem). A amostra é apenas um recorte. Discorde ou concorde, esta é lista que merece ser ouvida.

21. Apanhador Só – Antes Que Tu Conte Outra

Por Lucas Paraizo

Os gaúchos do Apanhador Só já haviam mostrado que tinham algo de diferente no seu primeiro disco e com os shows feitos com instrumentos de sucata. Mas em Antes Que Tu Conte Outra a banda mostra que é talvez a mais interessante da música brasileira atualmente. Experimental, cheio de energia e com letras incríveis, o disco é rock, samba e acústico. Único e vibrante.

Faixas de Destaque: Não Se Precipite, Despirocar, Vitta, Ian e Cassales

Apanhador Só - Antes Que Tu Conte Outra

20. Pearl Jam – Lightning Bolt

Por Roberto Vieira

O Pearl Jam é fiel à fórmula que o guindou a ser uma das estrelas do movimento grunge que despontou a partir de Seattle entre o final dos anos 80 e começo dos 90. Mas não ficou restrito à fórmula que consagrou bandas como o Nirvana. Ganhou substância sem perder a essência. Por isso a mistura de rocks vibrantes como Getaway, que abre o álbum Lightning Bolt, a baladas como Sirens, em que a voz de Eddie Vedder atinge imediatamente a memória afetiva de fãs que foram cooptados por hits como Last Kiss ou Jeremy é certeira.

Hardcore como o exibido em Mind Your Manners; Sirens, que caiu imediatamente no gosto dos ouvintes da Univali FM assim que foi lançada; a reflexiva Yellow Moon ou mesmo a dançante Lightning Bolt, que dá nome ao trabalho e talvez signifique a síntese das 12 faixas que compõem um dos melhores álbuns do ano de 2013.

Faixas de Destaque: Sirens, Lightning Bolt, Swallowed Whole

Pearl Jam - Lightning Bolt

19. HAIM – Days Are Gone

Por Lucas Paraizo

As irmãs Haim em uma aula sobre como fazer um disco pop de qualidade e relevância. Famosas desde o ano passado, quando lançaram o belo single Forever, as meninas conseguiram trazer em Days Are Gone um álbum surpreendentemente coeso e interessante, com referências que vão do rock clássico ao indie, passando pela música country e dando um abraço no Fleetwood Mac. Days Are Gone tem músicas para todos os gostos, mas sem parecer uma mistura sem sentido. É um disco pop feito por quem entende e preza pela música.

Faixas de Destaque: Falling, Don’t Save Me, Let Me Go

Haim - Days Are Gone

18. Wado – Vazio Tropical

Por Lucas Paraizo

Wado não faz parte desse grupo de artistas que gostamos de chamar de “a nova MPB”, ele já estava lá bem antes, e foi com essa visão já madura que o compositor fez em Vazio Tropical um dos discos mais significativos da música brasileira pós-Los Hermanos. Com produção impecável de Marcelo Camelo, o álbum é pura poesia do início ao fim, com instrumental minimalista e sereno, evocando sutilmente um cenário de fim de tarde na praia. Música brasileira no seu mais alto nível.

Faixas em Destaque: Cidade Grande, Rosa, Canto dos Insetos

Wado - Vazio Tropical

17. Vanguart – Muito Mais Que O Amor

Por Rodrigo Ramos

O novo álbum do Vanguart é feito pra exaltar o amor e todas as sensações causadas por ele. A banda dispõe de um lirismo fantástico e cada letra escrita por eles é uma bela poesia, musicadas para beijar nossos ouvidos com doce delicadeza. A sonoridade dos caras continua evoluindo. Talvez estejam mais pop e acessíveis do que outrora, mas a pegada folk continua sobrepondo as outras inspirações. Muito Mais Que O Amor nos faz suspirar e desejar ardentemente sentir o amor e tudo o que ele reserva – pro bem ou pro mal.

Faixas de Destaque: Demorou Pra Ser, Estive, Olha Pra Mim

Vanguart - Muito Mais Que o Amor

16. Emicida – O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui

Por Lenon Cesar

Confesso que nunca gostei de rap. Sempre achei as letras muito pesadas e as músicas muito depressivas, até que um dia eu ouvi esse álbum do Emicida. Arranjos muito bem elaborados, letras bem pensadas e participações de músicos de variados gêneros. Um álbum que mostra o porquê o rap está com tanta evidencia no Brasil. Um álbum nacional de excelente qualidade!

Faixas de Destaque: Sol de Giz de Cera, Hoje Cedo (part. Pitty), Levanta

Emicida - O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui

15. Jake Bugg – Shangri La

Por Rodrigo Ramos

Com o seu disco de estreia, autointitulado, Jake Bugg trazia um trabalho incrível para um rapaz de apenas 18 anos. Nada de pop insignificante como Justin Bieber. Nada disso. A voz nasalada nos lembra do grandioso Bob Dylan e em Shangri La ele se aproxima ainda mais dele. O primeiro disco trazia mais seriedade, enquanto o segundo traz novas facetas do cantor, que sofreu uma grande influência do country neste novo álbum, se arriscando com êxito no gênero, além de se dar muito bem com o folk – presente em todo o trabalho – e o R&B. Como disse Roberto Vieira, é a receita clássica do rock. É difícil crer que num intervalo de um ano, Bugg tenha entregado dois discos com identidade própria e tão consistentes – tendo apenas 19 anos! Esperamos muito desse garoto.

Faixas de Destaque: What Doesn’t Kill You, Slumsville Sunrise, Me And You

Jake Bugg - Shangri La

14. Paul McCartney – New

Por Dinho de Oliveira

Definimos esse álbum em uma palavra: Beatles. Sir Paul McCartney mostra que está com a mesma genialidade do seu rock coxinha que o consagrou na melhor banda de rock de todos os tempos. New é a ousadia de Paul, de lançar um trabalho com inéditas após seis anos, e a responsabilidade de substituir o ótimo trabalho de regravações da década de 40, o também ótimo Kisses On The Bottom.

Faixas de Destaque: Save Us, Queenie Eye, New

Paul McCartney - New

13. Laura Marling – Once I Was An Eagle

Por Rodrigo Ramos

Acrobacias musicais às vezes são necessárias para fazer com que uma composição de qualidade duvidosa consiga ser “salva”. Efeitos eletrônicos, diversos instrumentos, vários vocais, e por aí vai. Laura Marling parece confiante no seu trabalho. Once I Was An Eagle depende quase que unicamente do talento dela. A cantora e compositora toca seu violão e usa o tom suave de sua voz para nos impactar com suas letras arrojadas. Ela abre o álbum com uma ópera rock de sete músicas, sendo ligadas pelo ritmo e pela história contata nas estrofes. O disco é uma calmaria só, relaxando a mente e alimentando a alma.

Faixas de Destaque: I Was An Eagle, Devil’s Resting Place, Master Hunter

Laura Marling - Once I Was An Eagle 

12. Maglore – Vamos Pra Rua

Por Ruca Souza

Esse disco mostra tudo o que eu espero do rock nacional: melodias espertas, letras com poesia tanto deliciosa quanto acessível. E também uma evolução criativa enorme da Maglore, bonita de ver. A profundidade sentimental que se chega ouvindo Motor mostra isso. Considero o melhor disco nacional de 2013, o mais gostoso de ouvir. Download grátis em www.maglore.com.br

Por Roberto Vieira

Fiel à tradição de Gil e Caetano, que desde os anos 1960 misturam o som brasileiro às tendências internacionais, os baianos revigoram o que o tropicalismo deixou de mais fundamental, a abertura às várias possibilidades de desenvolver sua música. O sotaque carregado de Salvador, na voz de Teago Oliveira, as menções frequentes aos lugares da capital da Bahia, a participação de Carlinhos Brown na canção que soa como se os Novos Baianos retomassem a carreira, Quero Agorá, tudo isso deixa registrado que é uma banda de rock fiel ao legado do tropicalismo.

Faixas de Destaque: Motor, Baby, Vamos Pra Rua

Maglore - Vamos Pra Rua

11. Kanye West – Yeezus

Por Rodrigo Ramos

Kanye West é o cara que estourou com a canção Jesus Walks, aonde ele pedia para que Jesus o ajudasse a encontrar o caminho, pois o diabo estava tentando derrubá-lo. Com uma carreira invejável e 21 prêmios Grammy na estante, West aparentemente não precisa mais de Jesus. Ele é sua própria salvação, e agora se considera um deus – e na mesma canção, I Am A God, ele ainda consegue falar sobre o caso do croissant. Yeezus é o puro ego de West transbordando. E mesmo assim, é pura genialidade. Ele exagera nos samples (mas dane-se, funciona), consegue ser polêmico (o que não é novidade), fala sobre política, racismo, religião, sexo, dinheiro e até mesmo sobre sentimentos. “Você se lembra de quando nos conhecemos? Ok, eu não me lembro quando a gente se conheceu. Mas admitir é o primeiro passo”. Esse é o romantismo de West, preservando sua identidade e traduzindo sua sinceridade extrema. Pode não ser o seu melhor trabalho, mas Yeezus prova que o talento dele é inesgotável.

Faixas de Destaque: Bound 2, Hold My Liquor, New Slaves

Kanye West - Yeezus 

10. James Blake – Overgrown

Por Lucas Paraizo

James Blake ajudou a definir o que chamamos de “post-dubstep” com seu primeiro disco, colocando a música eletrônica em contato com o soul e o jazz. No seu segundo disco, Blake vai lá e redefine o seu próprio gênero, indo cada vez mais para o lado soul, soltando a voz e o piano juntos das batidas de dubstep. Take a Fall For Me, com o rapper RZA, mostra o encontro possível de todos os gêneros com o rap, e afirma novamente Blake como um dos produtores mais interessantes da atualidade.

Faixas de Destaque: Take a Fall For Me (feat. RZA), Retrograde, Digital Lion

James Blake - Overgrown

9. Justin Timberlake – The 20/20 Experience

Por Rodrigo Ramos

Sete anos separaram Justin Timberlake da música. Felizmente, em 2013 ele nos surpreendeu com um dos melhores discos pop dos últimos anos. Timberlake foi ambicioso e fez de The 20/20 Experience um grande experimento musical. Ele traz traços autorais e se destaca entre o pop descartável dos dias atuais. As canções, em sua maioria, são mais longas do que o público está acostumado, mas tudo faz parte da experiência musical que Timberlake se atreve a realizar. Metade do álbum mergulha no R&B (Blue Ocean Floor e Suit & Tie) trazendo classe ao álbum, havendo também espaço para arriscar-se no ritmo latino-americano (Let the Groove Get In) e de criar hits como Mirrors, facilmente uma das três melhores canções de 2013.

Faixas de Destaque: Mirrors, Suit & Tie (feat. Jay Z), Let the Groove Get In

Justin Timberlake - The-20/20 Experience 

8. Kurt Vile – Wakin on a Pretty Daze

Por Igor Machado

Kurt disse que nesse disco ele queria só seguir sua guitarra, e isso resultou em uma viajem profunda (e longa) pela psicodelia preguiçosa de Kurt, algo como se Dorival Caymmi encontrasse Syd Barret. As melodias desse disco são lindas, delicadas, a cada momento emergem novas camadas que se entrelaçam com a guitarra, que segue como se tivesse criando tudo aquilo. Kurt Vile e sua guitarra mágica. No final das contas Kurt Vile é isso, um guri e uma guitarra.

Faixas de Destaque: Wakin on a Pretty Day, KV Crimes, Goldtone

Kurt Vile – Wakin on a Pretty Daze

7. Vampire Weekend – Modern Vampires of the City

Por Lucas Paraizo

O Vampire Weekend parecia muito mais uma banda de hype indie do que qualquer outra coisa, com dois discos lançados que alcançaram vários fãs e foram ignorados por tantos outros. Modern Vampires of the City é completamente diferente. Composições complexas que vão do indie rock ao afrobeat, aceleram e pisam no freio, vão da batida eletrônica ao piano. É um disco de beleza única e com uma qualidade quase incomparável no ano.

Faixas de Destaque: Step, Don’t Lie, Diane Young

Vampire Weekend - Modern Vampires of the City

6. The National – Trouble Will Find Me

Por Roberto Vieira

Uma banda independente, incensada pela crítica, tinha tudo para ser um daqueles casos de amor incondicional de ex-músicos frustrados atuando na mídia e levantando a bola de quem nunca chegará a dominar a cena. Normalmente bandas assim soam incompreensíveis, distantes do que o público pode consumir. A música do The National, apesar de não ser a mais radiofônica, é acessível, sem ser previsível. Mudanças no andamento, dissonâncias… Os caras de Cincinatti fogem do convencional, mesmo fazendo um som facilmente apreciável, como acontece em baladas como I Should Live In Salt e Heavenfaced.

Os vocais soturnos de Matt Berninger, cujo timbre lembra o de Bryan Ferry, dão a interpretação precisa às letras melancólicas, formando um conjunto harmônico com os arranjos tecnodarks interpretados pelos gêmeos Bryce e Aaron Dessner (guitarra e teclado) e os irmãos da cozinha, Scott e Bryan Devendorff, baixo e bateria, respectivamente. É a receita de Trouble Will Find Me, o bem-sucedido sexto álbum de um grupo indie que demonstra em números que é possível fazer sucesso sem concessões.

Faixas de Destaque: Don’t Swallow the Cap, Demons, I Need My Girl

The National - Trouble Will Find Me

5. Queens of the Stone Age – …Like Clockwork

Por Ruca Souza

Um álbum com canções de certa forma diferentes do que o que Queens of the Stone Age costuma fazer. Bem mais intimista e reflexivo. Um disco contemplativo, que mostra o momento da banda agora: deixando um pouco os hits de lado e pegando pesado na introspecção. A bela I Appear Missing é um misto dessas duas coisas.

Faixas de Destaque: …Like Clockwork, I Appear Missing, If I Had a Tail

Queens of the Stone Age - ...Like Clockwork

4. Arcade Fire – Reflektor

Por Rodrigo Ramos

Apesar de muito fã ter nascido com o disco Funeral, foi com The Suburbs que nasceu minha admiração pelo Arcade Fire. As composições daquele álbum ainda me seguem e é certamente um dos melhores discos da história da música. Com um Grammy de melhor disco nas mãos, a banda tinha muita responsabilidade nas costas para seu retorno. Reflektor ganhou vida e alguns desconfiaram do trabalho. Talvez eles estivessem se esforçando demais para se provar uma das melhores bandas da atualidade. Pode até ser. Em alguns instantes, Reflektor soa um pouco presunçoso demais, mas as intenções do Arcade Fire são genuínas. Eles largaram mão de tentar abraçar um público maior e investiram em uma experimentação completa.

Os vocais continuam arrepiando e as letras não se encaixam na mesmice do universo musical atual. No meio disso, a inovação sonora da banda é evidente. São coisas malucas. De ritmos eletrônicos passa-se para um batuque que parece que o Olodum está presente na canção. O som do baixo mescla-se com as teclas do piano, a batida enfurecida da bateria e flutuamos com o arranjo eletrônico. São coisas que somente Reflektor pode nos oferecer. É um disco que tem licença para fazer o que bem entender e o resultado é mais uma obra de arte de Arcade Fire, com seus defeitos e qualidades.

Faixas de Destaque: Afterlife, We Exist, Porno

Arcade Fire - Reflektor

3. Arctic Monkeys – AM

Por Rodrigo Ramos

Os dois primeiros álbuns do Arctic Monkeys soavam como um rock de garagem de alto nível. Bateria e guitarra nervosas e os versos disparados como metralhadora mostravam o entusiasmo juvenil da banda de Alex Turner. Com o tempo, no entanto, os integrantes evoluíram – positiva ou negativamente, depende do ponto de vista. A questão é que ninguém esperava que os macacos do ártico continuassem fazendo o mesmo som, disco após disco. Se o fizessem, não seriam uma das bandas de maior admiração dos últimos 10 anos. AM é mais um marco na carreira dos caras, mostrando que eles estão sempre dispostos a reverem-se e se repaginarem, sem medo. A influência para que isso ocorresse veio de Josh Homme, que colaborou na produção do disco. É fácil sentir o DNA do Queens of the Stone Age aqui, nos riffs deslizantes, na batida forte da bateria, nos falsetes e na sensualidade impregnada em cada faixa.

Parece que o Arctic Monkeys aprendeu a se curtir e a sensualidade presente aqui traduz esse momento de maturidade. Se lá no começo eles colocavam o pé no acelerador, naquela ânsia da juventude de conseguir alguém pra levar pra cama, AM apresenta uma banda que sabe bem o que quer, que já é experiente o suficiente no âmbito sexual e segura de si mesmo. Como disse Ruca Souza, este disco fala sobre tesão – ao menos, é o que se sente ao ouvi-lo.

Faixas de Destaque: Do I Wanna Know?, I Wanna Be Yours, R U Mine?

Arctic Monkeys - AM

2. David Bowie – The Next Day

Por Roberto Vieira

David Bowie passou por altos e baixos desde o começo dos anos 90, quando a turnê Sound and Vision fez com que ele percorresse o planeta a bordo de uma produção estelar e o lançamento de uma coletânea dupla (a primeira) que trazia o creme de sua produção, mostrando ao mundo mais uma vez o espetacular artista que era. Problemas de saúde, a experiência menor com a Tin Machine e álbuns pouco inspirados fizeram crer que seu auge criativo havia passado. Eis que então ele nos brinda com o magistral The Next Day, um álbum cuja sonoridade remete aos grandes momentos de Bowie nos anos 1970 e começo dos 1980. Seja na melancólica Where Are We Now?, na melodia pungente de Valentine’s Day ou na urgente The Stars (Are Out Tonight), Bowie mostra a razão pela qual caminha ao lado dos maiores do rock em todos os tempos.

Faixas de Destaque: The Stars (Are Out Tonight), Valentine’s Day, The Next Day

David Bowie's The Next Day 

1. Daft Punk – Random Access Memories

Por Rodrigo Ramos

Random Access Memories trouxe a dupla formada pelos franceses Thomas Bangalter e Guy Manuel de Homem-Christo de volta aos holofotes. O retornou foi triunfal. O disco é uma grande homenagem às eras que deram o pontapé na música eletrônica e, graças àqueles anos, hoje existe o Daft Punk. O disco começa com Give Life Back to Music, uma faixa que soa irônica (música eletrônica dando vida à música?) e um tanto egocêntrica – mas é o que a dupla faz aqui. Aí então começa o aquecimento do que vem pela frente. A faixa Giorgio by Moroder é um depoimento de Giorgio Moroder, pioneiro da música eletrônica e conhecido por difundir o uso de sintetizadores. Conforme o disco vai decolando, parece uma subida pelos anos da discotecagem.

Tem de tudo aqui. Voltamos ao tempo da disco music, com direito ao verdadeiro funk, e logo somos transportados para as discotecas lotadas dos anos 80, com a ajuda da guitarra e todo o groove de Nile Rodgers, que ajudou a transformar Get Lucky – ao lado de Pharrell Williams – no single do ano. É tarefa difícil não querer regredir ao passado para curtir a época de dancinhas coreografas, permanentes e pistas de dança cheias. O disco é uma verdadeira jornada que deve ser experimentada sem interrupções, para acompanhar cada nuance desta viagem musical intergaláctica, que homenageia com sucesso o passado e abre as portas para um futuro belíssimo para a música eletrônica. Afinal de contas, o Daft Punk prova que é possível fazer música autoral dentro do gênero – com qualidade, quebrando paradigmas e inovando.

Faixas de Destaque: Get Lucky (feat. Pharrell Williams), Giorgio  by Moroder, Instant Crush (feat. Julian Casablancas)

Daft Punk - Random Access Memories

 

Fizeram parte desta eleição:
Lucas Paraizo, estudante de Jornalismo, repórter do site Noticenter, colaborador dos sites You! Me! Dancing! e Série Maníacos
Roberto Vieira, publicitário, locutor e apresentador do Tá Ligado e Os Caçadores do Hit Perdido, na Rádio Univali FM
Dane Souza, publicitário, estudante de Jornalismo, editor e diretor do site Blumenews
Ruca Souza, jornalista, música, vocal/guitarra da banda Café Brasilis
Igor Machado de Castro, estudante de Psicologia
Ricardo “Dinho” de Oliveira, estudante de Jornalismo, locutor e apresentador do Transmissão, na Rádio Transamérica Balneário Camboriú, colaborador do site Blumenews
Ewerton Mera, bacharel em Letras
Rodrigo Ramos, jornalista, repórter do Jornal O Navegantes, apresentador do Programa Sem Nome, na Rádio Univali FM, colaborador dos sites Culture-se e Blumenews
Lenon Cesar, músico, baixista da banda Café Brasilis
Lauro Henrique Wagner, estudante de Jornalismo
Stefânia Enderle, estudante de Jornalismo, assessora de comunicação da Polícia Militar em Balneário Camboriú

Para conferir a lista individual de cada um dos votantes, clique no link abaixo.
Melhores Discos de 2013 – Listas Individuais

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