Melhores Atrizes Coadjuvantes da TV na Temporada 2019/2020

Performances de Watchmen, Better Call Saul e The Marvelous Mrs. Maisel estão na lista. 

O Previamente, a partir de um júri com 21 pessoas entre profissionais da área, jornalistas, críticos, estudantes e aficionados por séries, elegeu as melhores atrizes coadjuvantes da TV na temporada 2019/2020. A seleção foi realizada utilizando os mesmos critérios do Emmy Awards: entram as obras que foram exibidas em sua totalidade ou mais de 50% de sua temporada entre 1º de junho de 2019 até 31 de maio de 2020.

Confira abaixo a lista completa abaixo.

MELHORES ATRIZES COADJUVANTES

Audra McDonald (The Good Fight)

Vinda do teatro, Audra McDonald é uma atriz completa. Já ganhou Emmy, Tony e Grammy! O convite para participar de The Good Fight a partir de sua segunda temporada foi um acerto e tanto do casal King (produtores executivos e principais roteiristas da série). Audra é mais do que capaz de encarar as nuances de sua personagem em meio a um elenco tão complexo e coeso. No ano atual da série, Audra brilha em uma trama própria de sua personagem, como também traz gravidade em plots paralelos, como no episódio “The Gang Offends Everyone”. Tudo sem perder o timing cômico do texto dos King. — Breno Costa

Toni Collette (Unbelievable)

É sempre uma delícia poder assistir Toni Collette. Como a detetive Grace Rasmussen, Toni traz um novo ritmo para Unbelievable. Desde sua apresentação, apenas ao fim do segundo episódio, é claro que ela está ali para mudar a dinâmica da investigação e da narrativa. Em suas cenas com Merritt Wever, ela forma um par perfeito, uma relação desconfortável entre duas mulheres muito diferentes na superfície, mas que, no fundo, compartilham de uma mesma missão e determinação. É elétrico vê-las juntas. Collette se destaca por conseguir transmitir o comprometimento da personagem apesar de seu estilo mais desafetado: ela tem seu próprio jeito de fazer as coisas, dita suas próprias regras. Mas, apesar de não ter o mesmo jeito mais cuidadoso e agradável da parceira, é claro o respeito que ela tem pelas vítimas que atende, e como consegue comandar atenção e respeito através dos menores gestos. É um papel delicioso e complexo que só uma atriz do calibre de Collette consegue preencher de modo a criar algo único e memorável. — Mariana Ramos

Alex Borstein (The Marvelous Mrs. Maisel)

Alex Borstein interpreta a empresária de Mrs. Maisel e na terceira temporada está dividida entre acompanhar a protagonista na antecipada turnê com o famoso cantor Shy Baldwin e sua mais nova cliente, a renomada comediante Sophie Lennon (Jane Lynch). Dar conta de entregar o texto surrealmente ágil da Amy Sherman-Palladino já é um talento por si só. Além disso, a atriz é dona de um timing cômico incrível e já era conhecida por dar voz à Lois Griffin de Family Guy. Mas é seguro dizer que Susie Myerson é cada vez mais uma personagem marcante em sua carreira.

Novamente, vemos Alex dar vida à personalidade sarcástica, rude e sem paciência de Susie. Com um resultado um tanto quanto inferior às temporadas anteriores, muito do mérito deste terceiro ano de The Marvelous Mrs. Maisel é da personagem de Borstein. A decisão de colocá-la para contracenar mais com Jane Lynch foi acertadíssima. Alex entrega uma performance que não deixa a desejar e não é à toa que ganhou por dois anos consecutivos o Emmy de atriz coadjuvante em comédia e, caso ganhe novamente esse ano, não nos surpreenderá. — Valeska Uchôa

Uzo Aduba (Mrs. America)

É muito bom ver Uzo Aduba sendo chamada para trabalhos após Orange is the New Black, ainda mais para um papel que rompe o perfil da personagem que a levou ao reconhecimento. Em Mrs. America, ela interpreta Shirley Chisholm, a primeira mulher negra a ser eleita para o Congresso norte-americano, a primeira mulher negra a concorrer à presidência e a primeira mulher a fazê-lo pelo Partido Democrata. Apesar de ser uma personagem que tem destaque significativo apenas no episódio destinado a ela, Uzo carrega consigo um carisma que a faz brilhar em toda cena que aparece, por menor que seja. O trabalho de construção da personagem, incluindo os trejeitos e modo de falar, é impecável e pode ser confirmado pelas imagens de arquivo que aparecem dentro da própria série. Mais importante que isso, Uzo dá um coração que bate forte para a personagem e permite que o espectador se conecte com as dores e fraquezas dela, se emocione com a força com que Shirley enfrentou os desafios e admire seus ideais políticos, cujas propostas ainda ressoam nos debates contemporâneos. — Rafael Bürger

Sarah Paulson (Mrs. America)

Sarah Paulson acumula uma carreira grandiosa na TV: começando em séries como Jack & Jill, Cupid, indo para a produção de Aaron Sorkin, Studio 60 on the Sunset Strip, o telefilme Game Change e ganhando reconhecimento em produções de Ryan Murphy como American Horror Story e The People v. O. J. Simpson, e mais recentemente encontra-se na minissérie Mrs. America. A atriz interpreta Alice, melhor amiga da protagonista Phyllis Schlafly (Cate Blanchett), que segue cegamente a protagonista em seus delírios conservadores e antifeministas. Personagem ficcional para ilustrar uma gama de seguidoras de Phyllis, Alice vai sofrendo uma jornada bastante surpreendente conforme a série vai a desenvolvendo. Sua personagem vai crescendo mais e mais passando por um momento de empatia e desconstrução visto de maneira bem inesperada e humana no episódio “Houston”, o que acaba levando a um final decisivo para a forma como a sua personagem vê a vida e a sua relação com a protagonista. Na minissérie, Paulson mostra mais uma vez que talento é o que não lhe falta, provando ser capaz de emocionar até mesmo declamando uma receita — Diego Quaglia

Sarah Snook (Succession)

Confesso que antes de Succession não conhecia nenhum trabalho anterior de Sarah Snook. À primeira vista, pelo menos pra mim, ela era uma atriz “nova” no meio de atores muito bons que eu já tinha acompanhado em outras obras. Contudo, a força da atuação de Snook, ao mesmo tempo tão simples e potente, logo chamou minha atenção. E na segunda temporada da série, a performance de Snook cresce junto com a importância de sua personagem na trama principal da série. Snook é tão boa que consegue manter o nível de atuação de igual para igual com Brian Cox, seu pai na série. Com certeza, a atriz merece figurar entre as melhores atuações do ano, pelo conjunto da obra e pela famosa cena do jantar no meio da temporada. — Breno Costa

Jean Smart (Watchmen)

A Laurie Blake/Juspeczyk, a antiga segunda Espectral, transpira cansaço e um cinismo seco pelo seu passado. A ganhadora do Emmy Jean Smart percebe e exerce esse cinismo com brilhantismo a série toda, à medida que vai transmitindo como todos os anos que teve de lidar com o absurdo do mundo de super-heróis afetou a própria personagem. E também consegue ser perfeita em momentos solitários em sua vida privada ao mostrar como as feridas do passado ainda a afetam, de forma bem melancólica. É impressionante como Smart tem pleno domínio de uma personagem bastante realista dentro de uma temática de fantasia, desconstruindo arquétipos e caricaturas para oferecer o retrato de uma mulher totalmente palpável e fascinante, encontrando o espírito mais sincero e puro presente na obra de Alan Moore. — Diego Quaglia

Rhea Seehorn (Better Call Saul)

O questionamento “o que teria acontecido a Kim Wexler?” de outras temporadas, aos poucos, deu lugar a “quem é Kim Wexler?” neste penúltimo ano de Better Call Saul. Enquanto dávamos atenção ao processo de transformação de Jimmy McGill em Saul Goodman, a personagem a seu lado passava por seu próprio processo. Subestimada por muitos, mas sempre uma força incontestável, Kim Wexler é a grande personagem desta quinta temporada da série, muito por conta de sua intérprete. Elogiar Rhea Seehorn é chover no molhado, porque por mais que o roteiro faça algo com a personagem, é a atriz que, ano após ano, a leva até onde é necessário, muitas vezes de maneira sutil. Afinal, sua Kim Wexler é cirúrgica, precisa, fatal, não brinca em serviço. E, por mais que se incomodasse com algumas atitudes de Jimmy, ela sempre fez parte de alguns dos planos mais meticulosos dele até aqui, e é a traição dessa confiança que traz à tona uma frustração: ela quer fazer parte dessa faceta de Jimmy que nós já conhecíamos. Não na sua forma caricata, mas na execução de planos que parecem impossíveis, mas cujo desafio mostra o talento dos dois e porque são tão bons juntos. A certeza disso vem em dois grandes momentos da temporada. O primeiro quando Kim é “avisada” sobre Jimmy por Howard e explode em risadas; o segundo é na inversão de papéis em um paralelo do fim desta temporada com a anterior. A pose de Saul Goodman e um sorriso que até podíamos considerar desconhecido, não tivesse aparecido mais cedo na temporada quando Kim descobre o podre sobre o passado da Mesa Verde. Rhea Seehorn, com toda a sutileza da que dispõe para desenvolver sua personagem, já nos tinha dado um vislumbre da verdadeira Kim Wexler. Preocupar-se com o destino/futuro da personagem é agora, também, se perguntar: Quem é Kim Wexler? — Renan Santos

Menções honrosas: Hiam Abbass (Ramy), Emily Meade (The Deuce), Helena Bonham Carter (The Crown), Margo Martindale (Mrs. America), J. Smith-Cameron (Succession).

Continue a leitura clicando nos ícones abaixo ou vá à publicação original.

 

Fizeram parte do júri
Angelo Bruno, estudante de Letras — Licenciatura em Português.
Breno Costa
, roteirista.
Caio Coletti, jornalista e colaborador do site UOL.
Dana Rodrigues, editora do site Diário de Seriador.
Diego Quaglia, cineasta, roteirista e crítico de cinema e audiovisual.
Diogo Pacheco, colaborador do Série Maníacos.
Fillipe Queiroz, estudante de Psicologia, aficionado em séries.
Geovana Rodrigues, sommelier de séries.
Gustavo Marques, produtor de conteúdo e entusiasta de televisão.
Juliano Cavalcante, bacharel em Economia, escreve sobre seriados na internet desde 2005.
Leonardo Barreto, editor do Quarta Parede Pop.
Luis Carlos, administrador do grupo Crônicas de Séries e da página Cultura em Frames.
Mariana Ramos, roteirista, mestre em Cinema e Audiovisual, host do podcast Maratonistas.
Mikael Melo, jornalista, produtor de Jornalismo na NDTV Record.
Rafael Bürger, bacharel em Imagem e Som pela UFSCar e cineclubista.
Rafael Mattos, estudante de Jornalismo, administrador do grupo Crônicas de Séries.
Rafaela Fagundes, sommelier de séries.
Régis Regi, bacharel em Cinema, roteirista, host do podcast Maratonistas.
Renan Santos, formado em Cinema, crítico e newsposter no site Cine Eterno.
Rodrigo Ramos, jornalista, editor do site Previamente, repórter da Huna Comunicação Para o Bem.
Valeska Uchôa, cientista da computação, ex-colaboradora do Série Maníacos e do falecido Lizt Blog.

Textos por Breno Costa, Diego Quaglia, Mariana Ramos, Rafael Bürger, Renan Santos & Valeska Uchôa

Produção, edição e redação final por Rodrigo Ramos

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