Os Melhores Filmes de Super-Heróis de Todos os Tempos

Selecionamos os 30 longas-metragens mais marcantes do gênero, incluindo Os Vingadores, Batman: O Cavaleiro das Trevas, Homem-Aranha, Guardiões da Galáxia, entre outros.

Os filmes de super-heróis têm sua origem em 1920, quando aconteceu o lançamento de A Marca do Zorro, baseado nos contos publicados a partir de 1919. Em quase 100 anos de história, o cinema lançou centenas de longas adaptados de HQs, livros, contos, ou simplesmente inspirados em outras fontes. O gênero começou a ganhar força de verdade nas telonas com Superman: O Filme, em 1978, que é o verdadeiro ponto de partida para os super-heróis serem levados a sério e com qualidade um pouco melhor. Claro, ainda houve muitos exemplares ruins e com cara de filme B e demorou para a tecnologia auxiliar na concepção de uma super produção.

Depois de Batman Eternamente e Batman & Robin, ambos dirigidos por Joel Schumacher, terem quase estragado o cinema dos super-heróis, em 95 e 97, respectivamente, Blade: O Caçador de Vampiros, em 98, deu uma luz para o que poderia vir pela frente, apesar de o personagem não ser exatamente o mais popular. Em 2000, Bryan Singer arriscou-se e adaptou X-Men para as telas, num visual a la Matrix, com roupa de couro, e acabou dando certo. O tiro no alvo ajudou a acender o sinal verde para os estúdios investirem em adaptações de histórias em quadrinhos. Foi aí que, em 2002, Sam Raimi trouxe Homem-Aranha, um dos heróis mais amados em todo o planeta, para as telonas e o sucesso foi estrondoso. Hollywood começou a destinar grandes orçamentos em títulos super-heroicos e o resto você já sabe.

Diante dessa ampla história é que o Previamente listou os 30 melhores filmes de super-heróis de todos os tempos. Confira a relação completa abaixo e veja se você concorda ou discorda de nossas escolhas. Boa leitura!

30. O Máskara (The Mask, 1994)

Direção: Chuck Russell
Roteiro: Mike Werb, Michael Fallon, Mark Verheiden
Elenco: Jim Carrey, Cameron Diaz, Peter Riegert, Peter Greene, Amy Yasbeck

Talvez Stanley Ipkiss não seja exatamente o herói mais tradicional, porém está entre os mais engraçados. O Máskara é um marco pelos ótimos efeitos especiais para a época, por comprovar a excelência de Jim Carrey como comediante e revelar ao mundo Cameron Diaz. Além de diversos momentos hilários, O Máskara se destaca por não renegar sua origem e trazer elementos clássicos de quadrinhos e desenhos animados, desde os efeitos sonoros como o visual cartunesco.

29. Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016)

Direção: Anthony Russo, Joe Russo
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
Elenco: Chris Evans, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Don Cheadle, Jeremy Renner, Chadwick Boseman, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Paul Rudd,Emily VanCamp, Tom Holland, Daniel Brühl, Frank Grillo, William Hurt, Martin Freeman, Marisa Tomei, John Slattery

Os irmãos Russo conseguem fazer milagre ao dar sentido para cada personagem nesse tumultuado filme que é Guerra Civil. Nem todas as notas são acertadas: Pantera Negra está totalmente fora do tom do resto da produção; mais um péssimo e esquecível vilão; e mais um filme com falsas mortes (olá, Rhodes) e (quase) sem consequências. A Marvel pode ousar até certo ponto, não é? Mas o longa consegue dosar bem humor, cenas de ação, desenvolvimento de personagens e boas atuações. Guerra Civil dá oportunidade para Robert Downey Jr. mostrar seu talento como ator, trazendo uma carga dramática para Tony Stark nunca vista antes, e consegue provar que Chris Evans é uma das melhores coisas do Universo Cinematográfico da Marvel. É um filme que consegue impôr alguns questionamentos sobre o papel do herói, da responsabilidade e das consequências de seus atos (apesar de que na Marvel nunca ninguém paga de verdade, ao menos não até aqui).

28. RoboCop – O Policial do Futuro (RoboCop, 1987)

Direção: Paul Verhoeven
Roteiro: Edward Neumeier, Mchael Miner
Elenco: Peter Weller, Nancy Allen, Dan O’Herlihy, Ronny Cox

Quando José Padilha assumiu a direção do reboot de RoboCop, ele estava fadado ao fracasso porque 1) Hollywood raramente deixa que forasteiros tenham liberdade parcial ou total para dar sua visão ao filme e 2) a indústria costumeiramente gosta de dar aquela suavizada e transformar uma potencial boa história em algo genérico e com classificação 14 anos, no máximo. Hoje em dia nada mais é intocável e reboots, reimaginações, sequências décadas depois são sempre uma aposta dos estúdios. Contudo, RoboCop realmente tem uma aura própria, feita perfeitamente para o tempo em que foi feito, mas ainda ressoa com o que se passa hoje. O diretor holandês Paul Verhoeven (responsável pelo recente e aclamado Elle) pega uma história de vingança e a transforma em um filme gore, exagerado, e que critica o sistema, o empresariado e o modo de vida dos americanos. É uma obra particular, com a cara dos anos 80, histérica e divertida. Para fazer igual ou melhor seria necessário liberdade e talento. Infelizmente, Zé Padilha só teve talento ao seu lado, o que não adianta de nada se não há liberdade criativa.

27. Poder Sem Limites (Chronicle, 2012)

Direção: Josh Trank
Roteiro: Max Landis, Josh Trank
Elenco: Dane DeHaan, Alex Russell, Michael B. Jordan

Um grupo de amigos acaba desenvolvendo super poderes. Como bons adolescentes, eles querem aproveitar ao máximo. Quem não gostaria? Porém, eventualmente, a instabilidade humana encontra um desses jovens. Como diria Tio Ben, com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. E há aqui há consequências. Ouviu, Marvel? Poderes Sem Limites é um ótimo exemplo de desenvolvimento de personagens e descoberta de poderes, que serve como um paralelo à adolescência. É bem escrito, dirigido e utiliza o gênero do found footage da melhor maneira possível.

26. Hellboy II: O Exército Dourado (Hellboy II: The Golden Army, 2008)

Direção: Guilhermo del Toro
Roteiro:  Guilhermo del Toro, Mike Mignola
Elenco: Ron Pearlman, Selma Blair, Doug Jones, John Alexander, John Hurt, Jeffrey Tambor, Seth MacFarlane

Assim como seus colegas Peter Jackson e Tim Burton, Guilhermo del Toro se encontra perfeitamente no meio fantasioso, até mesmo um tanto quanto macabro. Ele é um criador e gosta de brincar com efeitos práticos, o que sempre dá um toque especial em suas produções fantasiosas. Pegar um personagem com cara e nome do capiroto é arriscado no mundo dos blockbusters, mas del Toro o fez em duas ocasiões, calibrando sua fórmula na segunda oportunidade. Com mais capital, Hellboy II é um parque de diversões monstruoso para o diretor, que consegue criar uma narrativa superior a sua antecessora, assim como desenvolve melhor seus personagens, aumentando também o número de objetos, cenários, acessórios e personagens macabros. É ação com horror. Uma maravilha!

25. Watchmen (2009)

Direção: Zack Snyder
Roteiro: David Hayter, Alex Tse
Elenco: Billy Crudup, Jeffrey Dean Morgan, Malin Akerman, Matthew Goode, Patrick Wilson, Jackie Earle Haley, Carla Gugino

Por décadas pediram a adaptação da graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons, até que ela finalmente viu a luz do dia. Com uma narrativa que talvez funcionasse melhor nas telas pelo menos uns 10 anos antes em relação a quando foi lançada, principalmente em relação à virada no roteiro em seu desfecho, que ficou datada com o passar do tempo, Watchmen tem um visual impecável, com cenas de ação que só Zack Snyder poderia prover, personagens marcantes e uma adaptação extremamente fiel – tal ato foi exatamente o que fez com que o público se dividisse tanto em relação ao longa, pois Watchmen funciona muito mais para os fãs da obra original do que aqueles que assistiram sem nenhuma bagagem em relação a ela.

24. Deadpool (2016)

Direção: Tim Miller
Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick
Elenco: Ryan Reynolds, Morena Baccarin, T.J. Mller, Ed Skrein, Brianna Hildebrand, Stefan Kapicic

Deadpool era um filme pouco acreditado, de baixo orçamento, e que subverteu e tirou sarro do gênero de super-heróis. Deadpool acaba seguindo sim uma receita do nicho (um cara normal ganha super poderes, não pretende ser um grande herói, mas inevitavelmente precisa enfrentar o vilão, que ameaça a vida do seu interesse amoroso), mas ele aborda essa fórmula com humor escrachado, quebrando a quarta parede, com violência, sangue e definitivamente sem pudor. Ryan Reynolds repete o papel de X-Men Origens: Wolverine, ou seja, esta poderia ser a receita do fracasso, mas a originalidade venceu desta vez e o ator entrega o papel de sua vida. Deadpool dá certo porque ninguém tinha ousado antes a não se levar tão a sério assim — aliás, o longa de Tim Miller leva tudo na brincadeira e gozação. Fica aí a dica pra Marvel, Fox (deem uma pausa com tanto apocalipse na franquia X-Men, por favor) e especialmente a DC nos próximos anos.

23. Hulk (2003)

Direção: Ang Lee
Roteiro: John Turman, Michael France, James Schamus
Elenco: Eric Bana, Jennifer Connelly, Sam Elliott, Nick Nolte, Josh Lucas

Atualmente, Ang Lee é ganhador de dois Oscars de melhor diretor. Quando ele resolveu trabalhar em cima de um super-herói do qual ele tinha grande admiração, ainda não era tão aclamado assim por Hollywood. Mas lá foi ele e fez escolhas arriscadas — boa parte do longa-metragem investe no embate interior, do homem tentando vencer o monstro. Dos filmes solos do verdão esmeralda, esse é o que consegue explorar melhor o lado humano do personagem. É um filme de super-herói de arte. Falta ação, é verdade, mas é uma obra arriscada, ousada em sua pretensão e que tem o seu valor justamente por diferir dos longas do gênero em geral.

22. Batman Begins (2005)

Direção: Christopher Nolan
Roteiro: David S. Goyer, Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Katie Holmes, Gary Oldman, Morgan Freeman, Cillian Murphy, Ken Watanabe, Tom Wilkinson, Rutger Hauer

Depois de (quase) termos esquecido por completo o que Joel Schumacher fez com o Homem Morcego nos cinemas, Christopher Nolan apareceu e deu uma nova roupagem para Bruce Wayne e Gotham City. Indo na contramão do que já havia sido feito do herói da DC Comics, Nolan consegue criar uma história de origem que vai muito além da morte dos pais do protagonista e consegue dar uma boa base tanto para o que vem pela frente na trama assim como para a trilogia que viria a ser desenvolvida. Muito mais soturno e denso, com vilões nada espalhafatosos e pouco famosos (Espantalho, Falcone e Ra’s al Ghul), Batman Begins torna-se uma referência de narrativa e de estilo em termos de história de origem, algo que poucos filmes #1 de super-heróis conseguem dar conta.

21. Superman: O Retorno (Superman Returns, 2006)

Direção: Bryan Singer
Roteiro: Michael Dougherty, Dan Harris, Bryan Singer
Elenco: Brandon Routh, Kate Bosworth, Kevin Spacey, James Marsden, Frank Langella, Parker Posey, Sam Huntington, Eva Marie Saint, Kal Penn, Marlon Brandon

Está longe de ser uma unanimidade entre os espectadores, mas não consigo deixar de lado meu carinho por este Superman. Antes de qualquer coisa: O Homem de Aço, de Zack Snyder, não chega aos pés desse. Deixando isso claro, vale dizer que Superman: O Retorno é um filme atrasado e caberia muito bem anos atrás, mas essa sequência demorou demais para acontecer, infelizmente, e poucas pessoas entenderam o que Bryan Singer fizera aqui. Continuação direta de Superman II, ignorando as duas horrendas sequências da década de 80, o longa-metragem traz todos os elementos que consagraram Kal-El/Clark Kent na telona. É uma enorme homenagem, com personagens belamente interpretados, seja o pouco conhecido e sutil Brandon Routh quanto o fantástico Kevin Spacey, que dá de 10 a 0 no Lex Luthor de Gene Hackman — desculpa, Hackman, te adoro. Falta ação? Sim. É extenso demais? Também. Singer poderia ter homenageado um pouco menos as produções estreladas por Christopher Reeve, tá certo, mas ainda assim não tira a beleza do longa, que não deixa de ser um espetáculo visual conciliado com uma boa trama.

20. Homem-Aranha (Spider Man, 2002)

Direção: Sam Raimi
Roteiro: David Koepp
Elenco: Tobey Maguire, Willem Dafoe, Kirsten Dunst, James Franco, Cliff Robertson, Rosemary Harris, J.K. Simmons

Injustamente, por conta de tantos outros filmes do gênero e até mesmo sua sequência impecável, Homem-Aranha fica um pouco de lado nessas listas. Porém, o longa não tem apenas relevância histórica para Hollywood e o gênero de super-heróis como também é um ótimo filme. Até o momento, ninguém ainda conseguiu fazer um Peter Parker tão pateta, ingênuo, nerd, ferrado e altruísta quanto Tobey Maguire (ainda que ele não tenha cara de adolescente, sejamos justos). O primeiro Homem-Aranha possui uma história de origem bem construída, com perdas verdadeiras (o exemplo estava aí o tempo todo, só você não viu Marvel) e que ressoam ao longo de toda a trilogia do teioso, além de relações interpessoais relevantes, personagens tridimensionais e que nos importam. É divertido do início ao fim, com cenas de ação impressionantes e, o mais importante, coração.

19. V de Vingança (V for Vendetta, 2005)

Direção: James McTeigue
Roteiro: Lana Wachowski, Lily Wachowski
Elenco: Natalie Portman, Hugo Weaving, Stephen Rea, Stephen Fry, John Hurt

Outra adaptação de uma obra de Alan Moore, V de Vingança trata-se de um grito contra a repressão e a ditadura. Ambientado em uma Grã Bretanha futurista tomada por um governo fascista, onde não há liberdade de expressão, há toque de recolher e as pessoas são constantemente ameaçadas, um homem com a máscara de Guy Fawkes ameaça o governo. Tanto a graphic novel quanto o filme, apesar de diferirem em alguns aspectos, conseguem transmitir com eficiência a sensação que é estar em um país ditatorial, o que é o mais importante aqui. Recomendo para o pessoal que clama pela volta dos militares ao poder. Além disso, traz um elenco soberbo, com Hugo Weaving conseguindo, durante todo o tempo embaixo de uma máscara, atuar e emocionar o espectador, juntamente com uma Natalie Portman no auge de sua carreira, até mesmo doando seu cabelo em troca dos aplausos — e dá certo. Reza a lenda que os verdadeiros diretores da película foram as irmãs Wachowskis, que assinaram o roteiro. E pelo resultado final, é difícil crer que o novato James McTeigue seja o responsável, ainda mais julgando pelos seus filmes que vieram depois, os péssimos Ninja Assassino, O Corvo e Perseguindo Abbott.

18. Homem de Ferro (Iron Man, 2008)

Direção: Jon Favreau
Roteiro: Mark Fergus, Hawk Ostby, Art Marcum, Matt Holloway
Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Jeff Bridges, Terrence Howard

Responsável por dar o fundamento do Universo Cinematográfico da Marvel, Homem de Ferro tem grande importância para o cinema de super-heróis atual. É isento de erros? Não. Mas é um filme redondinho, da maneira correta. Jon Favreau conta uma história origem sem ser chato, agradando o público em geral. Ele conta com elenco inspirado, em especial Robert Downey Jr., o alter-ego de Tony Stark. Boa parte do sucesso se dá ao esforço de Downey Jr., que ao interpretar a si mesmo, faz com que a narrativa flua organicamente. Além disso, tem boas cenas de ação e deixa aquela pistinha sapeca do que viria pela frente.

17. X-Men 2 (X2, 2003)

Direção: Bryan Singer
Roteiro: Zak Penn, David Hayter, Bryan Singer, Michael Dougherty, Dan Harris

Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Ian McKellen, Halle Berry, Famke Janssen, James Marsden, Anna Paquin, Rebecca Romijn, Brian Cox, Alan Cumming, Aaron Stanford, Shawn Ashmore, Kelly Hu

Numa sequência de ação, é natural que tudo tenha que ser maior. X-Men 2 é um desses exemplos, mas esse crescimento é uma espécie de evolução. Bryan Singer, com maior orçamento, pôde introduzir novos personagens e criar cenas de ação espetaculares, incluindo aquela abertura magistral, com Noturno na Casa Branca. Só por essa sequência em específico o filme já merecia estar na lista, mas não é exclusivamente por ela. Singer constrói uma narrativa ainda mais rica do que a antecessora, se focando na luta dos direitos dos mutantes (a metáfora sobre a luta pelos direitos das minorias do nosso mundo real) e na busca de Wolverine por seu passado. Partindo de um filme de super-herói, Singer consegue criar uma obra que é muito mais do que isso, trazendo contexto político e social dentro dela. Ambicioso para uma produção do gênero, mas acerta em cheio no alvo. É uma pena que a conclusão da trilogia original dos mutantes não tenha acontecido pelas mãos do diretor.

16. Superman II – A Aventura Continua (Superman II, 1980)

Direção: Richard Lester, Richard Donner
Roteiro: Mario Puzo, David Newman, Leslie Newman
Elenco: Christopher Reeve, Gene Hackman, Margot Kidder, Terence Stamp, Jackie Cooper, Sarah Douglas

Tudo poderia dar errado em Superman II, mas não deu. O diretor original, Richard Donner, foi despedido depois de 80% do filme já rodado, com o novo diretor, Richard Lester, entrando para finalizar, tendo que refilmar muitas cenas por conta das saídas de Gene Hackman e Marlon Brando do elenco. Apesar dos contratempos gravíssimos e mudanças no rumo da história, jogo de câmera e por aí vai, Superman II ainda assim é extremamente coeso e desenvolve com perfeição o plot de “cansei de ser super-herói e agora vou tentar viver como um ser humano normal ao lado da pessoa que amo” e que, obviamente, acaba saindo errado. Terence Stamp é um Zod perfeito, chegando numa nota tão alta que Michael Shannon não conseguiu alcançar em O Homem de Aço. Em relação ao seu antecessor, ainda tem a vantagem de o desfecho do clímax não ser girar o planeta para voltar no tempo e impedir que Lois morra. Tá aí um excelente exemplo de como aprimorar a criação original em uma sequência.

15. X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class, 2011)

Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman, Matthew Vaughn, Sheldon Turner, Bryan Singer
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Kevin Bacon, Rose Byrne, Nicholas Hoult, January Jones, Oliver Platt, Jason Flemyng, Lucas Till, Caleb Landry Jones, Zoë Kravitz, Álex González

O reboot da franquia conseguiu fazer o que nenhum outro filme da saga teve a capacidade sob a direção de Bryan Singer: trazer uma história de origem com os mutantes jovens e dar espaço para eles desfrutarem a sua juventude, juntamente com o descobrimento e evolução de seus poderes. As histórias individuais são bem escritas, o elenco entrega ótimas atuações, o contexto histórico e político é bem estabelecido e contribui para o andamento da trama, os vilões não querem a destruição em massa do planeta (apenas uma guerra entre EUA e Rússia, é modesto), e a abordagem de auto-descoberta e auto-aceitação, preconceito e luta pelo direito da minoria retorna com intensidade e precisão. É o filme mais completo da franquia, que respeita o que já foi utilizado, e dá um passo adiante, sem se prender demais ao que passou.

14. Batman: O Retorno (Batman Returns, 1992)

Direção: Tim Burton
Roteiro: Daniel Waters, Sam Hamm
Elenco: Michael Keaton, Danny DeVito, Michelle Pfeiffer, Christopher Walken

Assisti pela vigésima vez a Batman: O Retorno esses dias. Atualmente, não acredito que a Warner teria a coragem que teve em dar tanto dinheiro para Tim Burton fazer o que fez. Batman: O Retorno é uma espécie de sátira dos filmes de super-heróis. Em suma, a origem dos seus vilões é bem sem noção — Selina Kyle vira a Mulher-Gato de, literalmente, sete vidas, enquanto o Pinguim é chamado assim porque, de fato, foi criado por pinguins no esgoto. Os dois se juntam num plano que não faz muito sentido para deter o Batman. Em suma, um é mais louco do que o outro — afinal, alguém que se veste de morcego também não está no seu auge de sua sanidade mental. A trama girar em torno da eleição de Pinguim para prefeito da cidade não tem pé nem cabeça. Ainda assim, tudo parece perfeito. Burton explora a loucura em torno desses personagens com precisão cirúrgica, expandindo a Gotham sombria que criou em Batman, em 1989, na versão visual mais eficiente da cidade, tanto na telona quanto na telinha. Definitivamente, um dos principais marcos da filmografia de Burton, especialmente por cravar a melhor Mulher-Gato da história.

13. Corpo Fechado (Unbreakable, 2000)

Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Robin Wright

Novamente com Bruce Willis como seu protagonista, M. Night Shyamalan traz a história de David Dunn, homem que foi o único sobrevivente de um acidente de trem devastador. Mas como ele sobreviveu? Quais são as explicações? Não parece ter lógica e Shyamalan sabe (ou sabia) como conduzir um suspense cheio de mistérios. Bem dosado entre o suspense e o drama, Corpo Fechado acaba se provando um grande filme, seja pelas atuações, pela narrativa bem conduzida, pelas reviravoltas e por ser um longa-metragem de super-herói nada convencional. E quase 20 anos depois, ganhará sua continuação. Acho que ninguém mais esperava por essa, mas topamos.

12. Kick-Ass: Quebrando Tudo (Kick-Ass, 2010)

Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Jane Goldman, Matthew Vaughn
Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Nicolas Cage, Christopher Mintz-Plasse, Chloe Grace Moretz, Mark Strong

E se uma pessoa comum resolvesse ser um super-herói? Essa é a questão inicial de Kick-Ass, que logo é respondida no longa. No mundo real, parece ser impossível sê-lo, mas Dave Lizewski quer provar que é possível. No entanto, não demora muito para perceber que ele estava errado. Ainda assim, isso não o impede de insistir na empreitada e levar muita porrada, até começar a fazer parte de algo muito maior. Kick-Ass subverte a noção de super-herói, grandes poderes e mortalidade. São pessoas comuns tentando fazer algo que vão além da capacidade humana. A película é engraçadíssima, profana, politicamente incorreta e violenta ao extremo. Chocante, divertido e surpreendente. E tem Nicolas Cage em sua melhor atuação desde Adaptação.

11. Sin City: A Cidade do Pecado (Sin City, 2005)

Direção: Robert Rodriguez, Frank Miller
Roteiro: Frank Miller, Robert Rodriguez
Elenco: Mickey Rourke, Clive Owen, Bruce Willis, Jessica Alba, Benicio Del Toro, Rosario Dawson, Elijah Wood, Alexis Bledel, Devon Aoki, Michael Clarke Duncan, Powers Boothe, Carla Gugino, Josh Hatnett, Rutger Hauer, Jaime King, Michael Madsen, Brittany Murphy, Nick Stahl

Reza a lenda que é impossível transpor o que está nas páginas para a tela. Bem, ao menos a Sin City isso não se aplica. Baseado na obra de Frank Miller (que também co-dirige e co-assina o roteiro), três das principais histórias das HQs da Cidade do Pecado são trazidas para a tela com técnica impressionante, fazendo de Sin City um espetáculo visual único, com narrativas sangrentas e violentas da forma que foram concebidas nos quadrinhos, sem contar o elenco escolhido a dedo. É um raro caso de fidelidade ao material original. Duvido que um fã de quadrinhos conseguirá se satisfazer tanto assim quanto o de Sin City conseguiu.

10. Superman: O Filme (Superman, 1978)

Direção: Richard Donner
Roteiro: Mario Puzo, David Newman, Leslie Newman, Robert Benton
Elenco: Christopher Reeve, Marlon Brandon, Gene Hackman, Margot Kidder, Jackie Cooper, Ned Beatty

O precursor dos filmes de super-heróis é Superman: O Filme e o cinema deve muito a ele. Não é perfeito e até acho o segundo melhor do que este, porém não há como não reconhecer a importância deste na história do cinema (por isso até está acima na lista do que sua sequência). Se alguém ainda achava que era impossível que o homem voasse, Christopher Reeve mostrou que a tarefa era possível sim. Dividido em três arcos narrativos (a infância com os pais adotivos, o relacionamento com Lois e o confronto com Lex Luthor), o longa-metragem acerta em seus personagens (com os atores certos), no direcionamento da trama e apenas erra com a famosa solução ridícula de voltar no tempo ao girar o globo terrestre ao contrário. Mas tudo bem, a gente perdoa, porque no fim das contas é uma bela homenagem a este ícone da cultura americana.

9. Capitão América: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014)

Direção: Anthony Russo, Joe Russo
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
Elenco: Chris Evans, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson, Robert Redford, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Cobie Smulders, Hayley Atwell, Toby Jones

Apesar de todos seguirem uma linha narrativa que encaminhe tudo para os eventos que desembocam em Vingadores, os filmes do Universo Cinematográfico da Marvel possuem certa permissão para navegar por dentro do gênero que preferirem. Os três Homem de Ferro convivem bem, sem mudar muito de um pro outro. O mesmo serve para Thor. No entanto, o primeiro e o segundo Capitão América são bem diferentes entre si — enquanto O Primeiro Vingador é uma aventura passada nos tempos da Segunda Guerra Mundial, O Soldado Invernal nos é servido nos dias atuais, em meio a uma grande conspiração. A figura do protagonista se mostrou essencial para a construção das fases da Marvel no cinema neste longa-metragem, provando que Steve Rogers tem sim relevância e cacife para ser o líder que dizem que é. Capitão América: O Soldado Invernal mexe com as estruturas da Marvel na telona, fazendo isso não em um filme de super-herói convencional, mas transformando-o em um thriller policial cheio de reviravoltas, paranoias, conspirações e traições. Ah, e muita ação, é claro.

8. Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. the World, 2010)

Direção: Edgar Wright
Elenco: Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Kieran Culkin, Chris Evans, Anna Kendrick, Alison Pill, Brie Larson, Aubrey Plaza, Jason Schwartzman, Brandon Routh, Johnny Simmons, Mark Webber

Edgar Wright fez sua obra prima aqui. Baseado nas HQs de Bryan Lee O’Malley, Scott Pilgrim Contra o Mundo conta a história de Scott, que se apaixona por Ramona Flowers, e para poder ficar com ela, ele terá de enfrentar os sete ex-namorados do mal. São nesses confrontos que o protagonista prova ser um digno super-herói. Mas o longa-metragem é muito mais do que isso. Wright cria diálogos afiados, agilidade de informações visuais, estilo de condução narrativa moderna e original, trazendo diversos elementos da cultura pop e homenageando os videogames. Esta obra só me faz pensar em como teria sido o Homem-Formiga na visão dele, algo que jamais veremos.

7. Os Vingadores (Marvel’s The Avengers, 2012)

Direção: Joss Whedon
Roteiro: Joss Whedon, Zak Penn
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Jeremy Reener, Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Stellan Skarsgård, Clark Gregg, Cobie Smulders, Paul Bettany, Gwyneth Paltrow

Dá pra entender o motivo de Os Vingadores estar aqui nesta lista. É a maior reunião de super-heróis em uma única película. Na época do seu lançamento, haviam duas possibilidades: ou seria um fracasso retumbante ou um dos maiores acertos do gênero. A segunda opção prevaleceu. Joss Whedon conseguiu respeitar o espírito de aventura das HQs, trazendo cenas de ação espetaculares, enchendo o roteiro de piadas, tudo isso sem deixar a humanidade dos personagens de lado — aliás, o maior feito de Whedon é finalmente ter acertado em cheio na escalação do Hulk. Sem nada de sombrio, Os Vingadores é entretenimento puro.

6. Logan (2017)

Direção: James Mangold
Roteiro: James Mangold, Scott Frank, Michael Green
Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Richard E. Grant

Sem se preocupar em tentar pô-lo em alguma parte da zoada linha temporal dos filmes dos mutantes, a Fox vai mostrando nesses dois últimos anos certa maturidade, que nem a Marvel ou a DC possuem. Deadpool tinha um estilo próprio e não se importava com a linha do tempo dos X-Men, e Logan faz o mesmo, sendo um bicho da sua própria espécie, sem ter ramificações ou necessidade de se ligar com o que já passou. Logan é o filme que Wolverine merecia e Hugh Jackman se entrega de corpo e alma ao papel de sua vida, que o catapultou ao estrelato. Logan é sobre as consequências da violência, e como as cicatrizes emocionais podem serem mais profundas do que as físicas. É um filme de super-herói não-tradicional, uma espécie de faroeste distópico e road-movie. É visceral, engraçado, violento — do jeito que precisa, sem excessos — e altamente emocional. Os personagens têm propósito e em cada cena Jackman, Patrick Stewart e a novata Dafne Keen extraem o melhor de si. Com liberdade, criatividade e uma equipe dedicada, a Fox finalmente acerta a mão em cheio em uma obra audiovisual solo de Wolverine e faz aqui o melhor longa do universo dos mutantes nas telonas até agora.

5. Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014)

Direção: James Gunn
Roteiro: James Gunn
Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel, Bradley Cooper, Lee Pace, Michael Rooker, Karen Gillan, Djimon Hounsou, John C. Reilly, Glenn Close, Benicio Del Toro

Depois de dar início ao seu Universo Cinematográfico, a escolha mais arriscada da Marvel foi fazer Guardiões da Galáxia. A maioria dos leitores de HQ mal conhecem os heróis — o que por si só já seria ruim o suficiente. Teria de ser feita a introdução de não um, mas cinco novos heróis desconhecidos do grande público — um problema maior ainda. Além disso, a trama se passava no espaço, quase que sem conexão com o restante dos filmes da Marvel até aí. Apesar de todas as dificuldades, tanto o estúdio quanto o público deram uma chance para o super-grupo e não poderia ter dado mais certo. Em estilo e visual, o longa já é fantástico. Outra virtude é o humor — são vários momentos hilários durante a película. Para um primeiro longa, o elenco está incrivelmente entrosado, o que com certeza ajuda, tanto para os momentos mais tensos, emocionantes e divertidos. Enquanto isso, os personagens são bem definidos e desenvolvidos, sem haver um que mais se destaca. É tudo tão bem balanceado em cena que até parece ser fácil construir um filme que funcione tão bem quanto Guardiões da Galáxia. Mas ter êxito ao fazer com que um guaxinim falante e uma árvore andante que só repete seu próprio nome sejam adorados e capazes de emocionar o público, eu garanto, não é simples.

4. Matrix (The Matrix, 1999)

Direção: Lana Wachowski, Lilly Wachowski
Roteiro: Lana Wachowski, Lilly Wachowski
Elenco: Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving, Joe Pantoliano, Gloria Foster

Matrix é a jornada do herói clássica, que vem já desde a era bíblica. A diferença aqui para as demais histórias de super-heróis é que o longa das irmãs Wachowskis (irmãos na época) revolucionou o cinema — desde os efeitos especiais (o desvio dos tiros foi imitado inúmeras vezes depois do lançamento da película) até o vestuário (ou você acha que em X-Men os uniformes de couro são apenas uma coincidência?). O longa bebe de várias fontes, principalmente orientais (oi, Ghost in the Shell), e criam uma obra de ficção que discute o papel da tecnologia, a sociedade, as nossas escolhas, o que é o real e o que é o virtual. Ainda que não seja assumidamente um filme de super-herói, na prática o é. Afinal, nada mais heroico do que desviar de balas, ressuscitar e sair voando, não é? Neo pode não vestir uma capa, mas ele tem um sobretudo maneiro, o que dá na mesma.

3. Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2, 2004)

Direção: Sam Raimi
Roteiro: Alfred Gough, Miles Millar, Michael Chabon, Alvin Sargent
Elenco: Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Alfred Molina, Rosemary Harris, J.K. Simmons

Sam Raimi é um dos responsáveis por popularizar os filmes de super-heróis com Homem-Aranha, em 2002. Se o primeiro funcionava bem, Raimi aprimora todos os elementos do antecessor e faz uma das melhores continuações de todos os tempos. Apesar de Homem-Aranha 3 ser uma bagunça por conta da Sony, Raimi sabe sim como trabalhar com o personagem e todas as suas nuances. O Peter Parker interpretado por Tobey Maguire é brilhante! Ele é um fracassado, azarado, que se diverte como Aranha, tem dificuldades para arranjar dinheiro, ama com todas as suas forças Mary Jane e tem os tios como seus pais de verdade. Falando em família, o amor pela ciência une Parker com o seu arqui-inimigo, o Doutor Octopus. A relação do personagem de Alfred Molina e Maguire é quase de pai e filho, mas isso se desfaz ao longo da película e aí que mora a beleza dos filmes de Raimi: a riqueza das relações interpessoais. E por isso que todos os personagens funcionam, do menor ao maior papel. Raimi equilibra as cenas de ação alucinantes com a carga dramática, o humor e o romance. Se O Espetacular Homem-Aranha 2 fosse 10% do que é Homem-Aranha 2, a Sony não se veria obrigada a ceder o personagem para a Marvel dar um jeito dentro de seu Universo Cinematográfico. Após 13 anos de sua estreia, Homem-Aranha 2 ainda permanece como um dos mais empolgantes e competentes filmes do gênero.

2. Os Incríveis (The Incredibles, 2004)

Direção: Brad Bird
Roteiro: Brad Bird
Elenco: Craig T. Nelson, Holly Hunter, Samuel L. Jackson, Jason Lee, Brad Bird

Bons tempos quando a Pixar não errava a mão. Especialmente na década de 2000, o estúdio de animação acertou uma atrás da outra. Os Incríveis é um desses casos. O longa-metragem é uma bela homenagem ao mundo dos super-heróis. A história é sobre um casal de pessoas com super-poderes — o Sr. Incrível e Elastigirl — que resolveram deixar a vida heroica para ter uma normal, vivendo em um subúrbio, juntamente com os três filhos, cada um com um poder diferente. A narrativa é perfeita ao abordar como seria deixar pra trás o passado heroico para viver como qualquer outra pessoa, algo que muitos heróis almejam nas mais diversas HQs, mas raramente alcançam. O tédio do trabalho comum, os estresses do dia a dia, criar os filhos. Claro que isso chega ao fim em algum ponto do filme, e quando a família se une para combater o mal é tão incrível quanto a vida comum deles. Brad Bird cria uma obra prima da animação, com muita ação (algo nunca visto antes na Pixar), humor afiado e um coração imenso, o que é marca registrada do estúdio.

1. Batman: O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008)

Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Jonathan Nolan, Christopher Nolan, David S. Goyer
Elenco: Christian Bale, Michael Caine, Heath Ledger, Gary Oldman, Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhaal, Morgan Freeman

O Batman de Christopher Nolan foi responsável por mostrar que o gênero dos filmes de super-heróis não precisa ser um rótulo, vivendo somente dentro dele, e pode sim habitar em outros gêneros. Isso fica claro desde o início quando Batman: O Cavaleiro das Trevas se mostra um forte representante do gênero policial, exceto pelo fato de que o protagonista se veste de morcego. Problemas com máfia, criminosos que só querem ver o circo pegar fogo (olá, Coringa), burocracia, política e corrupção são os principais itens com que Batman se depara, coisas que são costumeiras dentro da nossa sociedade como um todo, e isso é o que finca os pés do longa-metragem no chão, tornando-o bem mais sombrio do que a maioria dos filmes de super-heróis e também realista. A obra dirigida por Nolan é magistral por conta do brilhante roteiro (escrito entre o diretor, o irmão Jonathan Nolan e David S. Goyer), que dita o ritmo frenético da película, além de criar ótimos diálogos e desenvolver personagens antológicos — tanto Coringa quanto Duas-Caras são relevantes e funcionam perfeitamente dentro da trama. Isso sem contar as incríveis cenas de ação, muitas delas práticas, sem auxílio de efeitos especiais. Todos esses pontos não seriam nada se não tivessem atores competentes diante da câmera e o que não falta aqui são interpretações acima da média de todo o elenco, especialmente de Christian Bale, Aaron Eckhart e o saudoso Heath Ledger, na interpretação de sua vida, em uma das mais complexas performances em tela que já assisti em minha vida. Mudando a ótica sobre os filme de super-heróis, Batman: O Cavaleiro das Trevas é excelência cinematográfica, independente do gênero.

Artigo publicado originalmente em 27 de abril de 2015.

Por Rodrigo Ramos
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