Digimon Adventure tri. – Ketsui | Crítica

Falta timing e objetividade no segundo filme da saga tri.

Digimon-Adventure-Tri-Ketsui poster 2Dando sequência ao primeiro filme, Saikai (Reunião), Digimon Adventure tri. – Ketsui (Determinação) é a segunda película de seis da nova série Digimon. Pra quem não sabe, tri. tem como proposta comemorar os 15 anos da franquia e trazer de volta os personagens que conhecemos e amamos quando crianças em Adventure e Adventure 02.

Enquanto a primeira parte nos trouxe uma enorme dose de nostalgia, bons bocados de ação e uma dose até de vida real, a segunda tenta dar continuidade a isso de uma forma menos atraente. A história começa bastante focada na nova digiescolhida Meiko (Miho Arakawa) e seu Digimon Meicoomon. Seus novos amigos querem introduzi-la ao grupo, levando-a para sair e se enturmar. Sua função ainda não ficou bem clara.

E aí que começa o problema de Ketsui. Timing. Passamos vários longos minutos vendo os digiescolhidos interagirem e se divertirem, mas sem nenhum objetivo para a história. Tem quem goste, claro, de ver bastante conteúdo dos seus personagens favoritos fazendo coisas legais e se divertindo. Mas nesse quesito, Ketsui perdeu a mão. Perdemos tempo demais assistindo coisas que, para o roteiro, não acrescentam.

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As coisas começam a melhorar um pouco com um ataque inesperado de Orgemon. Contudo, o professor Daigo (Daisuke Namikawa) e a empresária Maki (Yūko Kaida) tranquilizam os escolhidos por estarem estudando métodos para levar as criaturas de volta ao mundo digital. Isso causa um certo conflito, pois os digiescolhidos querem e precisam lutar, ao tempo que dois adultos simplesmente chegam e dizem dar conta do recado. Não contente, Mimi Tachikawa (Hitomi Yoshida) resolve lutar com seu Digimon Togemon (Kinoko Yamada) na segunda aparição de Orgemon.

A luta causa um impacto gigante para os espectadores da luta, que nada entendem e acreditam que ambos os monstros só querem destruição. Dessa forma, Mimi é repreendida por seus amigos por ter causado uma impressão ainda pior dos Digimons no mundo real. Em meio a tudo isso, o digiescolhido Joe (Junya Ikeda) anda sumido e não participa das reuniões com seus colegas, enquanto seu Digimon Gomamon (Junko Takeuchi) chega a ir escondido, por ter vontade de participar.

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Em meio a isso, somos apresentados com mais enrolação. Temos o festival da escola, onde Mimi e Meiko passam por alguns problemas para se decidirem junto a sua turma sobre o que fazer. O problema é o mesmo que foi citado anteriormente: timing. Passamos tempo demais em uma conversa que não acrescenta à narrativa.

Joe continua em seu conflito. Ele não sabe porquê foi escolhido desde o princípio. Ele não quer lutar, quer apenas viver uma vida normal. Quer estudar para o vestibular e passar numa faculdade boa. O conflito é, de certa forma, bem trabalhado, mas tinha mais potencial. Mimi vai ao encontro de Joe e expõe suas ideias também. Mimi quer lutar e ser reconhecida por isso. Joe não quer mais lutar. Oposições que precisam encontrar o equilíbrio.

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O clímax se inicia quando ninguém menos que o Imperador Digimon, o qual os personagens acreditam ainda ser Ken Ichijōji, rapta Meicoomon. Os escolhidos e os digimons acompanham a luta pela tela do computador e somente Gomamon e Palmon, digimons de Joe e Mimi, conseguem entrar no mundo digital para lutar. O Imperador tem em seu time um Imperialdramon e o antigo amigo dos escolhidos Leomon, o qual está sob controle mental do vilão. Joe está longe e precisa ser avisado para que seu digimon consiga evoluir em batalha.

A luta em si não é ruim. Temos uma boa ação, com bons golpes. O problema dela mora, de novo, no timing. Enquanto em Digimon Adventure os pelos arrepiam com o momentum criado para a digivolução, em Ketsui isso simplesmente não acontece. Os digimons lutam, digivoluem, derrotam o inimigo e fica por isso. Não tem emoção. Gomamon e Palmon chegam a formas nunca vistas antes, Vikemon e Rosemon, e não há explicação. Não teve incentivo dos seus parceiros. Não houve nada.

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O especial termina com bons cliffhangers, ao menos. Ainda existe interesse em continuar. Mas, se não souberem controlar a peteca, o interesse logo se esvairá. Enquanto o filme não foi de todo ruim, faltou muito timing e emoção nas horas certas.

Digimon Adventure tri. – Ketsui está disponível para assistir em quatro partes no site Crunchyroll, que é aberto ao Brasil. A continuação, Kokuhaku (Confissão), será lançada em setembro.

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Digimon Adventure tri. – Ketsui
Japão, 2015 – 88 min
Animação | Aventura | Fantasia

Direção:
Keitarō Motonaga
Roteiro:
Yūko Kakihara
Elenco:
Natsuki Hanae, Chika Sakamoto, Yoshimasa Hosoya, Mayumi Yamaguchi, Suzuko Mimori, Atori Shigematsu, Mutsumi Tamura, Takahiro Sakurai, Hitomi Yoshida, Kinoko Yamada, Junya Ikeda, Junko Takeuchi, Junya Enoki, Miwa Matsumoto, Mao Ichimichi, Yuka Tokumitsu, Miho Arakawa, Yukiko Morishita, Hiroaki Hirata, Yūko Kaida, Daisuke Namikawa

3 STARS

Por Paulo Henrique Testoni

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