Melhores Séries de 2014

Game of Thrones, Mad Men, Veep e Orange is the New Black estão na relação

A era de ouro da TV continua em 2014. Se 2013 foi fantástico, 2014 não deveu nada. Pelo contrário, novas séries vieram prometendo entreter, divertir, desafiar e instigar os espectadores como Fargo, Broad City, Transparent, BoJack HorsemanHow to Get Away With Murder e The Affair, assim como outras já no ar deram continuidade a suas tramas em altíssimo nível como as comédias Parks and Recreation, Girls, Community e Brooklyn Nine-Nine e os dramas The Killing, The Americans, Rectify e Sherlock. Anualmente, o Previamente faz a lista dos melhores da temporada (de junho de um ano até meio do outro), mas neste ano resolvemos elencar as 14 produções que mais se destacaram na TV ao longo de 2014. Afinal, por que não? Abaixo você confere o que houve de melhor e mais empolgante nas telas, sejam elas de 42 polegadas ou do celular.

New Girl

Depois de uma terceira temporada ruim, New Girl, uma das séries mais simpáticas e malucas da TV, conseguiu voltar aos trilhos. Os produtores e roteiristas agora obtiveram sucesso ao adicionar Coach ao elenco principal, o que na temporada passada foi uma das falhas principais do seriado. New Girl reconquistou o seu humor quase juvenil, com piadas ridículas, boas sacadas e um elenco que se entende muito bem na tela. A química é evidente e a cada episódio ela aumenta. As situações estão ficando mais e mais recheadas de vergonha alheia, mas o que dá aquele toque final especial é a amizade, que conduz a linha narrativa desta primeira metade da quarta temporada.

New Girl season 4 (2014)

Hannibal

Bryan Fuller conseguiu dar uma nova roupagem a um dos grandes vilões da literatura e do cinema. Hannibal, interpretado aqui por Mads Mikkelsen, é diferente da versão imortalizada por Anthony Hopkins na telona. Mas a versão ambígua de Mikkelsen, quase sem nenhuma expressão no rosto ou linguagem corporal, dá uma sensação assustadora e ameaçadora ao mesmo tempo que é acolhedora e transmite seriedade para quem não sabe da sua face oculta. A segunda temporada insere a série no patamar de uma das melhores coisas da TV. A trama Will (Hugh Dancy) como um louco, responsável pela série de assassinatos do ano anterior, e Hannibal se mantém livre. O jogo psicológico é grandioso e a cada momento em que Mikkelsen e Dancy dividem a tela para discutir, a gente se arrepia. Particularmente, acho que a série perde fôlego quando Will é solto, mas ainda não se perde o brilho dos diálogos afiados, a tensão e as cenas que transbordam gore.

Hannibal season 2 (2014)

Jane the Virgin

Pela primeira vez a CW fez uma série realmente respeitável. Supernatural foi a que chegou mais perto, mas ao longo de sua vida foi perdendo a moral com o público e a crítica. Jane the Virgin é uma comédia que brinca com a seriedade forçada das novelas mexicanas. Jane prometeu para a sua avó que só perderia a virgindade quando se casasse, mas após uma confusão numa consulta com sua ginecologista, ela acaba sendo inseminada artificialmente. A partir daí, a confusão é generalizada e a trama vai se amarrando e se enrolando de tal maneira que só poderia acontecer em uma novela da Televisa. O seriado brinca com os clichês do gênero, mantendo a qualidade em seus primeiros nove episódios, sem perder o fôlego da brincadeira.

Jane the Virgin season 1 (2014)

House of Cards

House of Cards retorna à Netflix com precisão cirúrgica, como se fosse um filme de 13 horas, com episódios redondinhos e uma trama focada, sem tempo para dispersão. Centralizando ainda mais na escalada de poder de Frank e Claire Underwood, sem rodeios em tramas paralelas, o casal interpretado por Kevin Spacey e Robin Wright prova estar disposto a tudo para chegar onde querem. O mergulho nas entranhas da política é um retrato preciso do que se vivencia nos bastidores. A corrupção, as chantagens, os favores, os crimes de colarinho branco. Está tudo lá. House of Cards é a primeira série a provar que a TV não tem mais barreiras entre os sinais da antena e a internet, e continua dando aos espectadores um produto de alta qualidade, melhor mesmo do que o próprio cinema.

house of cards 01

Review

Séries surtadas não faltam. BoJack Horseman, Community, New Girl, e por aí vai. Mas Review supera em todo e qualquer sentido. Forrest MacNeil tem um emprego inusitado. Ele faz críticas de tudo. Os internautas mandam emails e ele tem que passar por aquela experiência pedida para realizar a avaliação. De overdose de panquecas, ser o Batman até uso de cocaína e se divorciar, Forrest é submetido a situações que colocam em risco sua saúde e sua própria vida pessoal. Nunca um crítico experienciou tão de perto o que avalia. É surtado, é hilário, é inovador.

Review with Forrest MacNeil season 1 (2014)

Game of Thrones

Confesso que Game of Thrones nunca esteve entre minhas séries favoritas e tampouco uma das mais aguardadas a cada temporada. Porém, seu quarto ano fez com que eu realmente me apegasse à ela. Pra variar, existem várias mortes inesperadas e impactantes, mas o que ganha força aqui é a jornada de seus personagens principais, Tyrion, Cersei, Jaime, Sansa, Arya, Daenerys, Jon e Brienne. Diferente das temporadas anteriores, parece que a série conseguiu dar uma enxugada em tantas tramas paralelas. Elas existem, no entanto os roteiristas encontraram uma maneira de conta-las sem prejudicar o ritmo narrativo, que não parece mais ser cortado a cada cinco minutos para contar sobre um núcleo de cada vez e de forma superficial. A história em si começa a ficar bem mais interessante e o elenco continua mandando bem em cena, além de a produção se manter impecável.

Game of Thrones season 4 (2014)

Silicon Valley

Esta não é uma daquelas comédias hilárias ou com piadas prontas. Nada disso. Criada por Mike Judge, a série veio devagarinho, quase que sem graça em seu piloto – que honestamente quase me fez desistir. Mas a cada episódio, o seriado foi se firmando como um retrato perfeito (presumo) e muito bem humorado do funcionamento do Vale do Silício e como é um campo disputadíssimo, lotado de muitos querendo faturar milhões com a nova invenção tecnológica e também de gente que não tem uma ideia muito clara do que está fazendo. A linguagem um tanto específica utilizada na série acaba sendo facilmente aceita porque os personagens são ótimos e as situações são ao mesmo tempo bizarras, vergonhosas e difíceis de crer. Os verdadeiros nerds são esses! Além do mais, a série tem a piada mais genial de todos os tempos envolvendo pênis e masturbação. Vale totalmente a pena.

Silicon Valley season 1 (2014)

Masters of Sex

Poderia ser uma série para mostrar corpos nus a vontade, mas não é o caso. Masters of Sex se provou neste ano uma das melhores coisas da TV (aliás, todas as séries nesta lista, enfim). Will Masters continua na busca de recursos e apoio para o seu trabalho ao lado de Virginia. O seriado explora ainda mais o mundo do sexo e os tabus, fala com cuidado sobre a homossexualidade, investe na briga de gêneros, de raças e também na política em certos momentos, além de tratar sobre traumas e relacionamentos. Masters of Sex possui personagens complexos e que não podem ser resumidos facilmente. Will e Virginia são figuras incríveis, cheias de nuances e problemas. A série surpreende em todos os sentidos neste ano, até mesmo fazendo um salto temporal no meio da temporada, decisão ousada e que deu certo. É um seriado fascinante e que merece um público maior.

Masters of Sex season 2 (2014)

Orange is the New Black

Em seu segundo ano, OITNB mostra-se ainda mais eficaz na hora de explorar suas personagens femininas (e até os masculinos). O ano número dois dá sequência aos dramas de Piper e todas as demais detentas. Se no ano anterior Piper era o centro das atenções, seu papel na série diminuiu consideravelmente, assim como sua parceira Alex, que faz apenas umas pequenas participações. Apesar de menos tempo em cena, Piper se tornou mais forte, mais madura e não necessariamente menos irresponsável. O melhor de OITNB é que ela se tornou uma narrativa sobre o coletivo das mulheres e não sobre apenas uma personagem. Um dos trunfos do seriado é conseguir explorar as personagens sem preconceitos, sem julgá-las, mostrando através dos flashbacks como elas tomaram o caminho que trilharam. OITNB prova que não somente a mulher, mas as pessoas são muito mais do que aparentam ser. A figura feminina poucas vezes fora tão bem explorada e analisada numa obra de ficção, delineando verdadeiramente o que é ser mulher, ficando muito à frente de Sex and the City nesse quesito.

Melhores da TV na Temporada 2013 2014

True Detective

True Detective é uma série complicada. Não no sentido de ser difícil de entender a história, mas por causa de pequenos momentos que surgem ao longo dos episódios onde aparentemente bate uma súbita vontade de dizer algo com um requinto de pedantismo que deixa você coçando a cabeça. Entretanto, quando se distancia um pouco disso: que série! Os flashbacks, a história em forma de antologia, a atmosfera pesada de uma Louisiana vivendo após a passagem do Furacão Katrina e uma dupla de protagonistas incrível. Por mais que certos os elementos fiquem saturados em determinadas ocasiões, o brilho da série e os atores sempre mantém uma sensação de que estamos vendo um show especial. São poucas as séries que expõem tão bem o misto de conflitos externos e internos que abalam os seus personagens. True Detective é uma delas.
True Detective

Louie

Arte e limites são conceitos que não se unem muito bem. A primeira combina muito mais com inovação, desafios e sentimentos. No mundo da televisão, Louie é a série que chega mais próxima disso. Quatro temporadas e todas elas trazendo elementos diferentes que me fazem acompanhar as aventuras de seu peculiar protagonista como nenhuma outra série consegue. Ao possuir a liberdade de fazer com que o programa seja tudo que ele quer, Louis C.K. é sensacional ao entender cada segmento que compõe o universo audiovisual na criação de sua obra. Grandes roteiros são complementados perfeitamente com planos que poderiam virar retratos e uma montagem que sabe como construir o ritmo que desejar e servir como linguagem. A quarta temporada tem tudo isso… E olhe que, particularmente, não acredito que essa seja o melhor ano da série. Com seus monólogos sobre como muitas pessoas tratam garotas gordas e passam despercebidas sem saber como pequenas ações afetam os outros, flashbacks sobre um relacionamento problemático que foi encerrado através do melhor sexo da vida do casal e uma travessura juvenil (e profunda, diga-se de passagem), Louis C.K. permitiu que todos pudessem ter um pedaço do bolo (todos os momentos anteriores foram interpretados por outros atores com uma competência exemplar). Existem também narrativas com estruturas diferentes, a influência das mulheres na vida do personagem principal… São incontáveis as formas que Louie tem de se aproximar de você e te entregar uma bofetada ou uma lágrima enquanto você continua aí sentado no sofá.
Louie s04e03 So Did the Fat Lady

Mad Men

A primeira parte da sétima e última temporada de Mad Men foi nada menos do que espetacular. Se havia alguma dúvida sobre o desenvolvimento da história em tão poucos episódios, logo tivemos a confirmação de que o drama continua sendo uma das melhores produções atualmente. Repleta de momentos marcantes, desde a nova estruturação da agência até a despedida de um personagem querido ou a pequena (e importante) participação de Sally, a série teve tudo o que precisávamos. Iniciando com a infelicidade de Don, logo tivemos o seu retorno à agência para ser subordinado de Peggy, proporcionando as melhores cenas de interação da dupla (incluindo a icônica dança ao som de “My Way”). Nada mais justo, afinal, assistirmos a aclamada apresentação para a Burger Chef junto com um orgulhoso diferente Don. No meio disso, aquele suspense sobre o futuro da agência com decisões, a chegada do homem à lua e uma música de despedida. É, Mad Men, sentiremos sua falta.

Jon Hamm (Mad Men season 7)

Veep

Lembram de como The West Wing mostrou, de forma séria, como funcionam as coisas dentro da Casa Branca? Então, Veep faz isso, mas da forma mais satírica possível – ou talvez a mais realista de todas. Se no Brasil temos políticos como Tiririca e no ano passado tivemos candidatos como Kid Bengala, Kleber Bambam e Dr. Rey, por que nos EUA as pessoas levariam a política a sério? Selena Meyers gostaria de ser levada com mais seriedade, porém sua tentativa de ser a nova presidente dos EUA acaba sendo mais complicada do que parece, afinal sua equipe é composta por muita gente que não sabe o que fazer exatamente. Como jornalista, me envolvo um pouco no meio político e sei que essa realidade apresentada na série não foge muito da realidade. Enfim, Veep é uma grande série por apresentar esse cenário com um timing cômico perfeito, cheio de situações embaraçosas, atuações acima da média, uma narrativa bem estruturada, além de apresentar o melhor debate político da história.

Selina signs her book

The Good Wife

Em sua sexta temporada, The Good Wife continua mostrando força. Geralmente é o oposto, mas parece que quanto mais velha, melhor fica. Ela começou como uma série procedural, mas pouco a pouco foi ganhando nova roupagem. A saga de Alicia vai percorrendo caminhos tortos e de uma simples boa esposa e dona de casa, ela se tornou uma das advogadas mais respeitadas em Chicago. Em 2014, pegamos duas fases da série: o luto e as consequências da morte de Will ainda na quinta temporada, e na atual sexta temporada ela amplia seu escritório de advocacia e insere-se no mundo da política, onde ela não tem experiência nenhuma e suas noções de ética e moral são deturpadas por esse novo universo. Ainda há espaço para colocar Cary em uma enrascada como se tivesse dado conselhos legais para Lemond Bishop, o maior traficante da cidade, burlar a lei. É uma virada e tanto de jogo. Os casos de tribunais ainda estão ali, mas o foco são nos personagens e suas tramas, além da política e aberturas para os alívios cômicos, sempre bem equilibrados com as partes dramáticas. The Good Wife tem se reinventado sempre que pode, seja em termos de viradas na trama, evolução de personagens, brincando com seu próprio gênero e com a narrativa. Para todos os efeitos, a melhor série do começo até o fim de 2014.

The Good Wife season 6 (2014)

Alguns textos foram vistos previamente no post sobre os Melhores da TV na Temporada 2013/2014.

Todos os textos por Rodrigo Ramos, exceto “Mad Men” por Dierli Santos; e “Louie e True Detective” por André Fellipe.

Fotos: Fox, NBC, The CW, Netflix, Comedy Central, HBO, Showtime, FX, AMC, CBS.

Por Rodrigo Ramos
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