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Emmy Awards 2017 | Stranger Things e Westworld dominam as categorias técnicas

Saturday Night Live, The Night Of e A 13ª Emenda também estão entre os destaques.

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Emmy Awards 2017 | Quem irá e quem merece vencer os principais prêmios

The Handmaid’s Tale, Veep, Atlanta, Big Little Lies, This is Us e Stranger Things estão entre os possíveis vencedores da premiação.

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Emmy Awards 2016 | Conheça os vencedores

Game of Thrones, The People v. O.J. Simpson e Veep estão entre os ganhadores.

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Breaking Bad – Quinta Temporada | Review

A última temporada é provavelmente uma das melhores coisas que você verá na história da TV.

Breaking Bad (19)

Por Rodrigo Ramos

Imagine o cenário a seguir. Você é um professor de química num colégio público, por volta dos seus 50 e poucos anos. Não há mais possibilidades de ascensão na carreira. Você tem um filho adolescente e uma esposa, que não trabalha, grávida. Eis que você é diagnosticado com câncer de pulmão, em um estágio avançado. É uma situação complicada. A maior preocupação de Walter White (Bryan Cranston) é deixar alguma coisa para a sua família e ele não aceita ajuda. Ele é orgulhoso. Quer deixar para seus filhos o que ele conquistou. Então ele decide fabricar metanfetamina com seu ex-aluno Jesse Pinkman (Aaron Paul) e daí pra frente você já deve saber o que acontece.

Walter White entra de cabeça no mundo do crime. No início, acreditamos que suas intenções são genuínas. Mas o poder é tentador e então o professor não resiste. Heisenberg ressurge. É uma face obscura e que esconde o verdadeiro Walter White. Ou seria esta a verdadeira personalidade dele? É fácil ser honesto quando não se é dada a oportunidade para não sê-lo. Tal cenário me lembra dos brasileiros de um modo geral. Fácil gritar através dos dedos nas redes sociais que todo político é corrupto, mas na hora de furar a fila ou ficar com o troco a mais do que deveria não se pensa duas vezes. O poder corrompe e é preciso muito mais do que apenas boas intenções para fugir da tentação. Walter sucumbiu.

Ao longo de cinco temporadas, fomos conhecendo as particularidades de cada um e aprendemos a nos importar. Mesmo que você não seja totalmente a favor das ações de Walter, é possível se relacionar com algumas de suas atitudes. E se não for pra sentir simpatia, certamente algum sentimento como ódio ou raiva. Ao fazer um retrospecto, nota-se que os envolvidos não podem ser mais reconhecidos pelo o que eram no ano um. Walter, Jesse, Skylar, Hank, Marie. E as mudanças são bruscas. É possível realizar um estudo de caso em cima da cada um dos personagens.

O quinto ano da série poderia receber o subtítulo de A Ascensão e a Queda de Heisenberg. Na primeira metade, Walter começa a tomar conta do crime. Ele se foca em tirar toda a concorrência do caminho e se estabelece como o rei do negócio. Para que isso ocorresse, é claro, Walter precisou despir-se de toda a decência. Não há lugar para pensar duas vezes antes de cometer qualquer crime. Mentir, roubar, matar. Há um distanciamento gigantesco entre o professor que presava pelo bem da família e este Al Capone da metanfetamina. É maravilhoso ver como Vince Gilligan, criador da série, desenvolve a figura. Heisenberg e Walter são dois opostos. Enquanto o professor é frágil, dissimulado, pai de família, amável com todos, a mente brilhante do crime é imponente e implacável. É o que Walter gostaria de ser de verdade, mas que cai por terra logo quando ele acreditava estar tudo a salvo.

A primeira parte da temporada tem momentos brilhantes, carregados de adrenalina, tensão e emoção, mas que não chega aos pés do que os personagens são submetidos nos últimos oito episódios. Nós, espectadores, sofremos junto com todos eles a cada segundo que se passa. É uma preparação de terreno incrível, que parece ter sido premeditada detalhe por detalhe. Dá a impressão que Vince Gilligan planejou este caminho trilhado até aqui desde o começo. A temporada chega a um ponto em que não é mais possível para nenhum dos personagens voltarem atrás, e isso é brilhante. Muitas séries chegam ao seu final, mas dão a impressão que poderiam optar por diversos desfechos – sendo eles felizes ou não. Apesar de Breaking Bad ser totalmente imprevisível, semana após semana, fica difícil imaginar um término alegre. É impossível. Essa iminência é um dos fatores que faz com que o espectador grude na poltrona e fique esperando, roendo as unhas, para ver o que acontece a seguir.

Nesta segunda parte da quinta temporada, as direções apontam para a tragédia. Jesse está perdido, quase fora do ar, sem um propósito. Ele não quer dinheiro. Ele quer recompensar por todo o mal realizado por ele e Walt. Ele é tão culpado quanto, mas a consciência de Jesse nunca ficou de lado. Contudo, Walt sempre conseguiu passar a conversa nele, fazendo com que sempre ficasse ao lado do Mr. White. Até que, finalmente, ele acorda pra vida e percebe que foi usado, apesar desta não ser a melhor palavra para definir a situação. Mas enganado? Sim. Enquanto o confronto deveria ser apenas entre Heisenberg e Hank (Dean Norris), a briga fica melhor quando Pinkman entra na jogada. A disputa é voraz.

Enquanto isso, surgem os efeitos colaterais. A Skylar que antes queria se matar para fugir do marido, acaba abraçando a causa e tenta fazer o que é melhor, dentro das possibilidades, para a sua família. E que desempenho fantástico de Anna Gunn. O Emmy é mais do que merecido, e ano que vem merece novamente a estatueta de atriz coadjuvante. A situação é tão extrema que ela acaba ficando contra o próprio Hank. Este, coitado, caiu na maior cilada de sua vida. Seria tão melhor para ele nunca ter sentado naquele vaso sanitário. Todavia, a reviravolta era necessária – e funciona como combustível para a reta final da série.

Nos últimos episódios, Walter sofre com suas decisões – e não só ele, mas todos os que estão ao seu redor. As situações pelas quais ele passa fazem com que o espectador fique em dúvida se o odeia ou se sente pena dele. A desculpa ainda é prover para a sua família. Quando ameaçam a vida daqueles que ele se importa, ele se impõe. Pena que Walter White não é Heisenberg. Nem todos sabem disso, no entanto, como é o caso da polícia. Em uma cena chave, Walt mostra toda a sua arrogância e soberba diante de policiais no outro lado da linha, isentando sua família de toda e qualquer parcela de culpa. Ele credita suas conquistas exclusivamente a si. Será que a essa altura do campeonato somos capazes de (ainda ou voltar a) acreditar na justificativa inicial? O episódio final deixa bem claro esta questão – e era o que esperávamos ouvir a um bom tempo.

Acredite, Walter paga por todos os seus pecados. Seu câncer volta. Ele precisa se isolar de tudo e de todos em um lugar no meio do nada. As pessoas ao seu redor começam a morrer ou a sofrer. Seu filho o odeia. E até seus colegas da faculdade que abriram um negócio com ele, a Grey Matter Technologies, o diminuem. Além, é claro, do fato de tomarem conta do seu produto e de seu dinheiro. Heisenberg está morto. É apenas uma imagem que as pessoas têm. Na verdade, ele nunca existiu. Apesar disso, é evidente que Walt irá ressuscitar o que sobrou deste e mesclar com suas “boas intenções” para voltar para a realidade e… Bem, dar spoilers do desfecho da série não seria justo. O que dá pra adiantar é que o término não poderia ter sido melhor dentro das possibilidades. Nada parece fora do lugar. Os acontecimentos, as falas, tudo termina pontualmente, sem excessos. É um episódio redondo e que definitivamente coloca um ponto final, sem abertura para questionamentos.

O final da jornada de Walter White marca a TV por trabalhar brilhantemente com a face de um homem que carece de moralidade e perde todos os seus valores ao longo do seu percurso. Breaking Bad sempre abordou essa quebra de ética do ser humano e costumeiramente colocava à prova seus personagens, com Walter sendo o símbolo máximo da ruptura com o bem. Afinal, eis aqui um homem que só se importava consigo mesmo, se tornando um monstro, como ele mesmo se refere no final da temporada. Contudo, se você não é crente que a humanidade é boa em sua essência, Walt é apenas o símbolo do que é o ser humano (ou o que há de pior nele).

Ao longo dos anos, Breaking Bad trouxe o cinema pra dentro de nossos lares – e fez até melhor do que atualmente se faz na tela grande. Os 62 episódios são exemplos excelência em trabalho técnico, desde a composição dos roteiros, a direção de fotografia (o calor de Albuquerque está lá através da saturação), som, música (as escolhas costumam ser perfeitas, como “Baby Blue”, que tem uma letra que casa perfeitamente com toda a situação), as interpretações fenomenais do seu elenco até a edição final e a direção de cada um deles. Breaking Bad ensinou como uma obra audiovisual deve ser feita, em narrativa e em composição. Talvez a principal lição que a série nos deixa é esta apontada pela crítica Ana Maria Bahiana: “confie na inteligência do público. Somos inteiramente capazes de acompanhar, entender e apreciar um drama complexo em tema e tom”.

O adeus à série é doloroso. A lacuna deixada por ela dificilmente será preenchida, contudo me satisfaço em ver um dos melhores seriados da história da TV se despedindo no seu auge.

Breaking Bad: The Fifth Season
EUA, 2012/2013
16 episódios
Drama

Criado por:
Vince Gilligan
Elenco:
Bryan Cranston, Anna Gunn, Aaron Paul, Dean Norris, Betsy Brandt, RJ Mitte, Bob Odenkirk, Jonathan Banks, Laura Fraser, Jesse Plemons

Lista de episódios:
5×01: Live Free or Die
5×02: Madrigal
5×03: Hazard Paz
5×04: Fifty-One
5×05: Dead Freight
5×06: Buyout
5×07: Say My Name
5×08: Gliding Over All
5×09: Blood Money
5×10: Buried
5×11: Confessions
5×12: Rabid Dog
5×13: To’hajiilee
5×14: Ozymandias
5×15: Granite State
5×16: Felina

5 STARS

Emmy Awards 2013 | Os Vencedores

Emmy Awards 2013

A 65ª edição do Emmy Awards aconteceu na noite de domingo, 22 de setembro, com apresentação de Neil Patrick Harris. O grande vencedor da noite foi o telefilme Behind the Candelabra, com 11 prêmios no total, incluindo melhor minissérie ou telefilme. Na categoria de série dramática, Breaking Bad se saiu melhor, faturando pela primeira vez o prêmio de melhor série. No gênero cômico, foi Modern Family que levou pra casa o troféu de melhor comédia.

Confira abaixo a lista completa de vencedores (e todos os demais indicados).

Melhor Série Drama
Breaking Bad
Downton Abbey
Game of Thrones
Homeland
House of Cards
Mad Men

Melhor Atriz Drama
Connie Britton – Nashville
Claire Danes – Homeland
Michelle Dockery – Downton Abbey
Vera Farmiga – Bates Motel
Elisabeth Moss – Mad Men
Kerry Washington – Scandal
Robin Wright – House of Cards

Melhor Ator Drama
Hugh Bonneville – Downton Abbey
Bryan Cranston – Breaking Bad
Jeff Daniels – The Newsroom
Jon Hamm – Mad Men
Damien Lewis – Homeland
Kevin Spacey – House of Cards

Melhor Ator Coadjuvante Drama
Bobby Cannavale – Boardwalk Empire
Jonathan Banks – Breaking Bad
Aaron Paul – Breaking Bad
Jim Carter – Downton Abbey
Peter Dinklage – Game of Thrones
Mandy Patinkin – Homeland

Melhor Atriz Coadjuvante Drama
Anna Gunn – Breaking Bad
Maggie Smith – Downton Abbey
Emilia Clarke – Game of Thrones
Christine Baranski – The Good Wife
Morena Baccarin – Homeland
Christina Hendricks – Mad Men

Melhor Ator Convidado Drama
Nathan Lane – The Good Wife
Michael J. Fox – The Good Wife
Rupert Friend – Homeland
Robert Morse – Mad Men
Harry Hamlin – Mad Men
Dan Bucatinsky – Scandal

Melhor Atriz Convidada Drama
Margo Martindale – The Americans
Diana Rigg – Game of Thrones
Carrie Preston – The Good Wife
Linda Cardellini – Mad Men
Jane Fonda – The Newsroom
Joan Cusack – Shameless

Melhor Elenco Drama
Downton Abbey
Game of Thrones
The Good Wife
Homeland
House of Cards

Melhor Direção Drama
Boarwalk Empire (episódio: Margate Sands)
Breaking Bad (episódio: Gliding All Over)
Downton Abbey (episódio: Episode 4)
Homeland (episódio: Q&A)
House of Cards (episódio: Chapter 1)

Melhor Roteiro Drama
Breaking Bad (episódio: Dead Freight)
Breaking Bad (episódio: Say My Name)
Downton Abbey (episódio: Episode 4)
Game of Thrones (episódio: The Rains of Castamere)
Homeland (episódio: Q&A)

Melhor Comédia
30 Rock
The Big Bang Theory
Girls
Louie
Modern Family
Veep

Melhor Atriz Comédia
Laura Dern – Enlightened
Lena Dunham – Girls
Edie Falco – Nurse Jackie
Tina Fey – 30 Rock
Julia Louis-Dreyfus – Veep
Amy Poehler – Parks and Recreation

Melhor Ator Comédia
Alec Baldwin – 30 Rock
Jason Bateman – Arrested Development
Louis CK – Louie
Don Cheadle – House of Lies
Matt LeBlanc – Episodes
Jim Parsons – The Big Bang Theory

Melhor Ator Coadjuvante Comédia
Adam Driver – Girls
Jesse Tyler Ferguson – Modern Family
Ed O’Neill – Modern Family
Ty Burrell – Modern Family
Bill Hader – Saturday Night Live
Tony Hale – Veep

Melhor Atriz Coadjuvante Comédia
Mayim Bialik – The Big Bang Theory
Jane Lynch – Glee
Julie Bowen – Modern Family
Merritt Wever – Nurse Jackie
Jane Krakowski – 30 Rock
Anna Chlumski – Veep
Sofia Vergara – Modern Family

Melhor Ator Convidado Comédia
Bob Newhart – The Big Bang Theory
Nathan Lane – Modern Family
Bobby Cannavale – Nurse Jackie
Louis C.K. – Saturday Night Live
Justin Timberlake – Saturday Night Live
Will Forte – 30 Rock

Melhor Atriz Convidada Comédia
Molly Shannon – Enlightened
Dot-Marie Jones – Glee
Melissa Leo – Louie
Melissa McCarthy – Saturday Night Live
Kristen Wiig – Saturday Night Live
Elaine Stritch – 30 Rock

Melhor Elenco Comédia
Girls
Modern Family
Nurse Jackie
30 Rock
Veep

Melhor Direção Comédia
Girls (episódio: On All Fours)
Glee (episódio: Diva)
Louie (episódio: New Year’s Eve)
Modern Family (episódio: Arrested)
30 Rock (episódio: Hogcock!)
30 Rock (episódio: Last Lunch)

Melhor Roteiro Comédia
Episodes (episódio: Episode 209)
Louie (episódio: Daddy’s Girlfriend Part 1)
The Office (episódio: Finale)
30 Rock (episódio: Hogcock!)
30 Rock (episódio: Last Lunch)

Melhor Apresentador de Reality Show
Ryan Seacrest – American Idol
Betty White – Betty White’s Off Their Rockers
Tom Bergeron – Dancing With the Stars
Heidi Klum and Tim Gunn – Project Runway
Cat Deeley – So You Think You Can Dance
Anthony Bourdain – The Taste

Melhor Reality Show
The Amazing Race
Dancing With the Stars
Project Runway
So You Think You Can Dance
Top Chef
The Voice

Melhor Programa de Variedades
The Colbert Report
The Daily Show With Jon Stewart
Late Night With Jimmy Fallon
Real Time With Bill Maher
Saturday Night Live

Melhor Minissérie ou Telefilme
American Horror Story: Asylum
Behind the Candelabra
The Bible
Phil Spector
Political Animals
Top of the Lake

Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme
Michael Douglas – Behind the Candelabra
Matt Damon – Behind the Candelabra
Toby Jones – The Girl
Benedict Cumberbatch – Parade’s End
Al Pacino – Phil Spector

Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme
Jessica Lange – American Horror Story: Asylum
Laura Linney – The Big C: Hereafter
Helen Mirren – Phil Spector
Sigourney Weaver – Political Animals
Elisabeth Moss – Top of the Lake

Melhor Elenco em Minissérie ou Telefilme
Behind the Candelabra
American Horror Story: Asylum
The Hour
Political Animals
Top of the Lake

Confira a lista completa dos vencedores dos prêmios do primetime anunciados durante a premiação aqui.
Confira a lista completa dos vencedores nas categorias técnicas (edição, fotografia, entre outras) aqui.

Mad Men – Sexta Temporada | Review

Mad Men saeson 6

AVISO! Este texto contém spoilers.

O Sindicato dos Roteiristas de Hollywood (Writers Guild of America) elegeu no começo do mês os melhores programas televisivos de ficção de todos os tempos. A única série que iniciou nos últimos 10 anos a figurar no top 10 da lista é Mad Men, criada por Matthew Weiner, um dos roteiristas de The Sopranos (Família Soprano, aqui no Brasil), considerada a mais importante da história. Existem vários motivos para Mad Men ser tão relevante para a história da TV. A nova temporada, que é exibida na HBO Brasil com apenas duas semanas de atraso em relação à AMC, chegou ao fim nos EUA no último domingo. Sua antecessora teve um leve declínio em comparação com a quarta, mas neste sexto ano de exibição, Mad Men prova novamente porque é uma das melhores coisas que a televisão norte-americana já produziu.

Esta temporada aproveitou para aprofundar ainda mais seus personagens, como é costumeiro da série, que se foca neles acima de qualquer contexto histórico, apesar deste existir e ser devidamente bem trabalhado. O caminho trilhado aqui leva todos para a perdição. A sensação, desde o início do sexto ano, é de que os personagens estão sem rumo e que a qualquer momento podem se perder de vez, em um caminho sem volta. É claro que isso fica bem mais evidente na figura de Don Drapper (Jon Hamm).

Don bem que tentou se tornar um marido exemplar, um pai melhor, um ser humano mais decente na quinta temporada. Mas suas tentativas foram por água abaixo como esboçado pela última cena do ano passado. É da natureza de Don ser inescrupuloso. A sexta temporada é a destruição completa de Draper.

O personagem, desde o episódio um, vai se distanciando de seu casamento, de seu trabalho, de sua família. A figura do conquistador, regrado apenas pela cobiça do corpo de outra mulher, retorna. A vítima da vez é Sylvia (Linda Cardellini), vizinha do prédio de Don e Megan (Jessica Paré). A mulher, por sinal, também é casada. Sylvia mostra que caráter também não é o seu forte. Assim como o casamento de Don parece cada vez mais diluído, o de Sylvia não está no ápice. Portanto, ela se deixa levar facilmente pelo publicitário. A relação entre eles entra em um nível abominável. Em um dos melhores episódios da temporada, “Man with a Plan”, Draper faz de Sylvia sua refém e toma atitudes controversas, até mesmo doentias, para afirmar sua dominação. A necessidade, talvez, venha devido à fusão entre as duas firmas. Com a realização desta, o poder de Don fica em cheque em seu trabalho, por isso ele necessita, de alguma forma, mostrar que ainda está no poder – e que as pessoas dependem dele.

A fusão, aliás, vem de forma inusitada – e é o que dá o frescor que a série precisava para continuar em alto nível. A agência em que Peggy (Elisabeth Moss) trabalha e que é gerenciada por Ted (Kevin Rahm) acaba sendo obrigada a unir forças com a de Don para conseguir ganhar a conta da Chevrolet. O fato é ótimo já que obriga que Peggy volte a interagir com Don (e ganha mais espaço na série novamente) e faz com que o protagonista tenha que se virar no meio de uma nova situação em que ele precisa se adequar. Mudanças não são o forte do personagem. Já disse Mick Jagger em uma canção, “old habits die hard”. A frase se encaixa perfeitamente no papel de Jon Hamm. Existe certa resistência à mudança, o que é um tanto contraditório vindo de um cidadão que é publicitário e procura inovar em suas campanhas.

A inclusão de Ted na trama é muito bem vinda. Inicialmente, o chefe de Peggy serve como contraste de Don. A calma, a paciência, o bom convívio com os outros empregados e o sorriso estampado no rosto não combinam em nada com o carrancudo, fechado e anti-opiniões Draper. Quando Ted tenta se igualar enchendo a cara, claramente não acompanhando o ritmo de Don. Depois disso, a situação começa a mudar. Ficar ao redor de Draper parece ser tóxico. Coincidência ou não, Ted começa a se apaixonar por Peggy, o que não é bom pelos seguintes motivos: 1) ela é uma colega de trabalho; e 2) ele é casado e tem dois filhos. Aos poucos, a série vai mostrando que Ted tem potencial para ser um novo Don Draper. A família não é mais a prioridade para ele. O trabalho consome sua vida, dia e noite. E ainda por cima há um romance no escritório. Pra ficar completa a igualdade, só faltou uma boa dose de whisky. Ted caminha para a sua própria perdição, mas até que ponto ele consegue chegar? Será que ele quer ser igual a Draper? No season finale, “In Care Of”, descobrimos a resposta.

Todos os personagens se mostram perdidos dentro e, principalmente, fora da agência. Apesar de ser uma das sócias da agência, Joan (Christina Hendricks) não se sente tratada como tal. Peggy, por exemplo, mesmo não sendo uma das associadas, conquistou respeito dos colegas trabalhando duro, subindo na vida através de seu trabalho e competência, diferente de Joan. Um dos episódios da temporada explora esta diferença entre as duas e a frustrada tentativa da ruiva de impor respeito e demonstrar que pode conquistar clientes sem dar seu corpo em troca. Além disso, ela vive o drama de ser uma mãe solteira. Na questão solteirice, Pete (Vincent Kartheiser) também está incluído na lista já que seu casamento com Trudy (Alison Brie) chega ao fim depois de o publicitário ter desejado uma vida mais livre. Só que a liberdade custa caro. Dentro da agência, a cada dia que passa, Pete percebe que vai perdendo sua relevância e ainda por cima precisa cuidar da mãe, possivelmente com Alzheimer. Roger (John Slattery) também está presente na lista de pessoas perdidas. Mais do que nunca, ele abraça sua falta de utilidade, viajando pra lá e pra cá, tentando ajeitar as coisas com os clientes quando pode utilizar de sua boa lábia, arrisca uma reaproximação com a família depois que sua mãe falece e busca dedicar-se um pouco mais para o seu filho com Joan.

Enquanto alguns parecem deslocados, à procura de algo que dê sentido às suas vidas, eis que surge um personagem que, pouco a pouco, vai se tornando uma espécie de Don Draper. Bob Benson (James Wolk) é um personagem misterioso e instigante. Lá no começo da temporada ele surge do nada. Alguns dizem que é do andar de cima, ou de baixo, ou de qualquer outro lugar, menos da agência. Tudo o que ele quer é ser útil de alguma forma. Quando menos se percebe, ele está escalado para participar de uma conta, sugere a ajuda de um enfermeiro conhecido para cuidar da mãe de Pete, presta serviços para Joan e por aí vai. Ele tenta agradar de todas as formas possíveis. Mas afinal de contas quem é Bob Benson? A temporada não esclarece, mas o mistério em torno dele é um dos triunfos da temporada. Pete é aquele que fica com um pé atrás e investiga o passado do sujeito, descobrindo que ele é uma farsa. A escalada ao sucesso, mas com o pretérito em segredo. Pete já passou por isso antes, lá no começo da série, com Draper. Benson deixa claro, no entanto, que sua personalidade amigável é apenas uma máscara que utiliza para chegar aonde deseja. Podemos esperar muito do personagem para a próxima temporada.

Mad Men consegue explorar os coadjuvantes de maneira formidável. Ela sempre obteve sucesso em desmembrar e contar mais sobre eles, e mantém a qualidade neste quesito. Novamente, ela traz uma ambientação fiel ao contexto histórico da época, aqui situado no final dos anos 60. O fato do histórico mesclado com a trama aqui é a morte de Martin Luther King. Apesar destas conquistas, Mad Men não tira o foco de seu protagonista maior, Don Draper.

Como dito lá no início do texto, Draper está cada vez mais perdido. Há momentos específicos que mostram a fragilidade dele e seu descontrole. Uma vez ou outra, em episódios aleatórios, somos jogados para a infância de Don e descobrimos mais sobre sua infância sofrida como órfão, vivendo em um bordel. A maneira como ele é criado e tratado evidentemente reflete o seu futuro, especialmente no seu tratamento com as mulheres e seus filhos. O discurso de Don durante a apresentação da campanha para a Hershey’s, na season finale, exterioriza seus sentimentos e sua sórdida infância, como o amor lhe faltou e as lembranças felizes são raras, se resumindo apenas em um pedaço de uma barra de chocolate.

Os traumas da infância refletem em Don, uma pessoa que não aprendeu a amar. No diálogo com Megan, no episódio “The Flood”, ele conta como se sente em relação aos filhos. “Quando o bebê surge, […] você não sente nada. Principalmente quando se teve uma infância difícil. Você quer amá-los, mas não consegue”. Este é só um trecho, mas as palavras de Don são ainda mais difíceis de serem digeridas. Com elas, no entanto, é possível compreender as ações de Don. Não justificam e nem fazem com que o espectador concorde com as escolhas dele, mas é possível entender os traumas do personagem. Em outro momento na temporada, ele e Betty (January Jones) estão trocando os papéis de outrora. Ao invés de ser a traída, agora é a amante. E ao perguntar de Megan, Betty diz que “ela não sabe que amar você é a pior maneira de tê-lo”.  Esta é a frase mais marcante de toda a série, além de ser a mais verdadeira e condizente com a personalidade de Draper.

A temporada inteira é um estudo de caso sobre o personagem. Este vai se destruindo cada vez mais e acaba chegando ao fim do poço quando até mesmo sua filha, Sally (Kiernan Shipka), a única que ainda admirava-o de alguma forma, o enxerga como um verdadeiro monstro. Don cria uma mentira atrás da outra, e mesmo sendo pego no flagra por sua filha, ele não é capaz de admitir e dizer-lhe a verdade. Ele se isola neste mundo de mentiras e omissões, perdendo tudo o que conquistou ao longo dos anos, se sentindo extremamente frágil, sentimento ilustrado pela posição fetal que assume no início e desfecho do episódio “The Quality of Mercy”.

Ver Jon Hamm atuando é uma experiência única. Ele entrega tudo o que o papel requer. São várias nuances e Hamm simplesmente destrói como Don Draper. Nunca lhe foi exigido tanto e ele reafirma o seu lugar como um dos melhores atores da atualidade na televisão. Se finalmente vier um prêmio Emmy para ele, não me surpreenderia.

Mad Men culmina em um ápice que não alcançava desde a brilhante quarta temporada. Matthew Weiner demonstra estar consciente do que está fazendo e sabe aonde quer chegar com a série. Os episódios variam em estilo, a trama é perfeitamente delineada, enquanto a qualidade técnica permanece soberba. Independente do que acontecer nos próximos (e últimos) episódios, Mad Men já conquistou seu espaço como uma das melhores séries de todos os tempos – e com todos os méritos possíveis.

Mad Men: Season Six
EUA, 2013 – 13 episódios
Drama

Criado por:
Matthew Weiner
Elenco:
Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser, January Jones, Christina Hendricks, Aaron Staton, Rich Sommer, Kiernan Shipka, Jessica Paré, Kevin Rahm, Christopher Stanley, Jay R. Ferguson, Ben Feldman, Mason Vale Cotton, Robert Morse, John Slattery, James Wolk, Alison Brie, Mark Moses, Linda Cardellini

Lista de episódios:
6×01/02: The Doorway
6×03: The Collaborators
6×04: To Have and to Hold
6×05: The Flood
6×06: For Immediate Release
6×07: Man with a Plan
6×08: The Crash
6×09: The Better Half
6×10: The Tail of Two Cities
6×11: Favors
6×12: The Quality of Mercy
6×13: In Care Of

5 STARS