Os melhores filmes de 2022

Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo, Top Gun: Maverick, Drive My Car e Aftersun são alguns dos filmes favoritos da nossa redação no ano que passou.

Entre blockbusters campeões de bilheteria, filmes lançados direto no streaming e produções exibidas em festivais ou em uma sala somente no país, o Previamente traz uma relação com os melhores longas-metragens que passaram de alguma forma por aqui ao longo de 2022. Neste ano, trazemos o top 10 individual de cada um dos eleitores, além do ranking geral com os 20 filmes mais lembrados por eles. Confira o resultado abaixo!

Top 10 de Rodrigo Ramos

1. Top Gun: Maverick (2022, de Joseph Kosinski)

O sucesso de Top Gun: Maverick parecia improvável. Quem diria que a sequência de um filme lançado há 36 anos seria a (segunda, pois o novo Avatar o ultrapassou) maior bilheteria do ano, batendo filmes da Marvel, Disney e DC? Não se trata de uma grande franquia. Mesmo indo contra as probabilidades, Top Gun: Marverick vem para nos provar, junto com Avatar: O Caminho da Água, que as pessoas querem ver filmes grandiosos, sim, mas que tenham coração e provem que são fruto do amor pela sétima arte, e não somente algo em busca da maior bilheteria possível ou criação de memes – o que tudo bem se render, mas não é necessariamente o foco.

Top Gun: Marvick é uma bela homenagem a Tony Scott e ao filme de 1986, porém, não para por aí. Com um enredo mais maduro, testosterona não tão em alta, cenas de ação de tirar o fôlego que te oferecem a experiência de pilotar – talvez porque os atores estavam de fato dentro daqueles aviões – e Tom Cruise na sua melhor performance em anos, o filme reflete sobre a vida, a passagem do tempo, como nossas ações afetam terceiros, o domínio que a culpa pode ter sobre uma pessoa, e define que o fator humano é fundamental em qualquer que seja a tarefa. Além disso, tal como o longa-metragem original, não há um vilão propriamente dito; os antagonistas dos personagens são eles próprios, é a luta da pessoa com ela mesma. O inimigo posto pelos militares pouco importa, pois o desafio principal é superar a si próprio. É filmaço daqueles que o cinema clama por mais, com emoção de sobra, excelência técnica e grandiosidade. É incontestavelmente o blockbuster do ano e, particularmente, o meu favorito de 2022.

(Paramount)

2. Marte Um (2022, de Gabriel Martins)

3. Drive My Car (Doraibu mai kâ, 2021, de Ryusuke Hamaguchi)

4. A Tragédia de Macbeth (The Tragedy of Macbeth, 2021, de Joel Coen)

5. Pinóquio (Guillermo del Toro’s Pinocchio, de Guillermo del Toro e Mark Gustafson)

6. Aftersun (2022, de Charlotte Wells)

7. Licorice Pizza (2021, de Paul Thomas Anderson)

8. Batman (The Batman, 2022, de Matt Reeves)

9. Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (Everything Everywhere All at Once, 2022, de Dan Kwan e Daniel Scheinert)

10. Argentina, 1985 (2022, de Santiago Mitre)

Top 10 de Carissa Vieira

1. Não! Não Olhe! (Nope, 2022, de Jordan Peele)

Em seu terceiro filme, Jordan Peele traz sua obra mais ligada ao espetáculo. Em cada detalhe de Não! Não Olhe! a cultura da espetacularização se faz presente. Só que o cineasta não deseja apenas criar um blockbuster. Jordan Peele nos entrega uma obra cheia de camadas. Um filme que funciona da forma mais superficial possível, mas que cresce quanto mais analisamos as camadas presentes. Além de ser uma carta de amor ao cinema de horror. E com uma das cenas mais amedrontadoras e sensacionais do ano. Quem diria que uma chuva de sangue poderia ser tão encantadora? 

(Universal Pictures)

2. Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (Everything Everywhere All at Once, 2022, de Dan Kwan e Daniel Scheinert)

3. O Acontecimento (L’événement, 2021, de Audrey Diwan)

4. Aftersun (2022, de Charlotte Wells)

5. A Mulher Rei (The Woman King, 2022, de Gina Prince-Bythewood)

6. Até os Ossos (Bones and All, 2022, de Luca Guadagnino)

7. A Pior Pessoa do Mundo (Verdens verste menneske, 2021, de Joachim Trier)

8. Memória (Memoria, 2021, de Apichatpong Weerasethakul)

9. Os Primeiros Soldados (2021, de Rodrigo de Oliveira)

10. Fresh (2022, de Mimi Cave)

Top 10 de Marina Rodrigues

1. Holy Spider (2022, de Ali Abbasi)

Holy Spider é um filme que, ironicamente ou não, nos conecta tanto ao Irã de 2022 quanto ao Brasil de Bolsonaro que recentemente chegou ao fim. 

A trama conta a história real de um serial killer de prostitutas que é movido por uma suposta ordem divina de limpar os espaços públicos de toda a promiscuidade e acaba sendo visto como herói pelos líderes de uma teocracia que vem tentando coibir o direito das mulheres em suas manifestações e ainda obrigou sua seleção de futebol a cantar o hino durante a Copa do Mundo 2022.

Conforme avançamos no filme junto a uma jornalista – responsável pela prisão e cumprimento da sentença do assassino –, nos damos conta de que o Irã é o objetivo final dos extremistas religiosos que abraçaram o bolsonarismo e quiseram, junto a um Estado ainda laico, ditar regras sob meninas, mulheres e senhoras já na sua terceira idade. 

Holy Spider é uma história de resiliência que nos deixa pensando por dias qual é o verdadeiro papel da mulher na sociedade, seja no Brasil devastado e misógino do Bolsonaro ou no Irã. 

Apesar de ter sido lançado no Brasil apenas durante o Festival do Rio, a partir de 2023 poderá ser visto na tela do serviço de streaming da Mubi. 

(MUBI)

2. Marte Um (2022, de Gabriel Martins)

3. Fogaréu (2022, de Flávia Neves)

4. Argentina, 1985 (2022, de Santiago Mitre)

5. A Pior Pessoa do Mundo (Verdens verste menneske, 2021, de Joachim Trier)

6. Elvis (2022, de Baz Luhrmann)

7. Top Gun: Maverick (2022, de Joseph Kosinski)

8. O Curto Verão de Hilda (Las vacaciones de Hilda, 2021, de Agustín Banchero)

9. Não! Não Olhe (Nope, 2022, de Jordan Peele)

10. Ataque dos Cães (The Power of the Dog, 2021, de Jane Campion)

Top 10 de Rafael Bürger

1. Great Freedom (Große Freiheit, 2021, de Sebastian Meise)

Até 1973, a Alemanha Ocidental capitalista manteve em seu código penal o parágrafo 175 do período nazista, que criminalizava a homossexualidade masculina e que causou o encarceramento de mais de 100 mil homens. Great Freedom acompanha as idas e vindas de Hans (Franz Rogowski) na prisão, desde 1945, saído diretamente de um campo de concentração, até o ano chave de 1973. A premissa é um prato cheio para um filme panfletário, que explore o sofrimento daqueles personagens, um melodrama misery porn bem ao estilo que encanta a Academia de Hollywood. Mas a atenção de Sebastian Meise está voltada para outro aspecto. Este é um filme sobre encontrar uma liberdade interior, que supere o encarceramento e a repressão material. Assim o que se constrói é um conto cativante que exalta a potência da intimidade e a sexualidade em sua expressão livre como local de resistência.

(MUBI)

2. A Ilha de Bergman (Bergman Island, 2021, de Mia Hansen-Løve)

3. Carvão (2022, de Carolina Markowicz)

4. Glass Onion: Um Mistério Knives Out (Glass Onion: A Knives Out Mystery, 2022, de Rian Johnson)

5. Blonde (2022, de Andrew Dominik)

6. A Fratura (La Fracture, 2021, de Catherine Corsini)

7. Era Uma Vez um Gênio (Three Thousand Years of Longing, 2022, de George Miller)

8. O Acontecimento (L’événement, 2021, de Audrey Diwan)

9. Nada de Novo no Front (Im Westen nichts Neues, 2022, de Edward Berger)

10. Batman (The Batman, 2022, de Matt Reeves)

Top 10 de Gustavo Fiaux

1. Era Uma Vez um Gênio (Three Thousand Years of Longing, 2022, de George Miller)

Na era dos blockbusters contemporâneos, é fácil nos sentirmos desumanizados em um mar de super-heróis, deuses e seres fantásticos, onde histórias humanas pouco importam uma vez que a única prioridade relevante é o escapismo puro e simples. Por essas e outras, é um tanto quanto curioso que Era Uma Vez um Gênio, novo filme de George Miller, use de uma criatura tão fantástica quanto um djinn justamente para falar do nosso anseio por contos e narrativas. 

Depois de ter apresentado ao mundo sua obra-prima com Mad Max: Estrada da Fúria, Miller surpreende por usar de um espetáculo megalomaníaco e deslumbrante para tratar de uma história muito intimista: uma historiadora, que sente que nunca viveu sua vida como deveria, encontra um gênio da lâmpada e, ao ouvir suas histórias de vida, se apaixona por ele. Nas mãos de qualquer um, poderia soar piegas e bobo, mas aqui não. 

Era Uma Vez um Gênio é uma ode à beleza de contar histórias, ao mesmo tempo em que fornece um brilhantismo no modo em que trata a fragilidade das relações humanas e o poder de um romance atemporal – tudo amarrado por uma atuação sutil e tocante de Tilda Swinton, visuais vistosos, um senso de humor cativante e, de brinde, um Idris Elba gigante completamente pelado. 

(MGM)

2. Noites Brutais (Barbarian, 2022, de Zach Cregger)

3. Não! Não Olhe! (Nope, 2022, de Jordan Peele)

4. Pinóquio (Guillermo del Toro’s Pinocchio, 2022, de Guillermo del Toro e Mark Gustafson)

5. Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (Everything Everywhere All at Once, 2022, de Dan Kwan e Daniel Scheinert)

6. Tár (2022, de Todd Field)

7. Decisão de Partir (Heojil kyolshim, 2022, de Park Chan-wook)

8. Crimes do Futuro (Crimes of the Future, 2022, de David Cronenberg)

9. O Peso do Talento (The Unbearable Weight of Massive Talent, 2022, de Tom Gormican)

10. Batman (The Batman, 2022, de Matt Reeves)

Top 10 de Breno Costa

1. Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (Everything Everywhere All at Once, de Dan Kwan e Daniel Scheinert)

Nenhum dos temas de Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo é necessariamente novo. Grande parte deles, aliás, faz parte do zeitgeist do cinema contemporâneo como, por exemplo, o trauma/choque geracional. Havia, de certa forma (pelo menos da minha parte), uma apreensão pela abordagem do multiverso do filme em comparação à (bagunça) da Marvel. Contudo, apesar de não trazer novidades de tema, o longa pega uma história simples e a conta de uma maneira única. As regras do multiverso do filme nunca soam absurdas e em momento nenhum são quebradas. O jogo é claro e se segue com ele até o fim. A presença de Michele Yeoh é um acontecimento. Ela consegue trazer toda a dor e força da(s) personagem(ns) ao longo de toda a história. Como homenagem ao próprio multiverso que guia a narrativa, o filme toca diversos gêneros cinematográficos durante suas duas horas e vinte minutos. É um filme sci-fi, é um drama, é uma comédia, é um filme LGBT, é cinema mudo (a cena das pedras), é profundo, é profano, é tudo em todo o lugar ao mesmo tempo.

(Diamond Films)

 2. Marte Um (2022, de Gabriel Martins)

 3. Pinóquio (Guillermo del Toro’s Pinocchio, de Guillermo del Toro e Mark Gustafson)

 4. Argentina, 1985 (2022, de Santiago Mitre)

 5. Drive My Car (Doraibu mai kâ, 2021, de Ryusuke Hamaguchi)

 6. Triângulo da Tristeza (Triangle of Sadness, 2022, de Ruben Östlund)

 7. Nada de Novo no Front (Im Westen nichts Neues, 2022, de Edward Berger)

 8. Aftersun (2022, de Charlotte Wells)

 9. Pânico (Scream, 2022, de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett)

 10. Elvis (2022, de Baz Luhrmann)

Top 10 de Renan Santos

1. Drive My Car (Doraibu mai kâ, 2021, de Ryusuke Hamaguchi)

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2022 e indicado a mais outras três categorias na premiação, Drive My Car não foi laureado com louvores à toa. Ryusuke Hamaguchi eleva o conto de Haruki Murakami a outro patamar em sua adaptação de quase três horas, que inclusive se dá o direito de ter os créditos iniciais lá pelos 40 minutos de filme. Prêmio nenhum, no entanto, deve fazer jus ao quão sublime é a experiência de assistir a Drive My Car, que se desenvolve de maneira tão complexa e através de diversas camadas narrativas, com histórias que se interpolam e conversam umas com as outras, sempre em pleno controle de Hamaguchi, que catalisa tudo isso em um trabalho cheio de sensibilidade de seu elenco. As múltiplas narrativas que o elenco interpreta dentro do filme só ressalta a qualidade do mesmo, quando vemos os paralelos se refletindo e sentimos a sinestesia de seu encontro culminando num clímax que é arrebatador. A linguagem e a comunicação desempenham um papel fundamental em um filme que sabe o que quer dizer e como fazê-lo, e nos momentos finais da reencenação da peça de Chekhov encontramos uma síntese disso com toda uma carga emocional que só um obra-prima como Drive My Car seria capaz de entregar!

(MUBI)

2. Não! Não Olhe! (Nope, 2022, de Jordan Peele)

3. O Homem do Norte (The Northman, 2022, de Robert Eggers)

4. Licorice Pizza (2021, de Paul Thomas Anderson)

5. Aftersun (2022, de Charlotte Wells)

6. Batman (The Batman, de Matt Reeves)

7. A Lenda do Cavaleiro Verde (The Green Knight, 2021, de David Lowery)

8. O Beco do Pesadelo (Nightmare Alley, 2021, de Guillermo del Toro)

9. A Pior Pessoa do Mundo (Verdens verste menneske, 2021, de Joachim Trier)

10. Noites Brutais (Barbarian, 2022, de Zach Cregger)

Top 10 de Filipe Chaves

1. Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (Everything Everywhere All at Once, de Dan Kwan e Daniel Scheinert)

Com tantos filmes sobre multiverso na atualidade, esse é o melhor deles. Criativo, ágil, engraçado e emocionante. A direção é fantástica porque te dá essa sensação frenética de mil coisas acontecendo simultaneamente, mas tudo tem seu momento. Isso, claro, com personagens sensacionais interpretados por atores incríveis. Além de Michelle Yeoh, sempre irretocável, Stephanie Hsu e Ke Huy Quan também estão perfeitos. E eu digo perfeitos mesmo porque estão. Jamie Lee Curtis ótima, é válido ressaltar!

As artes marciais aqui estão em alta e são cenas belíssimas, acontecem em torno e junto dos personagens, porque o filme é deles e sobre suas relações cheias de conflitos. Há momentos realmente emocionantes, genuinamente engraçadas, coisas muito legais no melhor sentido da palavra, que só vendo pra crer. E ainda te faz refletir bastante. Não é tão complicado assim, porque ele não é pretensioso. Só queria ser bom e conseguiu ser incrível. O melhor do ano.

(Diamond Films)

 2. Argentina, 1985 (2022, de Santiago Mitre)

 3. Aftersun (2022, de Charlotte Wells)

 4. Pinóquio (Guillermo del Toro’s Pinocchio, de Guillermo del Toro e Mark Gustafson)

 5. Os Banshees de Inisherin (The Banshees of Inisherin, 2022, de Martin McDonagh)

 6. Top Gun: Maverick (2022, de Joseph Kosinski)

 7. Nada de Novo no Front (Im Westen nichts Neues, 2022, de Edward Berger)

 8. Batman (The Batman, de Matt Reeves)

 9. Athena (2022, de Romain Gavras)

 10. Glass Onion: Um Mistério Knives Out (Glass Onion: A Knives Out Mystery, 2022, de Rian Johnson)

Top 10 de Marina da Costa Campos

1. Aftersun (2022, de Charlotte Wells)

Aftersun é daquele tipo de filme que te mantêm em suspenso por toda a duração da história. Desobedece a estrutura dos roteiros tradicionais ao não seguir modelos de causa-efeito e nos deixa, até o final, com a expectativa de que algo vai acontecer e do qual não temos controle nenhum. Isso porque se trata de um drama que conversa intimamente com o espectador ao trazer à tona o tema da memória. O longa-metragem traz a história de Sophie (Frankie Corio/Celia Rowlson-Hall) e sua rememoração melancólica das férias em que viajou com seu pai 20 anos antes. Ao longo do filme, observamos a história sob a perspectiva de Sophie, a partir de uma intercalação entre registros de VHS e lembranças imaginárias da criança/adulta Sophie e que nos mostram a tentativa da garota de se reconciliar com a figura de um pai que conviveu no passado.

O longa-metragem é o primeiro da roteirista e diretora escocesa Charlotte Wells e nos brinda, logo de cara, com uma narrativa delicada dos dias de Sophie com Callum (Paul Mescal) em um modesto hotel na Turquia e que se constituem nos poucos momentos que a garota consegue conviver com o pai, visto que ele é divorciado de sua mãe e vive em outro país. Durante os dias que passam juntos, acompanhamos a relação amorosa dos personagens, as brincadeiras e o diálogo de confiança que vão estabelecendo na medida em que vão expondo suas fragilidades e inseguranças: Sophie está na pré-adolescência e começa a experimentar os primeiros passos da sexualidade; Callum é um pai cuidadoso e que busca oferecer as melhores férias para a filha ao mesmo tempo que se encontra perdido e solitário quanto aos rumos de sua vida.

Uma atmosfera intimista é construída pelo uso de enquadramentos close-ups e planos detalhes e pelos reflexos de imagens construídas em superfícies lisas, como por exemplo o momento em que Sophie, com uma câmera na mão indaga o pai sobre como ele imaginaria estar no futuro quando tinha 11 anos. A pergunta ingênua deixa Callum totalmente desconcertado e constrangido e acompanhamos tal situação a partir do reflexo que a imagem do pai se forma na TV desligada. Outros conflitos vão surgindo a partir da interação entre pai e filha e das divergências/questionamentos das expectativas, e é neste ponto que o filme deixa os espectadores vulneráveis quanto ao controle da narrativa. Porque tais conflitos evocam memórias particulares, dores e traumas não cicatrizados, lacunas não preenchidas que às vezes nem os registros audiovisuais ou fotográficos que nos restam conseguem dar conta. Neste sentido, Aftersun é um convite a revisitar nossas próprias narrativas e encarar os vazios que sustentam as nossas memórias.

(MUBI/O2 Play)

2. Drive My Car (Doraibu mai kâ, 2021, de Ryusuke Hamaguchi)

3. Memória (Memoria, 2021, de Apichatpong Weerasethakul)

4. A Pior Pessoa do Mundo (Verdens verste menneske, 2021, de Joachim Trier)

5. Marte Um (2022, de Gabriel Martins)

6. Pequena Mamãe (Petite maman, 2021, de Céline Sciamma)

7. Não! Não Olhe! (Nope, 2022, de Jordan Peele)

8. Carvão (2022, de Carolina Markowicz)

9. Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (Everything Everywhere All at Once, 2022, de Dan Kwan e Daniel Scheinert)

10. Paloma (2022, de Marcelo Gomes)

Top 10 de Diego Quaglia

1. Memória (Memoria, 2021, de Apichatpong Weerasethakul)

Apichatpong adapta todas as questões do seu cinema – uma relação entre as raízes da terra, a fantasia que está no mundano e um estado de entrega e descobrimento total – para dentro de um cruzamento também entre o que está na urbanidade e do interior ao se mergulhar em ambos. Ao mesmo tempo que existe um sentimento de algo muito particular dentro de cada lugar que Apichatpong caminha em sua obra, existe também um poder tão grande que ao vermos a forma que ele elabora as suas cenas nos sentimentos de um caminho solitário pela cidade de São Paulo, qualquer centro urbano ou qualquer lugar no interior. Porque ele consegue compreender questões que são muito fortes dentro da forma que nós sentimos ao andarmos por esses lugares e nem conseguimos expressar com palavras ou falas. Por meio da sofisticação no trabalho de som e de imagem, Memória consegue traduzir cinematograficamente os ambientes falando com você sem que nada precise ser dito. A imersão dentro do ambiente urbano por meio do som e da imagem vai se traduzindo numa imersão dentro de uma viagem pontuada naturalmente para o inferno e onde realidade e fantasia se casam completamente sem nenhum ruído. Tilda Swinton é uma força da natureza, não é só a minha interpretação favorita do ano, como provavelmente é dessa sua carreira; ela nunca esteve tão genial num papel porque justamente o seu trabalho como protagonista é expandir toda essa visão mágica de Apichatpong por meio de seu corpo, de seus olhares e de poucas palavras faladas com uma suavidade fascinante. E ela faz isso maravilhosamente te sugando para dentro de um mundo onde o cinema se mostra a arte certa para gênios como Apichatpong nos levarem por sua magia de som e imagem.

(MUBI)

2. Marte Um (2022, de Gabriel Martins)

3. A Roda do Destino (Guzen to sozo, 2021, de Ryūsuke Hamaguchi)

4. Não! Não Olhe! (Nope, 2022, de Jordan Peele)

5. Aftersun (2022, de Charlotte Wells)

6. Crimes do Futuro (Crimes of the Future, 2022, de David Cronenberg)

7. O Contador de Cartas (The Card Counter, 2021, de Paul Schrader)

8. RRR: Revolta, Rebelião, Revolução (RRR, 2022, de S.S. Rajamouli)

9. Armageddon Time (2022, de James Gray)

10. Licorice Pizza (2021, de Paul Thomas Anderson)

Os 20 melhores filmes de 2022 – ranking geral

20. Glass Onion: Um Mistério Knives Out
19. A Ilha de Bergman
18. Carvão
17. O Acontecimento
16. Licorice Pizza
15. Batman
14. Noites Brutais
13. Holy Spider
12. Great Freedom
11. A Pior Pessoa do Mundo
10. Era Uma Vez um Gênio
9. Top Gun: Maverick
8. Memória
7. Argentina, 1985
6. Pinóquio

5. Drive My Car
4. Não! Não Olhe!
3. Aftersun
2. Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo
1. Marte Um

Fizeram parte desta eleição:
Breno Ribeiro
, roteirista.
Carissa Vieira, roteirista, criadora de conteúdo digital, formada em Cinema e Audiovisual.
Diego Quaglia, cineasta, pesquisador, roteirista e crítico de cinema e audiovisual.
Filipe Chaves, servidor público, pós-graduado em Direito Processual Penal, dono do Instagram O Que Assistir Hoje? e membro do Oxente, Pipoca?.
Gustavo Fiaux, formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal de Pernambuco, crítico, roteirista, diretor de arte, redator do portal Legião dos Heróis e fala do horror em suas várias formas no canal Fita Maldita.
Marina da Costa Campos, professora da Universidade São Judas Tadeu e da Fatec Barueri (Centro Paula Souza), pesquisadora e produtora de mostras audiovisuais. Doutora em Meios e Processos Audiovisuais pela Universidade de São Paulo.
Marina Rodrigues, formada em Cinema e Audiovisual pela ESPM-Rio e com especialização em Produção Audiovisual pela Academia Internacional de Cinema, atua no mercado como produtora executiva e consultora de projetos audiovisuais, tendo passagens por empresas como Caliban Produções, MotherSuperior Films e Mibela Media. Na internet, produz conteúdo para o podcast Simplificando Cinema e assina uma coluna mensal de mesmo nome no Cinem(ação).
Rafael Bürger, formado em Imagem e Som pela UFSCar e Mestre em Cinema, Comunicação e Industria Audiovisual pela Universidad de Valladolid, colaborador do blog Premisas Ocultas.
Renan Santos, formado em Cinema, crítico e newsposter no site Cine Eterno.
Rodrigo Ramos, jornalista, assessor de comunicação na Prefeitura de Navegantes, editor do site Previamente.

Textos por Breno Ribeiro, Carissa Vieira, Diego Quaglia, Filipe Chaves, Gustavo Fiaux, Marina da Costa Campos, Marina Rodrigues, Rafael Bürger, Renan Santos & Rodrigo Ramos

Por Rodrigo Ramos

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