Melhores Atuações Coadjuvantes da TV na Temporada 2020/2021

WandaVision, Mare of Easttown e Lovecraft Country estão entre os destaques.

O Previamente, a partir de um júri com 22 pessoas entre profissionais da área, jornalistas, críticos, estudantes e aficionados por séries, elegeu as melhores atuações coadjuvantes da TV na temporada 2020/2021. A seleção foi realizada utilizando os mesmos critérios do Emmy Awards: entram as obras que debutaram sua temporada entre 1º de junho de 2020 até 31 de maio de 2021, tendo sido exibida pelo menos 50% de seus episódios até o final de junho deste ano.

Confira a lista completa abaixo.

MELHORES ATUAÇÕES COADJUVANTES

Hannah Einbinder (Hacks)

Já não é nada fácil estrear na televisão num papel complexo e de destaque como Ava. E a missão fica ainda mais ingrata quando se divide o protagonismo com uma atriz experiente e lendária como Jean Smart. Entretanto, em Hacks, a novata Hannah Einbinder faz parecer ser fácil, dando pistas de uma carreira brilhante pela frente. Além de ter um excelente timing cômico, conferindo naturalidade e autenticidade a um texto ágil e ácido, Hannah é capaz de compor uma personagem bastante identificável, cheia de vulnerabilidades e inseguranças. Os perrengues e dramas da jovem roteirista num frustrante e conturbado começo de carreira são carregados de diversão e profundidade, mérito do excelente time de roteiristas da série, mas também da atriz, que vende a sua personagem com extrema competência. 

Apresentando uma química invejável com a veterana, Hannah provou estar à altura de Jean Smart, conseguindo ser o contraponto perfeito de visões de mundo, valores e estilo que Deborah Vance tanto necessitava. Se a comediante veterana precisava de algo jovem, moderno, atual e empolgante para tentar manter os seus shows em Las Vegas na série, Hannah Einbinder foi a pessoa ideal para entregar tudo isso em Hacks, começando uma jornada como atriz que tem tudo para emplacar tanto com a crítica e em premiações quanto com o público em geral. — Diogo Pacheco

(HBO Max)

Sarah Jones (For All Mankind)

Com a nova temporada de For All Mankind, todas as personagens mudaram de cenário e passaram a viver outro momento, bastante distinto, dentro da narrativa. De ex-pilota de aeronave tentando ascender na carreira espacial e lidando com o marido infiel, Tracy Stevens tornou-se o rosto da Nasa, sendo a garota-propaganda do órgão, uma mulher sexy, dona de si mesma e separada do, agora, ex-marido, Gordo Stevens. Sua vida mudou. Ela chegou ao topo. Mas, qual é o próximo passo? O que ela quer? Para onde ela vai? Mesmo sendo o centro das atenções, uma astronauta e modelo bem-sucedida, estando até com um novo amor, algo ainda falta dentro dela. Mas o que é? Nesta mudança de cenário, Sarah Jones tem a chance de expandir sua personagem e alcança o objetivo. Ela navega com maestria entre a imagem projetada que precisa passar ao mundo e as incertezas interiores, a busca por um significado maior para si e para sua vida. Entre os dois anos da série, acompanhada do roteiro fino, a atriz passa por uma transformação completa, jogando com a força e a vulnerabilidade. E o seu ciclo, ao final da segunda temporada, fecha-se com brilhantismo, com uma performance memorável e que ainda me assombra pelo modo como se encerra. — Rodrigo Ramos

(Apple TV+)

Hannah Waddingham (Ted Lasso)

Inicialmente, posta como a antagonista em Ted Lasso, Rebecca, pouco a pouco, foi fugindo do arquétipo em que a posicionaram. O conceito de mulher cuja única motivação é se vingar do marido que a traiu se dilui conforme a narrativa é destrinchada e a personagem interpretada por Hannah Waddingham vai ganhando vida. O estereótipo se desfaz e vamos enxergando as fragilidades de Rebecca, como sua insegurança, sua dificuldade em confiar, a mágoa profunda de ter sido humilhada e exposta da forma que foi por seu marido (com a ajuda dos tabloides). A personagem vai se abrindo para as emoções novamente, seja nas amizades com Ted ou Keeley (uma das interações femininas mais bacanas da TV na temporada), seja na empolgação de fato pelo trabalho, e passa a baixar a sua guarda. A personagem mais complexa e verossímil de Ted Lasso, Rebecca inverte as expectativas e Waddingham faz um trabalho impecável na execução, dando a credibilidade que a personagem precisa para dar o peso à série para permanecer com o pé no chão. — Rodrigo Ramos

(Apple TV+)

Wunmi Mosaku (Lovecraft Country)

A atriz Wunmi Mosaku era desconhecida para a grande maioria dos telespectadores quando Lovecraft Country foi lançada, e que grata surpresa foi acompanhar a jornada de Ruby Baptiste. No início da temporada, somos levados a crer que Ruby ficaria só em volta do arco de sua meia irmã Leti, protagonista da série, mas somos surpreendidos quando Ruby se une ao arco de Christina. É nesse momento que Wunmi começa a crescer na série. No incrível episódio “Strange Case”, numa dobradinha com Hillary (Jamie Neumann), Wunmi brilha ao retratar todo o racismo e machismo que a personagem sofria e que é espelho para tantas outras mulheres até os dias de hoje. — Tammy Spinosa

(HBO)

Kathryn Hahn (WandaVision)

Após brilhar em diversas produções como Parks and RecreationGirlsTransparentMrs. FletcherI Know This Much is True e I Love Dick, Kathryn Hahn finalmente está tendo o reconhecimento que sempre mereceu do grande público, com a primeira série da Marvel no Disney+. Apesar do competente desempenho de Elizabeth Olsen no papel da protagonista, quem rouba mesmo a cena em WandaVision é Hahn, entregando uma personagem ambígua, divertida e extremamente debochada, ao mesmo tempo que é uma importante peça do quebra cabeça que é a produção. As homenagens de WandaVision às diferente fases das sitcoms estadunidenses, o grande charme da minissérie, permitiram à atriz abraçar a caricatura, o que ela faz com bastante competência, sem nunca passar do ponto certo. Parecendo estar se divertindo muito no papel da bruxa Agatha Harkness, Kathryn Hahn navega pelos mais diversos estilos de atuação, indo de A Feiticeira a The Office ou de The Dick Van Dyke Show a Modern Family com muito carisma e solidez. É de se assumir que WandaVision conseguiu aprofundar a sua personagem principal como poucas vezes o MCU foi capaz, mas grande parte da diversão e estilo por trás da minissérie IT’S BEEN AGATHA ALL ALONG. — Diogo Pacheco

(Disney+)

Michael Kenneth Williams (Lovecraft Country)

Sendo bastante sincero, não morri de amores por Lovecraft Country e o plot do personagem de Michael Kenneth Williams é, em minha humilde opinião, o pior da série. Mais especificamente, a parte em que trata sobre a sua sexualidade. Infelizmente, a série, em sua maior fatia, trata esta questão de forma superficial, meio jogada na trama, por oras até forçando a mão — mas não é de todo mal, pois no fim até dá a volta e conserta algumas coisas. De qualquer forma, mesmo com a dificuldade do roteiro conseguir encontrar-se na maneira em que aborda o personagem como um todo, Williams possui uma força única e entrega-se ao personagem, sendo mais uma performance visceral do ator que merece um Emmy desde The Wire (isso sem contar Boardwalk Empire e, especialmente, When They See Us). Ainda que não seja meu papel favorito dele, ainda assim é ele. E isso já é motivo o suficiente para assistir ao programa e indicá-lo neste seleto grupo de performers. — Rodrigo Ramos

(HBO)

Gillian Anderson (The Crown)

Seria fácil Gillian Anderson transformar sua Margaret Thatcher em uma caricatura no nível de Saturday Night Live? Sim, especialmente levando em conta a peruca. Isso, no fim, ocorre? Não. Mas flerta. Visivelmente, os roteiristas e a própria atriz possuem certo desprezo (altamente justificável) pela pessoa retratada, logo a série pesa a mão na hora de criar seu retrato, até mesmo a ridicularizando em algumas situações, que dão um tom até cômico para a quarta temporada de The Crown. Mas isso é de bom tom? É. Afinal, não temos de sentir empatia por fascista — ou pessoa com tendências fascistoides, se preferir. Em vários momentos, Anderson tenta resgatar a humanidade dentro de Thatcher e chega muito perto de nos fazer esquecer de quem a série está se referindo. Anderson é boa nesse nível, mas também não faz milagres. Certamente, o retrato e a performance (e a peruca) são superiores aos feitos em A Dama de Ferro (devolve o Oscar, Meryl). Mesmo com o deboche por debaixo de tudo, Anderson entrega uma Thatcher com personalidade, detestável e (quase) humana. Do jeito que deveria ser. — Rodrigo Ramos

(Netflix)

Julianne Nicholson (Mare of Easttown)

Julianne Nicholson vem de uma longa carreira, tanto na TV quanto no cinema, sendo conhecida por papéis em séries como Law & Order: Criminal IntentBoardwalk Empire e Masters of Sex, papel este que lhe rendeu uma nomeação no Critics’ Choice Television Award na categoria de melhor atriz convidada em série dramática. Em Mare of Easttown, Nicholson interpreta Lori Ross, a melhor amiga da protagonista Mare (Kate Winslet) desde a infância. Pela maior parte da temporada, Lori tem um papel pequeno, sem muito destaque, mas isso não a impede de entregar uma das maiores performances dramáticas do ano.

Mare of Easttown é uma série que acaba trazendo à tona diversas questões envolvendo o complexo papel que é ser mãe sob a ótica de Mare, de sua mãe e também de Lori. Por isso, não é de se admirar que Julianne roube a cena nos últimos momentos da temporada. A veterana atriz faz um trabalho absolutamente extraordinário, com várias sequências dignas de nota. Uma delas sendo a cena da grande revelação do assassino no series finale em que Lori direciona toda a sua revolta à Mare. Outra é um momento em que Julianne vai da apatia à grande vulnerabilidade quando aceita ser consolada pela amiga em uma cena de carga dramática intensa. Por essas razões, a performance de Nicholson, em Mare of Easttown, sem dúvida será lembrada por muitos anos. — Valeska Uchôa

(HBO)

Michael Dorman (For All Mankind)

For All Mankind, em sua segunda temporada, cresceu em todos os sentidos e se afirmou como uma das melhores séries da atualidade. Seus personagens cresceram junto da série, apresentaram novas camadas e tiveram suas complexidades aprimoradas. Dentro disso, Michael Dorman pôde mostrar um trabalho primoroso, fazendo com que a transformação física e psicológica de Gordo depois do tempo e do fim do seu casamento com Stacy (a também ótima Sarah Jones) tenha sido muito sentida. Os demônios psicológicos de Gordo são notáveis e ganham mais foco em detalhes sutis dos seus olhos, seu sotaque, jeito especifico de falar e o poder do seu corpo, que a direção da série observa tão bem em closes muito detalhados em que o ator dá uma entrega absoluta da sua depressão e do seu crescimento humano, até que isso tudo exploda numa das melhores cenas do ano. — Diego Quaglia

(Apple TV+)

Jean Smart (Mare of Easttown)

Que ano ótimo para ser Jean Smart, e para ser fã de Jean Smart. Em 2021, a atriz, de 69 camaleônicos anos, nos agraciou com toda a sua versatilidade, andando entre a comédia e o drama, e entregando sempre personagens incríveis. Em Mare of Easttown, ela faz Helen Sheehan, a mãe desbocada da protagonista, feita por Kate Winslet. Quase que um alívio cômico dentro de uma série que lida com assuntos bastante pesados, Jean consegue, ao mesmo tempo, passar toda a humanidade de uma mulher que viveu muitas dores e que, com elas, endureceu-se. Em um misto de vulnerabilidade e acidez, ela enlaça todos os que estão ao seu redor, tentando manter a tênue estabilidade de sua família e de seu mundo. Seja comendo salgadinhos, jogando em um tablet, ou revelando todo seu coração em um monólogo acertadíssimo no último episódio, ela não apenas nos mostrou todo seu poder como atriz, como conseguiu roubar a cena em uma série cujos destaques são as atuações de um elenco estrelado. Com uma carreira como a dela, é difícil dizer que Jean teria qualquer coisa a provar, mas, apesar disso, ela segue nos provando que sua presença é um trunfo para qualquer projeto no qual se insira, para o nosso prazer e deleite. — Mariana Ramos

(HBO)

Menções honrosasJohn Benjamin Hickey (In Treatment), Joel Edgerton (The Underground Railroad), Dominique Jackson (Pose), Helena Bonham Carter (The Crown) e Paapa Essiedu (I May Destroy You).

Continue a leitura clicando nos ícones abaixo ou vá à publicação original.

Fizeram parte do júri
Angelo Bruno, estudante de Letras — Licenciatura em Português.
Breno Ribeiro, roteirista.
Caio Coletti, jornalista e repórter do site Omelete.
Carissa Vieira, roteirista, formada em Cinema e Audiovisual.
Cid Souza, criador e host do SeriousCast.
Diego Quaglia, cineasta, roteirista e crítico de cinema e audiovisual.
Diogo Pacheco, colaborador do Série Maníacos.
Eduardo Fernando Gomes Filho, colaborador do Cine Eterno.
Geovana Rodrigues, sommelier de séries.
Juliano Cavalca, bacharel em Economia, escreve sobre seriados na internet desde 2005.
Mariana Ramos, roteirista, mestre em Cinema e Audiovisual, host do podcast Isso não é um filme.
Mateus Santos, engenheiro mecânico, humildemente viciado em séries
Mikael Melo, jornalista, produtor de Jornalismo na NDTV Record.
Rafael Mattos, estudante de Jornalismo, administrador do grupo Crônicas de Séries.
Rafaela Fagundes, sommelier de séries.
Régis Regi, bacharel em Cinema, roteirista.
Renan Santos, formado em Cinema, crítico e newsposter no site Cine Eterno.
Rodrigo Ramos, jornalista, repórter/assessor de comunicação na Prefeitura de Navegantes, editor do site Previamente, foi programador de cinema na Cineramabc Arthouse.
Tammy Spinosa, host e editora do SeriousCast e quase geógrafa.
Thiago Silva, host e editor do SeriousCast e amante da TV.
Valeska Uchôa, cientista da computação, ex-colaboradora do Série Maníacos e do falecido Lizt Blog.
Zé Guilherme, farmacêutico, mestre em Ciências Fisiológicas, já colaborou nos sites LoGGado e Cine Alerta.

Textos por Diego Quaglia, Diogo Pacheco, Mariana Ramos, Rodrigo Ramos, Tammy Spinosa & Valeska Uchôa

Produção, edição e redação final por Rodrigo Ramos

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