Melhores Atores Coadjuvantes da TV na Década de 2010

Breaking Bad, Veep, Parks and Recreation, The Leftovers e Fringe estão presentes na lista. 

Trazemos para você a lista definitiva do que houve de melhor na TV durante a década de 2010, entre episódios, atuações e séries.

Confira abaixo os melhores atores coadjuvantes da TV da década de 2010.

MELHORES ATORES COADJUVANTES

10. Josh Charles (The Good Wife)

The Good Wife é uma série que sem dúvida tem como um dos seus pontos fortes seu elenco. A química de seus atores eleva o ótimo roteiro da série, e Josh Charles, como um dos personagens masculinos mais importantes da trama, traz uma riqueza inigualável para a série. Will Gardner é um personagem de diversas nuances. Ele não é o típico mocinho, mas ao mesmo tempo passa longe de ser vilão. Na verdade, ele é um daqueles personagens humanos, com grandes falhas e por isso mesmo tão carismático. E tudo isso só é possível pela forma excepcional da interpretação do Josh, um ator capaz de interpretar desde um apaixonado romântico quanto um advogado que faz tudo para conseguir um cliente. Seu talento faz de Will Gardner um dos melhores personagens da última década. — Carissa Vieira

9. Michael McKean (Better Call Saul)

Michael McKean é um veterano e polivalente artista, mas provavelmente você o viu poucas vezes. Ator, comediante, compositor, músico e escritor, com mais de sete décadas de vida, o reconhecimento merecido vem do fruto de um trabalho intenso, através de três temporadas em Better Call Saul (e até uma pontinha na quarta temporada). Resultado de uma personalidade forte e difícil, Chuck McGuill não é um personagem de fácil identificação. Tampouco alguém que já conhecíamos, como Jimmy. Houve de fato, por três anos, a construção de um laço com o espectador com alguém novo, mas que agora parece que sempre esteve orbitando este universo. Contando com uma grande entrega de McKean, vimos através das expressões inspiradas do ator uma gama de sentimentos, ora contidos em um passado rancoroso, ou que explodiram em tela e no irmão mais novo, como no poderoso monólogo em “Chicanery”. Sem dúvida alguma, o trabalho cênico de McKean facilitou a compreensão das motivações de Chuck.

É interessante notar que até então, mesmo com toda esta bagagem, este é o trabalho mais dramático na carreira de Michael McKean. Tal qual a série, a qualidade de suas atuações e o crescimento de seu personagem vieram com o tempo, progressivamente através das três temporadas. O terceiro ano de Better Call Saul foi, indubitavelmente, a melhor temporada deste ator na pele de Chuck e admitir isso torna-se fácil, após memoráveis performances. — Leonardo Barreto

8. John Lithgow (The Crown)

Winston Churchill é definitivamente um personagem bem recorrente, seja na televisão, seja no cinema, e até mesmo no imaginário coletivo. Em The Crown, o Churchill retratado está já no fim de sua carreira política, tão reconhecido e respeitado quanto a própria monarquia, e Lightgow consegue entregar uma atuação poderosa seja nos momentos como o primeiro-ministro autoritário, como também quando é revelado em seu aspecto mais vulnerável, seja ao abordar a saúde frágil ou o conflito interno por conta da própria idade. Diferente de um certo ator vencedor do Oscar pelo mesmo papel, Lithgow traz mais nuances para o personagem e é bem menos escandaloso, explodindo nas horas certas. Numa década que Lithgow também entregou um dos antagonistas mais interessantes da TV em Dexter, o papel de The Crown apenas ressalta todas as qualidades que já sabíamos existir nele, mas que são potencializadas por um roteiro bem escrito e também por uma fome aparente de alguém que não mostra cansaço na carreira. – Rodrigo Ramos & Rafael Bürger

7. Giancarlo Esposito (Breaking Bad)

Walter White foi, por anos, o anti-herói que muitos aprenderam a amar. Seja pela humanidade sempre em xeque, ou as falas icônicas, a verdade é que muitos de nós torcíamos por Walter. Bom, pelo menos até a chegada de Gus Fring, vivido por Giancarlo Esposito. O ator conseguiu a façanha de nos apresentar um vilão tão complexo e rico que muitas vezes nos vemos torcendo por ele. A atuação de Giancarlo é tão rica, indo da frieza profunda a lágrimas debulhadas por seu amor, que é impossível não ao menos entender o personagem. A verdade é que Breaking Bad se divide entre antes, durante e depois de Gus Fring. Todos sabíamos que seu destino seria, uma hora ou outra, a morte, mas nenhum de nós estava preparado para aquela ajeitada na gravata, que em segundos diz muito sobre o personagem. Não é fácil marcar uma era em uma série já tão famosa e aclamada, mas Giancarlo Esposito conseguiu e, por isso, merece figurar entre os melhores atores coadjuvantes da década. — Breno Costa

6. Christopher Eccleston (The Leftovers)

Carregando um dos arcos mais complexos da série, Eccleston sempre viveu seu Matt de forma bastante intensa. Era possível ver o brilho da fé inabalável em seus olhos quando acreditou até o último momento na recuperação de sua esposa na segunda temporada — algo contagiante de acompanhar — para logo em seguida deixar transparecer os primeiros indícios de uma obsessão e um desvio de propósito, até presenciarmos o personagem atravessar de vez a linha do aceitável com seus amigos e com as convicções de outrora dele próprio.

Especialmente no último ano de The Leftovers, Eccleston protagonizou momentos de grande emoção. Conseguia com seu personagem arrancar sensações impressionantes como quando se despede da irmã no início de “The Book of Nora”, mas principalmente quando é confrontado com sua fé. No quinto episódio, em um confronto direto com o criador (ou quem ele achava que era), é possível sentir a montanha de acúmulo de expectativa que aquele personagem carregava, no olhar atento de curiosidade do ator, no desespero da tentativa de receber um mínimo sinal com respostas, algo hipnotizante de acompanhar, para logo em seguida tomar um balde de água fria e vermos o esvaziamento interno de um ser humano: o choque de realidade, de alguém de carne e osso, que falha, que não tem todas as respostas. Tudo isso sentido e transmitido com toda a intensidade e pungência que sempre o acompanhou. Um dos melhores arcos de personagem da série para um dos melhores atores da década. — Douglas Couto

5. Andre Braugher (Brooklyn Nine-Nine)

Ao interpretar o Capitão Ray Holt em Brooklyn Nine-Nine, Andre Braugher tem uma tarefa difícil. Ele é o personagem sério no meio do caos, o que segue as regras, o “chato” da turma. Explorar esse lado indiferente, frio e sem emoções humanas foram as saídas que fizeram com que ele seja, muitas vezes, o personagem mais interessante da série. No meio do exagerado e inverossímil, ele se destaca justamente por sua expressão impassível em qualquer situação, onde é impossível identificar se está no pior dia de sua vida ou se ganhou na loteria. Aos poucos, foi ganhando um lado cômico diferente, onde a qualidade da sua atuação foi essencial para que ficasse na medida certa. Além disso, seu personagem, que é gay na trama, foge dos estereótipos desse tipo de papel. Braugher, que veio de papéis sérios em Homicide e The Wire, mostra seu grande talento para a comédia e nos deixa na torcida para que siga nesse segmento após Brooklyn Nine-Nine. — Rodrigo Ramos

4. Tony Hale (Veep)

Tony Hale tem um talento especial para ser capacho. Pode parecer extremamente fácil e que qualquer um poderia fazê-lo, entretanto ficar tão em segundo plano assim e servir realmente como coadjuvante é trabalho para poucos. A dupla que ele faz com Julia Louis-Dreyfus é uma das melhores que a década produziu na TV. Apesar de haver pouco espaço para um desenvolvimento pessoal — especialmente quando tudo na vida dele se resume à sua chefe — seu Gary consegue mostrar gentileza, devoção, preocupação, ciúmes, incompetência como funcionário e incapacidade de ser outra coisa além da sombra da mulher que ama. — Rodrigo Ramos

3. John Noble (Fringe)

Aceitar que poucas pessoas lembrem do Walter Bishop de John Noble quando estão montando as listas de melhores da década ainda é algo doloroso para mim. Quem acompanhou a subestimada e espetacular Fringe – ou o sci-fi da década, para os íntimos –, nunca vai esquecer do que Noble fez a gente sentir durante cinco temporadas. Numa atuação que só pode ser descrita como visceral, o velhinho nos fez chorar inconsoladamente diversas vezes, e em questão de minutos era capaz de nos botar para rir de forma descontrolada, com alguma piada envolvendo milk-shakes, LSD ou assentos aquecidos.

Tendo parceiros de cena como Leonard Nimoy, John Noble nunca se deixou engolir, roubando toda e qualquer sequência em que estivesse. A série achou no ator a melhor forma possível de representar sua história principal: um conto de amor sobre até que ponto um pai estaria disposto a ir para salvar o seu filho. Deem uma chance para Fringe no futuro e entendam o porquê de ser um pecado esquecer o trabalho do ator. Vocês não vão se arrepender. — Zé Guilherme

2. Nick Offerman (Parks and Recreation)

Muitas coisas tornam Ron Swanson um dos melhores personagens já criados em qualquer comédia. O bigode incrível, o modo de falar particular, o cinismo bem dosado, o jeito “cool” somado a momentos de surto completo, suas manias muito particulares/esquisitas e o disfarce desinteressado que ele trata as suas relações para esconder um coração gigante e um afeto imenso para todos aqueles que estão ao seu redor ao compor esse que talvez seja o único libertário que realmente vale a pena. E eu não consigo imaginar um ator melhor do que Nick Offerman para compor todas essas características tão especiais de um personagem tão único, adicionando inclusive uma colaboração criativa para criar detalhes específicos dentro do seu personagem. Ele brilha tanto sendo hilário nas aparições das suas ex–mulheres (uma delas interpretada pela sua esposa na vida real Megan Mullally com quem divide uma química impecável) até o seu relacionamento tão bonito com os seus amigos do trabalho. Com a sua amizade tão especial com Leslie Knope, da genial Amy Pohler, Offerman faz com que que essa relação entre um homem e uma mulher heterossexuais totalmente platônica seja um dos grandes relacionamentos da série. O ator ainda insere uma comédia física precisa na série e expressões que vão do hilário até surpreender com a tamanha gama de emoções. Simplesmente genial, sendo tão incrível quanto hilário, Offerman oferece uma das criações mais icônicas de qualquer série, sendo ela de comédia ou drama. — Diogo Quaglia

1. Aaron Paul (Breaking Bad)

Jesse Pinkman sempre foi o coração de Breaking Bad e é engraçado como a ideia original era matar o personagem ao fim da primeira temporada. Felizmente não foi o que aconteceu, e muito disso é pelo fato de Aaron Paul ser incrível no papel e entregar ao longo de cinco temporadas performances que vão se superando a cada novo episódio. Do traficante atrapalhado, passando pelo aprendiz de cozinheiro de metanfetamina, até sócio do crime e por fim sendo escravizado, Aaron Paul passa por vários testes na pele de Pinkman e sofre — caramba, ele sofre demais! É interessante notar como ele e Walt são polos opostos. Enquanto Walt vai entrando cada vez mais a fundo no mundo do crime e sua bússola moral fica corrompida, Jesse vai criando consciência com todas as coisas erradas, sente culpa, remorso, raiva, repulsa. Na quinta temporada, é notável no olhar de Paul o cansaço do personagem, a perda da esperança, a decepção por nunca ter tido um retorno emocional de Walt. No fim das contas, é com Jesse que nos importamos e ele que dá a gravidade que a série precisa para não se tornar apenas uma narrativa criminal. Dividir cena após cena com Bryan Cranston (brilhante do início ao fim da série) e conseguir manter o nível, por vezes até sobrepô-lo, é coisa de gente grande. O epílogo El Camino, inclusive, serve para nos recordar quão grandiosa é a interpretação de Paul e como ele merece ser lembrado por ter entregue uma das atuações da década. — Rodrigo Ramos

Menções honrosas: Clayne Crawford (Rectify), Rory Kinnear (Penny Dreadful), Peter Dinklage (Game of Thrones), Tobias Menzies (Outlander), Sterling K. Brown (American Crime Story: The People v. O.J. Simpson).

Continue a leitura clicando nos links abaixo ou volte para a publicação original aqui.

Textos por Breno Costa, Caio Colletti, Carissa Vieira, Cristian Dutra, Diego Quaglia, Diogo Pacheco, Douglas Couto, Luiza Conde, Mariana Ramos, Régis Regi, Valeska Uchôa, Zé Guilherme, André Fellipe, Rafael Bürger, Leonardo Barreto & Rodrigo Ramos

Produção, edição e redação final por Rodrigo Ramos

 

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