Melhores Clipes de 2016

Beyoncé, Zayn, Radiohead, Coldplay, The Weeknd e David Bowie estão entre os melhores videoclipes do ano. 

É praticamente consenso que 2016 foi um ano trágico, ou ruim, para dizer o mínimo. Isto se estendeu até no cenário musical, já que perdemos nomes como David Bowie, Prince e Leonard Cohen. Porém, a vida continua e os videoclipes se mantêm como uma forma não só de entretenimento e passa-tempo, mas também serve como veículo de informação, de crítica social, de protestos e até mesmo como epitáfio. As histórias contadas foram as mais diversas, entre amor e ódio, esperança e dor, fama e comédia, repressão e liberdade. Após um garimpo cuidadoso, o Previamente chegou a 25 grandes clipes de 2016. Confira abaixo a nossa seleção.

25. Zayn – Pillowtalk

Direção: Bouha Kazmi

Zayn começou sua carreira solo com uma das melhores faixas pop do ano e um dos clipes mais hipnotizantes. O diretor Bouha Kazmi transforma a canção em um vídeo cheio de fantasias com imagens distorcidas, efeitos de vidro quebrado, imagens duplicadas, caleidoscópio e muita sensualidade.

24. Angel Olsen – Sister

Direção: Angel Olsen & Conor Hagen

A câmera acompanha calmamente Angel Olsen e as paisagens em um clipe que é tão sutil e poderoso quanto a canção, da qual a cantora deixa exposta sua alma. Gradativamente, nos oito minutos de vídeo, é possível ver o coração da cantora se despedaçando em cena. É uma jornada talvez um pouco longa para a maior parte do público, mas que vale cada segundo.

23. PUP – Sleep in the Heat

Direção: Jeremy Schaulin-Rioux

O clipe tem Finn Wolfhard, do elenco de Stranger Things? Tem. Mas não é (apenas) por causa do sucesso da série da Netflix. Ele já colaborou no passado, em 2014, em um clipe da banda PUP. Aqui, o vídeo faz homenagem àqueles que têm ou já tiveram algum animal de estimação e o resultado é uma fofura, obviamente.

22. Jamie xx – Gosh

Direção: Romain Gavras

“Gosh” é um clipe estranho. Porém, definitivamente bem dirigido. O vídeo se passa em Tianducheng, uma cidade na China construída como uma réplica de Paris, na França, incluindo sua própria Torre Eiffel. A estrela do videoclipe, Hassan Kone, tem apenas 17 anos e é de Paris. Basicamente, o vídeo trata de se sentir isolado, deslocado e sozinho em um lugar que você não pertence (mas esteja à vontade para entendê-lo de outra maneira). Segundo o diretor, é quase um jornada de “coming of age” (período de transição entre a juventude e a vida adulta) juntamente com questões de apropriação cultural. E chega até a ser assustador pelo fato de haver 300 chineses dançando ao seu redor.

21. Kendrick Lamar – God is Gangsta

Direção: Jack Begert, the little homies & PANAMÆRA

To Pimp a Butterfly é um dos melhores álbuns desse século e são várias as canções poderosíssimas de Lamar em sua obra prima. No vídeo “God is Gangsta”, as faixas “U” e “For Sale?” são unidas em um curta-metragem em que Lamar passa por acessos de raiva e depressão junto com a garrafa de uísque em um cômodo e em seguida parece estar em outra realidade paralela, conhecendo enfim Lucy (o apelido carinhoso dado a Lúcifer no disco), com quem fez um trato pela fama de acordo com a narrativa do álbum. Ao mesmo tempo, também é batizado para livrar-se do Mal. O vídeo, juntamente com as faixas, é mais uma prova do quão potente é a obra de Kendrick.

20. Liniker e os Caramelows – Prendedor de Varal

Direção: Rodrigo de Carvalho

Numa mistura de disco com estilo de karaokê, Liniker lança seu primeiro clipe do álbum Remonta de forma interativa e psicodélica. É colorido e divertido, o suficiente pra valer o tempo investido.

19. Mai Lan – Technique

Direção: Cédric Richer e Quentin Curtat

“Technique” é um dos clipes mais insanos do ano. A canção de Mai Lan é praticamente um guia do dia a dia de uma pessoa, e relembra como a quantidade de tarefas durante as 24 horas de qualquer ser humano pode ser extremamente desgastante e estressante. Com um trabalho primordial de direção de arte, efeitos especiais, edição, fotografia e coreografia, o vídeo é peculiar, para dizer o mínimo, além de muito bem humorado.

18. Lil Yachty – 1 NIGHT

Direção: Glassface & Rahil Ashruff

Às vezes, quando se leva a coisa menos a sério, o resultado pode ser até melhor do que quando se vem cheio de pretensão. “1 NIGHT” é uma junção de imagens, montagens toscas e situações ridículas. O clipe tem várias cenas aleatórias, que não têm conexão umas com as outras e o resultado é divertidíssimo. O vídeo abraça o absurdo e, honestamente, sai melhor do que a prepotência de “Nikes“, de Frank Ocean, por exemplo, que segue por um caminho de edição semelhante, com cenas não-relacionas. Entre os dois, fico com “1 NIGHT”.

17. Kalouv – Peixe Voador

Direção: Jônatas Barbalho

Simplicidade. Esta palavra resume bem o clipe de “Peixe Voador”. No clipe, a câmera acompanha um rapaz que dança durante o pôr do sol numa praia. É simples, é poético e é belíssimo. Nada além disso, e nem precisava.

16. Massive Attack feat. Young Fathers – Voodoo In My Blood

Direção: Ringan Ledwidge

O grande problema de “Voodoo in My Blood” é nos relembrar o quão talentosa Rosamund Pike é e o quão deprimente é vê-la desperdiçá-lo com papeis que não fazem jus a ela nos últimos anos, mesmo após ter sido indicada ao Oscar pela incrível atuação em Garota Exemplar. Neste vídeo, ela dá um show de interpretação enquanto está sendo alvo de vodu. É quase como se ela estivesse possuída — e isso tem um motivo, já que o vídeo presta homenagem a uma cena do filme Possessão, do diretor polaco Andrzej Zulawski, estrelado por Isabelle Adjani e Sam Neill, lançado em 1981, mas proibido no Reino Unido até 1999. O videoclipe, como a cena, é intenso e chocante.

15. OK Go – The One Moment

Direção: Damian Kulash

Pra variar, o grupo OK Go lançou mais um clipe incrível. Em mais uma grande instalação artística, eles explodem várias latas de tinta, folheiam livros de fotografias, quebram vidraças, estouram balões d’água, e por aí vai. Tudo isso levou 4,2 segundos para acontecer. Os acontecimentos são rápidos, certo? É exatamente por isso que eles deixam tudo em câmera lenta para o espectador poder apreciar tudo o que acontece nesta pequena janela de tempo.

14. Anohni – Drone Bomb Me

Direção: Nabil

Estrelado por Naomi Campbell, o clipe de “Drone Bomb Me” chega numa linha tênue entre a crítica contra o governo estadunidense e o mal gosto, já que a modelo e atriz dança e sensualiza ao pedir que os drones lhe atinjam. Mas a mensagem e o impacto da canção acabam impedindo que isso se torne um problema, até porque Campbell consegue elucidar em sua performance que a situação é trágica. A canção remete a um problema grave: entre janeiro de 2009 e dezembro de 2015, 116 pessoas morreram devido a ataques de drones do governo norte-americano em países nos quais os Estados Unidos sequer estão em guerra, como Paquistão, Iêmen, Somália e Líbia, de acordo com a administração de Barack Obama. Contudo, o TBIJ (The Bureau of Investigative Journalism, ou Escritório de Jornalismo Investigativo, em tradução livre) diz que o número é bem maior — neste período, teriam sido 801 mortes. O vídeo e a canção trazem a história de alguém que perdeu pessoas próximas e pede para que, desta vez, durante o ataque da próxima noite, ela seja a atingida. Pesado.

13. Solange – Don’t Touch My Hair

Direção: Alan Ferguson e Solange Knowles

Assim como sua irmã, Beyoncé, Solange fez um álbum que exalta a cultura negra. Os clipes de “Don’t Touch My Hair” e “Cranes in the Sky” são irmãos quase gêmeos e é difícil escolher um só, mas optamos pelo primeiro. Ela e o marido Alan Ferguson tratam cada quadro como se fosse um ensaio de moda, e ressaltam várias vertentes da cultura negra e sua beleza.

12. Silva – Feliz e Ponto

Direção: William Sossai

O prêmio de clipe sexy sem ser vulgar do ano vai para “Feliz e Ponto”. Amor e natureza se fundem em um clipe que aciona os desejos mais primordiais do ser humano, sem se importar com o fator gênero ou sexualidade. Num clipe heteronormativo seria fácil cair na banalidade e colocar um homem (o cantor) e duas mulheres e transformar em um clipe qualquer de funk, rock ou rap/hip-hop, cheio de vulgaridade. Porém, o diretor William Sossai chega a um resultado de bom gosto, sem deixar de ser sexy.

11. Kanye West – Famous

Direção: Kanye West | Aziz Ansari e Eric Wareheim

Em mais um ano, Kanye West causou. Ele lançou mais um grande disco, The Life of Pablo, porém não deixou de entrar em polêmicas. O rapper sempre fora obcecado pela fama e isso fica visível em toda sua obra. Prova disso é o bizarro clipe de “Famous”, faixa que por si só já é polêmica: no refrão, Ye diz que um dia ele e Taylor Swift ainda farão sexo porque ele fez dessa vadia famosa. O clipe — uma homenagem clara ao quadro “Sleep”, de Vincent Desiderio, de 2008 — traz várias pessoas que foram e/ou são importantes na vida do rapper, como a esposa Kim Kardashian, Rihanna, a própria Swift, Bill Cosby, George W. Bush (West disse no passado que o ex-presidente não se importava com os negros, mas posteriormente até se desculpou) e até Donald Trump (na semana passada, West se encontrou com o presidente eleito dos EUA para uma conversa particular), entre outras figuras. Detalhe: todos são reproduções perfeitas das personalidades em bonecos de cera, todos nus. É o jeito megalomaníaco de Kanye de ser. Controverso, pra dizer o mínimo. Ainda assim, ninguém ligado ao mundo do entretenimento ficou sem saber do que se tratava. Inegavelmente, o vídeo tem sua relevância. Porém, ainda mais atrativo é o videoclipe não-oficial da música, estrelado e dirigido por Aziz Ansari e Eric Wareheim. A dupla realizou a gravação durante a passagem deles pela Itália para as gravações da série Master of None. É uma seleção de imagens deles andando pelas ruas do país e desfrutando da culinária local, basicamente. Se é que é possível, este videoclipe casa ainda melhor com a faixa de West.

10. Radiohead – Burn the Witch

Direção: Chris Hopewell

Os caras do Radiohead retornaram mais atuais do que nunca em 2016. “Burn the Witch” é uma grande metáfora para a situação vivida no mundo, com os países pensando somente em si, se fechando para o que vem de fora, o retrocesso de décadas, o ataque de pânico desproporcional que acomete a população (motivo pelo qual o Brexit e Trump aconteceram no Reino Unido e nos EUA, respectivamente) e os perigos que isso pode representar. A animação em stop motion parece fofinha, mas o final prova que essa representação inspirada no filme O Homem de Palha, de 1973, não tem nada de feliz.

9. DJ Shadow feat. Run the Jewels – Nobody Speak

Direção: Sam Pilling

Certamente um dos clipes mais engraçados do ano, “Nobody Speak” traz uma reunião, possivelmente de representantes da ONU, tretando fortemente. O vídeo deveria ganhar um prêmio pelo lipsync perfeito e que cai como uma luva nos lábios dos políticos. O clima de animosidade é parecido com o que enfrentamos em 2016 no Brasil e até nos EUA, exceto pelas agressões físicas, e que com certeza iremos nos deparar em 2017 — então vamos rir enquanto ainda podemos, porque o futuro pode ser de chorar.

8. The Weeknd – False Alarm

Direção: Ilya Naishuller

Pro nosso azar, o clipe de “Starboy” é ruim. Pelo menos, The Weeknd conseguiu acertar em cheio no clipe de “False Alarm”, ainda que a música seja uma das piores do novo álbum dele. O vídeo tem a mesma ideia utilizada no filme Hardcore Henry — a filmagem é toda em primeira pessoa, algo que já é de praxe nos videogames em jogos como o clássico Doom e FarCry, só pra citar alguns. É pura ação e adrenalina.

7. Grimes – Kill V. Maim

Direção: Claire e Mac Boucher

Já que Lady Gaga cansou de ser exótica pra ser cantora country, temos que agradecer a presença de Grimes no mundo para deixá-lo mais estranho. A cantora é uma rainha do crime, comanda uma gangue no metrô, participa de uma rave vampira onde tem sangue pra tudo quanto é lado e passeia em um carro rosa. Tem referência a Blade — O Caçador de Vampiros, a anime, ao filme Cisne Negro, sem contar que a letra da faixa, de acordo com a própria cantora, foi escrita pela perspectiva do personagem de Al Pacino em O Poderoso Chefão: Parte II, exceto pelo fato de que aqui ele é um vampiro que consegue trocar de gênero e viajar através do tempo (!?!). A excentricidade de Grimes é revigorante.

6. Radiohead – Daydreaming

Direção: Paul Thomas Anderson

Dirigido por Paul Thomas Anderson (diretor de filmes como Sangue Negro, Embriagado de Amor e O Mestre), o vídeo para a faixa “Daydreaming” é praticamente um sonho filmado (é a sensação que se tem), com Thom Yorke passando de cenário a cenário através de cada porta. Trabalho primordial de edição. A descrição termina aqui. Tem que assistir para sentir.

5. Coldplay – Up&Up

Direção: Vania Heymann e Gal Muggia

A banda liderada por Chris Martin parece se esforçar para ser cada vez mais medíocre e descartável (uma pena, pois já foi uma das minhas bandas favoritas), mas o clipe de “Up&Up”, apesar de a música não ser lá grandes coisas, é visualmente estupendo. É difícil resumi-lo, mas trata-se de uma série de belas imagens da humanidade fundida com uma montagem de outra dimensão. O resultado é embasbacante. Só resta mandar meus parabéns pro pessoal da edição e dos efeitos especiais.

4. Leon Bridges – River

Direção: Miles Jay

Com a calmaria que precede o início da canção, nem dá pra imaginar o turbilhão de emoções que “River” desencadeia a partir do momento em que os primeiros acordes no violão de Leon Bridges ecoa dentro de um quarto de hotel. Filmado em Baltimore, uma das cidades estadunidenses com maior percentual de negros e afro-americanos, o vídeo mostra o cotidiano sofrido dessas pessoas, desde a questão da pobreza até a opressão policial. As cenas são de uma delicadeza ímpar e a canção é poderosa a cada verso e acorde. Apesar da visão pessimista do agora, o videoclipe dá um pingo de esperança no final, a exemplo da cena do batizado em massa e o último take de Leon na sacada do quarto. Simbolicamente, somente a água é capaz de purificar e amenizar a dor que essas pessoas sentem, além do amor ao próximo.

3. Sia – The Greatest

Direção: Sia e Daniel Askill

Os primeiros minutos de “The Greatest” são chocantes. Pelos corredores, várias crianças estão no chão, mortas. Em poucos segundos, a câmera vai para Maddie Ziegler. Atrás dela, a tinta branca espirrada como se tivesse sido o resultado de um tiro na cabeça — o vermelho seria forte demais. A dançarina, claramente abatida, chora e marca no rosto com seus dedos a trilha das lágrimas de arco-íris. A cena é representativa, numa espécie de choro em nome de todas as pessoas da classe LGBT+ que morrem diariamente. A constante frase dita por Sia na canção, “don’t give up, I won’t give up, don’t give up” (“não desista, eu não vou desistir, não desista”) serve perfeitamente para os integrantes da sigla. O vídeo é uma clara menção ao tiroteio em massa que ocorreu no dia 12 de junho deste ano, quando 49 pessoas foram mortas e outras 53 ficaram feridas dentro da boate gay Pulse, localizada em Orlando, na Flórida, nos EUA. Se houvesse dúvida disso ao longo do clipe, os últimos instantes revelam que as paredes do ambiente onde as crianças dançam estão cheias de furos de tiros. Ver todas aquelas crianças fingindo estarem mortas no chão acaba sendo uma das cenas mais impactantes na cultura pop em 2016. Uma linda homenagem e um clipe de acertar o estômago.

2. Beyoncé – Formation

Direção: Melina Matsoukas

Lemonade foi o álbum em que Beyoncé mostrou que pode ser politizada também — algo que ainda era inédito em seu trabalho. Claro, diversos artistas tratam do racismo nos Estados Unidos, porém quando Beyoncé fala, o mundo ouve. O sexto disco solo da cantora juntamente com o vídeo e a música “Formation” são relevantes porque é a maior estrela da música pop do planeta falando verdades inconvenientes. E como ela o faz? Exaltando a cultura negra americana, seja com sua dança, com uma parada de orgulho negro, referências aos crioulos do estado da Louisiana e à Guerra da Secessão Americana (que se originou na questão da escravidão, resultando em sua abolição durante o mandato do presidente Abraham Lincoln), racismo, repressão policial (note o garotinho dançando em frente aos policiais e, logo depois, a pichação que diz “stop shooting us/pare de atirar na gente”), além de prestar homenagem à Nova Orleans, que ainda sente os efeitos do Furacão Katrina. Sem contar que poucas frases foram tão marcantes na música em 2016 quanto aquela em que Bey convoca as mulheres negras a ficarem em formação, ressaltando que a luta racial não é simbolizada apenas pelos homens, mas também por elas, que carregam consigo ainda outras lutas. Honestamente, tudo isso que Beyoncé faz, outros já fizeram, porém ninguém tem a força no cenário mundial como ela. Finalmente ela faz bem o uso da sua influência e o resultado é o melhor trabalho de sua carreira.

1. David Bowie – Lazarus

Direção: Johan Renck

Quando “Lazarus” foi lançado, no dia 7 de janeiro, parecia mais uma obra creepy e excêntrica de David Bowie. Para o público, tanto a letra quando o vídeo não faziam tanto sentido, à primeira vista. De qualquer forma, era o cantor em alto nível. Porém, as coisas ficaram mais claras três dias após o lançamento do videoclipe. Dia 10 de janeiro marcou a morte de Bowie e foi revelado que ele lutava há 18 meses contra o câncer. De repente, tanto o disco Blackstar quanto “Lazarus” ganhavam um novo significado especial. Bowie, em sua genialidade particular, nos deu as pistas de que estava prestes a partir desse mundo. “Eu tenho cicatrizes que não podem ser vistas”, “estou tão chapado que meu cérebro gira”, “você sabe, eu estarei livre, igual àquele pássaro azul, isso não é a minha cara?”. A poderosa composição de Bowie casa perfeitamente com o que vemos em cena. Uma força sinistra o acompanha em seu leito de morte, e vai sugando suas energias, levando-o para outro mundo. Ao mesmo tempo, temos um Bowie que tenta encontrar forças para compôr, provavelmente numa retratação do tempo em que escrevia Blackstar, seu próprio epitáfio. Talvez não fosse a intenção de Bowie partir logo após o lançamento do vídeo, que fora gravado em novembro de 2015, porém a brusca partida contribuiu para o imaginário da lenda da música. “Lazarus”, por sinal, vem da Bíblia, e no livro o personagem Lázaro é trazido dos mortos após quatro dias. Bowie é quase um Lázaro reverso, morrendo três dias após o mundo conhecer o videoclipe. Em seu último ato, Bowie provou ser genial até mesmo à beira da morte. O clipe de “Lazarus” é único, é denso, é particular, é uma obra prima que somente Bowie poderia ter parido. E nós somos gratos por isso.

Por Rodrigo Ramos
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