10 filmes do Batman que nunca foram feitos

Tim Burton, Darren Aronofsky, George Miller, Joel Schumacher e outros diretores que não viram seus projetos saírem do papel

A franquia Batman nos cinemas foi, indiscutivelmente, a que mais deu certo ao longo dos anos dentre os personagens da DC Comics. A Warner Bros tentou incansavelmente fazer outros heróis darem certo na telona, mas fracassou, exceto por Superman, ainda que também não seja unanimidade. Claro que nem todos os longas do morcegão deram certo, seja pela fraca bilheteria ou pela qualidade da película em si. Apesar de terem sido feitos oito filmes do personagem, outros 10 filmes nunca viram a luz do dia. O Previamente listou aqui essas produções que não saíram do papel ou que simplesmente não saíram como foram planejados.

The Batman (1983)

O hoje produtor de todos os filmes do Batman desde os longas de Tim Burton e o novo Batman vs Superman: A Origem da Justiça, Michael E. Uslan têm os direitos para adaptações para o cinema do morcegão há décadas. Em 1983, o primeiro filme com sua produção quase foi realizado. Quase. O roteirista original era Tony Mankiewicz, que já havia trabalhado nos filmes de Superman e James Bond. A direção ficaria com Ivan Reitman, do recente sucesso de Os Caça-Fantasmas.

A trama, baseada na HQ Batman: Strange Apparitions, traz como vilões Rupert Thorne e Coringa (no lugar de Hugo Strange, antagonista original da história em quadrinho), Silver St. Cloud como interesse romântico e Robin, cuja origem faria parte do plot. David Niven interpretaria Alfred, William Holden seria o Comissário Gordon, enquanto David Bowie seria Coringa. Eddie Murphy e Michael J. Fox chegaram a ser cogitados a interpretarem Robin. Para o papel de Bruce Wayne a escolha era Bill Murray, que havia acabado de trabalhar com o diretor em Os Caça-Fantasmas.

Reitman eventualmente acabou saindo do projeto conforme ele ia sendo reescrito — dizem que foram pelo menos nove versões, levando o projeto a perder todas as suas características iniciais. O diretor Joe Dante (Gremlins) chegou a ser relacionado à produção, porém ela acabou morrendo antes mesmo de ter um roteiro devidamente finalizado.

The Batman (1983)

Batman (1989)

Apesar de o filme de 1989 ter acontecido pelas mãos de Tim Burton, a história tinha certas diferenças nos estágios iniciais da produção. Lá no início, o roteiro chegou a ter a participação de Robin, o que certamente mudaria boa parte da película que hoje conhecemos. O plot de origem dele seria semelhante ao utilizado em Batman Eternamente, mas Coringa seria responsável pela morte dos pais de Dick Grayson ao invés de Duas-Caras. Em um dos storyboards (foto abaixo) da produção, vemos a mãe do futuro Robin sendo queimada viva, sem ter pra onde ir. Uma versão mais brutal do que a vista no filme de Joel Schumacher, sem dúvida. A única certeza que podemos ter é de que seria um filme completamente diferente.

Batman (1989)

Batman Eternamente (1995)

Depois de dois filmes sob sua tutela, Tim Burton acabou sendo afastado pela Warner Bros da direção e se tornou apenas produtor de Batman Eternamente. O diretor tinha contrato para uma trilogia, porém o estúdio ficou receoso em tê-lo novamente na direção depois do tom sombrio, além da presença de mais violência e sexualidade apresentados em Batman: O Retorno (1992), o que teria deixado alguns pais desconfortáveis ao levar os filhos ao cinema. É claro que o fato de O Retorno ter angariado nas bilheteria apenas US$ 266 milhões comparados aos US$ 411 milhões de Batman (1989) deve ter pesado na decisão do estúdio.

A trama de Burton teria a presença de Charada como principal vilão, interpretado por Robin Williams. Também seriam introduzidos Chase Meridian (cujo papel teria sido de Rene Russo e não Nicole Kidman) e Robin. No entanto, o companheiro de Batman não seria Chris O’Donnell, mas sim um afro-americano, o ator Marlon Wayans (sim, o cara de 50 Tons de Preto, As Branquelas e Todo Mundo em Pânico). Além disso, Duas-Caras voltaria a ser interpretado por Billy Dee Williams, como vilão secundário, já que o ator foi Harvey Dent em Batman.

Michael Keaton seria mais uma vez o protagonista, porém se recusou a voltar ao papel após Joel Schumacher assumir a cadeira de diretor, uma vez que o estilo seria diferente do empregado por Burton.

A ideia da Warner, em suma, era fazer com que o filme fosse mais amigável, acessível para toda a família, além de ter mais apelo em termos de marketing, podendo gerar brinquedos, como o próprio Schumacher acabou confirmando anos depois.

Batman Forever de Tim Burton - 1995

Batman Triumphant (1999)

Depois do fracasso de Batman & Robin (1997) tanto em termos de crítica quanto de bilheteria — o filme fez apenas US$ 238 milhões, enquanto só o orçamento da produção foi de US$ 125 milhões –, a franquia ficou em coma até o lançamento de Batman Begins (2005), durante quase uma década. Porém, caso não fosse o fracasso retumbante, a Warner teria dado continuidade ao Batman carnavalesco nas telonas.

O projeto Batman Triumphant, também conhecido por Batman Unchained, já tinha ganhado sinal verde do estúdio e teria Espantalho como vilão principal, interpretado por Nicolas Cage. Junto com ele estaria Arlequina, interpretada por Madonna ou Courtney Love, numa versão em que ela seria filha de Coringa e estaria em busca de vingança pela morte do pai. O filme poderia ter tido até mesmo o retorno de Jack Nicholson, Danny DeVito, Michelle Pfeiffer, Tommy Lee Jones e Jim Carrey para fazer uma sequência em que Batman alucina com o gás do medo do Espantalho. Ainda no elenco haveria o trio formado em Batman & Robin: George Clooney, Chris O’Donnell e Alicia Silverstone.

Schumacher até tinha a intenção de tornar o filme um pouco mais sombrio, já que a presença do Espantalho daria espaço para tal, e se baseasse na HQ de Frank Miller, O Cavaleiro das Trevas. Porém, a Warner quis continuar com a visão amigável, marqueteira e colorida do herói. Ainda bem que parou por aí.

Batman Triumphant (1999)

The Dark Knight Returns (1999)

Conforme dito no texto anterior, Schumacher gostaria de ter feito a adaptação de O Cavaleiro das Trevas, HQ consagrada de Frank Miller, que traz um Bruce Wayne mais velho, cansado e aposentado, mas que retorna à ativa. Na história, aparecem vilões como Coringa, Selina Kylie (Mulher-Gato) e Duas-Caras, além da presença de Superman como antagonista.

O filme, como se sabe, nunca foi feito devido à direção que a Warner queria dar ao personagem nos cinemas. Schumacher foi amplamente culpado pelo resultado de Batman Eternamente e Batman & Robin. Mas ele já se desculpou pelos filmes e explicou que aquela era a direção imposta pelo estúdio. Antes mesmo de ter feito B&R, ele gostaria de ter feito The Dark Knight Returns, com Michael Keaton ou Clint Eastwood no papel principal, enquanto David Bowie mais uma vez foi cogitado para ser o Coringa, porém, como se sabe, o projeto nunca foi adiante.

The Dark Knight Returns (1999)

Batman: DarKnight (2000)

Eventualmente, a Warner resolveu dar uma chance para Joel Schumacher fazer seu Batman mais sombrio, seguindo o caminho trilhado por Tim Burton uma década atrás.

Batman: DarKnight (sim, é escrito assim mesmo) parte da ideia de que Bruce Wayne teria desistido de ser o Batman por achar que perdeu a força de causar medo nos seus inimigos. Enquanto isso, Dick Grayson também deixa de ser Robin já que está sem seu companheiro, indo para a Gotham University. Na universidade o professor Jonathan Crane faz seus experimentos com medo antes de se tornar Espantalho. O filme também teria o Morcego Humano. Com as ameaças assolando Gotham, Bruce Wayne voltaria a vestir o capuz.

O projeto acabou sendo engavetado pela Warner, que se livrou de Schumacher e começou a investir em outra adaptação do morcegão, baseado na HQ Batman: Ano Um, também de Frank Miller.

Batman DarKnight (2000)

Batman Beyond (2000)

A série de TV animada Batman do Futuro (Batman Beyond) chegou a ser cogitada para ser transformada em filme live action. Em agosto de 2000, a Warner Bros anunciou que estava trabalhando na adaptação para o cinema. A trama traria um salto no “presente” para o “futuro” de 40 anos, com Bruce Wayne aposentado há 20 anos. Em busca de vingança e remorso, Terry McGinnis é escolhido por Bruce para assumir a figura do paladino da justiça sob sua supervisão.

O filme seria dirigido e co-dirigido por Boaz Yakin (Duelo de Titãs). Dois dos criadores da série, Paul Dini e Alan Burnett, também assumiriam o roteiro. No entanto, em agosto de 2001 a Warner, visando outros projetos ligados ao Batman, engavetou o projeto.

Batman Beyond (2000)

Batman: Year One (2002)

Joel Schumacher até tentou levar em frente o projeto de Batman: Ano Um, mas quem ficou com o posto de diretor foi Darren Aronofsky, na época do recente sucesso Réquiem Para Um Sonho.

Apesar do nome, o filme iria diferir completamente da HQ. O roteiro, escrito por Frank Miller, traz Bruce Wayne se tornando órfão, porém deixando de lado a fortuna dos pais e vivendo como um sem-teto para saber como as pessoas realmente vivem na cidade. Ele mora nas ruas, como uma espécie de Oliver Twist. Alfred não seria seu mordomo nesta versão, sendo um afro-americano chamado Big Al, que tem uma oficina mecânica junto com seu filho Little Al.

Gordon seria um policial que tenta lutar contra a corrupção em Gotham, no estilo Dirty Harry. Enquanto isso, Selina Kylie (Mulher-Gato) seria uma prostituta negra que decide ir atrás de justiça depois de testemunhar os atos de Batman.

Bruce cresceria carregado de ódio por conta da cultura de crime de Gotham, enquanto conhece todo tipo de gente do submundo da cidade na oficina de Big Al. Ele desenvolveria uma persona que lembra o personagem de Robert DeNiro em Taxi Driver.

Conforme dito recentemente pelo roteirista Frank Miller, a Warner não queria um filme que não pudesse vender brinquedos e que não pudesse ser direcionado para as crianças. Ou seja, o projeto foi parar na gaveta.

Os irmãos (agora irmãs) Watchowski, do sucesso Matrix, também estiveram perto de dirigir o projeto após a saída de Aronofsky da produção. Eles se manteriam mais fiéis à HQ, apesar de algumas mudanças no roteiro. No entanto, eles também deixaram a ideia para se focar nas sequências de Matrix, ambas lançadas em 2003. Em 2008, Joss Whedom (Os Vingadores e Vingadores: Era de Ultron) revelou que a Warner chegou a oferecer a ele o projeto, lá em 2003. O diretor disse que sua obra teria um tom parecido com o posto em prática por Christopher Nolan em Batman Begins, porém seria “um pouco menos épico” e “mais Gotham City”.

Mesmo nunca tendo sido feito, o roteiro escrito por Miller e que seria dirigido por Aronofsky encontra-se na internet e pode ser lido neste link.

Batman - Year One (2002)

Batman vs Superman (2004)

Darren Aronofsky quase comandou outro projeto sobre Batman, baseado numa ideia de Andrew Kevin Walker (Se7en): Batman vs Superman. O projeto, em 2002, teve seu roteiro escrito por Akira Goldsman (o mesmo de Batman & Robin). No entanto, a Warner preferiu que Wolfgang Petersen (Força Aérea Um, Mar em Fúria) assumisse a direção no lugar de Aronofsky.

A trama giraria em torno da relação entre Bruce Wayne e Clark Kent. A noiva de Wayne é assassinada por Coringa, o que desperta no protagonista uma força violenta que acaba refletindo nas ações de Batman, fazendo com que Superman ajude a pará-lo. Em determinado momento, a treta entre os dois é cessada para focar no duelo contra Coringa e Lex Luthor.

O filme chegou muito próximo de acontecer, sendo oferecidos os papeis de Batman e Superman para Christian Bale e Josh Hartnett. Bale mostrava mais interesse em Ano Um, de Aronofsky, no entanto. De qualquer forma, a fotografia principal do filme estava marcada para acontecer em 2003, projetando o lançamento em 2004. Contudo, Petersen deixou o projeto porque as filmagens de seu outro longa, Troia, já estavam agendadas. Aronofsky, por sua vez, também desistiu de Batman e se focou em outro projeto que nunca viu a luz do dia, Superman: Flyby, em parceria com J.J. Abrams.

Batman vs Superman (2004)

Justice League: Mortal (2009)

Estamos mais perto de vermos a Liga da Justiça nos cinemas, mas por pouco não a vimos antes, mas num contexto bem diferente do atual. A Warner, visando bater de frente com o Universo Cinematográfico da Marvel, também queria seu próprio universo e, para isso, deu o sinal verde para Justice League: Mortal, que teria a direção de George Miller (Mad Max).

O plot focaria nos acontecimentos após a criação de Brother Eye, um programa que monitora todos os super-heróis do planeta e oferece uma opção de exterminá-los. A cria é de Batman, num momento em que ele não confia nos heróis e os enxerga como ameaças. Os demais membros da Liga da Justiça então teriam como objetivo provar ao Homem Morcego que ele está errado e que todos podem ser bons.

O longa chegou a ter até elenco escalado. Armie Hammer (Batman), D.J. Cotrona (Superman), Common (Lanterna Verde), Adam Brody (Flash), Anton Yelchin (Flash/Wally West), Megan Gale (Mulher-Maravilha), Santiago Cabrera (Aquaman), Hugh Keays-Byrne (Caçador de Marte) e Teresa Palmer (Talia Al Ghul). A falta de nomes conhecidos era proposital, pois Miller queria que os personagens crescessem ao longo dos anos dentro dos papeis.

Não necessariamente pela falta de rostos conhecidos, mas o projeto acabou ficando em espera devido à greve dos roteiristas de Hollywood entre 2007 e 2008. Naquela ocasião, o roteiro do filme ainda precisava de ajustes, o que era impraticável na época devido à paralisação. Em 2010, Justice League: Mortal foi oficialmente cancelado. No ano passado, algumas artes conceituais foram reveladas, incluindo a atriz Megan Gale vestindo a roupa de Mulher-Maravilha, conforme você vê abaixo.

Justice League - Mortal (2009)

Por Rodrigo Ramos
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