Estudo comprova falta de diversidade em Hollywood

Dos 700 filmes de maior sucesso entre 2007 e 2014, quase 70% dos personagens eram homens

Não precisava nem de um estudo para comprovar que homens, brancos e heterossexuais ainda tomam conta da maior parte dos filmes feitos em Hollywood, tanto diante ou por trás das câmeras. Porém, um estudo feito pelo Media, Diversity & Social Change Initiative, da estadunidense University of California’s Annenberg School for Communication and Journalism, analisou os 700 filmes de maior bilheteria nos EUA entre 2007 e 2014 e os resultados obtidos não devem surpreender ninguém. Ainda assim, são preocupantes.

Shailene Woodley (A Culpa é das Estrelas) uma das protagonistas femininas de 2014.
Shailene Woodley (A Culpa é das Estrelas) uma das protagonistas femininas de 2014. (FOX)
  • 73,1% de todos os personagens que têm nome ou possuem alguma fala nos 100 filmes de maior bilheteria eram brancos, enquanto 69,8% dos personagens avaliados em todos os 700 longas-metragens eram homens, resultando numa proporção de gênero de 2,3 homens para 1 mulher.
  • Um total de 21 dos 100 filmes mais vistos em 2014 tinha uma mulher como protagonista ou pelo menos dividia a tela como co-protagonista com outro ator.
  • Dentre os 700 filmes, somente 21,8% dos personagens nas idades entre 40 e 64 anos eram mulheres.
Produtora executiva e diretora de Selma, Ava DuVernay é uma das poucas exceções nas suas funções.
Produtora executiva e diretora de Selma, Ava DuVernay é uma das poucas exceções nas suas funções. (FOX)
  • Dentre os 100 filmes mais vistos em 2014, somente 15,8% tinham em sua equipe criativa principal mulheres, entre direção, roteiro e produção. Do total, isso significa que 1,9% dos diretores eram do sexo feminino (2 mulheres), 11,2% roteiristas (33), e 18,9% produtoras (175)
  • Somando todos os 700 filmes, haviam 779 diretores, sendo que apenas 24 destes eram mulheres que trabalharam sem dividir os créditos, sendo 28 mulheres no posto no total.

Como você pode imaginar, além de ter menos espaço em tela, as mulheres também são muito mais sexualizadas do que os homens, independente da idade das atrizes.

Em 300: A Ascensão do Império, a personagem de Eva Green é altamente sexualizada, além de proporcionar cenas de nudez e sexo.
Em 300: A Ascensão do Império, a personagem de Eva Green é altamente sexualizada, além de proporcionar cenas de nudez e sexo. (Warner)
  • Em 2014, mulheres de todas as idades apareciam mais do que homens vestindo de forma sensual – 27,9% das personagens femininas contra 8% dos masculinos. O sexo feminino também tinha mais nudez – 26,4% das mulheres contra 9,1% dos homens – além de ser mais referenciado como fisicamente atraente – 12,6% das mulheres contra 3,1% dos homens.
  • Além disso, a sexualização não se restringe apenas a mulheres adultas, mas as mais jovens, como adolescentes, também entram na lista. Segundo o estudo, garotas entre 13 e 20 anos são tão sexualizadas quanto as jovens adultas (21-39 anos).

Se as mulheres já têm seu papel reduzido, você consegue imaginar então os negros, estrangeiros e os gays?

Em O Jogo da Imitação, Benedict Cumberbatch interpreta um dos poucos personagens gays com falas (e, mais raro ainda, protagonista) de 2014.
Em O Jogo da Imitação, Benedict Cumberbatch interpreta um dos poucos personagens gays com falas (e, mais raro ainda, protagonista) de 2014. (FOX)
  • Dentre os 100 maiores filmes de 2014, apenas 5 dos 107 diretores, o que representa 4,7% do total, eram negros, enquanto apenas 19 diretores asiáticos foram encontrados dentre as 700 películas analisadas.
  • Apenas 26,9% dos personagens dos 100 filmes de maior sucesso de 2014 não são brancos, sendo que 17 dos longas não possuem um negro ou um afro-americano com falas. Os personagens asiáticos sem nenhuma fala estão presentes em mais de 40 filmes, enquanto apenas 17 filmes tiveram um protagonista ou co-protagonista interpretado por um ator de raça ou etnia que não fosse branca.
  • Dos 779 diretores presentes nos 700 filmes, apenas 45 eram negros (5,8%) e 19 eram asiáticos (2,4%).
  • A comunidade LGBT também é mal representada. Dos 4610 personagens com falas dos 100 filmes de maior bilheteria de 2014, apenas 19 deles eram lésbicas (4), gays (10) ou bissexuais (5). Enquanto isso, não houve nenhum transsexual ou transgênero.

O estudo completo pode ser visto clicando aqui.

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