Revenge – 4ª Temporada | Crítica

A escassez de criatividade custou caro aos moradores dos Hamptons

[Este texto possui spoilers da temporada em questão]

Revenge season 4 posterRevenge completa sua jornada após quatro anos de caminhos tortuosos. A saudosa primeira temporada ainda soa fresca na cabeça, tempo de excelência que retornou apenas em raros momentos. Infelizmente, a série acaba sem o status de última temporada, definhando em um cancelamento abrupto, causado por baixa audiência. Com sorte, o final não ficou em aberto, mas também não foi totalmente satisfatório.

Quando o quarto ano estava na metade, cheguei a conclusão de que Revenge tem, ou pelo menos tinha, a maldição da temporada par. A primeira foi magnífica. Cm bombardeios de acontecimentos e revelações, a história mudava de lado a cada nova jogada no tabuleiro de Emily Thorne (Emily VanCamp) e Victoria Grayson (Madeleine Stowe). Foi de se estranhar um ciclo com 22 episódios que não tinha barriga, nem ao menos uma gordurinha. Por desgraça do destino, o tombo não demorou para chegar. Com o raiar da segunda, vários problemas vieram juntos e a vingança perdeu lugar para o desenvolvimento da Iniciativa. O problema é que ninguém queria saber sobre isso. Todos queriam ver a briga das duas titãs. Não era só o produto final que estava azedo, mas os bastidores da série também não iam bem. Connor Paolo pediu para sair e teve seu Declan morto na season finale, além da saída do showrunner e criador do show, Mike Kelley.

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Reforçando a teoria, logo veio a ressureição na terceira, que usou apenas um episódio para derrubar toda a confusa trama do ano anterior. Sunil Nayar, o novo produtor executivo fez uma sequência de dez episódios irretocáveis, tendo o casamento de Emily e Daniel como o ápice. O paraíso não durou por muito tempo, contudo. A segunda metade da temporada foi extremamente irregular, se redimindo nos três últimos atos (tento o 3×21 e o 3×22 como os melhores de toda a trajetória da série). Mudando algumas coisas e tirando outras, entre elas a volta de David Clarke (James Tupper), poderiam ter terminado a história. Já que nem tudo são flores, nasceu a quarta, que conseguiu ter mais barrigas que a segunda. Não foi possível escapar do destino de ser um novelão, ou pior, novelinha em seus momentos finais.

Emily VanCamp afirmou um uma entrevista que Mike Kelley não tinha planos para revelar David Clarke vivo, então por que diabos o novo produtor decidiu fazer isso? A resposta mais óbvia é a falta de criatividade. Não haviam outros coelhos para serem tirados da cartola, ao menos não fortes o suficiente. A volta do pai da protagonista não ajudou a alavancar a história, como previam os roteiristas. Muito pelo contrário. No começo da temporada houve uma overdose de cenas românticas junto com Victoria, um texto mais meloso que o outro. Tempo jogado fora – o que não faltou neste último ano. Todo o público da série foi enganado pelas promos. Foi prometida uma vingança ao contrário, a matriarca Grayson sobre Thorne. Na hora da entrega não foi bem o que aconteceu, resultando em apenas tímidos ataques. A mocinha continuava a ser Emily. Se tivessem ido pelo caminho prometido, talvez houvesse chão para mais uma temporada. Isso se ainda estivesse suportável.

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As únicas partes interessantes da primeira metade da quarta temporada foram as cenas de David com Amanda (Margarita Levieva). Provou-se ali que nos importamos muito com a moça e pelo menos nesse quesito o roteiro não falhou. Mesmo em momentos não muito críveis, como a escola de vingança do Takeda (Cary-Hiroyuki Tagawa), as motivações de Emily/Amanda sempre estiveram bem claras. Mesmo cometendo atrocidades, Thorne era e é o lado do bem. O episódio 4×04 foi um dos destaques da temporada, com VanCamp provando ser ali uma grande atriz. Confesso ter chorado junto com a protagonista reconhecendo o pai. A loira realmente não é uma personagem de muitas expressões – neste caso, a personagem mesmo e não a atriz. Muito diferente de James Tupper, que montou um David Clarke sem sal e desprovido de carisma.

A adição de novos personagens foi um dos fatores que ajudou a afundar o ciclo final. Ben (Brian Hallisay) foi um dos mais inúteis da história da série, serviu unicamente para incomodar o casal Amanda e Jack, e atrasar ainda mais a união dos prometidos. Foi mais um ator ruim para o fraco hall do novelão. Sua morte escancarou a falta de importância que o personagem tinha perante o público. Já Louise (Elena Satine) foi uma grata surpresa, ainda que sua adição não acrescentasse nada de fundamental. A personagem foi um peão no tabuleiro, hora usada por Victoria, hora por Emily. Aí que vem o diferencial. Sua trama paralela foi interessante, uma pequena vingança no meio da grande que dá nome ao seriado. A relação com Nolan (Gabriel Mann) foi mais um ponto forte, contando com bons alívios cômicos e felicidades momentâneas.

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Desvios de trama são característicos de Revenge, mas dois em específico foram bem infelizes em suas realizações. Primeiro foi o de Malcom Black (Tommy Flanagan), que no meio do caminho causou a morte do tão querido Bananiel, vulgo Daniel (Josh Bowman). Apesar de ter levado um dos personagens principais, foi um plot que pouco agregou e soou bem forçado. É fato que a volta de David traria consequências extras, mas ninguém precisava de um vilão no meio da temporada, sendo que foram três episódios de vida. Margaux (Karine Vanasse) foi outra antagonista que durou pouco, não alcançando nada além de ser chata. A pessoa que perde o próprio bebê para incriminar outra não é muito inteligente, convenhamos. Nesse caso, houve redenção. Sua prisão demonstra um final tímido para a personagem que conseguiu ser relevante por certo tempo.

A morte de Victoria foi a forma mais coesa e mais justa de acabar a série. Apesar de me entristecer, a cena não rendeu o que deveria, sendo um tanto quanto fraco para tamanha dramaticidade. Não achei interessante o David ter morrido. Se trouxeram-no de volta, que o mantivessem respirando. Não dá para entender a cabeça desses roteiristas e produtores. Charlotte (Christa B. Allen) fez um retorno bem tímido e insignificante, mas ao menos a aproximaram da irmã e nos proporcionaram aquele maravilhoso sonho do transplante de coração. Nolan sempre será lembrado com muito carinho, sendo ele o melhor personagem depois das protagonistas. Seu final foi engraçado e condizente com o que trilhou até aqui. Ele precisa de causas para lutar, pois sua vida de milionário não é o bastante. Emily tinha mesmo que ficar com Jack. Mesmo que ele seja mais um homem babão na sua vida, eles sempre foram destinados. Tudo bem que foi bem novelinha o final, com direito até a um novo cachorro, mas no fundo era esperado mais.

Revenge, em sua totalidade, teve mais episódios ruins do que bons, não restam dúvidas. Contudo, a trama deixa duas personagens que jamais serão esquecidas, as grandiosas Amanda Clarke e Victoria Grayson. Ao longo dos quatro anos de vingança, elas se descobriram, mesmo sem admitir, muito parecidas uma com a outra. Madeleine Stowe poderia ter sido mais brilhante do que foi. Uma pena que as plásticas da atriz atrapalharam seu desempenho em tela. Mesmo assim, dificilmente aparecerá vilã mais deliciosa e venenosa, rica e poderosa até na morte. Emily VanCamp deve ir de vez para o cinema, tendo ainda muita estrada pela frente, incluindo no Universo Cinematográfico da Marvel, como a Agente 13, que estará presente em Capitão América: Guerra Civil, em 2016.  Só pelo talento, a atriz já é merecedora de muito sucesso. Eu me apaixonei e seguirei todos os seus trabalhos. Amanda Clarke é um lindo achado, precisamos de mais protagonistas femininas assim, fortes e decididas e que não precisam fazer mil expressões para mostrar o potencial (Kerry Washington, oi?).

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Revenge – Season Four
EUA, 2014/2015 – 23 episódios
Drama

Criador por:
Mike Kelley
Elenco:
Emily VanCamp, Madaleine Stowe, Gabriel Mann, Josh Browman, Nick Wechsler, Christa B. Allen, James Tupper, Karine Vanasse, Brian Hallisay, Elena Satine

2.5 STARS

Por Mikael Melo
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3 comentários em “Revenge – 4ª Temporada | Crítica”

  1. Da quarta temporada só gostei do capítulo final. Foi uma enrolação sem fim. Horrível. Mas eu precisava saber se Emily teria um bom fim. Deviam ter terminado na terceira temporada. A única personagem além de Emily que chamou a atenção foi Louise. Ela merecia um final melhor do que simplesmente acompanhar a alegria da Emily no casamento. Jack e Amanda necessitavam de mais momentos felizes.

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  2. Amanda era uma sociopata. Usou a vida de todos com sua vinganca. Alem de ser tao ruim quanto seus inimigos. Ela nao merecia o Jack por ter mexido demais com a vida dele em prol de sua vinganca. Ela deveria ter acabado mal para justificar a frase de 2 covas para quem quer se vingar.

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