Melhores Discos de 2014

Jack White, SILVA, Pink Floyd, TITÃS, Pharrell, entre outros estão na lista

Em um ano não muito inspirado para as artes como cinema e música (o mundo das séries é o que se destaca), ainda assim é possível achar algumas preciosidades. Na lista dos melhores discos de 2014, há a presença de discos nacionais e internacionais, passando pelos mais diversos estilos, do rock, pop e folk ao R&B e rap. As temáticas são variadas. Compositores melancólicos que abrem o coração e celebram a nostalgia; do som mais pesado ao experimental; o Motown repaginado, enquanto dinossauros do rock ressurgem com novos (e excelentes) trabalhos; de trilhas sonoras até pop com produção arrojada. Ou seja, tem de tudo um pouco. A equipe do Previamente seleciou os 21 álbuns que merecem ser ouvidos devido à qualidade inquestionável e os revelam agora. Prepare seus fones.

21. Begin Again (Music From and Inspired By the Original Motion Picture)

Por DINHO DE OLIVEIRA & Rodrigo ramos

Begin Again Soundtrack

Sabe-se que um CD é realmente bom quando se tem três versões diferentes da mesma música e você não cansa de revezar seus fones de ouvido com essa canção. “Lost Star” é o nome da faixa, carro chefe da trilha sonora do ótimo filme Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again). Composta pelo astro pop, Adam Levine, a faixa é interpretada duas vezes pelo próprio músico e uma vez pela doce atriz Keira Knightley.

É compreensível o alto nível da trilha, já que foi supervisionada por John Carney, o mesmo diretor do maravilhoso Apenas Uma Vez, que mistura com eficiência música e narrativa. Então o cara sabe como utilizar as composições como peça essencial do roteiro. Além de fazer sentido dentro do longa, a trilha em si é cheia de canções inspiradas, sendo a maioria dela sobre o coração (exceto uma outra, como “Horny”, de Cee-Lo Green).

Faixas de Destaque: Lost Stars (Adam Levine/Keira Knightley), Tell Me If You Wanna Go Home (Keira Knightley), Like a Fool (Keira Knightley).

20. Pharrell Williams – G I R L

Por Rodrigo Ramos

Pharrell Williams - G I R LComo bem lembrou meu colega Roberto Vieira, num país que gerou feras como Stevie Wonder, Prince e Quincy Jones, ignorar essas referências seria bobagem. Pharrell passou tempo o suficiente na sua bem-sucedida carreira como produtor apontando a direção certa para os outros artistas. Em G I R L, chegou a hora de ele se libertar e fazer sua própria fama. Em termos de R&B, não houve melhor disco no ano. Williams sabe como trabalhar com as referências do seu país e até flerta com o som latino em alguns momentos. Cada faixa é cuidadosamente composta, misturando instrumentos (violino, batidas sintéticas e guitarra a la Nile Rodgers) em “Marilyn Monroe”, refrões pegajosos e certeiros em “Happy”, e mergulhando no efeito club de Daft Punk na colaboração em “Gust of Wind”. É arriscado e é o grande acerto da carreira do cantor.

Faixas de Destaque: Brand New (feat. Justin Timberlake), Marilyn Monroe, Gust of Wind (feat. Daft Punk).

19. Pink Floyd – Endless River

Por Roberto Vieira

Pink Floyd - Endless RiverMais pela indigência da produção musical neste ano de 2014, e menos por seus próprios méritos, sobretudo se considerarmos que se trata de um trabalho de 1994, derivado de um material rejeitado do álbum Division Bell, The Endless River, o último trabalho do Pink Floyd (e último em todas as conjecturas, já que Nick Mason e David Gilmour anunciaram que é o ponto final da discografia de uma das mais icônicas bandas da história do rock) está entre os melhores lançamentos deste ano. É um apanhado de várias vinhetas que representa, de certa forma, um resumo da produção do rock progressivo. Há ecos de “Soon”, do Yes, em TBS 9. Os fãs da banda vão reconhecer os climas, as menções (uma faixa se chama “Autumn ’68”), os teclados e guitarras conversando com intimidade, representando uma homenagem justa e saudosa ao tecladista Rick Wright, morto em 2008. A única faixa com letra, “Louder Than Words”, é a responsável por dar ao Pink Floyd o último registro radiofônico possível, e o faz com honestidade. Dá para ligar ao passado glorioso da banda que fez história sem maiores controvérsias.

Faixas de Destaque: Louder Than Words, Allons-y (1), Allons-y (2).

18. Mastodon – Once More ‘Round the Sun

Por Léo Telles Motta

Mastodon – Once More 'Round the SunEles fizeram um clipe de metal com várias dançarinas mandando um twerk nervoso, de humilhar muita entusiasta de Miley Cyrus – e trouxeram uma discussão válida com isso, ainda que não fosse a intenção. De quebra, uma das faixas tem a presença do recém-finado Isaiah “Ikey” Owens, ex-Mars Volta e músico na banda de Jack White.

Faixas de Destaque: High Road, The Motherload, Halloween.

17. The Black Keys – Turn Blue

Por Roberto Vieira

The Black Keys - Turn BlueBlack Keys chegou desta vez com um álbum denso, enevoado, cujo título explica tudo. Turn Blue tem onze faixas, e apenas na última, um rockão alegre intitulado “Gotta Get Away”, se dissipa o clima pesado que envolve o disco. Se soava anos 60 antes, agora parece que a ordem cronológica vai sendo seguida, como se fosse um seriado de época. O clima de final de festa que se seguiu ao despertar do flower power imerso na Guerra do Vietnã cabe direitinho nas 10 faixas apresentadas pelo duo Dan Auerbach/Patrick Carney. De qualquer forma, a pegada permanece intacta, 12 anos depois do início em Ohio.

A produção de Carney é precisa, com uma cozinha bem construída para os vocais de Auerbach. Reflexivo, homogêneo e contundente, o único disco de rock internacional a valer minha admiração neste ano tão fraco em lançamentos tão esperados.

Faixas de Destaque: Fever, It’s Up to You, Gotta Get Away.

16. Royal Blood – Royal Blood

Por Ruca Souza & Flavio Roberto Oliveira

Royal Blood - Royal BloodO que dizer sobre um cara que preenche o espaço de duas guitarras e um baixo apenas com o próprio contrabaixo? Sim, o que você ouve no disco não é uma guitarra, nem um pouco guitarra, é o baixo de Mike Kerr ligado a vários efeitos. Mas isso não basta. O cara é realmente um instrumentista muito bom. As linhas que ele cria, pra suprirem a falta da guitarra, mas ainda sim manter o peso do baixo, são criações pontuais. A parceria se completa com o baterista Ben Thatcher, igualmente bom e criativo. Destaque para a já bastante popular faixa “Little Monster”. Ouça o vocal de Kerr nessa música.

O rock adolescente nervoso e cuspindo riffs a torto e à direito emula sons setentistas, mas sem deixar de evidenciar as espinhas na cara. É apenas o primeiro disco da banda, que ainda cheira a espírito juvenil, o que dá de manter esperanças de um futuro ainda mais promissor.

Faixas de Destaque: Little Monster, Figure It Out, Out of the Black.

15. Chet Faker – Built on Glass

Por LUCAS PARAIZO

Chet Faker - Built-on-Glass

Built On Glass é o primeiro disco do australiano Nicholas James Murphy sob a alcunha de Chet Faker – trocadilho com o clássico nome do jazz Chet Baker – e uma das melhores novidades da música eletrônica. Misturando batidas de hip hop, triphop e downtempo ao seu vocal inspirado pela música soul, o músico cria canções que ficam entre o clima dançante e o relaxante. Com canções que valorizam o seu belo vocal, como “To me”, ou que dão destaque para suas batidas, como “1998”, o disco é repleto de boas faixas e traz uma versão mais madura e completa do som já apresentado no primeiro EP, Thinking In Textures. É um disco de estreia feito com capricho e cheio de estilo, que apresenta o Chet Faker logo de cara como um dos destaques de 2014.

Faixas de Destaque: Talk is Cheap, 1998, Gold.

14. Sam SmitH – In the Lonely Hour

Por Dinho de Oliveira

Sam Smith - In The Lonely HourSão poucos os que conseguem fazer um álbum tão bom logo no primeiro trabalho. Sam Smith é um desses caras. Somente com o EP Nirvana, lançado antes de seu primeiro  disco, o cantor atingiu o topo da parada músical britânica com o single “Stay With Me”, que também entrou no cd In The Lonely Hours.

O inglês ficou conhecido por emprestar sua voz a hits de música eletrônica como “La La La”, do DJ Naughty Boy, e “Latch”, da dupla de música eletrônica Disclosure. Enquanto isso, neste trabalho ele traz sua alma romântica e desiludida com força. Smith, que assumiu recentemente ser homossexual, contou que o disco é todo sobre sua paixão não correspondida por um rapaz.

O primeiro single escolhido para divulgação foi “Money On My Mind”, a única faixa mais animada do trabalho. O segundo single para o mundo foi “Stay With Me”, que mostra toda a fragilidade de Sam, que só quer atenção do seu amor por uma noite. Uni-vos, ouvintes, para celebrarmos o amor num dos discos mais românticos de 2014.

Faixas de Destaque: Stay With Me, I’m Not the Only One, Money On My Mind.

13. How to Dress Well – “What is This Heart?”

Por Dinho de Oliveira

How to Dress Well – What is This Heart

Com três álbuns e um EP lançados, How To Dress Well chega em 2014 como uma das coisas mais estranhamente agradáveis dos lançamentos musicais deste ano. Se você parar para ouvir somente a primeira faixa do disco, a melancólica  “2 Years On (Shame Dream)”, você não terá noção nenhuma do que este disco propõe. A união de um pop com batidas calmas e um R&B cheio de tristeza dão vida às letras criadas pelo vocalista Tom Krell, passeando por histórias que vão do divórcio triste dos pais até a sofrida vida do rapaz que vê a garota como tudo pra ele. “What is This Heart?” é a pedida perfeita para os melancólicos, sofridos e apaixonados de plantão.

Faixas de Destaque: Face Again, Repeat Please, 2 Years On (Shame Dream).

12. Pitty – Setevidas

Por Roberto Vieira

Pitty - SetevidasPitty fez trajetória parecida com a de Rita Lee. A trilha que Rita percorreu a pé, pisando em pedregulhos, já estava pavimentada quando a baiana a seguiu, 20 anos mais tarde. Mas Pitty, ao contrário de Rita, não abraçou o pop. Seu último Setevidas permanece pregando contra a corrente. O inconformismo, as questões existenciais (“cansei de racionalizar”, canta em “Deixa Ela Entrar”), tudo isso sem abandonar o sotaque nordestino, um discurso muito instigante em uma realidade musical brasileira atual que absolutamente priva o ouvinte de exercícios mentais mais duradouros.

A voz continua potente, as guitarras afiadas – e afinadas – em arranjos cuidadosamente elaborados, com uma produção esmerada de Rafael Ramos. A lasciva “Pequena Morte”, narrando uma relação sexual com sutileza, mas sem deixar de lado a pulsão e a inteligência, valorizando a capacidade intelectual do ouvinte me leva necessariamente à comparação da mesma temática proposta por funks e sertanejos universitários que dominam as paradas atuais. E o resultado é gritante, um Brasil enfrentando a Alemanha na semi da Copa. Simplesmente perdemos a capacidade de usar a classe na música popular.

Faixas de Destaque: Serpente, Lado de Lá, Pouco.

11. Azealia Banks – Broke With Expensive Taste

Por Rodrigo Ramos

Azealia-Banks-Broke-With-Expensive-TasteVamos esquecer por uns minutos a barraqueira que é Azealia nas redes sociais e se focar em sua música. O seu disco de estreia levou anos para ficar pronto e poderia soar como uma coleção de músicas que não interagem entre si. O que dá pra dizer é que, mesmo com a demora, o álbum mostra várias facetas da cantora. As 16 faixas transitam entre vários gêneros. Ela bebe da fonte da música latina como em “Gimme a Chance” e “Desperado”, conseguindo misturar isso com jazz, pop e rap. “JFK” e “212” já mostram uma vertente mais dançante, assim como “Chasing Time”, a mais pop de todas. É um experimento de tudo o que poderia se fazer com a música black partindo de uma rapper. Diante de Azealia, Nicki Minaj e companhia ficam devendo – e muito.

Faixas de Destaque: Heavy Metal and Reflective, Chasing Time, Desperado.

10. Far From Alaska – modeHuman

Por Ruca Souza

Far From Alaska - modeHumanUma grata surpresa no mainstream do rock nacional que anda tão parado. Far From Alaska, banda de Natal (RN), lançou neste ano seu primeiro disco, modeHuman, e vem agitando em shows tão excelentes quanto o álbum pelo Brasil inteiro. Com instrumental parecendo de banda gringa, eles também cantam em inglês. Mas fazem isso de verdade, com poesia, não simplesmente por cantar em inglês. Destaque para a faixa “Deadmen” que já começa quase como um soco na cara, mostrando a força e o peso da banda. Eu particularmente admiro as criações do guitarrista Rafael Brasil. Você pode conferir os riffs interessante e os efeitos de Rafa na faixa “Mama”, nova versão para a música que havia saído no EP da banda, Stereochrome, de 2012. Minha faixa predileta do disco é “Another Round”. Gosto muito da forma que ela se modifica ao longo dos segundos, indo do rock reto ao grouve de forma deliciosa.

Faixas de destaque: Deadmen, Another Round, Mama.

9. Sun Kil Moon – Benji

Por Rodrigo Ramos

Sun Kil Moon - BenjiBenji é um disco sincero, uma espécie de baú de memórias de Mark Kozelek. Na primeira faixa, “Carissa”, ele relembra a garota do título, sua prima-segunda, que não conhecia bem, mas que ajuda-o a recordar momentos da infância e cria poesia através dela. “I Can’t Live Without My Mother’s Love” é uma das mais profundas declarações de amor já compostas – e é aquele amor genuíno e insubstituível. Enquanto isso, “Dogs” vai na contramão da poesia para falar da vida amorosa e principalmente sexual, com riqueza de detalhes. Já “Ben’s My Friend” relata o processo de escrever esta faixa, a última do disco. Benji, título que homenageia o longa de 1974 protagonizado por um cachorro, é um livro aberto sobre as experiências, lembranças e sentimentos de Mark. E nós, ouvintes, ficamos atentos a todos os detalhes, com a sutileza das cordas e dos vocais dele.

Faixas de destaque: I Can’t Live Without My Mother’s Love, Dogs, Ben’s My Friend.

8. Banda do Mar – Banda do Mar

Por Roberto Vieira

Banda do Mar - Banda do MarA Banda do Mar organizou aquelas ideias esparsas – e boas – que Marcelo Camelo trazia em sua carreira solo, e que Mallu Magalhães trazia na dela. Por isso, o primeiro álbum do trio que ainda agregou o baterista português Fred Ferreira exibe um frescor que desde os tempos de Los Hermanos não se via no rock atado à MPB que inspirou várias bandas surgidas nos anos 1990.

Sem se repetir, mas mantendo a coesão entre os temas, mais urgentes nos vocais de Mallu, que amadureceu a temática, sem perder o punch; mais cadenciados e dentro de sua proposta usual, no caso de Marcelo, “Cidade Nova”, “Mais Ninguém” e “Hey Naná” prenunciam logo na abertura um trabalho de peso.

E ouvir as faixas na sequência assusta, em meio à pasmaceira do momento que a música brasileira vive atualmente. Não há vazios, canções dispensáveis, e em meio a uma crise de criatividade que faz com que produtores lancem mão o tempo todo de tributos e covers para preencher espaço, a safra de canções assinadas por Marcelo e Mallu é de extrema qualidade e criatividade.

Faixas de Destaque: Cidade Nova, Me Sinto Ótima, Mais Ninguém.

7. Beck – Morning Phase

Por Flavio Roberto Oliveira

Beck - Morning PhaseQuer relaxar? É só colocar o disco Morning Phase, abrir um vinho e se derreter. Beck está de volta à sua fase mais mininalista, apostando em lindas canções ao violão, com camas sonoras tranquilas, que utilizou muito bem em seu outro álbum Sea Change. Melancolia na medida certa, orquestrações, e a beleza de canções que parecem já fazer parte da sua vida há mais tempo.

Faixas de Destaque: Morning Phase, Say Goodbye, Blue Moon.

6. Lykke Li – I Never Learn

Por João Marcelino

Lykke Li - I Never LearnO encerramento da trilogia de álbums de Lykke, que começou com Youth Novels e Wounded Rhymes, é um genuíno ‘hino dos corações partidos’, e trata de forma orgânica e profunda os sentimentos amargos que vêm com uma decepção amorosa. É simples, porém altamente intenso e bem-trabalhado.

Faixas de Destaque: No Rest For the Wicked, Gunshot, I Never Learn.

5. Titãs – Nheengatu

Por Igor Machado de Castro

Titãs – NheengatuNheengatu de certa forma se assemelha ao último disco do Morrissey, World Peace Is None of Your Business: senhores de outra geração fazendo uma crítica acida à sociedade atual. Porém, diferente do inglês que se apoiou em uma produção sofisticada, os Titãs buscaram uma volta as origens mais pesadas o que resultou em um dos melhores discos deles em anos! A sujeira buscado pelo grupo, no final das contas, acabou em uma emulação bem regida, o que é algo esperado de uma banda já em 18º disco; a rebeldia deu lugar a crítica e o peso aqui como ingrediente relevante. Nheengatu foi um suspiro de relevância de um estilo musical moribundo em nosso país.

Faixas de Destaque: Cadáver Sobre Cadáver, República dos Bananas, Fardado.

4. The War on Drugs – Lost in the Dream

Por Igor Machado de Castro

The War on Drugs - Lost in the DreamLost in the Dream finca a bandeira de War on Drugs em um lugar entre nomes Bruce Springsteen, Tom Petty e Bob Dylan, e o de bandas inglesas como Slowdive; porém, diferente do Shoegaze, Lost in the Dream não se perde em reverberações. A neblina etérea que é construída em diversas camadas é constantemente provocada pelos vocais  semidespertos de Adam Granduciel. Lost in the Dream é um disco imersivo e pacientemente desembrulhado, onde as músicas se destacam pela organicidade de seus humores. Um dos grandes discos da década até agora.

Faixas em Destaque: Eyes to the Wind, Red Eyes, Under the Pressure.

3. SILVA – Vista Pro Mar

Por Rodrigo Ramos

SILVA - Vista Pro MarO cenário pop brasileiro carece de bons exemplos. Quando digo isso, é realmente aquele pop de qualidade, que somente a tecnologia poderia proporcionar na produção, algo que nos EUA e na Europa já se faz há décadas. SILVA parece ser um dos primeiros e poucos a ter acesso a esses aparatos e também à criatividade, de suma importância para o caso. Se no disco anterior, Claridão, o músico já entreagava canções marcantes, em Vista Pro Mar ele eleva o seu próprio patamar. A evolução é evidente. Nas composições, é perceptível como ele se sente mais livre, o que resulta em eficiência. O capixaba mistura referências dos nostálgicos anos 80 e insere o mar como conceito, seja nas letras, nos ritmos e até mesmo nos sons vindos do próprio. Com sonoridade mais radiante em “Janeiro” e “Disco Novo”, e maior introspecção em “É Preciso Dizer”, SILVA finca seus pés como um dos maiores representantes da música atual brasileira e o maior da música pop.

Faixas de Destaque: Okinawa (feat. Fernanda Takai), Janeiro, É Preciso Dizer.

2. Jack White – Lazaretto

Por Ruca Souza

Jack White - LazarettoO segundo disco solo de Jack White, Lazaretto, traz nada menos que excelência em todas as onze canções. E não excelência no que ele já sabe fazer, mas em ir além dele próprio, reinventar não só o rock, mas o blues e a música atual. A música que dá título ao disco é um exemplo disso. Em “Lazaretto”, violinos parecem guitarras, sintetizadores parecem guitarras, mas ao mesmo tempo complementam em lugares que o instrumento não consegue chegar. O groove e o peso da faixa, as pausas, os climas, tudo é ótimo que sentir pelos ouvidos. Mais a frente, White desagua numa profunda, funebre, porém vigorosa balada triste, a canção “Would You Fight For My Love”. Os backing vocals femininos nada tradicionais são o ponto alto da canção. E a dor que Jack consegue passar com o todo o arranjo.

Por esses motivos e muito outros, como reinventar o mercado do vinil e o próprio vinil com Lazaretto (por exemplo, se você coloca a agulha num ponto especifico, você pode ouvir uma versão acústica de uma música antes escutada na mesma faixa em versão plugada) é que o disco fica na minha lista em primeiro lugar.

Faixas de Destaque: Lazarreto, Would You Fight For My Love, High Ball Stepper.

1. Sharon Van Etten – Are We There

Por Rodrigo Ramos

Sharon Van Etten - Are We ThereA música é a arte que possui a mais alta permissão para o artista se expôr, se assim ele desejar. Sharon Van Etten constantemente busca essa libertação de seus sentimentos. Suas composições são repletas de narrativas de amores que lhe desgastam, marcam, machucam, matam, fazem com que ela seja quem é. O clima de melancolia permeia o disco do começo ao fim. Na interpretação de Sharon, sente-se as variações emocionais. Belamente construído, o disco tem uma produção impecável, com extrema sutileza nos acordes, combinando perfeitamente com os vocais da cantora. Are We There é um álbum visceral, em que Sharon se expõe por completo emocionalmente. Com isso, nós é que ganhamos o presente, tendo a oportunidade de ouvir o disco mais  belo, poético e irretocável do ano.

Faixas de Destaque: Your Love is Killing Me, I Love You But I’m Lost, Our Love.

Fizeram parte desta eleição:
Lucas Paraizo, jornalista, assessor de imprensa e colaborador do blog You! Me! Dancing!.
Roberto Vieira, publicitário, locutor e apresentador do Tá Ligado, na Rádio Univali FM.
Dane Souza, publicitário e jornalista, editor e diretor do site Blumenews.
Ruca Souza, jornalista, música, segue carreira solo pelo nome de Ruca.
Igor Machado de Castro, estudante de Psicologia.
Ricardo “Dinho” de Oliveira, jornalista, locutor e apresentador do Transmissão, na Rádio Transamérica Balneário Camboriú, colaborador dos sites Previamente e Blumenews.
Ewerton Mera, bacharel em Letras, escreve no Uma Estante.
Rodrigo Ramos, jornalista, editor do site Previamente, repórter do Jornal O Navegantes, colaborador dos sites Culture-se e Blumenews.
Stefânia Enderle, jornalista e visual merchadising.
Flavio Roberto Oliveira, jornalista, diretor executivo da Tac Filmes e produtor do Válvula Rock.
Léo Telles Motta, supervisor musical freelancer e produtor da Weekend Wars.
Miro Lemos, publicitário, DJ e assistente de produção & marketing da 1007 Balneário Camboriú.
João Marcelino, estudante de Jornalismo, assessor de marketing e comunicação da Uniplac e colunista do Brasil Post.

Para conferir a lista individual de cada um dos votantes, clique no link abaixo.
Melhores Discos de 2014 – Listas Individuais

Confira também:
Melhores Discos de 2013
Melhores Discos de 2012
Melhores Discos de 2011

Produção, edição e texto de abertura por Rodrigo Ramos
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6 opiniões sobre “Melhores Discos de 2014”

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