A Culpa é Das Estrelas | Review

Mais um romance para agradar os jovens chega aos cinemas – mas este ao menos presta

A Culpa é das Estrelas poster

Por Rodrigo Ramos

Depois de mais de 100 anos de cinema, fica cada dia mais árduo tratar de temas românticos com originalidade. Afinal, o que ainda não foi feito? Eu não sei responder, mas quando agradáveis surpresas como (500) Dias Com Ela e a trilogia do Antes (do Amanhecer, do Pôr do Sol e da Meia Noite) surgem, ainda vemos que há esperança. A Culpa é Das Estrelas vem do romance de John Green, que graças ao sucesso de bilheteria do longa está prestes a se tornar o “novo Nicholas Sparks” no sentido de prover material romântico para adaptações cinematográficas.

Vou ser honesto e admitir que não li nenhuma obra literária, nem de Green e tampouco de Sparks. Deste último, só assisti grande parte de suas adaptações para o cinema e foram poucos os que me agradaram (Diário de Uma Paixão é a grande exceção, provavelmente). Os demais partem de narrativas que trazem uma grande tragédia para contar uma história de amor, muitas vezes repletas de clichês utilizados já na década de 50, até mesmo com tramas mirabolantes e impossíveis de acreditar, como em Um Homem de Sorte, que beira o ridículo.

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A Culpa é Das Estrelas, diferentemente dos romances de Sparks, não soa tão improvável e tem uma pegada, talvez, mais pé no chão. A narrativa traz Hazel Grace (Shailene Woodley), uma adolescente com câncer que anda pra lá e pra cá com o seu tubo de oxigênio, já que sua grande deficiência é nos pulmões. Os pais são superprotetores, é claro, já que a filha pode sucumbir à doença a qualquer momento. Ela acaba entrando para um grupo de ajuda com outros jovens que também tiveram ou têm alguma doença grave como câncer. É lá que ela encontra Gus (Ansel Elgort), e a partir daí os dois se aproximam, dando início a uma paixão fadada ao fracasso pelo destino.

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Gus é o tipo de cara perfeitinho para que as meninas que assistam suspirem. Talvez no personagem resida a parte menos crível da trama. Afinal, por mais que alguém seja bom em sua essência, não deixa de ter suas falhas – o que não há em Gus, trazendo mais desconfiança em relação à narrativa. No restante, A Culpa é Das Estrelas até que acerta. Chama a atenção certa naturalidade com o tópico câncer pela forma como ele é tratado. Apesar de não ser menos trágico do que se imagina, os personagens não dramatizam em excesso o assunto, nem os pais e menos ainda os jovens, como é o caso Isaac (Nat Wolff), que perde a visão por completo. Ele ainda é exemplo de que um coração partido pode doer mais do que uma doença – e a ironia aqui é válida.

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Dentro do possível, o diretor Josh Boone consegue criar um ambiente leve dentro da tela, sem pesar o ar demais sem necessidade. Talvez falte um pouco de experiência cinematográfica justamente na hora de transição entre o trágico e a leveza. Um dos momentos mais emocionantes, o diálogo entre Hazel e sua mãe (Laura Dern), quase no fim do filme, acaba quase sendo estragado pela falta de habilidade em equilibrar uma coisa com a outra, terminando o diálogo de forma abrupta – da mesma forma como ele foi iniciado, aleatoriamente. Ainda assim, Boone tem êxito em não deixar o longa-metragem com cara de filme a la Nicholas Sparks, até mesmo porque o material original parece ser bem mais preocupado em colocar boas referências ali dentro e montar arcos que soam mais como a realidade.

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Há aqueles momentos em que vai ser difícil de conter as lágrimas, porque a carga emocional é alta. O filme acerta nos dramas e até consegue limitar o romance para que não seja uma melação sem fim, não ultrapassando o limite de glicose no sangue dos espectadores. Contudo, A Culpa é Das Estrelas não consegue ser o melhor longa-metragem de nossas vidas porque não traz nada de original. As atuações são boas, mas nada de grande destaque. A narrativa é bem comum, o estilo de história que combina amor + câncer não é nenhuma novidade, o namorado perfeitinho que faz tudo para agradar a namorada também não é. Tem lá seus clichês, mas até que é bem dosado. Enfim, é um filme redondinho, simpático e que não faz mal para ninguém. Só não é uma obra marcante e nem excepcional.

Film Review The Fault In Our Stars

The Fault in Our Stars
EUA, 2014 – 126 min
Romance

Direção:
Josh Boone
Roteiro:
Scott Neustadter, Michael H. Weber, baseado no livro de John Green
Elenco:
Shailene Woodley, Ansel Elgort, Nat Wolff, Laura Dern, Sam Trammell, Willem Dafoe

3.5 STARS

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