4º Festival CineramaBC | Primeiro Dia de Competição

Filmes da Suíça e da França abrem a Competição Internacional do 4º CineramaBC

O suíço "Não Se Preocupe" tem narrativa universal e se assemelha com títulos recentes brasileiro e francês.
O suíço “Não Se Preocupe” tem narrativa universal e se assemelha com títulos recentes brasileiro e francês.
Por Rodrigo Ramos

Começou na última quarta-feira (9) a Competição Internacional do 4º Cinerama.BC, Festival Internacional de Cinema de Balneário Camboriú. Na disputa pela Coruja de Ouro de melhor longa-metragem estão Não Se Preocupe (Halb So Wild, 2013), da Suíça, e O Dia do Mineiro (Le jour du mineur, 2013) da França, exibidos na noite passada.

4º Cineramabc posterNão Se Preocupe conta a estória de Jonas (Oliver Russ), um rapaz que é convidado para passar as férias nos alpes suíços por um grupo de amigos. De olho em Fine (Anna von Haebler), ele aceita passar uns dias numa casa no meio da floresta, isolado do mundo, com um pessoal que não conhece. Mas afinal, quem é que verdadeiramente se conhece? As cinco pessoas estão ali, inicialmente, para se divertir. Mas aos poucos algumas questões são colocadas em pauta e a verdade começa a vir à tona, criando situações embaraçosas e difíceis de lidar.

O longa-metragem dirigido por Jeshua Dreyfus tem uma narrativa universal e entra num gênero que tem sido cada vez mais explorado pelo cinema no mundo inteiro: uma reunião entre amigos no meio do nada. Duas películas com temática parecida são o francês Até a Eternidade (2010) e o brasileiro Entre Nós (2014), atualmente em cartaz pelo país. Não Se Preocupe é um pouco ingênuo, trabalhando questões mais focadas na saída da adolescência como a sexualidade, os mistérios do amor, traição, a vontade que se tem de as pessoas gostarem da gente. O mais maduro dos temas trabalhado é o peso que a sinceridade tem, seus efeitos e como a verdade pode realmente doer.

Assim como os outros dois exemplos citados do gênero, Não Se Preocupe também traz a dor carregada pela perda de um amigo, mas essa faceta é bem menos explorada no longa e tem pouco peso nos personagens em geral. Não há um momento de catarse na película, mantendo-se num mesmo tom durante ao longo de sua metragem. É um registro crível de uma roda de amigos, mas que não consegue se manter interessante até o final.

Enquanto isso, o documentário O Dia do Mineiro se destaca pela naturalidade com que o diretor Gaël Mocaër registra os dias de trabalho em uma mina numa cidade na Ucrânia, com um olhar de quem faz parte daquele contexto social. Diferente do figurão estadunidense Michael Moore, Gaël é um diretor contido, que apenas registra tudo e finge que não está ali. Em diversos momentos os mineiros falam direta ou indiretamente com ele. Um pergunta aonde poderão assistir ao filme, enquanto outros reclamam por estarem sendo filmados.

Vale ressaltar também o longa devido ao clima claustrofóbico. As filmagens ocorrem principalmente dentro das minas, que são escuras, estreitas, sujas e perigosas. É normal se depararem com explosivos, paredes e teto desmoronando. As adversidades não afastaram Gaël, que segue firme mesmo correndo certo risco de vida. Além disso, chama a atenção os costumes peculiares daquela cidade do interior na hora das homenagens do Dia do Mineiro, cerimônia que abre e fecha a película.

Texto publicado originalmente na versão impressa e no site do jornal O Sol Diário, do Grupo RBS.

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