Lollapalooza Brasil 2012

O saldo da primeira edição do Lollapalooza Brasil foi positivo. Nos dois dias de show, 7 e 8 de abril, mais de 140 mil pessoas puderam aproveitar essa experiência musical criada por Perry Farrell, vocalista do Jane’s Addiction, lá na década de 90. A criação é focada em trazer músicos de diversas sonoridades, não apenas em um bolo de artistas consagrados, mas promovendo atrações do cenário alternativo. Mas é claro que houve espaço para os headliners Foo Fighters e Arctic Monkeys, nomes que certamente foram o chamariz do evento.

Cage the Elephant

De modo geral, o Lollapalooza se deu bem por aqui. O Jockey Club foi o local perfeito. Bem localizado, com um acesso razoavelmente fácil, a beleza do local fica ainda mais interessante por estar no meio do contraste urbano, com diversos prédios ao seu redor, incluindo o vai e vem dos carros ao lado na rodovia, enquanto há também muitas árvores, grama, e por aí vai. O lugar também tem um espaço invejável, perfeito para um evento desse porte.

O Rappa

Houve atrações para diversos gostos. Divididos em cinco palcos, as atrações muitas vezes tocavam ao mesmo tempo, o que, de certa forma, não foi tão bom. Também havia o problema de querer um lugar mais perto dos shows dos headliners, e por isso muitos sacrificaram shows em outros palcos. Quem sabe numa próxima edição a organização coloque algum show que está rolando em outros palcos nos telões que ficam sem nada entre uma atração e outra.

Joan Jett and the Blackhearts

O público, em sua maioria, era formado por jovens adultos (até uns 25 anos) e adolescentes. Portanto, o evento conseguiu atingir essa parcela. Não faltou música eletrônica com Calvin Harris, Skrilexx (o melhor show do gênero no festival) e até o MGMT, esse, numa apresentação que pouco empolgou no segundo dia, embaixo de raios e trovões. Teve espaço para o rap (Pavilhão 9), rock nacional (O Rappa, Marcelo Nova, Velhas Virgens), e a fatia do rock/alternativo que dominou o evento. No sábado, Cage the Elephant, Joan Jett and the Blackhearts, O Rappa e Foo Fighters foram os destaques. TV on the Radio fez um show pra ninguém, onde pouquíssimos queriam saber; da mesma forma, o Band of Horses estava lá de coadjuvante. Enquanto isso, no domingo foi dia de Foster The People fazer um show bacana, conseguindo agradar o público que sabia muitas das músicas do único cd, Torches, o que surpreendeu claramente o vocalista Mark Foster. Jane’s Addiction foi o penúltimo do domingo, fazendo uma apresentação brega, chata e que incomodava tanto os olhos quanto os ouvidos. Por último, o Arctic Monkeys fechou o festival com um show redondinho e que deu mais ênfase no segundo disco, Favourite Worst Nightmare, de 2007.

Foo Fighters

O maior destaque da festa sem sombra de dúvida foi o Foo Fighters. Numa apresentação que durou cerca de duas horas e meia, David Grohl e sua galera não deixaram uma pessoa sequer sem vibrar, cantar, pular, gritar com todo o ar de dentro dos pulmões. O show foi apoteótico e mostrou porque a banda cresceu tanto no cenário do rock nos últimos anos, especialmente em 2011, com o lançamento do impecável Wasting Light, disco vencedor de cinco prêmios Grammy. Um frontman que olha pro público e se conecta com ele, e uma banda em sincronia que sabe muito bem como fazer barulho de qualidade. Mesmo com os problemas do cisto em sua garganta dando o ar de sua presença durante algumas músicas como “White Limo” e “Best of You”, isso não foi capaz de tirar o brilho da performance magistral e cheia de sensações.

Velhas Virgens

O festival, apesar de muitos acertos, também errou. Um dos focos dele era a preservação do meio ambiente. Apesar disso, faltou lixeiro pelo Jockey Club. Era necessário andar muito para encontrá-los. Em contrapartida, havia um grande número de banheiros químicos, fazendo com que houvesse pouquíssima fila para quem quisesse ir ao banheiro. Em se tratando de filas, assim como no Rock in Rio, a demanda da comida foi péssima. Novamente, os postos de comida eram poucos, não dando conta da procura, sem contar que só havia para consumir sanduíches com hambúrguer e hot dog esquentados no microondas, e por um preço absurdo.  Ou seja, muitas filas e insatisfação com o produto consumido. Problemas também surgiram no som, não muito bem ajustado em alguns palcos, como foi o caso do palco Cidade Jardim. Mas o pior de tudo foi a falta de organização da prefeitura de São Paulo em relação ao evento. Estive no Rio de Janeiro para o Rock in Rio e a cidade tinha ônibus especiais, horário extra de ônibus, organização da cidade, placas indicativas para apontar por onde e como ir para o evento, e por aí vai. Já em São Paulo, nada foi feito para o Lollapalooza. Não havia placas indicativas, nem ônibus extras, nem uma quantidade maior de trens de metrô. Um dos problemas foi a superlotação na estação de metrô Butantã, onde muita gente quis entrar e a polícia, sem um pingo de sutileza, fechou os portões a força.

Foster the People

Uma das grandes surpresas do festival, em questão de organização, foi a pontualidade dos shows, algo raro de acontecer. Dentre diversas apresentações, somente duas não começaram no horário previsto.

Jane's Addiction

O que se pode dizer, por fim, é que o público gostou do que viu e mostrou que não é preciso colocar somente artistas consagrados num evento para chamar a atenção. Uma grande atração pra cada dia foi o suficiente para instigar os paulistanos e tantos outros brasileiros a comparecer à primeira edição do Lollapalooza no país. Falta um pouco mais de organização, mas há tempo pra corrigir isso para uma próxima empreitada por aqui. Pois bem, seja bem vindo, Lollapalooza! Volte logo.

Em breve, resenhas sobre os shows de Foo Fighters e Arctic Monkeys.

Arctic Monkeys
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Madonna – Girl Gone Wild | Videoclipe

Madonna
“Girl Gone Wild”
MDNA
Direção: Mert and Marcus
Ano: 2012

Não faz muito tempo que Madonna lançou o primeiro single do seu novo disco MDNA. Give Me All Your Luvin’ era uma faixa legalzinha e tinha um clipe enxuto. Estava longe de ser um dos melhores momentos da cantora pop em sua longa carreira. Mas recentemente ela lançou seu segundo single, juntamente com o videoclipe, e agora ela finalmente mostra que tem fôlego para se destacar no meio do pop enlatado de hoje.

Pelo o que já ouvi do novo disco da cantora, não se deve esperar muita coisa. No geral, o disco é abaixo da média. Cada vez mais a cantora está deixando de lado um pop mais “clássico” e apostando nas batidas eletrônicas que aglomeram o mercado fonográfico. Tanto é que, à primeira audição, Girl Gone Wild soa altamente artificial, pois modifica – e muito! – a voz da cantora. Produzida por Benny Benassi, conhecido pelo hit Satisfaction, a segunda música de trabalho de Madonna possui elementos de house e electro, além do auto-tune reforçado. Houve reclamação no começo, comparações com Britney Spears, mas não há muito do que se queixar, já que a faixa é super empolgante, a melhor do novo álbum.

Como há muito tempo, Madonna não se preocupa em colocar profundidade em suas músicas, nem tratar de assuntos delicados, como política e religião. A sensualidade está sempre presente, mas nada tão impactante quanto sua era Erotica. A senhora Louise Ciccone está só a fim de entreter e agitar. Não dá para culpá-la, porque ela alcança seu objetivo. É o mínimo que se espera. Um pop dançante e que não incomoda.

Se Girl Gone Wild já é uma faixa eletrizante, o seu clipe aumenta ainda mais a atração por ela. Dirigido pela dupla de fotógrafos de moda Mert and Marcus, o vídeo é uma homenagem ao passado da cantora. Há referências de Erotica, Vogue, Justify My Love, Human Nature e Like a Prayer. Um apanhado do que há de melhor dela nos anos 80 e 90.

Todo em preto e branco, o vídeo inicia com Madonna discursando, pedindo perdão por todos os seus pecados, dizendo que tentou desesperadamente ser boa, mas quando a canção se inicia, é inevitável o caminho pecaminoso. Vários takes são jogados na tela, transitando entre homens cobiçando uma maçã, movimentos um tanto quanto sensuais, Madonna fazendo yoga, armas fumegantes, cigarros, e por aí vai. Um dos elementos chamativos do clipe é a presença do grupo ucraniano de dança Kazaky (presente também no clipe de Kylie MinogueGet Outta My Way). Vestindo calças apertadinhas e salto alto, eles participam de diversas cenas polêmicas, além de proporcionar uma sequência de dança espetacular juntamente de Madonna. A loira possui uma disposição invejável, especialmente por ser uma pessoa com uma idade próxima da de minha mãe.

O clipe trabalha com perfeição a estética. Fica em evidência a mão de fotógrafos de moda por aqui. Parece, no fim das contas, um grande ensaio fotográfico, só que em movimento. Além disso, os cortes são rápidos, dando mais mobilidade ao vídeo. Sem contar os diversos takes de sequências diferentes e também a quantidade de cenas intrigantes que devem ajudar a fixar o videoclipe na mente das pessoas.

Por fim, após tanta farra e pecados cometidos, o que resta é um choro com lágrimas negras. O arrependimento de uma garota selvagem e que tanto queria ser boa. A tristeza do fim da festa.

Girl Gone Wild é provocante, resgata alguns dos ótimos momentos da cantora, incluindo sua faceta Marilyn Monroe, e enche os olhos com seu visual. Isso tudo, embalado por uma canção contagiante e que te impede de ficar sentado, ainda mais com um clipe desses.

Framboesa de Ouro 2012 | Os Vencedores

Todo ano o Framboesa de Ouro (Razzie Awards) premia os piores do ano com seu troféu dourado. Todas as edições da premiação ocorreram um dia antes da entrega do Oscar, mas como este ano o dia 1º de abril caía num domingo, os organizadores resolveram adiar a cerimônia. Pois bem, dia 1º chegou e o maior vencedor (ou perdedor?) de 2011 no cinema foi Cada Um Tem a Gêmea Que Merece, o mais recente longa-metragem estrelado por Adam Sandler.

O filme, que teve sua estreia no Brasil em fevereiro deste ano, venceu em todas as 10 categorias da premiação. Adam Sandler conseguiu o feito de receber os prêmios tanto de pior ator quanto pior atriz, pois interpreta tanto um personagem masculino quanto sua irmã gêmea. Confira abaixo os indicados e o vencedor de cada categoria da 32ª edição do Framboesa de Ouro.

PIOR FILME
Bucky Larson: Dotado para Brilhar
Cada um Tem a Gêmea que Merece
Noite de Ano Novo
Transformers: O Lado Escuro da Lua
A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

PIOR ATOR
Russell Brand – Arthur
Nicolas Cage – Fúria Sobre Rodas, Caça às Bruxas e Reféns
Taylor Lautner – A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1, Sem Saída
Adam Sandler – Cada um tem a Gêmea que Merece, Esposa de Mentirinha
Nick Swardson – Bucky Larson: Dotado para Brilhar

PIOR ATRIZ
Martin Lawrence (“Momma”) – Vovó Zona 3
Sarah Palin (como ela mesma) – Sarah Palin The Undefeated
Sarah Jessica Parker – Não Sei Como Ela Consegue, Noite de Ano Novo
Adam Sandler (“Jill”) – Cada um tem a Gêmea que Merece
Kristen Stewart – A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

PIOR ATOR COADJUVANTE
Patrick Dempsey – Transformers: O Lado Escuro da Lua
James Franco – Sua Alteza
Ken Jeong – Vovó Zona 3, Se Beber Não Case 2, Transformers: O Lado Escuro da Lua
Al Pacino (como ele mesmo) – Cada um tem a Gêmea que Merece
Nick Swardson – Cada um tem a Gêmea que Merece, Esposa de Mentirinha

PIOR ATRIZ COADJUVANTE
Katie Holmes – Cada um tem a Gêmea que Merece
Brandon T. Jackson (“Charmaine”) – Vovó Zona 3
Nicole Kidman – Esposa de Mentirinha
David Spade (“Monica”) – Cada um tem a Gêmea que Merece
Rosie Huntington-Whiteley – Transformers: O Lado Escuro da Lua

PIOR ELENCO
Bucky Larson: Dotado para Brilhar
Cada um Tem a Gêmea que Merece
Noite de Ano Novo
Transformers: O Lado Escuro da Lua
A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

PIOR DIRETOR
Michael Bay – Transformers: O Lado Escuro da Lua
Tom Brady – Bucky Larson: Dotado para Brilhar
Bill Condon – A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1
Dennis Dugan – Cada um Tem a Gêmea que Merece, Esposa de Mentirinha
Garry Marshall – Noite de Ano Novo

PIOR REMAKE, CÓPIA OU SEQUÊNCIA
Arthur
Bucky Larson: Dotado para Brilhar (cópia de Nasce uma Estrela e Boogie Nights)
Se Beber Não Case Parte 2 (Pior sequência e remake)
Cada um Tem a Gêmea que Merece (cópia de Glen ou Glenda)
A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

PIOR DUPLA
Nicolas Cage e qualquer um em seus três filmes de 2011
Shia LeBeouf & A Modelo de Lingerie – Transformers: O Lado Escuro da Lua
Adam Sandler & Jennifer Aniston OU Brooklyn Decker – Esposa de Mentirinha
Adam Sandler & Katie Holmes, Al Pacino OU Adam Sandler – Cada Um Tem a Gêmea Que Merece
Kristen Stewart & Taylor Lautner OU Robert Pattinson – A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

PIOR ROTEIRO
Bucky Larson: Dotado para Brilhar
Cada um Tem a Gêmea que Merece
Noite de Ano Novo
Transformers: O Lado Escuro da Lua
A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

The Walking Dead – Segunda Temporada | Review

The Walking Dead: Season Two
EUA, 2011/2012
13 episódios
Drama / Terror

Criado por:
Frank Darabont
Baseado na obra de:
Robert Kirkman, Tony Moore, Charloe Adlard
Elenco:
Andrew Lincoln, Jon Bernthal, Sarah Wayne Callies, Laurie Holden, Jeffrey DeMunn, Steven Yeun, Chandler Riggs, Norman Reedus, Scott Wilson

Guia de Episódios:
2×01: What Lies Ahead
2×02: Bloodletting
2×03: Save the Last One
2×04: Cherokee Rose
2×05: Chupacabra
2×06: Secrets
2×07: Pretty Much Dead Already
2×08: Nebraska
2×09: Triggerfinger
2×10: 18 Miles Out
2×11: Judge, Jury, Executioner
2×12: Better Angels
2×13: Beside the Dying Fire

Nesta temporada, uma das séries mais esperada pelo público era The Walking Dead. Após mostrar ao mundo que é possível fazer uma série sobre zumbis, não teve como conter os amantes destes seres pós-vida. Apesar de curta, a primeira temporada foi o suficiente para mostrar o potencial que o seriado tinha para se tornar um dos mais assistidos no planeta. Isso, de fato, aconteceu. Sua season premiere alcançou 9 milhões de telespectador, um número espetacular para um canal fechado e bateu o recorde de audiência da história da AMC, canal exibidor.

Público prestigiando existe. Fãs alucinados também. Mas The Walking Dead, nesta segunda temporada, foi muito aquém do que qualquer um poderia esperar, até os fãs mais xiitas tem de concordar. O primeiro problema foi terem mandado pra rua Frank Darabont, o criador e principal roteirista da série. Ainda que tenha permanecido como produtor executivo, ele deixou de opinar logo após o primeiro episódio da temporada. Como disse em entrevista, sua ideia para a premiere era algo que pouco envolvia os personagens principais e focava em contar uma história prévia, antes mesmo de encontrarmos Rick (Andrew Lincoln) no hospital. Aliás, ela seria centrada naquele militar que fala com Rick na primeira temporada. No entanto, impediram sua ideia altamente criativa e bem mais empolgante.

O primeiro episódio da temporada não tem problemas. Aliás, está entre um dos (poucos) melhores do segundo ano. Neste início, o pessoal que sobreviveu à explosão está em busca de água, combustível e comida. Além, é claro, de uma forma de sobreviver um pouco mais aos andantes. Na caça de um veado, Carl (Chandler Riggs) leva um tiro. Com isso, Rick carrega seu filho beirando à morte para uma fazenda que acaba encontrando. Ele encontra um grupo habitando naquele lugar, liderados pelo veterinário Hershel (Scott Wilson). Conforme o tempo passa, tanto o pessoal de Rick quanto o de Hershel se juntam na fazenda e buscam a sobrevivência, apesar de ambos terem ideias diferentes quanto aos andantes e o mundo atual.

O plot da primeira parte da temporada se foca na busca por Sophia (Madison Lintz), filha de Carol (Melissa McBride), que em uma das fugas por causa dos andantes, acaba se perdendo no meio da floresta. E por causa desse plot, a série decai quase 100%, tanto em ritmo quanto em narrativa. Durante seis episódios, os personagens se mantêm na fazenda e tentam achar a garota. É só isso. Mesmo. Não há melhor forma de descrever essa primeira parte. Claro, há um falatório aqui, outro lá, um zumbi aqui e outro perdido lá. Mas no geral, é um marasmo só. A série só ganha um pouco mais de ânimo quando Shane (Jon Bernthal) toma uma atitude duvidosa, mas que naquele momento era o correto a fazer. No entanto, quem se mostra corajoso o suficiente para ir em frente é Rick.

A segunda metade não é muito animadora também. O episódio “Nebraska” traz um pouco de discussão fervorosa, mas nada que alavanque o status da série. Novamente, o ritmo é lento, os plots são desinteressantes e os personagens não possuem carisma algum. E esse é o ponto chave da série. Não dá pra fazer uma matança de zumbis todo episódio. The Walking Dead, em seu primeiro ano, se mostrava superior a muitas obras envolvendo os seres mortos-vivos porque conseguia trazer esse elemento juntamente com uma boa narrativa e uma veia dramática instigante. Só que o problema deste segundo ano é que os personagens estão cada vez menos interessantes e, principalmente, não atraem com suas personalidades e atitudes o apego do espectador. São figuras chatas, com algumas atitudes de colegial e que não são capazes de manter viva a paixão daquele que se apegou demais pela série a partir de sua primeira temporada. Ou seja, de nada adianta apostar no drama se os roteiristas, elenco e direção não dão conta do recado.

Felizmente, aos 40 minutos do segundo tempo, The Walking Dead ganha força. Com a morte de alguns personagens, uns que não faziam diferença e outros que exerceram bem a sua função, e o season finale arrebatador (superior ao da temporada passada), ainda há esperança de que algo surja de bom no próximo ano. O destaque desta segunda parte é a evolução de Rick, personagem central da série. Ele é o típico líder, aquele que não quer aquela função, mas não quer que ninguém o faça, por isso acaba na obrigação de fazê-lo. Pouco a pouco, Shane pressiona Rick, afirmando de boca cheia que este não é capaz de tomar as decisões difíceis. Há alguns embates entre eles, tanto verbal quanto braçal e são estes momentos que mantêm a chama da série acesa. No último (e melhor) capítulo da temporada, “Beside the Dying Fire“, Rick finalmente mostra estar disposto a fazer tudo pela sobrevivência do grupo, mesmo que ele tenha que conviver com as consequências de suas decisões atormentando sua consciência.

Apesar de ter alguns baixos, o segundo ano teve também alguns bons momentos. No entanto, houve mais irregularidades aqui do que o primeiro, quase irretocável caso não fosse a season finale fraquíssima. Tudo indica que as coisas irão melhorar daqui pra frente. E é o que a gente espera.

John Carter – Entre Dois Mundos | Review

John Carter
EUA, 2012 – 132 min
Aventura / Ficção

Direção:
Andrew Stanton
Roteiro:
Andrew Stanton, Mark Andrews, Michael Chabin
Elenco:
Taylor Kitsch, Lynn Collins, Samantha Morton, Mark Strong, Ciaran Hinds, Dominic West, James Purefoy, Willem Dafoe, Thomas Haden Church, Bryan Cranston, Daryl Sabara

 

 
A Pixar, estúdio mundialmente conhecido por suas animações bem humoradas e cheias de emoção, resolveu dar o primeiro passo para não ser apenas esse tipo de estúdio. Com os direitos do livro de Edgar Rice Burroughs, e o apoio da Disney, deu-se a primeira tentativa de criar algo sem relação alguma com o terreno já conhecido e muito bem explorado.

Surgiu, então, John Carter – Entre Dois Mundos. Intitulado inicialmente de John Carter de Marte, o título perdeu a última parte após o fracasso da animação Marte Precisa de Mães nas bilheterias norte-americanas. Como a produção era da própria Disney, eles resolveram tirar qualquer relação com o planeta vermelho. Independente disso, desde o início de sua campanha publicitária, John Carter não inspirava muita confiança e nada rolava no boca a boca. E o resultado final nas bilheterias foi catastrófico. O estúdio afirmou nesta semana que deve ter um prejuízo de cerca de US$200 milhões! Em outros tempos, isso poderia quebrá-lo, mas franquias como Piratas do Caribe e os próprios filmes da Pixar costumam deixar o cofre bem gordo.

De qualquer forma, é uma verdadeira pena ver John Carter – Entre Dois Mundos falhar dessa maneira nos Estados Unidos. No Brasil, por exemplo, foi arrecadado cerca de R$ 4 milhões no primeiro final de semana, um número bem expressivo. Mas o principal mercado é realmente o estadunidense, e por causa disso não espere ver a Disney se arriscando tão cedo e menos ainda a Pixar comandando um live action. E tudo isso é uma pena porque o filme é bom. Longe da perfeição dos trabalhos anteriores de Andrew Stanton (Procurando Nemo e Wall-E), mas é puro entretenimento.

A história, no início, não é muito clara. É uma mistura de flashback com o presente e recapitulação. Parece um pouco confuso, mas no final é tudo esclarecido e o roteiro não fica parecendo uma peneira. Em 1881, um oficial da cavalaria estadunidense John Carter (Taylor Kitsch) está morto, com seu corpo preso dentro de um mausoléu. Ele deixa uma carta para seu sobrinho, Edgar “Ned” Rice Burroughs (Daryl Sabara), que acaba de chegar para seu funeral, e nela há instruções e segredos. Voltamos para 1868, no Arizona, quando no meio de uma fugidinha de Carter da polícia local por ele ter desistido de servir, John encontra muito ouro e um cidadão com vestes estranhas dentro de uma caverna. Ele ataca John, que em defesa acaba o matando. Nisso, Carter, sem intenção alguma, se teletransporta para outro planeta, chamado Barsoom, ou melhor dizendo, Marte. Neste lugar onde tudo parece diferente, John se envolve no meio de uma guerra entre dois grupos que vivem no planeta. Do lado do bem está uma princesa (Lynn Collins) que tenta salvar seu povo.

Além das batalhas, existem também seres diferentes, outros costumes, outra língua, e por aí vai. Afinal de contas, John não está na Terra. Apesar de tentar não escolher um lado e brigar, ao conhecer a princesa Dejah Thoris, o encanto não permite que ele deixe de participar da guerra civil no planeta vermelho.

Muita gente tem dito que o longa é uma cópia de Avatar. Essencialmente, é a mesma ideia. No entanto, tem umas sacadas mais criativas, sem contar que James Cameron declarou publicamente ter se inspirado no livro do qual John Carter é baseado. Uma Princesa de Marte é de 1917! Ou seja, se há plágio de uma das partes, é de Cameron. O visual é estupendo, como não poderia deixar de ser. Os efeitos especiais são caprichados e as cenas de ação são bem orgânicas. Quanto ao elenco, Taylor Kitsch mostra-se bem. Ele consegue demonstrar certa dor e a sensação de estar perdido. Isso tudo sem falar muito e deixando de lado a canastrice. Não é um prazer ver Lynn Collins atuando, mas sua presença ao menos deixa as coisas mais bonitas. Há alguns exageros, tanto no elenco, quanto na própria trama. Há aqueles momentos de discursos verborrágicos, momentos clichês, mas no geral, o longa consegue entreter com uma produção caprichada e muita aventura. Uma típica película de Sessão da Tarde. Não é inesquecível, mas também não é ruim como muita gente na crítica pregou. Mesmo com suas falhas, o filme tem coração e até consegue surpreender.

Jogos Vorazes | Review

Os primeiro minutos de Jogos Vorazes são uns dos mais importantes pra mim. A abertura logo conta a situação, onde o país entrou em colapso consigo mesmo, virou uma verdadeira praça de guerra, mas foi contida pelo governo. O país, agora chamado de Panem, é dividido em 12 distritos, além da Capital, onde há o controle central. Numa espécie de oferenda, o governo seleciona um garoto e uma garota, entre 12 e 18 anos, de cada distrito. Depois de selecionados, estes tributos são colocados em um jogo cruel, onde somente um deles pode sair vivo. Tudo isso, transmitido ao vivo para todo o território nacional. Esse é o plot, mas não é o que é mais interessante neste início. O que deixa o espectador com os olhos vidrados é a relação de Katniss (Jennifer Lawrence) com sua irmã caçula, Prim (Willow Shields). Numa demonstração de afeto intensa, Katniss mostra estar disposta a protegê-la de qualquer jeito, a qualquer momento. Essa relação, apesar de ser mostrada tão rapidamente no início do longa-metragem, acaba demarcando os passos a serem trilhados ao longo da jornada. Esse sentimento é palpável. Dá pra sentir esse amor quase maternal que Katniss possui em relação a sua irmã.

Não demora muito para começar o sorteio para ver quem vai até a Capital participar dos “Jogos Vorazes”. O medo fica estampado na cara da pequena Prim. Quando ela é escolhida, ela fica pálida, quase sem ação. Com sua irmã prestes a subir ao palco, Katniss, num momento de desespero, se oferece como tributo no lugar dela. Quem fica catatônica, agora, é a protagonista. E palmas para Jennifer Lawrence. Em poucos minutos, ela garante o sucesso de Jogos Vorazes. Como ela faz isso? Mostrando muito talento e que diferente de muitas personagens femininas recentes. A sua é um forte símbolo feminino e que representa a mulher como ela merece.

Suzanne Collins, a criadora da trilogia literária iniciada com Jogos Vorazes, consegue ser bem mais sucedida do que uma fã sua, Stephenie Meyer, mãe da saga Crepúsculo. As comparações eram inevitáveis. Afinal de contas, o gênero jovem adulto (uma denominação literária recente) vem fazendo muito sucesso. É aquela trama que passa longe do infantil, mas não é demasiadamente sério a ponto de apenas doutorandos se interessarem. Com linguagem simples, mas eficiente em viciar o leitor com os pensamentos de suas personagem, o gênero vem tomando espaço tanto nas livrarias quanto nos cinemas. Percy Jackson é outro exemplo, mas o mais poderoso destes é Harry Potter. De qualquer maneira, a comparação às obras de Meyer e J.K. Rowling para por aí. Se há uma igualdade entre eles, certamente é a promessa de arrecadar centenas de milhões para os cofres dos estúdios.

Diferente da protagonista de Crepúsculo, a sem graça Bella Swan, Katniss Everdeen é determinada, forte, tem diversas habilidades (e choramingar a toa não está entre elas) e não desperdiça seu tempo buscando homens. Sua luta é em prol de sua família. Ou seja, a escritora sabe como construir uma figura que simbolize, de fato, a mulher, deixando de lado a fragilidade e dependência machista que Meyer prega em sua obra.

Voltando para a trama, Katniss é jogada no meio deste jogo brutal. Além dela, é escalado para representar o Distrito 12 Peeta (Josh Hutcherson), filho do padeiro e que deixou algum vestígio no passado da protagonista. Ambos são treinados, juntamente com os demais competidores, e após quatro dias são colocados para lutar pela sobrevivência e uma chance de vida melhor.

Apesar de vir de um romance campeão de vendas, as ideias jogadas aqui são interessantíssimas. A visão de um país todo controlado pelo sistema, numa falsa democracia, feita pra vender uma versão mais bonita do que realmente é a situação, não é nova, mas é muito bem situada por Suzane Collins. O diretor Gary Ross (Seabiscuit) transpõe esse conceito com eficiência. Outra coisa que prezo é a forma como o reality show é colocado na tela. É fácil ludibriar o espectador. De qualquer maneira, o público gosta de ver o espetáculo. A questão é: até quando? Quando iremos nos tocar de que nós incentivamos este tipo de circo de horrores? Lá no começo da película há um diálogo em que o foco é exatamente este. Se pararmos de assistir, não haveria mais isso. E essa situação serve para diversas coisas que existem em nossa realidade atual.

Ross também acerta em não transformar esses elementos em trivialidade. A violência entre os jovens é impactante. No entanto, a direção cuida para que isso não se torne algo explícito, de forma exagerada. Não há tripas voando, pescoços pendurados, sangue jorrando. Não é um cinema gore ou trash. Nem por causa disso o longa é menos eficiente nesta fatia. A brutalidade não fica de lado em momento algum. A mera menção de chacina adolescente já seria o suficiente, mas ver diversos corpos espalhados pelo chão funciona melhor. Entrando neste campo, vale citar a ação no filme. Não é um longa-metragem recheado de pancadaria, mas as cenas de ação estão lá, presentes quando são requisitadas. E elas contribuem muito para a trama e o andamento da história. Não apenas por causa delas, mas toda a película é tomada pela tensão e adrenalina, em certa escala.

Também há romance. Entretanto, passa longe de ser o foco. O romance é apenas utilizado como um suporte para a trama. No caso, o personagem de Peeta se diz apaixonado por Katniss durante entrevista em rede nacional. Daí fica a incógnita no ar se isso é apenas uma maneira de beneficiá-lo no jogo, criando um romance que não existe de verdade, ou se é uma confissão do fundo do coração. E não espere por melação ou declarações de amor piegas. É com muita sutileza e cuidado que o assunto é utilizado em tela.

Jogos Vorazes se presta a não ser apenas mais um filme. Pode ser uma ótima aventura e entreter com facilidade, mas ele não para por aí. É uma película com conteúdo. A obra certamente busca inspiração em outras, como 1984, V de Vingança, Battle Royale, só para citar algumas. E a partir disso, consegue criar uma história consistente e bem contada, personagens carismáticos e com profundida, além de ter um bom elenco – em específico, a ótima Jennifer Lawrence, irretocável. Não há motivo algum para evitar Jogos Vorazes, um blockbuster que não ofende a inteligência do espectador.

The Hunger Games
EUA, 2012 – 142 min
Ação / Drama

Direção:
Gary Ross
Roteiro:
Gary Ross, Suzanne Collins, Billy Ray
Elenco:
Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Lenny Kravitz, Stanley Tucci, Donald Sutherland, Wes Bentley, Toby Jones

Mad Men – Quarta Temporada | Review

Mad Men: Season Four
EUA, 2010 – 611 min
13 episódios
Drama

Criado por:
Matthew Weiner
Elenco:
Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser, January Jones, Christina Hendricks, Jared Harris, Aaron Staton, Rich Sommer, Kiernan Shipka, Robert Morse, John Slaterry

Prêmios:
Emmy de melhor série dramática e melhor hairstyling
Writers Guild Award de melhor roteiro em série dramática e melhor roteiro para episódio em série dramática (The Chrysanthemum and the Sword)

Guia de Episódios:
4×01: Public Relations
4×02: Distress Signal
4×03: The Fine Print
4×04: Dominion
4×05: The Chrysanthemum and the Sword
4×06: Waldorf Stories
4×07: The Suitcase
4×08: The Summer Man
4×09: The Beautiful Girls
4×10: Hands and Knees
4×11: Chinese Wall
4×12: Blowing Smoke
4×13: Tomorrowland

Neste domingo, dia 25 de março, estreia nos Estados Unidos a tão esperada quinta temporada de Mad Men. Quatro vezes vencedora do Emmy de melhor série dramática, o maior prêmio da televisão estadunidense, Mad Men não tem uma legião de fãs como The Walking Dead ou Two and a Half Men, mas com certeza deixa qualquer uma dessas, entre outras, pra trás. Ela não ganhou tantos prêmios por um mero acaso, mas sim por competência. E isso há de sobra.

Enquanto o primeiro ano foi meio morno, o segundo começou a esboçar a que Mad Men veio. O terceiro ano continuou exibindo a força e charme existentes na série. Já no quarto ano, exibido nos Estados Unidos no segundo semestre de 2010, a série se consolidou a melhor série dramática no ar. A temporada de número quatro enxugou o elenco, reduzindo exponencialmente. Não por uma questão de logística ou pagamentos demasiados, mas por conta do rumo que a trama seguiu. E este, talvez, tenha sido o melhor caminho a ser trilhado. E já que a quinta temporada está chegando, vale a pena relembrar sobre o que foi o anterior.

Partindo de onde parou, a quarta temporada inicia com Don Draper (Jon Hamm) e seus colegas de trabalho estão enfrentando uma nova empreitada: começar do zero uma nova agência de publicidade. Num mundo feroz, mesmo nos anos 60, não é nada fácil manter uma agência que precisa de muito dinheiro para se sustentar e muitas contas para fazê-lo.  Espertinhos, eles saíram da antiga associação e trouxeram consigo algumas. No entanto, precisam rebolar – e muito! – para que as mantenham na Sterling Cooper Draper Pryce (nome da agência).

Logo no início, Don se mostra mais vazio do que o antigo escritório. Com a sua separação definitiva de Betty (January Jones), ele se perde com noites de bebedeiras dobradas, vários casos, tudo sem destino. Mas ao saber que Anna Draper (Melinda Page Hamilton) está com prestes a morrer, ele começa a querer mudar as coisas. Enquanto isso, Peggy (Elisabeth Moss) tenta achar seu espaço e provar seu valor nesta nova agência, além de se aventurar namorando e frequentando festas.  Joan (Christina Hendricks) prometeu se despedir de sua função de secretária e viver com seu marido, mas seus planos sucumbem quando ele aceita a ir pra guerra do Vietnã depois de ser rejeitado no teste de cirurgião. Por isso, ela retorna aos velhos conhecidos e se envolve novamente com Roger (John Slaterry).

Há muita coisa acontecendo nesta temporada de Mad Men. Apesar de a narrativa ser mais lenta do que o espectador está acostumado, neste ano este item diminui e não incomoda tanto quem está com pressa. Aos poucos, outros mistérios de Don Draper são revelados e cada vez mais a trama se aproxima da humanização do personagem. Ele precisa lidar com a separação, casos amorosos diversos, estresse no trabalho, problemas com os filhos e a ex-esposa, a dor da perda, mentiras e por aí vai. Não parece ser coisa demais pra uma pessoa só? É neste limite em que a temporada se apoia. E é exatamente na maior explosão de Don que sai o episódio supremo da série. “The Suitcase” não é o season finale, é apenas o sétimo capítulo, lá no meio da temporada. Por causa de um bendito trabalho, Don obriga Peggy a adiar o jantar com o namorado. E acredite, vai bem além disso. Os diálogos disparados pelos dois são impactantes e o tom de voz é maior do que estamos acostumados a ouvir no quase sempre sossego aparente da série. Não há sutileza na discussão que se desdobra neste episódio, tomando um curso inesperado. É uma aula de como se criar um episódio soberbo.

A temporada acerta em diminuir o elenco e colocar January Jones como coadjuvante, no lugar onde ela merece estar. Ela jamais mereceu o destaque que ganhara nas temporadas anteriores. No entanto, quando aparece, é porque acrescenta algo. Com um número menor de pessoas em tela, fica mais fácil colocar mais profundidade neles, como acontece com Don, Peggy, Roger e Joan. Também há espaço para Pete (Vincent Kartheiser), porém mais discreto aqui, e Lane (Jared Harris, ótimo).

Encabeçando o elenco, Jon Hamm surpreende no papel, entregando novas facetas de Draper. Contido na maior parte do tempo, Hamm dá o equilíbrio fundamental entre o introspectivo e a explosão, além de haver ali no meio o rabugento e criativo profissional, pai atencioso, amante requisitado e beberrão de primeira. A interpretação de Hamm é hipnótica, misteriosa e emocional. Uma aula de atuação. Elisabeth Moss volta a exibir o seu talento. Meio escondida na terceira temporada, aqui ela brilha em vários momentos. Destaque também para as performances de Christina Hendricks e John Slaterry.

Em resumo, a quarta temporada de Mad Men é excepcional. Ela flui muito melhor do que as anteriores, consegue dar uma profundidade ainda maior para seus personagens, ambienta os anos 60 com aquele charme irresistível, conta com um elenco focado em entregar o melhor de si e é tão viciante quanto uma boa dose de uísque.

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