Framboesa de Ouro 2012 | Os Vencedores

Todo ano o Framboesa de Ouro (Razzie Awards) premia os piores do ano com seu troféu dourado. Todas as edições da premiação ocorreram um dia antes da entrega do Oscar, mas como este ano o dia 1º de abril caía num domingo, os organizadores resolveram adiar a cerimônia. Pois bem, dia 1º chegou e o maior vencedor (ou perdedor?) de 2011 no cinema foi Cada Um Tem a Gêmea Que Merece, o mais recente longa-metragem estrelado por Adam Sandler.

O filme, que teve sua estreia no Brasil em fevereiro deste ano, venceu em todas as 10 categorias da premiação. Adam Sandler conseguiu o feito de receber os prêmios tanto de pior ator quanto pior atriz, pois interpreta tanto um personagem masculino quanto sua irmã gêmea. Confira abaixo os indicados e o vencedor de cada categoria da 32ª edição do Framboesa de Ouro.

PIOR FILME
Bucky Larson: Dotado para Brilhar
Cada um Tem a Gêmea que Merece
Noite de Ano Novo
Transformers: O Lado Escuro da Lua
A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

PIOR ATOR
Russell Brand – Arthur
Nicolas Cage – Fúria Sobre Rodas, Caça às Bruxas e Reféns
Taylor Lautner – A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1, Sem Saída
Adam Sandler – Cada um tem a Gêmea que Merece, Esposa de Mentirinha
Nick Swardson – Bucky Larson: Dotado para Brilhar

PIOR ATRIZ
Martin Lawrence (“Momma”) – Vovó Zona 3
Sarah Palin (como ela mesma) – Sarah Palin The Undefeated
Sarah Jessica Parker – Não Sei Como Ela Consegue, Noite de Ano Novo
Adam Sandler (“Jill”) – Cada um tem a Gêmea que Merece
Kristen Stewart – A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

PIOR ATOR COADJUVANTE
Patrick Dempsey – Transformers: O Lado Escuro da Lua
James Franco – Sua Alteza
Ken Jeong – Vovó Zona 3, Se Beber Não Case 2, Transformers: O Lado Escuro da Lua
Al Pacino (como ele mesmo) – Cada um tem a Gêmea que Merece
Nick Swardson – Cada um tem a Gêmea que Merece, Esposa de Mentirinha

PIOR ATRIZ COADJUVANTE
Katie Holmes – Cada um tem a Gêmea que Merece
Brandon T. Jackson (“Charmaine”) – Vovó Zona 3
Nicole Kidman – Esposa de Mentirinha
David Spade (“Monica”) – Cada um tem a Gêmea que Merece
Rosie Huntington-Whiteley – Transformers: O Lado Escuro da Lua

PIOR ELENCO
Bucky Larson: Dotado para Brilhar
Cada um Tem a Gêmea que Merece
Noite de Ano Novo
Transformers: O Lado Escuro da Lua
A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

PIOR DIRETOR
Michael Bay – Transformers: O Lado Escuro da Lua
Tom Brady – Bucky Larson: Dotado para Brilhar
Bill Condon – A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1
Dennis Dugan – Cada um Tem a Gêmea que Merece, Esposa de Mentirinha
Garry Marshall – Noite de Ano Novo

PIOR REMAKE, CÓPIA OU SEQUÊNCIA
Arthur
Bucky Larson: Dotado para Brilhar (cópia de Nasce uma Estrela e Boogie Nights)
Se Beber Não Case Parte 2 (Pior sequência e remake)
Cada um Tem a Gêmea que Merece (cópia de Glen ou Glenda)
A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

PIOR DUPLA
Nicolas Cage e qualquer um em seus três filmes de 2011
Shia LeBeouf & A Modelo de Lingerie – Transformers: O Lado Escuro da Lua
Adam Sandler & Jennifer Aniston OU Brooklyn Decker – Esposa de Mentirinha
Adam Sandler & Katie Holmes, Al Pacino OU Adam Sandler – Cada Um Tem a Gêmea Que Merece
Kristen Stewart & Taylor Lautner OU Robert Pattinson – A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

PIOR ROTEIRO
Bucky Larson: Dotado para Brilhar
Cada um Tem a Gêmea que Merece
Noite de Ano Novo
Transformers: O Lado Escuro da Lua
A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

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The Walking Dead – Segunda Temporada | Review

The Walking Dead: Season Two
EUA, 2011/2012
13 episódios
Drama / Terror

Criado por:
Frank Darabont
Baseado na obra de:
Robert Kirkman, Tony Moore, Charloe Adlard
Elenco:
Andrew Lincoln, Jon Bernthal, Sarah Wayne Callies, Laurie Holden, Jeffrey DeMunn, Steven Yeun, Chandler Riggs, Norman Reedus, Scott Wilson

Guia de Episódios:
2×01: What Lies Ahead
2×02: Bloodletting
2×03: Save the Last One
2×04: Cherokee Rose
2×05: Chupacabra
2×06: Secrets
2×07: Pretty Much Dead Already
2×08: Nebraska
2×09: Triggerfinger
2×10: 18 Miles Out
2×11: Judge, Jury, Executioner
2×12: Better Angels
2×13: Beside the Dying Fire

Nesta temporada, uma das séries mais esperada pelo público era The Walking Dead. Após mostrar ao mundo que é possível fazer uma série sobre zumbis, não teve como conter os amantes destes seres pós-vida. Apesar de curta, a primeira temporada foi o suficiente para mostrar o potencial que o seriado tinha para se tornar um dos mais assistidos no planeta. Isso, de fato, aconteceu. Sua season premiere alcançou 9 milhões de telespectador, um número espetacular para um canal fechado e bateu o recorde de audiência da história da AMC, canal exibidor.

Público prestigiando existe. Fãs alucinados também. Mas The Walking Dead, nesta segunda temporada, foi muito aquém do que qualquer um poderia esperar, até os fãs mais xiitas tem de concordar. O primeiro problema foi terem mandado pra rua Frank Darabont, o criador e principal roteirista da série. Ainda que tenha permanecido como produtor executivo, ele deixou de opinar logo após o primeiro episódio da temporada. Como disse em entrevista, sua ideia para a premiere era algo que pouco envolvia os personagens principais e focava em contar uma história prévia, antes mesmo de encontrarmos Rick (Andrew Lincoln) no hospital. Aliás, ela seria centrada naquele militar que fala com Rick na primeira temporada. No entanto, impediram sua ideia altamente criativa e bem mais empolgante.

O primeiro episódio da temporada não tem problemas. Aliás, está entre um dos (poucos) melhores do segundo ano. Neste início, o pessoal que sobreviveu à explosão está em busca de água, combustível e comida. Além, é claro, de uma forma de sobreviver um pouco mais aos andantes. Na caça de um veado, Carl (Chandler Riggs) leva um tiro. Com isso, Rick carrega seu filho beirando à morte para uma fazenda que acaba encontrando. Ele encontra um grupo habitando naquele lugar, liderados pelo veterinário Hershel (Scott Wilson). Conforme o tempo passa, tanto o pessoal de Rick quanto o de Hershel se juntam na fazenda e buscam a sobrevivência, apesar de ambos terem ideias diferentes quanto aos andantes e o mundo atual.

O plot da primeira parte da temporada se foca na busca por Sophia (Madison Lintz), filha de Carol (Melissa McBride), que em uma das fugas por causa dos andantes, acaba se perdendo no meio da floresta. E por causa desse plot, a série decai quase 100%, tanto em ritmo quanto em narrativa. Durante seis episódios, os personagens se mantêm na fazenda e tentam achar a garota. É só isso. Mesmo. Não há melhor forma de descrever essa primeira parte. Claro, há um falatório aqui, outro lá, um zumbi aqui e outro perdido lá. Mas no geral, é um marasmo só. A série só ganha um pouco mais de ânimo quando Shane (Jon Bernthal) toma uma atitude duvidosa, mas que naquele momento era o correto a fazer. No entanto, quem se mostra corajoso o suficiente para ir em frente é Rick.

A segunda metade não é muito animadora também. O episódio “Nebraska” traz um pouco de discussão fervorosa, mas nada que alavanque o status da série. Novamente, o ritmo é lento, os plots são desinteressantes e os personagens não possuem carisma algum. E esse é o ponto chave da série. Não dá pra fazer uma matança de zumbis todo episódio. The Walking Dead, em seu primeiro ano, se mostrava superior a muitas obras envolvendo os seres mortos-vivos porque conseguia trazer esse elemento juntamente com uma boa narrativa e uma veia dramática instigante. Só que o problema deste segundo ano é que os personagens estão cada vez menos interessantes e, principalmente, não atraem com suas personalidades e atitudes o apego do espectador. São figuras chatas, com algumas atitudes de colegial e que não são capazes de manter viva a paixão daquele que se apegou demais pela série a partir de sua primeira temporada. Ou seja, de nada adianta apostar no drama se os roteiristas, elenco e direção não dão conta do recado.

Felizmente, aos 40 minutos do segundo tempo, The Walking Dead ganha força. Com a morte de alguns personagens, uns que não faziam diferença e outros que exerceram bem a sua função, e o season finale arrebatador (superior ao da temporada passada), ainda há esperança de que algo surja de bom no próximo ano. O destaque desta segunda parte é a evolução de Rick, personagem central da série. Ele é o típico líder, aquele que não quer aquela função, mas não quer que ninguém o faça, por isso acaba na obrigação de fazê-lo. Pouco a pouco, Shane pressiona Rick, afirmando de boca cheia que este não é capaz de tomar as decisões difíceis. Há alguns embates entre eles, tanto verbal quanto braçal e são estes momentos que mantêm a chama da série acesa. No último (e melhor) capítulo da temporada, “Beside the Dying Fire“, Rick finalmente mostra estar disposto a fazer tudo pela sobrevivência do grupo, mesmo que ele tenha que conviver com as consequências de suas decisões atormentando sua consciência.

Apesar de ter alguns baixos, o segundo ano teve também alguns bons momentos. No entanto, houve mais irregularidades aqui do que o primeiro, quase irretocável caso não fosse a season finale fraquíssima. Tudo indica que as coisas irão melhorar daqui pra frente. E é o que a gente espera.

John Carter – Entre Dois Mundos | Review

John Carter
EUA, 2012 – 132 min
Aventura / Ficção

Direção:
Andrew Stanton
Roteiro:
Andrew Stanton, Mark Andrews, Michael Chabin
Elenco:
Taylor Kitsch, Lynn Collins, Samantha Morton, Mark Strong, Ciaran Hinds, Dominic West, James Purefoy, Willem Dafoe, Thomas Haden Church, Bryan Cranston, Daryl Sabara

 

 
A Pixar, estúdio mundialmente conhecido por suas animações bem humoradas e cheias de emoção, resolveu dar o primeiro passo para não ser apenas esse tipo de estúdio. Com os direitos do livro de Edgar Rice Burroughs, e o apoio da Disney, deu-se a primeira tentativa de criar algo sem relação alguma com o terreno já conhecido e muito bem explorado.

Surgiu, então, John Carter – Entre Dois Mundos. Intitulado inicialmente de John Carter de Marte, o título perdeu a última parte após o fracasso da animação Marte Precisa de Mães nas bilheterias norte-americanas. Como a produção era da própria Disney, eles resolveram tirar qualquer relação com o planeta vermelho. Independente disso, desde o início de sua campanha publicitária, John Carter não inspirava muita confiança e nada rolava no boca a boca. E o resultado final nas bilheterias foi catastrófico. O estúdio afirmou nesta semana que deve ter um prejuízo de cerca de US$200 milhões! Em outros tempos, isso poderia quebrá-lo, mas franquias como Piratas do Caribe e os próprios filmes da Pixar costumam deixar o cofre bem gordo.

De qualquer forma, é uma verdadeira pena ver John Carter – Entre Dois Mundos falhar dessa maneira nos Estados Unidos. No Brasil, por exemplo, foi arrecadado cerca de R$ 4 milhões no primeiro final de semana, um número bem expressivo. Mas o principal mercado é realmente o estadunidense, e por causa disso não espere ver a Disney se arriscando tão cedo e menos ainda a Pixar comandando um live action. E tudo isso é uma pena porque o filme é bom. Longe da perfeição dos trabalhos anteriores de Andrew Stanton (Procurando Nemo e Wall-E), mas é puro entretenimento.

A história, no início, não é muito clara. É uma mistura de flashback com o presente e recapitulação. Parece um pouco confuso, mas no final é tudo esclarecido e o roteiro não fica parecendo uma peneira. Em 1881, um oficial da cavalaria estadunidense John Carter (Taylor Kitsch) está morto, com seu corpo preso dentro de um mausoléu. Ele deixa uma carta para seu sobrinho, Edgar “Ned” Rice Burroughs (Daryl Sabara), que acaba de chegar para seu funeral, e nela há instruções e segredos. Voltamos para 1868, no Arizona, quando no meio de uma fugidinha de Carter da polícia local por ele ter desistido de servir, John encontra muito ouro e um cidadão com vestes estranhas dentro de uma caverna. Ele ataca John, que em defesa acaba o matando. Nisso, Carter, sem intenção alguma, se teletransporta para outro planeta, chamado Barsoom, ou melhor dizendo, Marte. Neste lugar onde tudo parece diferente, John se envolve no meio de uma guerra entre dois grupos que vivem no planeta. Do lado do bem está uma princesa (Lynn Collins) que tenta salvar seu povo.

Além das batalhas, existem também seres diferentes, outros costumes, outra língua, e por aí vai. Afinal de contas, John não está na Terra. Apesar de tentar não escolher um lado e brigar, ao conhecer a princesa Dejah Thoris, o encanto não permite que ele deixe de participar da guerra civil no planeta vermelho.

Muita gente tem dito que o longa é uma cópia de Avatar. Essencialmente, é a mesma ideia. No entanto, tem umas sacadas mais criativas, sem contar que James Cameron declarou publicamente ter se inspirado no livro do qual John Carter é baseado. Uma Princesa de Marte é de 1917! Ou seja, se há plágio de uma das partes, é de Cameron. O visual é estupendo, como não poderia deixar de ser. Os efeitos especiais são caprichados e as cenas de ação são bem orgânicas. Quanto ao elenco, Taylor Kitsch mostra-se bem. Ele consegue demonstrar certa dor e a sensação de estar perdido. Isso tudo sem falar muito e deixando de lado a canastrice. Não é um prazer ver Lynn Collins atuando, mas sua presença ao menos deixa as coisas mais bonitas. Há alguns exageros, tanto no elenco, quanto na própria trama. Há aqueles momentos de discursos verborrágicos, momentos clichês, mas no geral, o longa consegue entreter com uma produção caprichada e muita aventura. Uma típica película de Sessão da Tarde. Não é inesquecível, mas também não é ruim como muita gente na crítica pregou. Mesmo com suas falhas, o filme tem coração e até consegue surpreender.

Jogos Vorazes | Review

Os primeiro minutos de Jogos Vorazes são uns dos mais importantes pra mim. A abertura logo conta a situação, onde o país entrou em colapso consigo mesmo, virou uma verdadeira praça de guerra, mas foi contida pelo governo. O país, agora chamado de Panem, é dividido em 12 distritos, além da Capital, onde há o controle central. Numa espécie de oferenda, o governo seleciona um garoto e uma garota, entre 12 e 18 anos, de cada distrito. Depois de selecionados, estes tributos são colocados em um jogo cruel, onde somente um deles pode sair vivo. Tudo isso, transmitido ao vivo para todo o território nacional. Esse é o plot, mas não é o que é mais interessante neste início. O que deixa o espectador com os olhos vidrados é a relação de Katniss (Jennifer Lawrence) com sua irmã caçula, Prim (Willow Shields). Numa demonstração de afeto intensa, Katniss mostra estar disposta a protegê-la de qualquer jeito, a qualquer momento. Essa relação, apesar de ser mostrada tão rapidamente no início do longa-metragem, acaba demarcando os passos a serem trilhados ao longo da jornada. Esse sentimento é palpável. Dá pra sentir esse amor quase maternal que Katniss possui em relação a sua irmã.

Não demora muito para começar o sorteio para ver quem vai até a Capital participar dos “Jogos Vorazes”. O medo fica estampado na cara da pequena Prim. Quando ela é escolhida, ela fica pálida, quase sem ação. Com sua irmã prestes a subir ao palco, Katniss, num momento de desespero, se oferece como tributo no lugar dela. Quem fica catatônica, agora, é a protagonista. E palmas para Jennifer Lawrence. Em poucos minutos, ela garante o sucesso de Jogos Vorazes. Como ela faz isso? Mostrando muito talento e que diferente de muitas personagens femininas recentes. A sua é um forte símbolo feminino e que representa a mulher como ela merece.

Suzanne Collins, a criadora da trilogia literária iniciada com Jogos Vorazes, consegue ser bem mais sucedida do que uma fã sua, Stephenie Meyer, mãe da saga Crepúsculo. As comparações eram inevitáveis. Afinal de contas, o gênero jovem adulto (uma denominação literária recente) vem fazendo muito sucesso. É aquela trama que passa longe do infantil, mas não é demasiadamente sério a ponto de apenas doutorandos se interessarem. Com linguagem simples, mas eficiente em viciar o leitor com os pensamentos de suas personagem, o gênero vem tomando espaço tanto nas livrarias quanto nos cinemas. Percy Jackson é outro exemplo, mas o mais poderoso destes é Harry Potter. De qualquer maneira, a comparação às obras de Meyer e J.K. Rowling para por aí. Se há uma igualdade entre eles, certamente é a promessa de arrecadar centenas de milhões para os cofres dos estúdios.

Diferente da protagonista de Crepúsculo, a sem graça Bella Swan, Katniss Everdeen é determinada, forte, tem diversas habilidades (e choramingar a toa não está entre elas) e não desperdiça seu tempo buscando homens. Sua luta é em prol de sua família. Ou seja, a escritora sabe como construir uma figura que simbolize, de fato, a mulher, deixando de lado a fragilidade e dependência machista que Meyer prega em sua obra.

Voltando para a trama, Katniss é jogada no meio deste jogo brutal. Além dela, é escalado para representar o Distrito 12 Peeta (Josh Hutcherson), filho do padeiro e que deixou algum vestígio no passado da protagonista. Ambos são treinados, juntamente com os demais competidores, e após quatro dias são colocados para lutar pela sobrevivência e uma chance de vida melhor.

Apesar de vir de um romance campeão de vendas, as ideias jogadas aqui são interessantíssimas. A visão de um país todo controlado pelo sistema, numa falsa democracia, feita pra vender uma versão mais bonita do que realmente é a situação, não é nova, mas é muito bem situada por Suzane Collins. O diretor Gary Ross (Seabiscuit) transpõe esse conceito com eficiência. Outra coisa que prezo é a forma como o reality show é colocado na tela. É fácil ludibriar o espectador. De qualquer maneira, o público gosta de ver o espetáculo. A questão é: até quando? Quando iremos nos tocar de que nós incentivamos este tipo de circo de horrores? Lá no começo da película há um diálogo em que o foco é exatamente este. Se pararmos de assistir, não haveria mais isso. E essa situação serve para diversas coisas que existem em nossa realidade atual.

Ross também acerta em não transformar esses elementos em trivialidade. A violência entre os jovens é impactante. No entanto, a direção cuida para que isso não se torne algo explícito, de forma exagerada. Não há tripas voando, pescoços pendurados, sangue jorrando. Não é um cinema gore ou trash. Nem por causa disso o longa é menos eficiente nesta fatia. A brutalidade não fica de lado em momento algum. A mera menção de chacina adolescente já seria o suficiente, mas ver diversos corpos espalhados pelo chão funciona melhor. Entrando neste campo, vale citar a ação no filme. Não é um longa-metragem recheado de pancadaria, mas as cenas de ação estão lá, presentes quando são requisitadas. E elas contribuem muito para a trama e o andamento da história. Não apenas por causa delas, mas toda a película é tomada pela tensão e adrenalina, em certa escala.

Também há romance. Entretanto, passa longe de ser o foco. O romance é apenas utilizado como um suporte para a trama. No caso, o personagem de Peeta se diz apaixonado por Katniss durante entrevista em rede nacional. Daí fica a incógnita no ar se isso é apenas uma maneira de beneficiá-lo no jogo, criando um romance que não existe de verdade, ou se é uma confissão do fundo do coração. E não espere por melação ou declarações de amor piegas. É com muita sutileza e cuidado que o assunto é utilizado em tela.

Jogos Vorazes se presta a não ser apenas mais um filme. Pode ser uma ótima aventura e entreter com facilidade, mas ele não para por aí. É uma película com conteúdo. A obra certamente busca inspiração em outras, como 1984, V de Vingança, Battle Royale, só para citar algumas. E a partir disso, consegue criar uma história consistente e bem contada, personagens carismáticos e com profundida, além de ter um bom elenco – em específico, a ótima Jennifer Lawrence, irretocável. Não há motivo algum para evitar Jogos Vorazes, um blockbuster que não ofende a inteligência do espectador.

The Hunger Games
EUA, 2012 – 142 min
Ação / Drama

Direção:
Gary Ross
Roteiro:
Gary Ross, Suzanne Collins, Billy Ray
Elenco:
Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Lenny Kravitz, Stanley Tucci, Donald Sutherland, Wes Bentley, Toby Jones

Mad Men – Quarta Temporada | Review

Mad Men: Season Four
EUA, 2010 – 611 min
13 episódios
Drama

Criado por:
Matthew Weiner
Elenco:
Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser, January Jones, Christina Hendricks, Jared Harris, Aaron Staton, Rich Sommer, Kiernan Shipka, Robert Morse, John Slaterry

Prêmios:
Emmy de melhor série dramática e melhor hairstyling
Writers Guild Award de melhor roteiro em série dramática e melhor roteiro para episódio em série dramática (The Chrysanthemum and the Sword)

Guia de Episódios:
4×01: Public Relations
4×02: Distress Signal
4×03: The Fine Print
4×04: Dominion
4×05: The Chrysanthemum and the Sword
4×06: Waldorf Stories
4×07: The Suitcase
4×08: The Summer Man
4×09: The Beautiful Girls
4×10: Hands and Knees
4×11: Chinese Wall
4×12: Blowing Smoke
4×13: Tomorrowland

Neste domingo, dia 25 de março, estreia nos Estados Unidos a tão esperada quinta temporada de Mad Men. Quatro vezes vencedora do Emmy de melhor série dramática, o maior prêmio da televisão estadunidense, Mad Men não tem uma legião de fãs como The Walking Dead ou Two and a Half Men, mas com certeza deixa qualquer uma dessas, entre outras, pra trás. Ela não ganhou tantos prêmios por um mero acaso, mas sim por competência. E isso há de sobra.

Enquanto o primeiro ano foi meio morno, o segundo começou a esboçar a que Mad Men veio. O terceiro ano continuou exibindo a força e charme existentes na série. Já no quarto ano, exibido nos Estados Unidos no segundo semestre de 2010, a série se consolidou a melhor série dramática no ar. A temporada de número quatro enxugou o elenco, reduzindo exponencialmente. Não por uma questão de logística ou pagamentos demasiados, mas por conta do rumo que a trama seguiu. E este, talvez, tenha sido o melhor caminho a ser trilhado. E já que a quinta temporada está chegando, vale a pena relembrar sobre o que foi o anterior.

Partindo de onde parou, a quarta temporada inicia com Don Draper (Jon Hamm) e seus colegas de trabalho estão enfrentando uma nova empreitada: começar do zero uma nova agência de publicidade. Num mundo feroz, mesmo nos anos 60, não é nada fácil manter uma agência que precisa de muito dinheiro para se sustentar e muitas contas para fazê-lo.  Espertinhos, eles saíram da antiga associação e trouxeram consigo algumas. No entanto, precisam rebolar – e muito! – para que as mantenham na Sterling Cooper Draper Pryce (nome da agência).

Logo no início, Don se mostra mais vazio do que o antigo escritório. Com a sua separação definitiva de Betty (January Jones), ele se perde com noites de bebedeiras dobradas, vários casos, tudo sem destino. Mas ao saber que Anna Draper (Melinda Page Hamilton) está com prestes a morrer, ele começa a querer mudar as coisas. Enquanto isso, Peggy (Elisabeth Moss) tenta achar seu espaço e provar seu valor nesta nova agência, além de se aventurar namorando e frequentando festas.  Joan (Christina Hendricks) prometeu se despedir de sua função de secretária e viver com seu marido, mas seus planos sucumbem quando ele aceita a ir pra guerra do Vietnã depois de ser rejeitado no teste de cirurgião. Por isso, ela retorna aos velhos conhecidos e se envolve novamente com Roger (John Slaterry).

Há muita coisa acontecendo nesta temporada de Mad Men. Apesar de a narrativa ser mais lenta do que o espectador está acostumado, neste ano este item diminui e não incomoda tanto quem está com pressa. Aos poucos, outros mistérios de Don Draper são revelados e cada vez mais a trama se aproxima da humanização do personagem. Ele precisa lidar com a separação, casos amorosos diversos, estresse no trabalho, problemas com os filhos e a ex-esposa, a dor da perda, mentiras e por aí vai. Não parece ser coisa demais pra uma pessoa só? É neste limite em que a temporada se apoia. E é exatamente na maior explosão de Don que sai o episódio supremo da série. “The Suitcase” não é o season finale, é apenas o sétimo capítulo, lá no meio da temporada. Por causa de um bendito trabalho, Don obriga Peggy a adiar o jantar com o namorado. E acredite, vai bem além disso. Os diálogos disparados pelos dois são impactantes e o tom de voz é maior do que estamos acostumados a ouvir no quase sempre sossego aparente da série. Não há sutileza na discussão que se desdobra neste episódio, tomando um curso inesperado. É uma aula de como se criar um episódio soberbo.

A temporada acerta em diminuir o elenco e colocar January Jones como coadjuvante, no lugar onde ela merece estar. Ela jamais mereceu o destaque que ganhara nas temporadas anteriores. No entanto, quando aparece, é porque acrescenta algo. Com um número menor de pessoas em tela, fica mais fácil colocar mais profundidade neles, como acontece com Don, Peggy, Roger e Joan. Também há espaço para Pete (Vincent Kartheiser), porém mais discreto aqui, e Lane (Jared Harris, ótimo).

Encabeçando o elenco, Jon Hamm surpreende no papel, entregando novas facetas de Draper. Contido na maior parte do tempo, Hamm dá o equilíbrio fundamental entre o introspectivo e a explosão, além de haver ali no meio o rabugento e criativo profissional, pai atencioso, amante requisitado e beberrão de primeira. A interpretação de Hamm é hipnótica, misteriosa e emocional. Uma aula de atuação. Elisabeth Moss volta a exibir o seu talento. Meio escondida na terceira temporada, aqui ela brilha em vários momentos. Destaque também para as performances de Christina Hendricks e John Slaterry.

Em resumo, a quarta temporada de Mad Men é excepcional. Ela flui muito melhor do que as anteriores, consegue dar uma profundidade ainda maior para seus personagens, ambienta os anos 60 com aquele charme irresistível, conta com um elenco focado em entregar o melhor de si e é tão viciante quanto uma boa dose de uísque.

A Separação | Review

Jodaeiye Nader az Simin / A Separation
Irã, 2011 – 123 min
Drama

Direção:
Asghar Farhadi
Roteiro:
Asghar Farhadi
Elenco:
Peyman Moadi, Leila Hatami, Sareh Bayat, Shahab Hosseini, Sarina Farhadi, Ali-Asghar Shahbazi

Prêmios:
Oscar de melhor filme estrangeiro
Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro

É algo raro um filme chamar sua atenção já nos primeiros minutos. A Separação, no entanto, consegue este feito. Neste início, a câmera foca em duas pessoas sentadas em suas respectivas cadeiras. Eles falam diretamente para o espectador, que está ali, acompanhando o desenrolar da situação. Ela quer o divórcio do marido porque ele não quer viajar para fora do país com ela e a filha de 11 anos. A mulher quer levar sua cria para o exterior para que ela tenha uma vida melhor do que terá no Irã. O marido não concorda em se mandar para fora do país devido ao pai que se encontra muito doente. Como uma mulher casada não pode embarcar num avião sem o seu companheiro, ela resolve se divorciar, mesmo contra a vontade de seu esposo. Mesmo ainda estando apaixonados e ele não aceitar de bom grado, eles entram em processo de divórcio.

O primeiro sinal que o longa nos dá é de franqueza. Conversar com o público e fazê-lo interagir e entrar na trama é um trunfo e tanto. A partir daí, os personagens não conversam mais com a câmera, no entanto, continuamos presenciando esta história que se desenrola de forma cruel e perfeitamente humanizada.

A esposa, Simin (Leila Hatami), decide sair de casa e voltara à dos pais. Enquanto isso, Nader (Peyman Moaadi) permanece na casa com a filha Termeh (Sarina Farhadi) e seu pai (Ali-Asghar Shahbazi). Como Nader trabalha fora, ele precisa de alguém para cuidar de seu pai enquanto está fora. Com um empurrãozinho de Simin, Nader contrata Razieh (Sareh Bayat), uma moça de boa índole e altamente religiosa. Entretanto, ela não conta para seu marido, Hodjat (Shahab Hosseini), sobre o emprego, pois ele é altamente temperamental e jamais aceitaria que ela trabalhasse em uma casa sem outra mulher no lugar. Apesar de ter descoberto recentemente que está grávida e sua família depender do dinheiro deste emprego, ela o mantém e ainda carrega sua filha pequena à atividade todos os dias.

Até aí, tudo bem. Nada demais. O longa-metragem vai trabalhando a caracterização dos personagens. As coisas mudam drasticamente quando Nader perde a cabeça até certo ponto porque seu pai foi amarrado à cama e quase morreu, enquanto Razieh estava fora. Furioso com a situação, ele acaba colocando a mulher pra fora, despedindo-a e ainda acusando-lhe de furto. O problema é que nesta expulsão de casa, Nader, supostamente, a empurra contra a escada, fazendo com que ela perca o bebê. A partir daí, tudo começa a desandar.

A Separação nos mostra como uma situação, aparentemente ordinária, pode se transformar em uma tragédia. O roteiro trabalha muito bem esta sucessão de fatos que acaba desencadeando esta reação em cadeia. Um mero problema se transforma em um emaranhado de problemáticas, sendo todas graves. Coube ao diretor orquestrar isso de forma orgânica e o elenco consolidar esta nuance de emoções e situações com uma competência ímpar.

Se falar muito sobre a trama, vou revelar coisas demais. O que falei não chega perto de tudo o que ainda acontece na película. A Separação é recheado de fortes emoções, questionamento de valores e surpresas. O longa venceu todos os prêmios possíveis como melhor filme estrangeiro. Todos merecidos. A Separação é mais um filme que mostra que nada é melhor do que um ótimo roteiro. Claro, os quesitos técnicos também são bons e fazem parte de tudo, mas se não houver uma boa história para ser contada, de nada adianta. O elenco é acima da média, a direção é precisa e a trama te acolhe e o deixa inquieto.

A Invenção de Hugo Cabret | Review

Hugo
EUA, 2011 – 126 min
Aventura

Direção:
Martin Scorsese
Roteiro:
John Logan, baseado no livro de Brian Selznick
Elenco:
Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Ray Winstone, Emily Mortimer, Jude Law, Christopher Lee, Richard Griffiths, Helen McCrory

Prêmios:
Oscar de melhor direção de arte; fotografia; edição de som; mixagem de som; efeitos especiais
Globo de Ouro de melhor direção (Martin Scorsese)
BAFTA de melhor direção de arte; som
 

Estava tentando lembrar o primeiro filme que assisti no cinema. Pelas minhas memórias, se não estou enganado, foi Gasparzinho. Ok, não é um filmaço. Não é um filme de Steven Spielberg, por exemplo. Mas lembro que a sensação de estar naquela sala escura não tem comparação. Não sei se foi desde a ocasião, mas é fato que o cinema marcou diversas fases da vida e ajudou a construir a minha personalidade. E tudo começou com a sessão dublada de Gasparzinho, uma película simpática e até mesmo emocional. O cinema tem o poder de fascinar e nos fazer acreditar que os mais belos sonhos são atingíveis. O prazer de assistir a um bom filme tem um sabor inigualável, podendo nos deixar apreensivos, assustados, nos fazer rir até doer a barriga, como pode nos comover e nos levar às lágrimas.

Algumas vezes, quem aprecia esta arte, acaba se decepcionando com a forma que ela é tratada. Desculpem-me, mas filmes de Adam Sandler e as explosões sem sentido de Michael Bay são um desserviço à sétima arte. Pode até ser uma boa diversão (ou não), mas não é arte. Estes são apenas dois exemplos soltos. Existem diversos deles, mas não dá pra falar de tudo. O que importa é que dói pagar 20 reais em uma sessão e assistir a um filme horroroso. De tempos em tempos, felizmente, surgem algumas películas que nos mostram que ainda é possível se fazer cinema de verdade. E isso inclui inovar, homenagear o passado sem ser piegas, emocionar, trazer ótimas atuações e um visual estupendo. Além, é claro, de uma história que não esqueceremos logo após sair da sessão.

 

A Invenção de Hugo Cabret, o mais recente filme de Martin Scorsese, pode soar estranho. Afinal de contas, Scorsese sempre foi o cara conhecido por suas cenas antológicas de violência nua e crua como em Os Bons Companheiros e Os Infiltrados. Mas há uma justificativa plausível para sua primeira incursão ao gênero infantil. Sua filha Francesca, de 12 anos, nunca pôde assistir a um trabalho do pai, por motivos óbvios. Por causa disso, Scorsese resolveu adaptar o livro de Brian Selznick. Por mais difícil que possa parecer, Scorsese se sai muito bem nesta nova jornada em sua carreira cinematográfica e prova que um bom diretor é eficiente em qualquer gênero.

 

A história que acompanhamos de perto aqui é a do menino Hugo Cabret (Asa Butterfield), órfão de pai e mãe. Acolhido por seu tio beberrão, agora ele vive nas passagens escuras de uma estação de trem em Paris, nos anos de 1930. Como seu pai (Jude Law) era relojoeiro e craque em consertar relógios, Hugo também tomou gosto pela coisa, de fazer tudo funcionar. Ele acaba ficando com a função de arrumar todos os relógios da estação, algo que seu tio deveria fazer. Andando pra lá e pra cá, Hugo busca uma forma de reparar os danos de um robô, chamado aqui de autômoto, deixado por seu pai. Nesta jornada por peças e comida, Hugo constantemente foge do Inspetor (Sacha Baron Cohen) que tem o prazer de capturar crianças sem-teto. É na estação também que Hugo faz amizade com Isabelle (Chloë Grace Moretz), também órfã e que mora com o padrinho Georges (Ben Kingsley), dono de uma loja de brinquedos e doces ali na estação.

 

Inicialmente, A Invenção de Hugo Cabret já deixa o espectador de boca aberta. A visão de Paris em 3D numa tomada que viaja pela cidade é de tirar o fôlego. Como se o lugar já não fosse bonito o suficiente, Scorsese capricha ainda mais para deixar tudo brilhante. Isso é o suficiente para ganhar a atenção necessária para acompanharmos o resto da projeção. Felizmente, o diretor mantém o espectador com a boca aberta e deslumbrado com o visual e o enredo.

 

A experiência de assistir A Invenção de Hugo Cabret no cinema é única. A produção do longa-metragem cuida milimetricamente de tudo em cena. O visual é embasbacante. Aliás, o 3D aqui é utilizado com perfeição e realmente ajuda a contar a história. Scorsese mostra que é possível utilizar a tecnologia com inteligência e para beneficiar o trabalho, e não apenas maquiar uma obra menos interessante. Um grande diretor é um grande diretor de qualquer jeito e Martin prova isso ao nos proporcionar a melhor experiência tridimensional desde Avatar. Sim, Martin usa tão bem assim o recurso e é um verdadeiro crime não ir ao cinema vivenciar A Invenção de Hugo Cabret na telona.

 

Outra coisa feita com perfeição na tela é o trabalho do elenco. Chloë Grace Moretz vem provando seu valor há um tempinho e aqui demonstra mais um pouco de todo o seu potencial. E desta vez, fingindo um sotaque britânico perfeito. Tenha inveja, Anne Hathaway. Asa Butterfield é um doce de criança e traduz perfeitamente os sentimentos de seu personagem. Além disso, temos Ben Kingsley em sua melhor atuação em anos. Mas daqui a pouco falo dele. Vale destacar também Sacha Baron Cohen, o genial criador de Borat, mostrando ser capaz de entregar uma performance cheia de emoção e divertida, mesmo sem piadas.

 

O longa vai se desenvolvendo na tela e a cada cena, mergulhamos em uma história que envolve amizade, família, perda, dores do passado e a paixão pela sétima arte. Lá pela metade do filme, a trama sofre uma virada de grande importância. O Georges da tal loja é apenas um dos precursores do cinema como conhecemos hoje, o famoso Georges Méliès. A partir desse momento, o filme se transforma numa jornada intensamente emocional e que honra a memória de um dos maiores cineastas que já existiu. Ben Kingsley, em sua segunda parceria com Scorsese (a primeira foi em Ilha do Medo), comove a platéia com sua soberba atuação, construindo uma maré de sentimentos, revirando memórias que misturam alegria e muita dor. Quando somos apresentados ao cinema de Méliès chegamos ao auge desta obra. Impossível não se fascinar com a projeção na casa dele e, depois, deixar as lágrimas correrem com esta homenagem de Scorsese ao francês e sua história.

 

Se você ainda não teve sua paixão despertada pelo cinema, fica difícil não se apaixonar por esta arte através de A Invenção de Hugo Cabret. Pode ser a descoberta do cinema tanto para você, como foi para os personagens do longa. Se O Artista homenageia o passado, A Invenção de Hugo Cabret dobra as apostas. Além de prestar homenagem ao passado, ainda aponta para o futuro com suas técnicas impecáveis e o 3D muito bem empregado. Scorsese nos brinda com a beleza da sétima arte numa verdadeira declaração de amor. Tudo isso, de forma inocente, num filme infantil, mas não menos poderoso e intenso do que sua filmografia voltada para os adultos. Aliás, emocionar do jeito que ele faz aqui, vi poucas vezes. A Invenção de Hugo Cabret é lindo, uma verdadeira obra prima. Isso nos mostra que o cinema ainda é capaz de nos fascinar como outrora, mesmo que você tenha 10, 20, 40 ou 80 anos. Há tempos eu não via algo tão bom na sala escura. Obrigado por este presente maravilhoso, Martin.

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