VMB 2012 e seus indicados

Os vjs Marimoon, Chuck, Didi e China foram os encarregados de anunciar os indicados ao Video Music Brasil (VMB) 2012. A lista não chega a surpreender, mas certamente gera comentários. A banda Vanguart lidera a lista com seis nomeações, seguida pelo duo Agridoce, a cantora do tecnobrega Gaby Amarantos, Emicida, Mallu Magalhães e Marisa Monte com cinco nomeações cada. Isso é uma amostra de como a música nacional está em processo de transformação. Não é só de Restart que o VMB, desmoralizado há dois anos quando os coloridos ganharam os principais prêmios, vive.  Em 2011, o rap invadiu a premiação, congratulando Criolo e Emicida como os melhores do país. Neste ano, o gênero ganhou reconhecimento ainda maior. Além dos dois vencedores do ano passado, temos Projota, ConeCrewDiretoria, Lurdez da Luz, além dos já veteranos Marcelo D2, Racionais MC’s e Edi Rock.

Na categoria de melhor clipe do ano há de tudo um pouco. Bonde do Rolê, ConeCrewDiretoria, Criolo, Edi Rock, Emicida, Fresno, Gaby Amarantos, Garotas Suecas, Junio Barreto, Lurdez da Luz, Mallu Magalhães, Marcelo D2, Marisa Monte, Racionais MC’s e Vanguart.

A votação já começou no site do VMB 2012 e ela terá duas etapas. Na primeira fase o público escolhe seus favoritos em todas as categorias e será responsável pela escolha dos cinco melhores (os mais votados) de cada. Ficam de fora da regra a categoria de Revelação, na qual a audiência selecionará três finalistas, e a categoria Aposta, que tem duas vagas restantes, das quais serão definidas em votação no site da MTV entre Clarice Falcão, Lemoskine, Rael da Rima, Selvagens à Procura da Lei e Cícero.

Na segunda fase, assim como no ano passado, a Academia VMB 2012 (júri composto por jornalistas, críticos e formadores de opinião) irão decidir os vencedores da premiação, exceto nas categorias de Hit do Ano e Artista Internacional, definidas pelo voto do público.

Entre rap, rock, pop, tecnobrega, indie, mpb, entre outros ritmos, o VMB 2012 acontece no Espaço das Américas, em São Paulo, no dia 20 de setembro.

CLIPE DO ANO
Bonde do Rolê – Kilo (direção: Javier Lourenço / Ale Rey)
ConeCrewDiretoria – Chama os Mulekes (direção: Toddy Ivon)
Criolo – Mariô (direção: Del Reginato)
Edi Rock part. Seu Jorge – That´s My Way (direção: Rabu Gonzales)
Emicida – Zica, Vai Lá (direção: Fred Ouro Preto)
Fresno – Infinito (direção: Daniel Ferro)
Gaby Amarantos – Xirley (direção: Priscilla Brasil)
Garotas Suecas – Não Se Perca Por Aí (direção: Arthur Warren / Gustavo Suzuki)
Junio Barreto – Passione (direção: Alexandre Stocker e Lírio Ferreira)
Lurdez da Luz – Levante (direção: Ricardo Fernades)
Mallu Magalhães – Velha e Louca (direção: Paulo Granda)
Marcelo D2 – Eu Já Sabia (direção: Gandja Monteiro)
Marisa Monte – Ainda Bem (direção: Dora Jobim)
Racionais MC´s – Mil Faces de Um Homem Leal (Marighella) (direção: Daniel Grinspum)
Vanguart – Mi Vida Eres Tu (direção: Ricardo Spencer)

MELHOR BANDA
Agridoce
Bonde do Rolê
Brothers of Brazil
Cachorro Grande
ConeCrewDiretoria
Forfun
Gloria
Rancore
Restart
Vanguart

ARTISTA DO ANO
Agridoce
Arnaldo Antunes
Céu
Emicida
Gaby Amarantos
Gal Costa
Mallu Magalhães
Marisa Monte
Rita Lee
Vanguart

HIT DO ANO
Agridoce – Dançando
ConeCrewDiretoria – Chama os Mulekes
CW7 – Tudo Que Eu Sinto
Emicida – Zica, Vai Lá
Forfun – Largo dos Leões
O Teatro Mágico – Nosso Pequeno Castelo
Projota – Desci a Ladeira / Pode se Envolver
Rashid – Quero Ver Segurar
Restart – Menina Estranha
Strike – Fluxo Perfeito

MELHOR ARTISTA FEMININO
Céu
Gaby Amarantos
Gal Costa
Karina Buhr
Lurdez da Luz
Mallu Magalhães
Maria Gadú
Marisa Monte
Rita Lee
Tulipa Ruiz

MELHOR ARTISTA MASCULINO
Arnaldo Antunes
Criolo
Dinho Ouro Preto
Emicida
Lenine
Lirinha
Lucas Santtana
Ogi
Projota
Seu Jorge

MELHOR DISCO
Agridoce – Agridoce
BNegão & Seletores de Frequência – Sintoniza Lá
Cascadura – Aleluia
Céu – Caravana Sereia Bloom
Gal Costa – Recanto
Karina Buhr – Longe de Onde
Mallu Magalhães – Pitanga
Marisa Monte – O Que Você Quer Saber de Verdade
Vanguart – Boa Parte de Mim Vai Embora
Vivendo do Ócio – O Pensamento é um Imã

MELHOR MÚSICA
Bonde do Rolê – Kilo (Rodrigo Gorky / Laura Taylor / Pedro D´eyrot / Charlie McCoy / Kent Westberry)
Emicida – Dedo na Ferida (Emicida)
Karina Buhr – Cara Palavra (Karina Buhr)
Lirinha – Memória (Lira / Fábio Trummer)
Mallu Magalhães – Velha e Louca (Mallu Magalhães)
Rita Lee – Reza (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
Tulipa Ruiz – É (Tulipa Ruiz)
Vanguart – Mi Vida Eres Tu (Hélio Flanders / Reginaldo Lincoln)
Vivendo do Ócio – Nostalgia (Jajá Cardoso / David Bori / Luca Bori / Dieguito Reis / Pablo Dominguez)
Wado – Com a Ponta dos Dedos (Wado / Glauber Xavier)

MELHOR CAPA
Agridoce – Agridoce (arte: Rogério Fires / Otávio Sousa)
Autoramas – Música Crocante (arte: 45 Jujubas)
Bixiga 70 – Bixiga 70 (arte: MZK)
BNegão & Seletores de Frequência – Sintoniza Lá (arte: Petit Pois Studio)
Curumin – Arrocha (arte: Rodrigo Bueno)
Gaby Amarantos – Treme (arte: Priscilla Brasil)
Lucas Santtana – O Deus que Devasta mas Também Cura (arte: Gregory Thielker)
Marisa Monte – O Que Você Quer Saber de Verdade (arte: Giovanni Bianco)
Vanguart – Boa Parte de Mim vai Embora (arte: LuOrvat Design / Vinicius Mania)
Zeca Baleiro – o Disco do Ano (arte: Gilson Braga / Marcos)

ARTISTA INTERNACIONAL
Demi Lovato
Jay-Z & Kanye West
Justin Bieber
Katy Perry
Lana Del Rey
Maroon 5
Nicki Minaj
One Direction
Rihanna
Taylor Swift

REVELAÇÃO
ConeCrewDiretoria
Gaby Amarantos
Projota
Rancore
Rashid

APOSTA
RAPadura Xique Chico
Soulstripper
O Terno
(obs: as 2 vagas restantes estão a definir entre Clarice Falcão, Lemoskine, Rael da Rima, Selvagens à Procura da Lei e Cícero)

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Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Review

The Dark Knight Rises
EUA / Inglaterra, 2012 – 164 min
Ação

Direção:
Christopher Nolan
Roteiro:
Jonathan Nolan, Christopher Nolan
Elenco:
Christian Bale, Michael Caine, Gary Oldman, Anne Hathaway, Tom Hardy, Marion Cotillard, Joseph Gordon-Levitt, Morgan Freeman

Lembro quando Joel Schumacher destruiu a franquia Batman nos cinemas com as famosas roupas com mamilos, closes nas respectivas bundas de cada protagonista, além do bat-cartão de crédito, as cores e os cenários espalhafatosos, sem contar a história estapafúrdia e atuações caricatas. Isso fez parte da minha infância e nem mesmo Batman & Robin fez com que eu deixasse de ter um sentimento especial pelo cavaleiro das trevas. Os fãs do personagem, assim como os cinéfilos, tiveram a sorte de contar com Christopher Nolan para salvar o anti-herói desse passado horrendo.

Nolan concebeu uma versão diferente. O clima mais soturno, em contato direto com o realismo, tornava a experiência mais interessante e palpável ao espectador. O diretor parece ter arquitetado tudo desde o início. Todas as pontas soltas de Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas são resolvidas aqui. E é com ar de satisfação que digo que este desfecho é digno da trilogia e que prova a consistência de Nolan como um dos melhores diretores da atualidade.

O longa começa oito anos após os acontecimentos de O Cavaleiro das Trevas. A polícia da cidade caça Batman, dado como o assassino de Harvey Dent (Aaron Eckhart), sendo idolatrado como herói e utilizado como símbolo da luta contra a criminalidade de Gotham City. O advogado morto ganhou uma lei com seu nome para combater com força os bandidos e marginais de Gotham, tornando-a uma cidade mais segura e praticamente livre de criminalidade. O comissário Gordon (Gary Oldman), aliás, está prestes a ser mandado pra rua já que ele é um policial de tempos de guerra e a cidade atualmente vive em tempos de paz.

Apesar dessa calmaria, Gordon possui uma briga dentro de si. Apesar de a cidade ter melhorado consideravelmente, ele mantém a mentira como um fardo pesado demais para ser carregado. O que o impede de revela-la é a possibilidade de perder tudo o que foi conquistado em torno dessa mentira.

Enquanto isso, Batman está fora das ruas, pois a população não precisa mais dele. Bruce Wayne (Christian Bale) encontra-se recluso na mansão Wayne, já reconstruída. Bruce não possui nenhum contato com o mundo exterior e não pretende voltar à ativa. As coisas começam a mudar quando Bane (Tom Hardy), uma espécie de terrorista/anarquista mascarado, começa a mexer com as estruturas da cidade, implantando o caos pouco a pouco. É a partir daí que Bruce precisa rever se já fez ou não o suficiente pela cidade.

Neste filme há a introdução de diversos personagens e acho importante falar deles. São quatro, para ser mais exatos. Três deles são muito bem introduzidos e desenvolvidos, e apenas um deles não. O elo fraco destas adições é Miranda Tate (Marion Cotillard). Pode até parecer estranho o fato de Nolan gostar de ter sempre os mesmos atores ao seu redor. Depois de A Origem, metade do elenco migrou para este novo Batman, e Marion foi um deles. A mulher que acaba presidindo a Wayne Enterprise por causa do projeto sustentável e também por um problema que Bruce enfrenta (mas que não cabe à mim contar) tem uma introdução muito rápida e ela soa artificial, assim como a atuação de Marion. A atriz já teve momentos de glória no cinema, mas parece que a cada produção estadunidense em que atua, ela deixa de lado todo o seu potencial. A personagem é inserida rapidamente e parece não ter muita relevância. Poderia ter mais profundidade, mas felizmente ela é a única que tem problemas.

Enquanto isso, John Blake (Joseph Gordon-Levitt), Selina Kyle/Mulher-Gato (Anne Hathaway) e Bane possuem construções de personalidade muito mais amplas e que investigam suas características, desdobrando a narrativa, e mostrando a função de cada um no jogo esquematizado pelo roteiro. Assim como o script trabalha bem estas figuras, seus intérpretes não desapontam. Eu diria que a maior surpresa da película é Joseph Gordon-Levitt. Deixando de lado a imagem do rapaz indie e meigo de (500) Dias Com Ela, ele se consolida de vez como um ator capaz de conciliar cenas de ação com uma atuação tão boa quanto aquele que faz trabalhos mais dramáticos. Joseph carrega o personagem com carisma, seriedade, mistério e competência de sobra.

Tom Hardy (parceiro de Jospeh e Marion em A Origem) também traz uma performance poderosa sob a máscara de Bane. Pode soar estranho no começo, mas é impossível não deixar-se penetrar pelo olhar de Hardy. Sua atuação é centrada em seus olhos, já que a máscara o impede de usar as expressões faciais. Ele também exibe um físico desumano, casando com a descrição do personagem, sendo a tradução do que é o medo. Também no papel de vilã está Anne Hathaway como a Mulher-Gato. Eu já esperava que Anne estivesse ótima e ela não me desaponta. Acostumado a vê-la em papéis frágeis ou demasiadamente bobos, a atriz traz aquele sutil sarcasmo dos quadrinhos, unindo-o com uma elasticidade invejável, um toque de sensualidade, ar de ameaça contínuo e a ambiguidade irresistível que só a Selina Kylie possui. Anne está impecável e é uma das melhores coisas do longa, impressionando tanto nas cenas de ação, quanto na atuação que explora todos os níveis cênicos.

Com os novos personagens introduzidos, falta impor o ritmo. Diferente de seu antecessor, O Cavaleiro das Trevas Ressurge demora um pouco mais para emplacar. Entretanto, isso não é um defeito. Nolan prefere colocar todas as peças do tabuleiro em seu devido lugar antes de fazer qualquer movimento. Ele utiliza a paciência – e nós, espectadores, contribuímos com a nossa. Neste longa-metragem conseguimos respirar (mas não muito). E uma das coisas que mais gosto na primeira metade do filme é a facilidade com que há formas de injetar humor. Selina Kylie é uma das culpadas. Não é comum haver espaço para esse tipo de coisa numa obra com temática tão séria, mas acha-se espaço para isso. Apesar disso, o longa é carregado de carga negativa, com situações que nos levam a crer que não há solução para os problemas apresentados ao longo do filme.

O anarquismo toma conta de Gotham City. A visão de uma cidade sem criminalidade acaba sendo a calmaria antes da verdadeira tempestade. Se Coringa (Heath Ledger) no filme passado tentou instaurar o caos, tentando provar que todos são corruptíveis e essencialmente ruins, Bane prega a visão de que ninguém deve comandar ninguém e todos devem tomar suas próprias decisões, independente de governo ou lei alguma. É a desordem, misturada com o caos e o medo que tomam conta de Gotham.

Como Nolan gosta de bater na mesma tecla desde o início da trilogia, as pessoas precisam de uma inspiração. Elas precisam de um símbolo, algo que represente a mudança, a esperança de um futuro melhor. Bruce se sacrifica no final de O Cavaleiro das Trevas justamente por acreditar que Gotham ficaria melhor tendo a imagem de Harvey Dent como a salvação. No entanto, a mentira não foi capaz de sustentar essa visão próspera de que Bruce e Gordon visavam para a cidade. Por isso, na hora em que tudo parece perdido, a última esperança de salvá-los é o homem-morcego. E ele é usado como um símbolo porque, como a própria trilogia nos ensinou, um homem pode ser ferido, detido, liquidado. Ao contrário de um símbolo. É a representação daquilo que dá forças para que alguns se levantem, ascendam, e lutem por algo.

Há determinado momento no longa em que o protagonista abre espaço para que as outras tramas sejam desenvolvidas. Com tantos personagens, é normal que isso aconteça. E, pela primeira vez, Nolan consegue algo que Tim Burton conseguiu (e era uma de suas maiores proezas), especialmente, em Batman – O Retorno: transformar Gotham em um personagem. A trama gira em torno da cidade e ela é tão bem desenvolvida quanto qualquer figura central do filme. Mesmo sendo uma versão altamente urbana, passando longe do ar gótico de Burton, Gotham tem vida própria.

Dentro dessa história muito bem amarrada, há espaço para muita ação. Pela primeira vez, Batman tem um adversário no quesito físico à altura. Bane é um verdadeiro monstro. A primeira briga entre eles é um dos pontos altos do filme. É uma cena crua. Ouvimos o barulho de cada soco, tapa, chute, sem a trilha sonora ao fundo. É apenas o som da cena, sem artifícios, tornando-a cruel de se ver. Além das brigas físicas, fica o destaque para os efeitos especiais utilizados pela produção. Como a trilogia sempre esteve mais próxima da realidade, nunca abusou-se da computação gráfica para criar sequências de ação. Contudo, Batman possui uma espécie de batmóvel voador, denominado Morcego. As cenas com ele são de tirar o fôlego, no nível de Tony Stark voando com sua armadura de Homem de Ferro detonando os robôs alienígenas em Os Vingadores.

O Cavaleiro das Trevas Ressurge não vive independente dos outros filmes. Isso pode até ser considerado uma falha para alguns. Foi apontado o mesmo defeito no capítulo final de Harry Potter. Entretanto, gosto de relembrar que O Senhor dos Anéis também é uma história só, dividida em três partes. E mesmo assim O Retorno do Rei, que depende totalmente de seus antecessores, é uma das melhores películas que já assisti na minha vida. Este Batman traz muitos elementos de Batman Begins e relembra algumas coisas de O Cavaleiro das Trevas. Por isso, vale a pena rever à eles antes de conferir este desfecho, pois muitas informações que são citadas aqui encontram-se nos anteriores.

Protagonista e trilha sonora

Christian Bale costuma ser ignorado pelas pessoas no papel de Batman, mas é inegável que ele é parte central do sucesso da franquia. Especialmente neste aqui, ele se entrega por completo ao personagem. Com espírito e corpo danificados, Bale consegue transpor na tela toda a dor do personagem, o peso do mundo que carrega em suas costas, além da melancolia e raiva. Seja dentro da prisão, ou nos diálogos emocionantes com Alfred (Michael Caine), Bale mostra-se um ator com facilidade em demonstrar suas emoções. Michael Caine, aliás, faz com que o espectador fique com nó na garganta em pelo menos dois momentos do filme.

Como uma cereja no topo do bolo, a trilha sonora de Hans Zimmer é o toque especial da película. Ele sabe onde colocar cada acorde e em determinados momentos o som está estourando, lá no último volume, e do nada ele consegue quebrar essa sequência, como num baque e transforma a trilha em algo sutil, transitando entre o caos e a calmaria.

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge traz consigo muitas surpresas e reviravoltas, sem contar com as referências aos quadrinhos. Nolan nunca se prendeu muito a isso, no entanto, dessa vez ele fez questão de dar aquele presente aos fãs das HQs. E então surge a questão: este supera O Cavaleiro das Trevas? Eles empatam tecnicamente. E a essa altura, é impossível separá-los como filmes individuais, pois os três se completam perfeitamente, encaixando peça por peça. O desfecho é satisfatório e digno. Acima de qualquer coisa, Nolan prova que é possível conciliar o cinema autoral com blockbusters, filmes de ação e baseados em histórias em quadrinhos. O diretor criou uma obra prima cinematográfica e que redefiniu o gênero. O Cavaleiro das Trevas Ressurge é uma lição de como tratar um super-herói nas telas com dignidade, algo que os produtores de O Espetacular Homem-Aranha deveriam levar como exemplo para suas sequências. Por fim, só me resta dizer o seguinte ao filme e a trilogia de Nolan: bravo!

Emmy 2012 | Os Indicados

Na manhã desta quinta-feira, 19, Jimmy Kimmel e Kerry Washington anunciaram os indicados ao Emmy Awards 2012. Na lista, nenhuma grande surpresa. Mad Men e American Horror Story lideram as nomeações com 17 cada um, seguidos por Hatfields & McCoys e Downton Abbey com 16 cada, e o telefilme Hemingway & Gellhorn ficou em terceiro lugar, com 15 indicações. Confira os indicados abaixo.

O Emmy 2012 vai ao ar no dia 23 de setembro, com apresentação do próprio Kimmel.

 

Melhor série dramática

Boardwalk Empire

Breaking Bad

Downton Abbey

Game of Thrones

Homeland

Mad Men

 

Melhor atriz em série dramática

Kathy Bates – Harry’s Law

Glenn Close – Damages

Claire Danes – Homeland

Michelle Dockery – Downton Abbey

Julianna Margulies – The Good Wife

Elizabeth Moss – Mad Men

 

Melhor ator em série dramática

Hugh Bonneville – Downton Abbey

Steve Buscemi – Boardwalk Empire

Michael C. Hall – Dexter

Bryan Cranston – Breaking Bad

Jon Hamm – Mad Men

Demian Lewis – Homeland

 

Melhor atriz coadjuvante em série dramática

Christine Baranski – The Good Wife

Joanne Froggatt – Downton Abbey

Anna Gunn – Breaking Bad

Christina Hendricks – Mad Men

Archie Panjabi – The Good Wife

Maggie Smith – Downton Abbey

 

Melhor ator coadjuvante em série dramática

Jim Carter – Downton Abbey

Brendan Coyle – Downton Abbey

Peter Dinklage – Game of Thrones

Giancarlo Esposito – Breaking Bad

Aaron Paul – Breaking Bad

Jared Jarris – Mad Men

 

Melhor atriz convidada em série dramática

Joan Cusack – Shameless

Loretta Devine – Grey’s Anatomy

Julia Ormond – Mad Men

Martha Plimpton – The Good Wife

Jean Smart – Harry’s Law

Uma Thurman – Smash

 

Melhor ator convidado em drama

Dylan Baker – The Good Wife

Jeremy Davies – Justified

Ben Feldman – Mad Men

Michael J. Fox – The Good Wife

Mark Margolis – Breaking Bad

Jason Ritter – Parenthood

 

Melhor série cômica

30 Rock

The Big Bang Theory

Curb Your Enthusiasm

Girls

Modern Family

Veep

 

Melhor atriz em série cômica

Zooey Deschanel – New Girl

Lena Dunham – Girls

Edie Falco – Nurse Jackie

Tina Fey – 30 Rock

Julia Louis-Dreyfus – Veep

Melissa McCarthy – Mike & Molly

Amy Poehler – Parks and Recreation

 

Melhor ator em série cômica

Alec Baldwin – 30 Rock

Louis C.K. – Louie

Don Cheadle – House of Lies

Jon Cryer – Two and a Half Men

Larry David – Curb Your Enthusiasm

Jim Parsons – The Big Bang Theory

 

Melhor atriz coadjuvante em série cômica

Mayim Bialik – The Big Bang Theory

Julie Bowen – Modern Family

Kathryn Joosten – Desperate Housewives

Sofia Vergara – Modern Family

Merritt Wever – Nurse Jackie

Kristen Wiig – Saturday Night Live

 

Melhor ator coadjuvante em série cômica

Ty Burrell – Modern Family

Jesse Tyler Ferguson – Modern Family

Max Greenfield – New Girl

Bill Hader – Saturday Night Live

Ed O’Neill – Modern Family

Eric Stonestreet – Modern Family

 

Melhor atriz convidada em série cômica

Elizabeth Banks – 30 Rock

Kathy Bates – Two and a Half Men

Margaret Cho – 30 Rock

Dot-Marie Jones – Glee

Melissa McCarthy – Saturday Night Live

Maya Rudolph – Saturday Night Live

 

Melhor ator convidado em série cômica

Will Arnett – 30 Rock

Bobby Cannevale – Nurse Jackie

Jimmy Fallon – Saturday Night Live

Michael J. Fox – Curb Your Enthusiasm

Jon Hamm – 30 Rock

Greg Kinnear – Modern Family

 

Melhor minissérie ou filme feito para TV

American Horror Story

Game Change

Hatfields & McCoys

Hemingway & Gellhorn

Luther

Sherlock: “A Scandal in Belgravia”

 

Melhor atriz em minissérie ou filme feito para TV

Connie Britten – American Horror Story

Ashley Judd – Missing

Nicole Kidman – Hemingway & Gellhorn

Julianne Moore – Game Change

Emma Thompson – The Song of Lunch

 

Melhor ator em minissérie ou filme feito para TV

Kevin Costner – Hatfields & McCoys

Benedict Cumberbatch – Sherlock: “A Scandal in Belgravia”

Idris Elba – Luther

Woody Harrelson – Game Change

Clive Owen – Hemingway & Gellhorn

Bill Paxton – Hatfields & McCoys

 

Melhor atriz coadjuvante em minissérie ou filme feito para TV

Frances Conroy – American Horror Story

Judy Davis – Page Eight

Jessica Lange – American Horror Story

Sarah Paulson – Game Change

Mare Winningham – Hatfields & McCoys

 

Melhor ator coadjuvante em minissérie ou filme feito para TV

Tom Berenger – Hatfields & McCoys

Martin Freeman – Sherlock: “A Scandal in Belgravia”

Ed Harris – Game Change

Denis O’Hare – American Horror Story

David Strathairn – Sherlock: “A Scandal in Belgravia”

 

Melhor programa de variedade, música ou comédia

The Colbert Report

The Daily Show with Jon Stewart

Jimmy Kimmel Live

Late Night with Jimmy Fallon

Real Time with Bill Maher

Saturday Night Live

 

Confira a lista completa dos indicados (que vai de melhor direção e roteiro até melhor iluminação e penteado) clicando AQUI.

O que está acontecendo em True Blood?

Em tempos de Crepúsculo, True Blood trazia ao mundo vampiros hard core. Estes seres matam e se alimentam de sangue, morrem ao andar na luz do dia, não gostam dos humanos, mas tentam viver com eles de forma amigável. A simbologia da série já tratou de assuntos sérios como a política, a religião, o preconceito e a homofobia, isso a partir de muito sangue, sexo e humor negro. A temática funcionou até por volta da terceira temporada. Infelizmente, a série tem perdido sua relevância na televisão a cada episódio.

A série retoma nesta quinta temporada (exibida atualmente na HBO Brasil) os acontecimento do ano que passou, exatamente do ponto em que foi deixado. Russell (Denis O’Hare) fugiu; Sookie (Anna Paquin) tenta salvar Tara (Rutina Wesley) após sua morte , enquanto Eric (Alexander Skarsgård) e Bill (Stephen Moyer) tentam fugir da Autoridade após assassinar a Rainha de Louisiana (Evan Rachel Wood). Se os acontecimentos da última temporada eram desinteressantes, a quinta temporada, nos cinco episódios que foram ao ar até agora, não dão novo fôlego à série.

Uma das pouquíssimas coisas que funcionam até aqui é a autoridade vampiresca que parece ser bem maior do que se imaginava até então. Além disso, há uma nova versão da bíblia, a que seria a verdadeira, onde Deus seria um vampiro, ou seja, a perfeição, segundo os crentes. Roman (Christopher Meloni), o chefão maior da autoridade, mostra-se um dos melhores personagens da temporada com aquele tom de ameaça necessário para o papel. Espera-se ainda por um retorno marcante de Russell, uma das melhores coisas que já passaram pela série. No quinto episódio, tivemos um gostinho da ameaça de Russell e talvez isso possa levantar um pouco o nível de True Blood.

O restante é chato. As histórias paralelas estão cada vez mais sufocando o seriado, tornando-o insuportável. A própria protagonista, Sookie, torna-se irrelevante. Seu propósito em True Blood se resume apenas em fazer sexo com os machos alfas do elenco. Junto com essas histórias paralelas, há os diversos seres sobrenaturais. Vampiros, fadas e metamorfos davam pra aguentar. A temporada tinha a chance de reduzir o número absurdo destes seres, que além dos três tipos citados, ainda havia lobisomens, panteras, bruxos. No entanto, o quinto ano aumenta a proporção, introduzindo o ifrit, personagem da mitologia árabe, classificado como uma classe de jinni infernal, notório por sua grande força e astúcia, podendo se apresentar como uma criatura alada constituída de fogo, como ocorre aqui. Além disso, também temos espíritos que baixam no corpo de outras pessoas. Lafayette (Nelsan Ellis) enfrenta este problema, pedindo a ajuda de seu namorado falecido, Jesus (Kevin Alejandro).

O humor de True Blood não é mais o mesmo e não surte o efeito de outrora. O sexo, em menor escala, nem mesmo é trabalhado a favor da série como antes. As metáforas já não são mais usadas e as ideias não parecem mais originais. O quinto ano apresenta desgaste e, a cada episódio, a série se afunda ainda mais. Apenas o quinto episódio da temporada mostrou um vislumbre do que o seriado poderia oferecer de bom. Já não há atuações acima da média, nem personagens cativantes, tampouco histórias que atraem. Quase não há razão para continuar assistindo True Blood. Quem sabe com a volta (de fato) de Russell, a série dê uma guinada e melhore um pouco, mas juntamente com o quarto ano, a quinta temporada mostra que a série sucumbe à mortalidade de muitos programas televisivos de longa data.

A quinta temporada de True Blood vai ao ar todo domingo, às 22, na HBO Brasil.

Criado por:
Alan Ball
Elenco:
Anna Paquin, Stephen Moyer, Sam Trammell, Ryan Kwanten, Rutina Wesley, Alexander Skarsgård, Chris Bauer, Kristin Bauer van Straten, Lauren Bowles, Nelsan Ellis, Janina Gavankar, Todd Lowe, Joe Manganiello, Michael McMillian, Denis O’Hare, Jim Parrack, Carrie Preston, Deborah Ann Woll, Scott Foley, Lucy Griffiths, Valentina Cervi, Christopher Meloni

O Espetacular Homem-Aranha | Review

The Amazing Spider-Man
EUA, 2012 – 136 min
Aventura

Direção:
Marc Webb
Roteiro:
James Vanderbilt, Alvin Sargent, Steve Kloves
Elenco:
Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Denis Leary, Martin Sheen, Sally Field, Campbell Scott, Embeth Davidtz

Muitos receberam com espanto a notícia de que Homem-Aranha sofreria um reboot. Isso quando fazia apenas oito anos do lançamento do primeiro longa-metragem baseado no personagem e há três do último. Como muita gente sabe, Homem-Aranha 3 teve uma recepção morna da crítica. Sam Raimi, diretor da trilogia, disse que não deixaria a Sony Pictures interferir em seu filme (o que seria o quarto sob sua batuta), pois a intervenção do estúdio para a inserção do personagem Venom no roteiro quando este já estava pronto foi um dos principais pontos negativos do último Aranha.

Já em pré-produção, com Tobey Maguire e Kirsten Dunst confirmados para retornar aos seus papeis, a Sony mandou todo mundo pra casa, incluindo o diretor, pois ele e o estúdio não chegaram a um consenso. Foi aí que surgiu a ideia de começar uma nova franquia do Homem-Aranha, com elenco e produção renovados e também mais baratos. Segundo o que rolava nos bastidores, Andrew Garfield, o novo Aranha, assinou contrato para três filmes: pelo primeiro, ele ganhou apenas US$ 500 mil, uma quantia ridícula para um protagonista de blockbuster que provavelmente quebrará a barreira de um bilhão de dólares. O preço duplica a cada filme. De US$ 500 mil vai para US$ 1 milhão e US$ 2 milhões, respectivamente para cada lançamento. O que a Sony queria era controle e mão de obra barata.

Com este início conturbado, era de se desconfiar de O Espetacular Homem-Aranha. Felizmente, na prática, o filme é melhor do que na teoria. Um dos motivos talvez seja pela contratação de Marc Webb (500 Dias Com Ela) para dirigir o longa. O diretor mostrara sua competência em seu primeiro trabalho no cinema por seu domínio da juventude e da cultura pop. Por isso, apesar de inexperiente, a escolha foi boa. Andrew Garfield e Emma Stone também foram boas escolhas, pois ambos estão no calor do momento em Hollywood e já mostraram competência na telona.

O principal problema de O Espetacular Homem-Aranha, no entanto, é a escolha da história que conduz este filme e provavelmente será o que levará adiante esta trilogia. Os pais de Peter Parker morreram num acidente de avião, mas isso não foi por acaso. Eles eram cientistas e estavam trabalhando com uma fórmula secreta para que o ser humano se regenerasse e se distanciasse da imperfeição. O vínculo entre eles e o Dr. Connors (Rhys Ifans) logo é descoberto por Peter, que vai atrás dele para tentar descobrir mais sobre o mistério dos pais. Aparentemente, tudo é uma incrível coincidência, onde até mesmo a picada da aranha teria relação com os pais de Peter, assim com o surgimento do Lagarto. Com a cena final, depois de uns minutinhos de créditos, fica evidente que tudo faz parte de uma conspiração gigantesca e isso incomoda. Estes acasos soam artificiais e mudam o foco da ideia de que Peter é realmente um azarado e que teve a infelicidade de ter perdido seus pais por um acidente qualquer.

Essa conspiração se perde no meio do filme. A chama é acesa no começo do longa e depois morre, retornando apenas com a voz no meio das sombras, nos créditos finais. Essa história moverá a trilogia, anunciada pela Sony logo após a película se sair bem nos primeiros dias de bilheteria.

Os pais de Peter nunca foram relevantes nos quadrinhos, exceto por esta história que não deu certo e jamais ousaram usá-la novamente até aqui. Como o foco da trama fica em torno deles, os tios Ben (Martin Sheen) e May (Sally Field) perdem a sua importância na vida dele. Diferente de todas as versões do Aranha, incluindo os filmes de Raimi, a morte do tio é construída com pouca emoção e não martela os pensamentos de Peter ao longo do filme. Logo ele deixa de lado a perda e, volta e meia, ouve o último recado dele no celular. E só. O que mais o incomoda é saber o que houve com os pais. Além disso, o roteiro trabalha mal os tios e a relação deles com o protagonista. Um dos elos mais fortes do personagem é degradado pelos roteiristas.  Apesar disso, Sheen, em sua pequena participação, faz valer a pena seus minutos em tela, mostrando, seja no tom de sua voz ou em suas feições, todo o carinho e amor que sente pelo sobrinho. Já Sally Field parece um pouco perdida em cena, mas talvez a culpa não seja dela, mas sim das cenas mal resolvidas em que aparece.

O que ainda pode incomodar o espectador é ter que ver o protagonista novamente no colégio, sofrendo bullying, tentando desenvolver seu primeiro relacionamento. Infelizmente, o romance não é tão bem trabalhado. O primeiro beijo entre Gwen e Peter não é atrativo e é sem emoção. Na cena, Peter está querendo contar à ela que é o Homem-Aranha, enquanto ela acha que este irá se declarar para ela. O ato, na verdade, se dá quando ele a puxa através de sua teia e assim Gwen chega à conclusão de que ele é o Aranha, sem que este precise dizer uma palavra. A impressão que fica é que ele a beija para este propósito e não pela paixão que sente. A cena, aliás, não chega perto do épico beijo na chuva entre Mary Jane e o Aranha no filme de Raimi. Não gosto de ficar comparando, mas as obras estão tão próximas uma da outra que fica impossível não submetê-las a isso. Há uma diferença gritante aqui. Se Mary Jane era a razão da vida de Peter (além da adorável tia May), em O Espetacular Homem-Aranha, o par romântico nem é tão romântico assim. Ao que tudo indica, é apenas uma quedinha.

Ainda há outros problemas no roteiro, como o fato de uma garota de 17 anos trabalhar numa empresa como a Oscorp e ser capaz de criar um antídoto que vai salvar a cidade; o que é há de diferente na aranha que pica Peter, afinal?; como um garoto que não trabalha tem dinheiro para montar o disparador de teia e a própria teia (neste filme, ela não é orgânica, ela é criada); como um personagem descrito como uma besta, sem condições de diferenciar o certo e o errado, consegue pensar e criar fórmulas. São coisas que podem passar despercebidas, mas que deixam furos e causam frustração ou desconforto, como é o caso da cena em que os andaimes de Nova York são alinhados para que o Aranha chegue até o prédio onde o Lagarto se encontra.

Naturalidade e clima denso

O Espetacular Homem-Aranha não é marcado só por más escolhas do roteiro. Há coisas boas aqui.  Webb se sai muito bem no que faz de melhor: criar bons diálogos entre os personagens. Além das frases de Tio Ben, as conversas entre Peter e Gwen são ótimas, com muita naturalidade e que cabem à personagens que, em tese, são adolescentes (o que não condiz com a idade do protagonista, que tem 28 anos). Andrew Garfield e Emma Stone, apesar da idade avançada e não convencerem como adolescentes por já terem passado da fase faz tempo, ainda assim conseguem nos fazer esquecer de que estão interpretando pessoas de 17 anos. A química entre eles é evidente (tanto que se tornaram um casal na vida real durante as filmagens) e isso reflete na qualidade do longa. A amizade criada entre eles é um dos pontos altos do filme e mais relevante do que o romance. A relação é convincente, com diálogos reais (dentro do possível para uma produção de super-herói) e timing impecável.

Outro aspecto importante neste reboot é o clima. O Peter Parker de Marc Webb é sério, movido por incógnitas e cada vez mais carrega o peso do mundo em suas costas. Sisudo na maior parte do tempo, Peter extravasa quando coloca sua roupa de super-herói. No entanto, ele percebe que suas escolhas pesam e tudo o que ele faz (ou deixa de fazer) causa um impacto enorme na vida das pessoas. É uma responsabilidade enorme que parece demais pra um mero adolescente. Acompanhamos, aqui, Peter crescer. O rapaz, que inicialmente queria apenas brincar, tem que lidar com decisões difíceis, assim como a que ocorre no final do longa, onde ele lida com uma promessa que, apesar de não querer cumpri-la, sabe que é o melhor caminho a seguir. Isso porque ele começa a ter noção de que, para ser um super-herói, antes precisa ser um homem. Ele começa a prezar pelo bem maior e não apenas si próprio. Apesar de essa noção ser mais bem trabalhada na reta final da película, ela deve mover as continuações da trilogia.

Na questão da ação, o que não falta são cenas bacanas, recheadas de efeitos especiais e com manobras radicais. Hoje em dia é difícil um blockbuster errar neste quesito, e o longa passa longe de cometer algum erro aí. O vilão, no entanto, tem algumas atitudes que não condizem consigo (ele tem o plano maligno de transformar as pessoas em lagartos (!)) e poderia ter sido explorado como um ser totalmente selvagem e não cheio de esquemas, além de parecer um tanto cartunesco. Ainda assim, dá para o gasto. O 3D não ajuda tanto quanto poderia, mas também não incomoda. Só não faz muita diferença.

O Espetacular Homem-Aranha, de espetacular, tem pouco. A pegada pode ser mais séria, mas não consegue alcançar o êxito que Batman Begins conseguiu. Além disso, o longa comete erros bobos e coloca tudo à mercê da coincidência excessiva e de uma conspiração gigantesca. Não é um trabalho ruim, mas passa longe da qualidade dos primeiros filmes de Raimi, especialmente o verdadeiramente espetacular Homem-Aranha 2. O que nos resta é acompanhar e ver o que acontece a seguir.

Melhores da TV na Temporada 2011/2012

A lista mais trabalhosa que faço anualmente é esta. Com muito esforço, assisti tudo o que eu pude nesta temporada e fiz de tudo para entregar um artigo decente sobre o que houve de melhor na temporada 2011/2012 na televisão. Nesta votação, contei com a ajuda Mateus Borges e Lucas Paraizo na eleição dos escolhidos. Haverá contestações (inclusive dos próprios votantes), é claro, mas é assim que tem que ser. Toda opinião é subjetiva, portanto, um ou outro pode não agradar você, leitor. Contudo, para nós, os citados logo abaixo são os melhores. Lembrando que a ordem deles é aleatória (ou não) e entraram aqui as séries que foram exibidas entre o período de junho de 2011 e maio de 2012. Pronto, agora pode conferir!

ATRIZ COADJUVANTE

Christa Miller (Cougar Town)
Cougar Town
não é a série de Courtney Cox. Muita da graça da série se deve à Christa Miller, sempre louca por uma taça de vinho e sedenta por uma ironia suave. Destacando-se desde a primeira (e fraca) temporada, ela ganha cada vez mais destaque e ainda melhora conforme a série evolui, constantemente disposta a ser malvada com as pessoas.

Jessica Paré (Mad Men)
Quem diria que a secretária de Don Draper (Jon Hamm) teria a relevância que tem nesta quinta temporada? Jessica Paré começou o ano surpreendendo como Megan, recém-casada com Don. Se deveria ser a esposa, totalmente coadjuvante (como January Jones se tornou), ela se tornou uma das peças fundamentais da temporada, mostrando pela primeira vez que alguma mulher pode domar o mulherengo, além de ser adorável em diversos níveis e ter seus pontos altos nas brigas com o maridão. Uma atuação surpreendente para uma revelação. E quem a viu cantar “Zou Bisou Bisou”, jamais irá esquecê-la.

Julie Bowen (Modern Family)
Todos têm problemas sérios em Modern Family, mas certamente a figura mais perturbada psicologicamente é Claire Dunphy. Ao lado de Phil (Ty Burrell) e seus filhos em cena, Claire se torna cada vez mais obcecada por controle e deixa seus tiques nervosos falarem mais alto do que nunca, chegando a se candidatar à vereadora da cidade só porque quer colocar uma placa de “pare” no cruzamento de sua rua. Em mais uma temporada de altos e baixos, Bowen é sempre um deleite a parte em Modern Family.

Gillian Jacobs (Community)
Britta, a personagem de Gillian Jacobs, nunca fora uma de minhas favoritas na série. Entretanto, assim como a série, nesta terceira temporada ela parece ter ligado o botão de “dane-se” e foi a fundo na maluquice. Jacobs se torna hilária, sendo nos momentos em que envolvem romance com seu jeito contraditório de gostar de alguém, seja quando chama a responsabilidade para si tentando mostrar que a mulher tem poder (menos ela, aparentemente), e especialmente quando tenta mostrar seus dotes de estudante de psicologia. Sua participação é irretocável nesta temporada e garante boas – e muitas – risadas.

Christina Hendricks (Mad Men)
Joan é o calor humano no meio da redação de publicitários boêmios e autodestrutivos. Em uma temporada onde a evolução dos personagens foi ainda mais acentuada do que nas anteriores, Hendricks é uma das figuras mais interessantes aqui. Ela passa pelo drama de ter sua separação confirmada, ser mãe solteira, aguenta as reclamações de sua própria mãe, a volta ao trabalho e a ascensão na empresa, mesmo tendo que tomar decisões difíceis para isso. Mas, afinal, quem não passa por sacrifícios? E não há uma carinha de choro tão convincente quanto a dela (e tão adorável também). Seja pela sua imagem (um colírio para os olhos), seja pelos seus dramas, a atuação de Hendricks é grandiosa, sendo o colorido no meio de um mundo preto e branco.

Anna Gunn (Breaking Bad)
Nas duas primeiras temporadas de Breaking Bad, Skylar era insuportavelmente chata e entediante. Com a virada na terceira temporada, a personagem cresceu na série e no quarto ano se fez um dos motivos para se assistir Breaking Bad. Além de ser mãe em tempo integral, agora ela ajuda Walter (Bryan Cranston) a encobrir os rastros de seu dinheiro sujo e luta para manter sua família em segurança. Da cara de preocupação que poucos conseguem fazer até as discussões com Walter, Anna Gunn torna-se irresistível e fundamental com sua atuação fantástica dentro desta temporada espetacular.

ATOR COADJUVANTE

Robert Sean Leonard (House)
Apesar de ficar um pouco escondido no meio da temporada, é na reta final que o Dr. Wilson ganha seu merecido destaque. O melhor amigo de House (Hugh Laurie) está com câncer e os últimos cinco episódios da temporada abordam o drama do único que sempre esteve presente na vida do médico rabugento. Estes episódios são o suficiente para provar que Robert Sean Leonard tem o que é necessário para comover o espectador e a explosão em momentos de tensão. Uma bela despedida para o personagem – e para a série.

Ty Burrell (Modern Family)
Phil Dunphy. É isso que tenho pra dizer. Quando todos em Modern Family deixam de ser engraçados, sobra para Ty Burrell e seu jeito único de fazer o público rir para resolver os problemas da série. Ele ainda tenta se enturmar com os filhos, tenta ser o melhor corretor de imóveis, tenta ser o melhor amigo do sogro, tenta ser o melhor marido pra si mesmo (já pra Claire, é contestável), tenta ser o amante ideal. Enfim, Phil tenta diversas coisas, mas o objetivo que ele verdadeiramente alcança são as risadas. Sua química com Julie Bowen está mais aguçada do que nunca e seu jeito bobo e inocente faz com que Modern Family tenha a graça que poucos programas conseguem ter.

Peter Dinklage (Game of Thrones)
De longe, o melhor personagem de Game of Thrones. Tyrion Lennister tem as melhores falas, cenas e atuação. O anão Peter Dinklage levou o Emmy no ano passado e não foi por acaso. Sua atuação é centrada, cercada por uma ironia deliciosa e com um tom de respeito imposto por poucos. Apesar de seu tamanho baixo, seu talento é gigante. Dinklage é a alma do negócio da série.

Jim Rash (Community)
Poucos sabem disso, mas o Reitor de Community é vencedor do Oscar. Mais especificamente, da categoria de melhor roteiro adaptado por Os Descendentes, filme estrelado por George Clooney. Mas isso é o menos relevante no momento. O que vale ressaltar aqui são as loucuras criadas pela performance desregulada de Jim Rash nesta terceira (e melhor) temporada da série. Com seu vestuário peculiar, suas ideias um tanto contestáveis para melhorias e integração na universidade, seu comportamento perante Jeff (Joel McHale), entre outras situações absurdas e fora do comum, Jim Rash é uma das peças fundamentais do sucesso deste ano que beira a perfeição em Community.

Nick Offerman (Parks and Recreation)
Apesar de ser subaproveitado neste quarto ano de Parks and Recreation, Nick Offerman ainda assim nos oferece momentos antológicos na pele de Ron Swanson. Sua seriedade excessiva, repugno pelo governo, amor por carne, amizade por sua equipe de trabalho, além do relacionamento problemático com sua outra esposa (Patricia Clarkson) fazem dele um dos melhores personagens da televisão atualmente.

Giancarlo Esposito (Breaking Bad)
Breaking Bad merecia um vilão a altura. E finalmente conseguiu. Giancarlo Esposito aparece pouco na terceira temporada, mas na quarta ele toma as rédeas e se mostra amedrontador sem disparar uma palavra sequer. Apenas seu olhar de moço bondoso é o suficiente para fazer o espectador ficar arrepiado com esta atuação fora do comum. A passividade e a explosão contida de Esposito são duas peças chaves para seu personagem, que raramente fala, e quanto o faz, dificilmente aumenta o tom da voz e mesmo assim consegue impor respeito, ordem e medo.

John Slattery (Mad Men)
Roger Sterling está melhor do que nunca nesta quinta temporada de Mad Men. Cada vez mais inútil no escritório, Roger vê Pete (Vincent Kartheiser) tomando o espaço que antes era seu. O que sobra para Roger é aproveitar a vida e não levar nada muito a sério. É isso que ele faz ao longo de toda a temporada: nada. John Slattery está numa performance engraçadíssima, especialmente na season premiere. Momentos como ele verificando a agenda dos seus companheiros, dando em cima de Joan (Christina Hendricks) e acompanhando a briga entre Pete e Lane (Jarred Harris) fazem com que sua presença nesta temporada seja memorável.

Aaron Paul (Breaking Bad)
Se Jesse era um marginal qualquer e muitas vezes imprudente nos outros anos, nesta temporada Aaron Paul pega sua performance espantosa em “Half Measures” e adiciona ainda mais força em sua atuação. Tendo que lidar com seus demônios internos após uma morte à sangue frio, Jesse tende a voltar ao fundo do poço, mas é aí que seu personagem ressurge e toma conta da série, de igual pra igual com Walter (Bryan Cranston). Os pontos mais altos de sua performance estão na reunião onde ele utiliza a metáfora de um cachorro para compartilhar que cometeu um assassinato; as brigas constantes com Walter (em especial, a ocorrida no penúltimo episódio); e seu desespero para salvar a vida de um menino. Paul está mais uma vez fervoroso, numa atuação que merece o reconhecimento das premiações, pois não houve coadjuvante melhor do que ele nesta temporada.

ATRIZ 

Zooey Deschanel (New Girl)
Um dos principais deleites da primeira temporada de New Girl é a simpática Zooey Deschanel. A série não é apenas sobre ela, já que seus companheiros de cena são tão bons quanto a própria. Mas definitivamente o seriado não funcionaria sem o jeito meigo, desengonçado, fofo e engraçado (de uma maneira única) de Deschanel. Sua personagem é uma mistura adorável e esquisita, que possui carisma e consegue ser genuína num mundo cheio de cópias das cópias. Desde sua inocência, passando pela facilidade com ela irrita seus companheiros, até a forma como ela se importa com as pessoas (especialmente seus amigos), Zooey conquista o coração do telespectador.

Mireille Enos (The Killing)
O trabalho de Mireille Enos é resumido na seguinte palavra: sutileza. Ela não é do tipo de policial que grita, tampouco impõe seu poder. Ela mantém o controle e fala com calma. Diante de todos os problemas que lhe aparecem, no meio de uma conspiração, a guarda do filho em jogo e um caso que parece impossível de ser resolvido, Sarah Linden respira e se alimenta da investigação. Sua obsessão pelo caso a leva à situações extremas, fazendo com que ela se perca e encontre-se sem saída. Enos entrega uma atuação contida, mas inquieta e poderosa. Não há nada melhor do que vê-la tomando controle e sorrindo para uma câmera de segurança. Seu ponto alto está localizado no episódio “72 Hours”, onde ela é presa em um hospital psiquiátrico e tem todas as condições de se provar uma ótima atriz – e ela prova isso.

Julia Louis-Dreyfus (Veep)
A atriz de Seinfeld e The New Adventures of Old Christine parece mais a vontade do que nunca. Talvez por estar num canal pago ela se sinta melhor por poder disparar os palavrões que sua personagem, a vice-presidente dos Estados Unidos, Selina Meyer, aprecia tanto emitir quando sua equipe não dá conta de ajudá-la como precisa e sua imagem diante do público fica cada vez pior. Julia interpreta essa política como deve ser. Cara de pau, ela usa a falsidade como poucos e está sempre de olho no que pode melhor beneficiá-la, contudo, sem ser corrupta ou maldosa. Ela apenas quer parecer bem na foto e espera pelo telefonema do presidente diariamente.

Elisabeth Moss (Mad Men)
Peggy já está há tanto tempo no meio dos homens de Mad Men que acabou se tornando um. Aos poucos, a maturidade da personagem vai evoluindo e cada vez menos ela suporta as grosserias de Don (Jon Hamm). Elisabeth Moss pode não aparecer tanto quanto na temporada anterior, mas quando aparece, é ela quem rouba a cena. Quando divide o quadro com Hamm, a tensão se instala e os melhores diálogos da série são disparados. A atuação é calculada com frieza e somente uma profissional competente, como é o caso de Moss, para trazer tanta qualidade para esta personagem, numa das melhores séries de todos os tempos.

Amy Poehler (Parks and Recreation)
O fio condutor de Parks and Recreation sempre foi Amy Poehler. Ela é a alma do negócio. Assim como a também egressa do Saturday Night Live, Tina Fey, Poehler trouxe à nós essa série de humor inocente, mas que não deixa de ser menos engraçada por causa disso. Nesta temporada, Leslie Knope luta para manter seu relacionamento, cuidar do seu departamento e ainda concorrer à eleição para a prefeitura de Pawnee. Com toda a sua doçura, excentricidade e determinação, Leslie é daquelas personagens que te conquista facilmente com sua ingenuidade e crença nas pessoas. Poehler mais uma vez segura a onda e carrega com garra a ótima série que é P&R.

Claire Danes (Homeland)
Confesso que uma série com Claire Danes como protagonista não me chamava muita a atenção. Até onde lembro, Danes nunca fora memorável no cinema. Por causa disso é que, talvez, ela tenha se descoberto no papel da agente Carrie Mathison. Traumatizada com a guerra do Iraque, obcecada pelo trabalho (e pelo seu investigado), carente e com problemas psicológicos seriíssimos, Danes vai da persistência em seu caso até seus surtos e desesperos. A atuação da atriz é uma das melhores coisas que já vi na televisão. Ela está literalmente surtada e é impressionante o que ela faz na pele desta personagem tão complexa e perfeitamente concebida. Além do mais, é uma figura feminina fortíssima, mostrando que é a vez das mulheres reinarem na tevê. A melhor atuação da temporada, tanto masculina quanto feminina.

ATOR 

Hugh Laurie (House)
Foram poucos os momentos de genialidade no último ano de House, uma das melhores séries já vistas na tevê. Mas quando teve chance, Hugh Laurie mostrou todo o seu talento na série. Com humor ácido, uma mente brilhante, um estilo rabugento e de poucos amigos, Laurie transita entre a ironia e a dramaticidade como poucos. Neste ano, é uma das poucas coisas que devem ser lembradas no derradeiro ano de House.

Dustin Hoffman (Luck)
Dustin Hoffman precisava de algo que relembrasse o grande ator que é. Afinal, qual foi a sua última boa atuação? Desculpa, mas desde Entrando Numa Fria Maior Ainda Com a Família, não consigo pensar em um bom papel dele. No caso, porque o filme é uma das piores coisas de 2011. Por isso Chester “Ace” Bernstein era o papel que Hoffman precisava. Ele tem classe, possui um passado obscuro, consegue se ameaçador mesmo sem levantar seu tom de voz, mas quando se irrita, consegue ser ainda mais ameaçador. Retorno digno para o ator.

Benedict Cumberbatch (Sherlock)
Se Sherlock é uma das melhores séries da atualidade, Benedict Cumberbatch tem muito mérito nisso. Não é qualquer ator que consegue encarar com tanta perfeição o estilo deste Sherlock Holmes moderno escrito por Steven Moffat e Mark Gatiss. Benedict põe na tela um Sherlock genial, confiante, de fala extremamente rápida e precisa, com expressões (ou a falta delas às vezes) que fazem o espectador saber que está vendo alguém completamente único. E nesta segunda temporada o ator tem a chance de mostrar um lado mais confuso, quase “derrotado” do gênio, ao encontrar mentes quase tão brilhantes quanto a sua, ou ter um ataque de pânico em “The Hounds of Baskerville”. Em Sherlock, Benedict Cumberbatch brilha com genialidade, aumentando mais ainda a qualidade da série.

Jon Hamm (Mad Men)
Don Draper já não esconde mais segredos obscuros. Agora ele é um novo homem. Casado novamente. Um marido exemplar. Um pai mais presente. Um profissional mais do que qualificado. Apesar disso, o status quo, o equilíbrio, a rotina e a calmaria não são o suficiente para deixá-lo feliz. Draper está inquieto e prestes a explodir. Ao longo da temporada, acreditamos que ele conseguirá viver bem daquela maneira, até começar a bater de frente com sua esposa, Megan (Jessica Paré) e a chatice do escritório. Hamm encontra, mais uma vez, a sutileza necessária para transformar Draper em um dos melhores personagens da tevê nos últimos anos. Ainda que não tenha mais segredos que o assombre, Don continua um personagem intrigante e que pode explodir a qualquer momento. Essa linha tênue é trabalhada com primor por Hamm, mantendo a série num patamar tão alto quanto nos anos anteriores.

Damian Lewis (Homeland)
A ambiguidade na atuação de Damian Lewis é assombrosa. Afinal, Brody está de qual lado? A personagem de Claire Danes sofre para descobrir, assim como o telespectador, que mesmo quando sabe, não consegue julgá-lo. O sofrimento molda a personalidade do personagem, deixando cicatrizes tanto em seu corpo como em sua mente. Esta descrição é interpretada com perfeição por Lewis, que encontra numa figura tão ambígua uma forma de deixar-nos incapazes de culpá-lo por suas ações, de certo modo, justificáveis. Da perturbação, passando pelo medo e chegando à frieza, este é Brody.

Bryan Cranston (Breaking Bad)
O professor de química Walter White teve câncer e por ser orgulhoso ao extremo, preferiu fabricar metanfetamina ao invés de receber ajuda de amigos para pagar seu tratamento. Aos poucos, a desculpa de que ele fazia isso apenas para garantir a segurança de sua família após sua possível morte fica cada vez mais ultrapassada e difícil de acreditar. Nesta quarta temporada, não dá nem pra saber se o próprio Walter ainda acredita nisso. Mais alucinado e paranóico do que nunca, Bryan Cranston, que já estava ótimo nas outras temporadas, nunca esteve tão hipnotizante. Sim, ele tem medo de perder a sua família. No entanto, isso não é o suficiente para que deixe de “cozinhar”. Ele chega à um ponto onde não pode parar e para fazê-lo, só matando aquele que quer sua cabeça. Ele não admite, mas gosta do seu serviço. E o mais importante: ele gosta do poder e da adrenalina. A ganância acaba fazendo com que ele ultrapasse todos os limites entre o certo e o errado para manter a vida de seus familiares, a sua e ter o poder em suas mãos. Entre seus fortes diálogos com Skylar (Anna Gunn), Jesse (Aaron Paul) e Gus (Giancarlo Esposito), indo até os devaneios, brigas, desespero, surtos, anseios e atitudes controversas, Bryan Cranston entrega a melhor performance masculina da temporada. Uma atuação soberba, poderosa, impactante e surpreendente.

SÉRIE – COMÉDIA

Cougar Town
Ah, Cougar Town, como você deve se arrepender da primeira metade da sua temporada de estreia, não é mesmo? Uma série que surgiu para tratar do tema “Courteney Cox quarentona pegando homens mais novos”, mas que depois percebeu a besteira que tinha feito, mudou completamente o seu estilo e virou uma das melhores comédias da atualidade. Com um elenco sensacional, Cougar Town se transformou numa série, acima de tudo, sobre a amizade. Com aquele estilo de “humor bobo”, com pessoas bebendo vinho e fazendo besteiras, misturado com as cenas bonitas e emocionantes; estilo que deu tão certo na série anterior do seu criador, a maravilhosa Scrubs. Com seus drinking games, tramas bizzaras e cenas estúpidas que de alguma maneira conseguem sempre terminar em algo bonito, Cougar Town é uma das comédias mais divertidas e despretensiosamente interessantes da televisão atual.

Modern Family
Uma coisa me deixa triste em relação à Modern Family: a maneira como eles não conseguem manter a regularidade na série. O terceiro ano sofre do mesmo problema do anterior: ora é hilariante, ora é sem graça. Os personagens são ótimos e cada vez mais eles se aproximam de figuras do nosso cotidiano. É uma família de verdade, tão problemática quanto a minha e a sua. Ou um pouco mais. Há situações hilárias, como o passeio na fazenda, a relação de Jay (Ed O’Neill) com a cachorrinha Stella, os gritos de Gloria (Sofía Vergara), as trapalhadas de Phil (Ty Burrell), os chiliques cada vez mais agravantes de Claire (Julie Bowen) e o desempenho cada vez melhor das crianças. Infelizmente, a série dá brecha para alguns clichês e perde um pouco do seu brilho e originalidade que possuía nos dois primeiros anos, mas quando faz rir, ela faz o espectador cair na gargalhada.

Parks and Recreation
A melhor comédia da temporada passada perde o seu posto. É com pesar que digo isso. O quarto ano de Parks and Recreation não chega perto da genialidade das duas temporadas anteriores, mas ainda não perdeu o encanto. Quando quer, ela faz rir como poucas séries conseguem. Neste ano, a proposta é trabalhar em cima da candidatura de Leslie (Amy Poehler) para a prefeitura de Pawnee. A série toma um rumo menos engraçado e leva-se mais a sério do que deveria, deixando os coadjuvantes mais divertidos à deriva da candidatura. Ainda assim, não ficamos sem rir de Ron Swanson (Nick Offerman) e seu desprezo pelo governo e amor por carne, as trapalhadas de Jerry (Jim O’Heir), além do casal mais incomum da tevê formado pelo imaturo Andy (Chris Pratt) e a mal humorada April (Aubrey Plaza). O humor sutil, levemente sarcástico e quase inocente de Parks and Recreation continua atraente, mas precisa cuidar para que esta atração entre a série e o espectador não desapareça.

Veep
Mostrar a vida de um presidente? Por que fazer isso se podemos mostrar como é a vida de um vice? Tentando renovar suas comédias, a HBO lança um produto inteligente, sagaz e com humor refinado. Como de costume, o canal não cria sitcoms. Veep mostra o que acontece no gabinete e no dia a dia de Selina (Julia Louis-Dreyfus, ótima no papel), vice-presidente dos Estados Unidos. O retrato é de uma pessoa com boas intenções, mas que não sabe muito bem o que está fazendo, sempre precisando da ajuda de seus assessores e assistentes, esperando pelo dia em que o presidente irá ligá-la. Com muita cara de pau, ironia e crítica ao universo político, Veep mostra-se uma comédia que alimenta bem o cérebro, diverte e ainda faz rir.

New Girl
Zooey Deschanel já seria motivo suficiente para que alguém assistisse New Girl. Sinceramente, sua participação em uma série me chamou atenção e por isso decide assistir ao piloto. Felizmente, ela não é a única razão de conferir o seriado. O programa me proporcionou diversas risadas e algumas gargalhadas. Apesar de não ter uma história tão bem orquestrada, as situações fora do comum, os diálogos sem noção e personagens malucos, com características bem definidas e capazes de fazer o mais sisudo rir, tornam New Girl uma das comédias mais deliciosas dessa temporada.

Community
A pergunta é: o que Community não fez nessa terceira temporada? Eu, sinceramente, não sei dizer. O criador e roteirista Dan Harmon ligou o botão “dane-se” e mandou ver nas maluquices. Se antes a série tinha um pezinho na mania de criar lições de moral à la Disney, agora isso é algo distante. Os personagens estão mais confortáveis do que nunca, cada vez mais insanos e passando por situações que ultrapassam a barreira do absurdo e do mundo real. O elenco está afiadíssimo, da mesma forma em que o roteiro está mais ácido e recheado de referências à cultura pop. Sociedade secreta do ar condicionado, crianças como seguranças do campus, realidades paralelas, contos de terror, karaokê, filmagem documental, fortes de travesseiros e cobertas, especiais de Law & Order, investigação noir e em animação 8-bit. Isso é apenas uma parcela do que Community fez nesta temporada. A série arriscou mais do que nunca, surtou de vez e entregou ao espectador a melhor comédia da temporada.

SÉRIE – DRAMA

Game of Thrones
O principal motivo de Game of Thrones figurar entre os melhores dramas da televisão é por causa de sua produção estupenda, digna de filme blockbuster. A HBO sempre prezou por programas de qualidade e Game of Thrones está dentro deste patamar. Este segundo ano não é tão bem amarrado, tampouco empolgante e interessante quanto o primeiro, mas consegue impressionar por todos os quesitos técnicos, além de bons diálogos, atuações dentro da média e a grande batalha de Blackwater, ápice desta temporada.

The Killing
Certamente você já ouviu pessoas reclamando de séries policiais, que nunca se aprofundam em um caso, fazendo com que eles sejam apenas passageiros, um por episódio. Pois bem, The Killing veio para mudar isso. Num formato diferente do que a maioria está acostumado a ver, a série foi um baque para o público. Uns amaram, outros detestaram. Quando a primeira temporada chegou ao fim e não foi revelado o assassino de Rosie Larson, daí mesmo que muita gente se revoltou. Apesar de os primeiros episódios deste segundo ano terem um ritmo muito lento, em que pouca coisa acontece na investigação, The Killing volta a se tornar forte lá pelo meio da temporada e prova que a técnica de mostrar a investigação criminal, dia após dia, trazendo os dramas dos investigadores, suspeitos e dos familiares da vítima traz resultados positivos e criam situações de densidade que um CSI da vida jamais terá.

Sherlock
Criada por Steven Moffat e Mark Gatiss, baseada nos contos de Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock pode ser facilmente descrita como uma das séries mais geniais da televisão atual. Moffat e Gatiss são dois ícones da TV britânica, e nos seis episódios de 90 minutos que a série teve até hoje (três em cada temporada), mostraram tudo que sabem. Com uma trama super envolvente, inteligente, cheia de diálogos rápidos e fascinantes, a série consegue mostrar Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch) e seu parceiro John Watson (Martin Freeman) na Londres atual de uma maneira incrível. Os casos baseados nas obras de Conan Doyle tomam ares modernos e são adaptados perfeitamente. Cada episódio é uma experiência única, com um roteiro de tirar o fôlego, reviravoltas, vilões brilhantes e casos solucionados com uma genialidade que só podemos esperar de Sherlock Holmes. O terceiro episódio da segunda temporada, “The Reichenbach Fall”, é sem dúvida alguma um dos melhores episódios de qualquer série que já vi na minha vida.

Mad Men
Falar que Mad Men é genial já virou clichê. Por mais que isso seja, não deixa de ser verdade. A série não é apenas competente em retratar com fidelidade o cenário estadunidense dos anos 60. Acima de qualquer simbolismo que a série possa trazer, seu principal trunfo é trabalhar como ninguém os personagens. Pra quem nunca assistiu a série, ver um episódio perdido seja da terceira, quarta ou quinta temporada, certamente não irá se interessar por ela. Isto porque a história isolada pouco faz sentido para quem está de fora. Já para aqueles que acompanham Don (Jon Hamm), Peggy (Elisabeth Moss), Roger (John Slattery), Pete (Vincent Kartheiser), Joan (Christina Hendricks), entre outros, Mad Men é inigualável. A cada temporada presenciamos a evolução destas figuras e aprendemos, então, a nos importar. Nesta temporada temos Don tentando ser um bom marido para Megan (Jessica Paré) e se afastando do feeling de trabalhar em sua agência. Todos começam a perder o interesse em algo e buscam em outras coisas o prazer de viver. É cada um por si, tentando descobrir uma nova razão para levar sua vida adiante. É nesta busca por algum sentido que Mad Men nos mostra novamente como se faz uma série, baseada unicamente em seus personagens e seus dramas.

Breaking Bad
Se a terceira temporada já tinha mostrado a ótima série que Breaking Bad poderia ser, a quarta mostra que Breaking Bad pode ser excelente. Todos os elogios que você já leu ou ouviu sobre o seriado são verdadeiros. O principal slogan da AMC (canal exibidor) anuncia que a “história importa aqui”. Desde o primeiro ano somos jogados para o mundo de Walter (Bryan Cranston) e Jesse (Aaron Paul) e aprendemos a conviver com estes personagens. Acompanhamos o rumo que suas vidas tomaram e nesta temporada eles estão à beira do abismo. A cada episódio, Walter se envolve em uma nova enrascada. A saga pela sobrevivência tanto dele quanto a de sua família tomam rumos inesperados e a paranoia aumenta a cada instante, em que tanto a vida dele quanto a de qualquer outro familiar pode chegar ao fim. É incrível como os roteiristas costuram essas histórias, em que Walter se envolve em um problema pior do que o outro, pratica atos cada vez mais contundentes e vai trilhando um caminho de onde fica dificílimo sair conforme o tempo passa. O poder sobe à cabeça e nós, telespectadores, conferimos uma das melhores performances que a televisão já teve com Cranston, além de um elenco de coadjuvantes excepcional. Breaking Bad é inteligente, provocante, surpreendente e brilhante. Entre o drama, ação e humor negro, a série proporciona uma temporada impecável, com episódios de explodir a mente e que mantém o clima de tensão do primeiro ao último capítulo.

Homeland
Graças ao canal Showtime, este pode ser o primeiro ano em que não há um representante da televisão aberta na disputa de melhor série dramática no Emmy. O canal proporcionou ao espectador uma das melhores estreias do ano. E não só isso. Homeland se prova uma das melhores séries da temporada. Podemos dar crédito ao elenco estupendo, encabeçado por um ambíguo Damian Lewis e uma surtada Claire Danes, nas atuações de suas vidas. Também é possível dar crédito aos roteiristas, indo direto ao assunto, trazendo sempre algo de concreto nos episódios, sem enrolar, com diálogos ricos e reviravoltas surpreendentes. Deve-se crédito para a direção dos episódios, conduzidos com maestria, balanceando a paranoia, dando profundidade para os personagens e sem julgar seus atos (terroristas ou não) ou tomar partidos políticos. É um retrato pós-11 de setembro eficiente e que magnetiza a atenção do espectador do primeiro ao último episódio. Homeland é o exemplo de série irretocável e que sabe como contar uma história.

Todos os textos por Rodrigo Ramos, exceto “Sherlock, Cougar TownBenedict Cumberbatch (Sherlock)“, por Lucas Paraizo.

Fizeram parte desta eleição: Rodrigo Ramos (@xtraga), o estudante de Jornalismo Lucas Paraizo (@lucasparaizo) e o colunista do site Série Maníacos Mateus Borges (@mateusb).

Fotos: Showtime, AMC, HBO, BBC, ABC, FOX, NBC.

Confira também a lista dos melhores da TV da temporada 2010/2011 clicando AQUI.

E aí, Comeu? | Review

E aí, Comeu?
Brasil, 2012 – 104 min
Comédia

Direção:
Felipe Joffily
Roteiro:
Marcelo Rubens Paiva, Lusa Silvestre
Elenco:
Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira, Emilio Orciollo Netto, Dira Paes, Juliana Schalch, Laura Neiva, Tainá Müeller, Seu Jorge

Confesso que quando vi o trailer de E aí, Comeu? no cinema, eu não me empolguei nenhum pouco. Especialmente quando a figura de Bruno Mazzeo apareceu em minha frente. Depois dos horrendos Muita Calma Nessa Hora e Cilada.com, não acreditava que ele pudesse me surpreender em algum de seus trabalhos futuros. Como o roteiro não passou pelas suas mãos, fica evidente o porquê da qualidade deste filme se diferir de suas últimas incursões ao cinema.

Devo confessar, ainda, que o slogan com o qual o longa-metragem era trabalhado em sua campanha publicitária também dá uma noção errada sobre o que se trata. “A primeira comédia verdadeira sobre o amor”. A busca dos três amigos que se reúnem quase que diariamente num bar para beber uma cervejinha e falar sobre tudo, especialmente mulheres, difere do que promete a frase citada. E aí, Comeu? é um retratado fiel das rodinhas de conversa de bar, protagonizadas por pessoas comuns, com problemas corriqueiros e que, de uma forma mais subjetiva, afetiva ou idealizada, ama as mulheres.

Primeiro temos o personagem de Bruno Mazzeo, Fernando, um arquiteto recém-separado de Vitória (Tainá Müeller) que tenta compreender os motivos que levaram à separação. Ao mesmo tempo em que se questiona os motivos de sua separação e está sem ter relações sexuais por meses, ele acaba se esbarrando com a vizinha, Gabi (Laura Neiva), que começa a dar indícios de que quer mais do que ser apenas vizinha do rapaz. O problema é que, apresar de não aparentar, ela tem apenas 17 anos.

Marcos Palmeira é Honório, aquele típico machão. O jornalista é casado com Leila (Dira Paes) e tem três filhas pequenas. O problema é que seu jeito individualista faz com que sua esposa resolva também sair sozinha com as amigas. Por causa disso, vem a suspeita de que talvez ele possa estar sendo corneado. O outro amigo da roda é Fonsinho (Emilio Orciollo Netto), um cara que só se envolve com prostitutas e gasta horrores com sexo, sem nunca se envolver emocionalmente. O ricaço de berço ainda tenta escrever um livro que parece nunca ter um final que lhe agrade.

O título do longa pode já soar um pouco ofensivo, especialmente para as mulheres. As conversas dos amigos são cheias de palavrão, envolvem sexo e piadas mais do que maliciosas, o que pode resultar numa perplexidade por parte do público feminino. Acredito, no entanto, que isso não é um empecilho. Logo a mulherada entra no clima descontraído do filme e começa a se divertir tanto quanto o público masculino.

A jornada dos amigos aqui tem a finalidade de apenas aprender a conviver com a vida. Em um resumo, diria que o filme é sobre o nada. Ou melhor, é sobre qualquer coisa, tal como um papo de bar. Claro que tudo isso envolve as mulheres, mas dá pra imaginar alguma coisa em nossas vidas sem elas? Os homens falam dela não porque a vêem como um mero objeto sexual. O desejo de querê-las é natural, assim como as mulheres também cobiçam os homens. Podem não falar da forma com que os rapazes deste longa falam, mas elas certamente os desejam. Sex and the City já provou isso para todos nós, transformando o girl talk em um dos seus principais trunfos para o sucesso, por serem fiéis ao mundo real.

O roteiro é de Marcelo Rubens Paiva, autor da peça em que a obra é baseada. A grande sacada dele, tanto nos palcos quanto aqui, é manter-se fiel à linguagem do dia-a-dia. Não só isso, mas a película também conta com um elenco que mostra-se totalmente à vontade com suas falas e seus personagens. Marcos Palmeira, quem diria, está ótimo, assim como o próprio Mazzeo. Palmeira mostra-se perfeito para carregar o fardo de protagonista, algo que a maturidade trouxe à ele. Ainda neste elenco, vale ressaltar que é impossível tirar os olhos de Laura Neiva, enquanto a melhor piada fica por conta de Seu Jorge (divertidíssimo com toda a malandragem exigida) interpretando um garçom com a cara do Seu Jorge. Outro trunfo da obra é conseguir ir além do simples papo de bar. Há constatações pertinentes sobre as dificuldades dos relacionamentos e sobre a épica guerra dos sexos.

Além disso, o diretor Felipe Joffily faz questão de mostrar, sempre que possível, a beleza do Rio de Janeiro, seja na madrugada, seja como pano de fundo através das janelas durante uma cena sexo.

O longa-metragem dá aquela caída quando tenta ser especialista no quesito amor, especialmente com o final óbvio e algumas falas que extrapolam o nível de clichê, como o diálogo entre Fonsinho e seu tio, interpretado por José de Abreu. Ainda assim, E aí, Comeu? mais acerta do que erra, equilibrando o bom humor com os problemas de relacionamento. Não é uma comédia romântica e o tema principal não é o amor. O filme o aborda, mas não se foca nisso. Prefiro olhá-lo como uma comédia despretensiosa sobre papo de bar, amizade e relacionamentos, e não algo com a pretensão de ser A comédia sobre o amor.

E aí, Comeu? prova que o cinema nacional sai ganhando muito mais quando é original e respeita a nossa cultura e costumes, ao invés de tentar copiar ideias estadunidenses e transformá-las em algo descartável.

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