Filme produzido em Balneário Camboriú estreia no dia 28 de outubro, no Teatro Municipal Bruno Nitz, com entrada gratuita.
Santa Catarina já registrou mais de 9,5 mil violações contra mulheres desde o início de 2026, segundo dados do Painel de Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O levantamento reúne diferentes situações de violação de direitos e ajuda a dimensionar um cenário que ainda exige atenção e debate. É nesse contexto que o curta-metragem Desconstrução, produzido em Balneário Camboriú, aborda a violência contra a mulher por meio da dança e do audiovisual, propondo uma reflexão sobre as diferentes formas de violência vivenciadas dentro de relações abusivas. O filme ganha estreia no dia 28 de outubro, no Teatro Municipal Bruno Nitz, com entrada gratuita.
O curta aborda uma realidade marcada pelo controle, pela manipulação, pelo medo e pela perda gradual da autonomia. A história acompanha Flávia, uma bailarina que, após conhecer Lucas, passa por uma transformação de comportamento à medida que o relacionamento se torna abusivo. Para representar esse processo, a produção utiliza a dança como uma das principais formas de expressão da personagem, revelando sentimentos que ela não consegue colocar em palavras e estabelecendo um contraste entre o ambiente de controle e o espaço de liberdade encontrado na dança.
A ideia surgiu a partir do interesse da roteirista e protagonista, Isadora Dümes, em compreender melhor os relacionamentos abusivos e refletir sobre como situações aparentemente sutis podem evoluir para relações de abuso psicológico e manipulação.
“Desde o início, o que mais conversamos foi sobre contar uma história onde mulheres pudessem se sentir ajudadas de alguma forma. Na época eu estava lendo muita coisa sobre relacionamentos abusivos e até mesmo percebendo que eu já havia passado por situações que poderiam ter caminhado para uma relação de abuso psicológico e manipulação”, explica Isadora. Segundo ela, ampliar essa discussão também pode contribuir para que mais mulheres reconheçam sinais de relações abusivas e encontrem formas de se proteger.
A versão inicial do roteiro foi desenvolvida com Juliano Moraz, mas a construção da personagem, idealizada por Isadora, também contou com a participação da diretora Kristel Kardeal, da preparadora de elenco Bia Zancanaro, da coreógrafa Roberta Prado Guimarães e do ator Jeff, que interpreta o namorado abusivo da personagem, entre outros profissionais.
“No fim, a Flávia foi uma criação coletiva, e um presente para mim poder dar vida a ela”, resume Isadora.

Mulheres no audiovisual contra a violência
A presença de mulheres em diferentes áreas da produção também foi fundamental para a construção do filme. Para a diretora Kristel Kardeal, ter mulheres liderando diversos setores do curta permitiu que o tema fosse trabalhado a partir de diferentes perspectivas e experiências.
“O fato de termos mulheres liderando vários departamentos permite um olhar de dentro para o tema. A gente compartilhava um sentimento de insubmissão coletiva que desejamos transpor para o filme de diferentes maneiras, quase como uma afirmação: não aceitamos mais isso”, afirma Kristel.
A diretora destaca ainda a intenção de transformar o ambiente de produção em um espaço de acolhimento e amplificação das vozes femininas.
“Queremos criar novas formas de acolhimento, de integração, e amplificar as vozes das mulheres, para que elas encontrem um terreno seguro para falar, para serem ouvidas e para ocupar espaços que durante muito tempo lhes foram negados”, completa.

Cinema como ferramenta de reflexão
Para Guilherme Rosa, cineasta e proponente do projeto, levar a discussão sobre violência contra a mulher para o audiovisual também significa utilizar a arte como ferramenta de sensibilização.
“O audiovisual não é apenas entretenimento, é um espelho social e uma das ferramentas mais poderosas para gerar empatia e transformação. Usar o cinema para debater essas questões é um dever cultural”, afirma.
Segundo ele, um dos desafios da produção foi representar uma violência que nem sempre deixa marcas visíveis.
“A violência psicológica não deixa marcas visíveis de imediato, por isso nosso grande desafio foi traduzir essa sensação de sufocamento progressivo, sem que a gente caísse muito no óbvio”, explica.
Com data de lançamento prevista para 28 de outubro, no teatro Bruno Nitz, o curta-metragem Desconstrução chega às telas de Balneário Camboriú colocando em evidência uma forma de violência que muitas vezes permanece invisível e reforçando o papel do audiovisual na construção de espaços de debate e escuta.
Por Giulia Toscani
Fotos: Divulgação






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