O Céu da Língua: Espetáculo com Gregório Duvivier volta a Florianópolis em novembro

O Céu da Língua: Espetáculo com Gregório Duvivier volta a Florianópolis em novembro

Peça celebra dois anos com mais de 350 mil espectadores e diversos prêmios. Serão três dias de sessões na capital catarinense, com ingressos já à venda.

Após levar mais de 350 mil espectadores ao teatro, Gregorio Duvivier celebra dois anos do sucesso da peça O Céu da Língua, montagem que já percorreu 60 cidades brasileiras e 10 países. Em novembro, ele retorna a Florianópolis, onde no começo do ano lotou seis sessões no Teatro Centro Integrado de Cultura. A nova temporada terá três dias de sessões: 10, 11 e 12 de novembro de 2026, também no Teatro Ademir Rosa (CIC). Os ingressos estão à venda no site Disk Ingressos.

Quem tem medo da poesia? Gregório Duvivier não faz parte deste grupo e, como um apaixonado, faz de tudo para persuadir os outros das qualidades do seu objeto de encanto – até mesmo criar um espetáculo sobre o assunto. No monólogo cômico O Céu da Língua, o artista usa o seu discurso sedutor para convencer o público de que tropeçamos diariamente na poesia e o assunto é prazeroso e divertido. O espetáculo estreou em Portugal em 2024, chegou do Brasil em fevereiro de 2025, onde cumpriu uma extensa turnê que já acumula mais de 350 mil espectadores em 60 cidades e 10 países, sempre com sessões extras e lotação esgotada. O trabalho rendeu a Gregorio o troféu de Melhor Ator na última edição do Prêmio Bibi Ferreira e também o Prêmio do Humor de Melhor Texto e Melhor Espetáculo.

“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, reconhece o ator, que cursou a faculdade de Letras na PUC do Rio de Janeiro e publicou três livros sobre o gênero literário. “Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, para isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura”.

A direção é da atriz Luciana Paes, parceira de Gregório nos improvisos do espetáculo Portátil. No palco, com cenografia de Dina Salem Levy, o instrumentista Pedro Aune cria ambientação musical com o seu contrabaixo, e a designer Theodora Duvivier, irmã do comediante, manipula as projeções exibidas ao fundo da cena. O resto é só o comediante e sua lábia desafiadora: “Acredito que o Gregório tem ideias para jogar no mundo e, com essa crença, a coisa me move independentemente de qualquer rótulo”, diz Luciana, uma das fundadoras da celebrada Cia. Hiato, que estreia na função de diretora teatral. O Céu da Língua não é um recital e tampouco o artista declama Castro Alves, Fernando Pessoa ou Carlos Drummond de Andrade. Por outro lado, garante Luciana, a dramaturgia de Gregório não deixa de ser poética neste “stand-up comedy pegadinha”, como ela bem define. “O Gregório simpático e engraçado está no palco ao lado do Gregório intelectual com seu fluxo de pensamento ininterrupto e imagino que, por isso, a plateia deve embarcar na proposta”, aposta a diretora. “Ele, graças aos seus recursos de ator, pega o público distraído e ninguém resiste quando é surpreendido por alguém apaixonado.”

Toda linguagem é um acordo e, se você entende, tudo bem. Gregório, desde a infância, carrega uma obsessão pela palavra, pela comunicação verbal, pela língua portuguesa. Assim o protagonista, por exemplo, brinca com códigos, como aqueles que, em sua maioria, só são decifrados por pais e filhos ou casais enamorados. As reformas ortográficas que tiram letras de circulação e derrubam acentos capazes de alterar o sentido das palavras inspiram o artista em tiradas bem-humoradas. O mesmo acontece quando ele comenta a ressurreição de palavras esquecidas, como “irado”, “sinistro” e “brutal”, que voltaram ressignificadas ao vocabulário dos jovens. E aquelas que só de ouvi-las geram sensações estranhas, a exemplo de afta, íngua, seborreia, ou outras, inventadas, repetidas à exaustão, como “atravessamento”, “namorido” ou “almojanta”? Até destas Gregório extrai humor.

Para o artista, a língua é algo que nos une, nos move, mas raramente damos atenção a ela. É só pensar nas metáforas usadas no cotidiano – “batata da perna”, “céu da boca”, “pisando em ovos”. Nesta hora, usamos a poesia e nem percebemos. Para provar que a poesia é popular, Gregório chama atenção para os grandes letristas da música brasileira, como Orestes Barbosa e Caetano Veloso, citados em O Céu da Língua através das canções “Chão de Estrelas” (1937) e “Livros” (1997).

“Os nossos compositores conseguiram realizar o sonho de Oswald de Andrade de levar poesia para as massas”, festeja o ator. Nesta cumplicidade com a plateia, Gregório mostra gradativamente que a poesia não tem nada de hermética e, claro, homenageia Portugal, o país que emprestou ao Brasil a sua língua para que todos se comunicassem. Além de Fernando Pessoa, o ator evoca o poeta Eugênio de Andrade e lembra de que a origem de O Céu da Língua está relacionada ao espetáculo Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar. O divertido intercâmbio linguístico colocou no mesmo palco Gregório e o humorista luso Ricardo Araújo Pereira em improvisações sobre o idioma que os une.

FICHA TÉCNICA

Interpretação: Gregorio Duvivier
Direção: Luciana Paes
Texto: Gregorio Duvivier e Luciana Paes
Assistente de direção, criação visual e projeções: Theodora Duvivier
Direção musical e execução da trilha: Pedro Aune
Iluminação: Ana Luzia de Simoni
Técnico de Luz: Lelê Siqueira
Desenho de Som: Dugg Mont
Diretor de Palco: Reynaldo Thomaz
Figurino: Elisa Faulhaber e Brunella Provvidente
Cenografia: Dina Salem Levy
Assistente de cenografia: Alice Cruz
Comunicação: Lucas Sancho
Fotos: Joana Calejo Pires, Priscila Prade e Raquel Pelicano
Identidade visual divulgação: Laercio Lopo
Design gráfico publicação: Estúdio M-CAU – Maria Cau Levy e Ana David
Marketing digital: Renato Passos
Assistentes de Produção: João Byington de Faria e Rafaela Correia
Produtora Executiva: Dani Mattos
Produtor Executivo: Lucas Lentini
Gerente de Projetos: Andréia Porto
Direção de Produção: Clarissa Rockenbach e Fernando Padilha
Produção: Pad Rok
Produção local: Orth Produções

SERVIÇO

O Céu da Língua – Gregório Duvivier Florianópolis
Data: 10, 11 e 12 de novembro
Horário: 18h30
Local: Teatro Ademir Rosa (CIC) – Florianópolis
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 85 minutos
Ingressos: Diskingressos.com.br

Por Anselmo Prada
Fotos: Annelize Tozetto & Priscila Prade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *