Artista de São Paulo realiza primeira exposição individual sobre identidade e memória negra em Florianópolis

Artista de São Paulo realiza primeira exposição individual sobre identidade e memória negra em Florianópolis

“Cartografias das Reexistências” reúne obras produzidas por Renata Felinto na Fundação Cultural Badesc.

A Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, recebe a partir desta quinta-feira (30), a exposição “Cartografias das Reexistências”, primeira mostra individual da artista paulista Renata Felinto em Santa Catarina. A abertura está marcada para às 19h, com entrada gratuita.

Com curadoria de Juliana Crispe, a exposição reúne obras produzidas entre 2000 e 2021, incluindo pinturas, fotografias, fotomontagens, vídeos e ações performáticas. 

A mostra reorganiza trabalhos já realizados, oferecendo uma nova leitura sobre a produção de Felinto, marcada por investigações visuais e conceituais que tensionam narrativas coloniais e abordam experiências da população negra. Entre os destaques está a série “Re-Existindo”, que reúne obras como “Filhos de Cam”, “Made in Brazil” e “Matriarcas”, construídas a partir do álbum fotográfico familiar da artista e voltadas à reflexão sobre os processos de recriação cultural e identitária na afro-diáspora.

Também integram a exposição a série “Afro Retratos”, em que a artista explora múltiplas identidades e questiona visões fixas sobre africanidade, e o projeto “Também Quero Ser Sexy”, que problematiza padrões de branquitude e a naturalização do racismo recreativo. A mostra inclui ainda obras como “Fada Gestante”, “Ori Inu”, “Dias de Luta, Dias de Amar” e a série “Gritem-me Negra!”, com homenagens a importantes figuras da cultura negra.

Trabalho da artista Renata Felinto que integra a exposição em Florianópolis. Foto: Renata Felinto

Renata explica que ao tratar dos regimes coloniais de visibilidade que historicamente produziram estereótipos, silenciamentos e violências sobre o povo negro, especialmente sobre as mulheres negras, “Cartografias das Reexistências” afirma outras possibilidades de existência, espiritualidade, desejo e autoinscrição. As mulheres negras aparecem não como categoria homogênea, mas como corpo coletivo atravessado por múltiplas experiências, memórias e temporalidades.

“Ao reconstruir narrativas e enfrentar silêncios históricos, a exposição propõe a construção de imaginários comprometidos com justiça social e valorização das experiências negras, especialmente as de mulheres/mulheridades. A mostra se afirma como um dispositivo de educação antirracista, ao produzir deslocamentos nos modos de aprender, ensinar e imaginar as experiências negras”, compartilha a artista.

A mostra pode ser visitada até 18 de junho, de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h, e aos sábados, das 10h às 16h, na sede da Fundação Cultural Badesc, localizada na rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro da capital. Como parte da programação, será realizada uma roda de conversa com a artista e a curadora no dia 6 de maio, às 19h30.

Sobre a artista: 

Renata Felinto é artista visual, pesquisadora e professora afro-diaspórica. Doutora e mestra em Artes Visuais pela UNESP, bacharel em Artes Plásticas pela mesma instituição, com especialização em Curadoria e Educação em Museus de Arte pelo MAC/USP e formação pedagógica equivalente à licenciatura pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Realizou estágio pós-doutoral no Center for Africana Studies da University of Pennsylvania – UPenn (2023). É professora da URCA, onde atua na Licenciatura em Artes Visuais e lidera o grupo de pesquisa NZINGA (CNPq). Foi cocuradora artística e do educativo da 15ª Bienal Naïfs do Brasil (SESC), recebendo o Prêmio Miguel Arcanjo de Cultura (2021). Atuou também como curadora adjunta do Instituto Oficina de Cerâmica Francisco Brennand. Como artista, participou de exposições como Histórias Afro-Atlânticas (MASP/Instituto Tomie Ohtake), 12ª Bienal do Mercosul, Enciclopédia Negra (Pinacoteca/MAR), Empowerment (Kunstmuseum Wolfsburg) e Dos Brasis (SESC). Recebeu o Prêmio PIPA, o Prêmio Select de Arte e Educação e o 25º Salão Anapolino de Arte (2020).

Sobre a curadora: 

Juliana Crispe é curadora independente, pesquisadora e arte-educadora. Professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), integra a Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA).

Confira também:
Grupo de teatro de Navegantes representa o Brasil em Festival Internacional na Colômbia
Fotógrafos podem se inscrever em mostra que celebra o centenário da ponte Hercílio Luz em Florianópolis
Show gratuito de Joss Stone em Floripa marca centenário da Ponte Hercílio Luz

Por Emanuele Dutra, sob supervisão de Rodrigo Ramos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *