Esteban – Saca La Muerte de Tu Vida | Crítica

Ex-baixista da Fresno atinge o ápice de sua carreira com novo trabalho

Esteban Saca la Muerte de tu Vida capaSeria muito fácil para Rodrigo Tavares continuar na Fresno, uma das principais bandas brasileiras dos últimos anos, seguindo eternamente como o baixista que uma vez ou outra tinha participação nas músicas de Lucas Silveira, sendo mais lembrado pelos gritos ensandecidos de “Milonga”. Mas Esteban foi além, não se acomodou e resolveu seguir o seu próprio rumo na estrada da música.

A vida solo começou em ¡Adios Esteban!, o álbum com versões dos singles que o músico jogava na internet desde a época da Fresno. Músicas como “Pianinho” e “Sophia” obtiveram grande destaque nas redes sociais, gerando um número considerável de bons covers pela internet.

Eis que agora Esteban atinge o ponto forte e independente da sua carreira em seu mais novo trabalho, intitulado Saca La Muerte de Tu Vida. Esqueça qualquer coisa animada, tampouco espere bateção de cabeça. O novo álbum do gaúcho é um bom prato para os fãs da melancolia e das boas poesias que cortam o coração dos mais sensíveis.

As suas influências estão expostas e mescladas. A pitada de música latina se encontra em sintonia com o Emotional Hardcore, oriundo da Flórida, principalmente da banda Anberlin, da qual o cantor é fã assumido. O acordeon não é aquele do qual você vai imaginar o músico dançando arrocha e dando aquelas reboladinhas deprimentes. O instrumento mostra toda sua serenidade e beleza na grande maioria das músicas e casa perfeitamente com os solos desesperadores de guitarra, que ecoam pelo trabalho, como um pedido de salvação da alma apaixonada.

“Chacarera da Saudade”, a terceira faixa do disco, é pensativa, te faz ter vontade de ficar olhando somente o movimento da rua, através do seu apartamento de luz apagada, com um copo de bebida na mão.

Outro destaque é a fuga dos refrões feitos no meio da canção, fazendo que as letras sejam difíceis de decorar. O ponto positivo é que a cada audição, surge uma nova e incrível sensação.

Há também a participação da cantora blumenauense Tay Galega, na canção “Tango Novo (Nada Impede a Onda de Passar)”, uma bela faixa no ritmo argentino, sem parecer algo antiquado, e até mesmo revigorante.

A faixa destaque é “Cigarros e Capitais”. Ela conta a história da crise de um homem apaixonado de quase 30 anos. Os arranjos são um pouco diferente das outras faixas, dando uma pegada um pouco mais dançante dentre os elementos melancólicos e emocionantes do disco.

Este é com certeza meu trabalho favorito entre qualquer outro projeto de músicos da Fresno. Ele pode proporcionar também uma quebra no preconceito musical que existe com o gênero EMO, conhecido por ser choroso e sem muito significado. No entanto, Esteban Tavares consegue inverter essa lógica, trazendo qualidade sonora e uma grande carga emocional, sem soar piegas ou chorão. Assim como os colegas da ex-banda, Rodrigo provou ter amadurecido como músico. Que continue assim.

4.5 STARS

Por Dinho de Oliveira
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