Mad Men – 7ª Temporada | Crítica

Sem reviravoltas, a melhor série deste século se encerra com final relativamente feliz

[Este texto possui spoilers da temporada em questão]

Mad Men the end of an era posterEm seu primeiro ano, Mad Men não me conquistou. Talvez, mal acostumado como estava com as séries em geral, esperava por mais movimentação em cena, mais grandes acontecimentos. Levou um tempinho até eu perceber que a beleza do seriado estava nisso mesmo, nesse desenvolvimento pacato, um dia de cada vez. Sabe aquela coisa de “série sobre pessoas”? Isso é um dos principais atributos e virtudes de Mad Men. Nunca houve grandes reviravoltas (não é Revenge) e tampouco foram provadas mil teorias malucas (não é Lost). É sim uma história sobre aqueles personagens e mudanças – sendo elas históricas, de costumes e pessoais.

Em sua última temporada, iniciada lá no ano passado, e continuada e finalizada neste mês de maio, acompanhamos a trajetória de queda e acensão de Don Draper (Jon Hamm). Com tudo o que jamais pensou que poderia ter, ele iniciou uma caminhada de autodestruição, quase uma autossabotagem. Temporada após temporada, fomos entendendo os demônios dentro da mente do homem, que teve de se reinventar, colocar o seu passado para trás para poder ir a diante. Contudo, o passado, vez em quando, persegue Don e isso é uma das coisas que movimentam a segunda metade do último ano da série.

Mad Men the final season 09

Recapitulando a primeira metade, a série se ambienta no final dos anos 60 e Don, no fundo do poço, continua se destruindo. Ele mantém-se um pai medíocre, um marido infiel e um profissional descontrolado. Ainda assim, seu talento fala por si e então ele precisa, humildemente, recomeçar sua carreira, dentro da sua própria empresa. A volta da sétima temporada trouxe um clima diferente, já no início dos anos 70, trazendo um impacto cultural diferente, visível nos costumes, na direção de arte e nos figurinos dos personagens. Como sempre, Mad Men se mantém excelente em ambientar-se em determinada época. As mudanças, geralmente sutis, dão uma guinada maior aqui pela mudança de década, se distinguindo bem dos anos anteriores.

Muitas coisas mudaram na Sterling Cooper & Partners (SC&P) entre as duas metades da temporada, porém, há outras que continuam iguais. Don, é claro, volta a mostrar sua competência como publicitário. Assim como seu talento para marketing, Draper manteve sua rotina de bebidas e sexo descompromissado. O personagem pode dizer o quanto quiser para si mesmo, mas ele ainda tenta apagar aquele passado que, apesar de alegar que pode ser deixado para trás, nunca de fato o abandonou e ele carrega o peso dessa mentira por toda sua vida. O personagem já aconselhou outras pessoas a passarem uma borracha no passado e recomeçar, como Peggy (Elisabeth Moss) e Stephanie (Caity Lotz). Se a colega de trabalho foi convencida lá no início da série, no último episódio da série, a filha de Anna (a verdadeira esposa do finado Donald Draper), não crê que isso seja realidade. Olhar para frente não significa que o pretérito não assombre de vez em quando. Isso é uma constante nessa segunda metade de temporada. Por mais que Don queira, de uma forma ou de outra o passado ressurge e o peso de ser quem ele é, uma reinvenção do que ele gostaria de ser e jamais teria a oportunidade caso continuasse sendo Dick Whitman. Por isso, em determinado momento da temporada, ele pega e deixa tudo para trás – mais uma vez.

Jon Hamm (Mad Men season 7)

Draper sabe que pode ser quem quiser. Ele pode consertar máquinas de refrigerante assim como poder muito bem ser um piloto de carro. A escolha é dele. Na reta final da série, cada vez mais ele se despe de sua criação, tentando buscar um novo rumo desesperadamente, algo que lhe faça sentido. Ele vai o mais longe possível, mas de alguma forma acaba se deparando com elementos que já vivenciou. A guerra é um exemplo, assim como o garoto que quer fugir e lhe aplica um golpe. Don procura um motivo para viver. No meio de tantas mentiras que contou para si mesmo, para as pessoas que o amam e o admiram, o protagonista precisa encontrar a resposta de quem ele realmente é. Dick? Don? Quem?

No episódio final, Don encontra-se perdido e cético em relação ao retiro em que foi levado. É com relutância que ele escuta o discurso e sente a vibe zen do local. Em “Person to Person”, Don fala com as três mulheres de sua vida. A cada telefonema, de pessoa pra pessoa, ele vai se desconstruindo diante dessas figuras femininas, representadas por Sally (Kiernan Shipka), Betty (January Jones) e Peggy. No primeiro, ele tenta fingir ser o pai que deveria ser e diz que vai largar tudo para ir cuidar da família, mas Sally, no ápice de sua maturidade, mostra-se a mais sensata da relação, relembrando-o como ela não precisa dele. O mesmo faz a ex-esposa, que diz que tê-lo longe deles, naquele momento, faz parte dos planos, uma vez que ele sempre desempenhou esse papel de ausência. O papo entre Betty e Don é de cortar o coração, especialmente quando a franqueza resulta em lágrimas e dor, mas ainda assim sobressai um sentimento de amor e respeito, apesar dos pesares. A verdade é que Betty sabe que Don não é, nunca foi e tampouco será o marido ou figura paterna ideal, algo que Draper acha que deveria ser, mas não é. Até mesmo porque não recebeu esse tipo de amor, portanto não sabe reconhecê-lo e menos ainda transmiti-lo. Analisando por esta ótica, o ambiente de infância e juventude dele (um prostíbulo) o impediu de saber o que é amar e ser amado. Suas constantes traições podem muito bem ser fruto disso, uma busca incessante desse sentimento ou simplesmente uma forma de flagelo por não conseguir saber o que é o amor. Autossabotagem.

Robert Morse as Bertram Cooper - Mad Men _ Season 7, Episode 7 - Photo Credit: Justina Mintz/AMC

O último telefonema que faz no series finale é para Peggy. A relação entre os dois sempre foi uma das maravilhas da série. Ainda que passem vários episódios distantes, os diálogos entre eles são sempre poderosos. A última conversa deles não poderia ser diferente. Don informa rapidamente o seu paradeiro para Peggy e lhe conta que ele não é nada do que ela imaginava. Ela crê que ele está pirando e diz que isso não é verdade e que ele pode voltar para casa – neste caso, a McCann, empresa de publicidade que comprou a SC&P. Don dá um jeito de jogar um pouco de autopiedade (“tudo desmoronou aí sem mim?”), mas é com sua pupila que ele realmente se abre e assume que estragou tudo. “Eu quebrei todas as minhas promessas. Eu escandalizei minha filha. Eu peguei o nome de outro homem e não fiz nada com isso”. Mesmo no meio de uma multidão, Don se sente sozinho, desamparado, assim como se sentia quando criança.

Durante depoimento em uma das reuniões nesse lugar longe da cidade, uma espécie de retiro espiritual, Don enxerga nas palavras do discursante, Leonard, como ele se sente. Diferente de Leonard, que se diz não ser interessante em nenhum aspecto, Don é exatamente o oposto. Tudo o que há de interessante habita em Draper, o que o torna privilegiado – o que como Dick era completamente diferente, mas como Don se tornou realidade. Bonito, inteligente, charmoso, talentoso, Don de fato poderia fazer tudo e conquistar o mundo, sendo assim, todos queriam ser iguais a ele. O que não se aplica a Leonard. Ele passa despercebido pela multidão, até mesmo pela sua família. É como se eles não se importassem quando ele não está presente. “Eles deveriam me amar”, constata Leonard. “Talvez eles me amem, mas eu nem sei o que é isso. Você passa a sua vida inteira achando que você não está recebendo amor, que as pessoas não estão lhe dando. Então você percebe que eles estão tentando e você não sabe o que é isso”. Não sabemos do passado de Leonard como conhecemos o de Don, mas é impossível não entender que o sentimento é igual. Assim como Leonard, Don não reconhece o amor. Não sabe receber e tampouco doar. Quando percebe que, de repente, não está mais sozinho na multidão, Don abraça Leonard em solidariedade e também em agradecimento, com ambos caindo no choro, talvez o mais sincero e mais dolorido da vida de ambos ao reconhecer essa deficiência.

Mad Men the final season 10

O desfecho de Don é verdadeiro com o personagem. Tudo indica que sim, ele é o responsável pela propaganda da Coca Cola, última cena de toda a série. Como tudo na série e o próprio personagem, são ciclos. Tudo acaba se renovando. No mantra do ommmmm, Don se encontra com o seu eu verdadeiro. Ele é um publicitário nato e a profissão é a única coisa certa que ele sabe fazer. Ele é o seu trabalho. Ponto. Por mais que ele tenha se apropriado dessa cultura zen, de paz e irmandade, não quer dizer que a experiência foi em vão para ele, como pessoa. Na verdade, foi reveladora. E Don, nem que seja por algum tempo, encontrou a paz interior. Só não saberemos até que ponto essa identidade e tranquilidade irão perdurar para ele.

A força das mulheres

Num mundo misógino como o que temos hoje, onde ainda discutimos a igualdade entre as homens e mulheres – ainda há gente que acha que o homem tem que sustentar a casa, enquanto a mulher apenas gasta o dinheiro e cuidar do lar. Até mesmo em Hollywood, em 2015, as mulheres não ganham o mesmo que as pessoas do sexo masculino. Na recente série Gracie & Frankie, da Netflix, as protagonistas Jane Fonda e Lily Tomlin receberam o mesmo salário que os atores coadjuvantes Sam Waterson e Martin Sheen – e ficaram bem irritadas ao saberem desse fato. Isso é só um dos inúmeros exemplos. Diante disso, dá pra imaginar a dificuldade que era ser alguém do sexo feminino na década de 60 e ser levada a sério?

Elisabeth Moss as Peggy Olson in Mad Men.

Peggy e Joan (Christina Hendricks) são duas guerreiras e sobreviventes. Num mundo de homens, onde eles não sabem o que fazem com tudo o que tem, dando voltas e voltas, mas sem sair do lugar, as duas vão em linha reta e batalham para serem reconhecidas. O reconhecimento demora, é óbvio. A série toda, na realidade. A superação delas veio a cada dia. As duas eram apenas secretárias, ápice empregatício de uma mulher lá nos primeiros anos da década de 60 – como é o caso também de Peggy Carter na série Agent Carter, ambientada ainda 20 anos antes do início de Mad Men.

Peggy Olsen teve o caminho mais tortuoso, deixando os valores da família conservadora para trás, abandonando seu filho, tudo para ter sucesso na carreira profissional. Bateu de frente com Don inúmeras vezes, mas não desistiu e por isso chegou aonde está. Nessa evolução, veio também o amor próprio. Quando é chamada para a McCann, não vai para lá até ter seu escritório próprio. Ela sabe que tem valor e se lembra da estrada que trilhou. Ela merece todo o sucesso que tem e que ainda terá. Por mais que alguns reclamem de seu desfecho, ter finalmente um relacionamento amoroso que dure (ou não, afinal não sabemos o que vem a seguir em sua vida) é importante para a personagem, uma vez que ela deixou seu trabalho lhe definir, não sendo absolutamente nada sem ele – é basicamente no que se transformou Don. Enquanto ele abraçou isso claramente no season finale, Peggy, sem querer, descobriu que estava apaixonada e escolheu optar por amar, finalmente, uma pessoa familiar, com quem ela já se relacionava há anos, por quem ela já era apaixonada, só não havia tido tempo para parar e perceber isso. Quando ela tem a oportunidade, Peggy faz do seu jeito: nega a ideia, depois a contesta, e pouco a pouco vai pesando os fatores até se tocar de que o sentimento que tem por aquela pessoa é realmente amor. E sim, uma mulher pode ser poderosa, bem sucedida, sexy e ainda assim ter alguém do lado dela. Isso não diminui o peso da personagem e tampouco descredibiliza sua jornada. Pelo contrário, isso apenas agrega.

Mad Men the final season 05

Joan, por sua vez, demorou mais do que Peggy para ser reconhecida. Ela teve de se submeter a circunstâncias que nenhuma mulher deveria ter que ser submetida. O custo para ela foi mais alto. No entanto, quando alcançou seu status que batalhou para ter, não deixou mais ser subjugada. A segunda metade para Joan foi maravilhosa, com o desenvolvimento merecido para a personagem, que não foi tão bem utilizada na primeira metade da sétima temporada. Ela discutiu negócios, garantiu contas, bateu de frente com quem quis se aproveitar dela e não deixou ninguém desmerecê-la. O último amor dela na série apareceu nos últimos sete episódios e serviu para provar como a personagem se emancipou de vez dos homens. Mesmo com dinheiro, um filho com futuro financeiro garantido, podendo passar o resto da vida passeando e aproveitando a vida com um cara, ela preferiu fazer algo melhor com o seu tempo e abrir sua própria empresa. Ela precisava disso financeiramente? Não. Mas ela o fez porque podia, porque era o que ela queria, criar algo próprio, com a identidade dela, sem ter de se reportar para outro homem, pela primeira vez em sua vida.

Minha personagem favorita nos últimos quatro anos em Mad Men se tornou outra mulher, mas essa ainda em desenvolvimento. Sally Draper passou por muitas situações desconfortáveis. Ela foi traumatizada pelo pai, tretou constantemente com a mãe, se revoltou sempre que pôde, mudou de comportamento, descobriu a sexualidade e costumeiramente jogou um balde de água fria em Don, situando-o na realidade. A personagem, no ápice de sua rebeldia como adolescente, teve de amadurecer de uma hora pra outra, ocupando o lugar da mãe em uma hora extremamente delicada para sua família. Betty descobre que tem câncer de pulmão (afinal, alguém tinha que sofrer com esse câncer ou um de fígado, após tanto álcool e tabaco) e tem apenas alguns meses de vida. Sally se choca com a notícia, mas é quem segura as pontas, uma vez que o pai é ausente, os irmãos são pequenos e o padrasto, Henry (Christopher Stanley), está em negação desde que soube do fato e não sabe como lidar com a morte iminente da esposa. A cena da garota na cozinha, sua última aparição na série, é cheia de significado e traduz a mudança da personagem. Queremos um spin-off de Sally pra ontem.

Mad Men the final season 01

Enquanto isso, Betty provou-se relevante dentro da trama e não servindo apenas como aquela que antagoniza Sally. January Jones, esquecida das premiações nos últimos anos (com razão, diga-se de passagem), volta a provar seu talento nesta reta final. Diferente de Joan e Peggy, a personagem teve uma vida de privilégios. Desde sempre preocupada em ser a esposa e a mãe ideal, ela começou a querer algo pra si. Sua inteligência foi subestimada em algumas situações ao longo da série e então Betty decidiu estudar psicologia. Infelizmente, sua escolha teve um péssimo timing e logo no começo da faculdade fora diagnosticada com câncer. O penúltimo episódio da série, “The Milk and Honey Route”, dedica parte de seu tempo para Betty e seu drama. A relação entre Sally e a mãe se estreita e Betty abraça seu destino, sem lamentações. Parece que a personagem finalmente se encontra com a notícia, sabendo que sua vida tem prazo de validade. Agora, ela enxerga tudo com clareza, inclusive descrevendo a filha de um jeito perfeito, notando suas diferenças e exaltando as virtudes de Sally. É de partir o coração. É uma despedida perfeita, assim como os destinos de Pete (Vincent Kartheiser) e o sempre divertido Roger (John Slattery).

Mad Men soube como dar um adeus decente a todos seus protagonistas. Como já havia adiantado o criador do seriado, Matthew Weiner, o final deixaria seus personagens um pouco mais felizes do que quando iniciou a série, com exceção de Betty. E por que não? Nem todo fim precisa ser trágico ou com grandes reviravoltas. A série nunca foi sobre esse tipo de coisa, e sim sobre pessoas, suas jornadas, as mudanças pessoais, de costumes e históricas. Além disso, a vida daqueles personagens não termina com o encerramento do seriado. Tudo ainda pode acontecer com eles, mas infelizmente o público não irá mais acompanhá-los. A despedida vem na hora certa e Mad Men se vai com a mesma dignidade de quando começou. Obrigado por tudo, Don, Peggy, Roger, Joan, Betty, Sally, Pete e todos os personagens incríveis que passaram nesses oito anos de série.

Mad Men (AMC)

Mad Men – Season Seven
EUA, 2014/2015 – 14 episódios
Drama

Criado por:
Matthew Weiner
Elenco: 
Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser, January Jones, Christina Hendricks, John Slattery, Aaron Staton, Rich Sommer, Kiernan Shipka, Jessica Paré, Kevin Rahm, Christopher Stanley, Jay R. Ferguson, Mason Vale Cotton, Alison Brie, Julia Ormond, Robert Morse

4.5 STARS

Por Rodrigo Ramos
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Uma consideração sobre “Mad Men – 7ª Temporada | Crítica”

  1. O que me marcou: MY WAY》A música é tocada por Don Draper no episódio 8 da quinta temporada, que traz o título de Lady Lazarus. Na cena, que aparece no final do episódio, ele coloca na vitrola o álbum Revolver, dos Beatles. Que lindo.

    No último episódio da 7a e última temporada vemos que a vida, afinal, não ficou tão difícil para Don Draper. O bonitão inteligente, talentoso, durão e mulherengo, larga o emprego e vai para a CA curtir a vida. Entretanto, fatos ocorridos mudam novamente o curso da estória. Don se depara com a sua realidade ao chegar a um retiro espiritual.
    Teremos também como desfecho final, o promissor e surpreendente caso de amor de Peggy e Dan; a nova fase da ex-sócia da SC&P Joan, que abriu o próprio negócio; a volta ao casamento de Pete e Trudy depois de uma separação. E a Roger, sócio-presidente que era o homem da vez para decidir conflitos, nunca deixando de lado os seus interesses pessoais e profissionais.
    Você descreveu um ótimo resumo da série. Parabéns.
    Na verdade, em Mad Men me senti por inúmeras vezes, a protagonista. Impossível não se emocionar com a história. Passei dias, meses, vendo e refletindo sobre a mensagem de cada episódio. E a ambientalização perfeita.
    Ontem assisti ao último capítulo tal e qual, gratificante.
    Mad Men já é uma série inesquecível.

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