Previamente Entrevista | Titãs

Tony Bellotto atendeu nossa reportagem e falou sobre música e política

São quase 33 anos de banda. Poucas são aquelas que atingem essa marca. De alguma forma, os Titãs se mantêm relevantes dentro do cenário musical no Brasil. Seu último disco, Nheengatu, lançado em 2014, deixa de lado o romantismo e traz uma pegada mais pesada, cheia de críticas políticas e sociais. Agora um quarteto, os caras se apresentam nesta sexta-feira (8) em Camboriú, no Maria’s – Shows e Eventos, como parte da sua turnê de divulgação do seu último álbum. Aproveitando a ocasião, o Previamente conseguiu uma entrevista com o guitarrista Tony Bellotto. Conversamos sobre TV, música e política. Confira-a abaixo.

Os Titãs têm diversos projetos na televisão. Como começou essa de vocês serem apresentadores?

Tony Bellotto: Bem, você sabe, a televisão nos deixou burros, muito burros demais…

Há muito tempo vocês não lançavam um disco tão ousado, pesado, tão político e crítico como o Nheengatu. Por que dar essa guinada agora? 

TB: Não foi bem uma guinada, foi mais uma questão de foco. Decidimos fazer um disco conceitual, unido numa mesma ideia.

Titãs é uma banda que sofreu muitas mudanças de formação até chegar aos quatro. O que mudou nessa transformação?

TB: Nos últimos tempos, com a saída do Charles e com o Paulo e Branco assumindo guitarra e baixo, nós praticamente nos reinventamos.

Vocês estão juntos há mais de 30 anos. Como é conseguir manter uma banda junta por tanto tempo, mantendo a qualidade e sem perder a relevância na indústria fonográfica?

TB: Não existe uma fórmula. O que nos une é o amor que temos pelo trabalho, e a constatação de que rendemos melhor juntos do que separados.

O que mudou na música dos anos 80 para agora?

TB: Basicamente o fato de os discos terem deixado de existir, na prática.

Há alguns gêneros musicais que ganharam mais espaço nos últimos anos no Brasil, tomando as paradas, como é o caso do funk e do sertanejo universitário. Como vocês enxergam essa tomada e o que acham desses gêneros.

TB: Eu não acho que gêneros signifiquem alguma coisa por si, há músicas boas e músicas ruins em todos os gêneros. Sobre o fato de esses gêneros mais populares estarem dominando o mercado, me parece compatível com uma política que possibilitou muita gente poder comprar discos, o que não fazia antes.

De que forma vocês avaliam o atual Governo no país (tanto o Federal, o Senado e a Câmara) e quais são as suas sugestões para melhorar a política como um todo no Brasil?

TB: O governo é, na minha opinião, de uma ineficiência aviltante, fora toda essa corrupção institucionalizada, que é revoltante. Mudar isso? Votando melhor nas próximas eleições.

Uma das principais discussões em termos de política no Brasil recentemente é a redução da maioridade penal, passando de 18 para 16 anos. Vocês são a favor ou contra essa alteração?

TB: Eu particularmente sou contra, mas acho que a lei deve mudar sim. Crimes hediondos e homicídios cometidos por menores deveriam ser julgados caso a caso, e punidos com rigor.

O que vocês têm ouvido recentemente e que poderiam nos recomendar?

TB: “Kind of Blue”, de Miles Davis. É ótimo

Por Rodrigo Ramos
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