Wado – 1977 | Review

Novo álbum é romântico, melódico e poético, sendo o melhor trabalho do cantor até agora

Oswaldo Schlikmann Filho, nascido em Florianópolis, mas criado em Maceió desde os seus oito anos de idade, é o nome verdadeiro do músico e compositor Wado. O músico não é nenhuma novidade na música brasileira, estando na grande cena desde 2001, sendo reconhecido como uma das grandes jóias artísticas pela crítica. As participações em seus discos e nas composições que os integram fazem jus à qualidade do cantor. Em suas obras já participaram nomes do calibre de Zeca Baleiro e talvez a mais excêntrica das parcerias que entrou em seu último CD, o roqueiro Lucas Silveira da banda Fresno.

Falando em discografia, o artista entra na categoria de “não faço CD ruim, obrigado!”. Desde seu primeiro trabalho, o Manifesto da Arte Periférica, os instrumentais dão conta de preencher o ambiente. Com guitarras leves dando o tom e a harmonia das canções, Luiz Melodia, Seu Jorge e Jorge Ben Jor são claramente as influências de seu primeiro trabalho. Entre músicas, “A Tragédia da Cor” traz à tona a formação do cantor em jornalismo. Falo isso pela facilidade do cantor em contar ao seu brother Sérgio, na faixa de abertura, como as coisas andam difíceis no Brasil e como o tiro pode vir da caneta do político. Tudo isso alinhado em uma melodia em que se confunde a música black, do já citado Luiz Melodia, com uma psicodelia alternativa encontrada nos discos mais marcantes de Os Mutantes. Os outros sete discos que vem a seguir merecem a mesma atenção, que eu deixo para um outro texto.

Seu mais recente trabalho, 1977, é provavelmente o melhor disco nacional do ano. Data de nascimento do cantor, o título do álbum expressa realmente o que é o CD, a autobiografia de um compositor que sente, vive e respira as mais belas letras e poesias, nos ensinando que uma letra não tem de ser necessariamente comprida para ser bela e tocante. Aposto muitas fichas neste trabalho como melhor do ano, pois entre os sertanejos ao vivo gravados em Goiânia e os funks cariocas de melodias pobres, ouvir os instrumentos deste disco tão bem alinhados se torna delicioso como o colo da mãe quando se tem quarenta graus de febre.

A faixa de abertura, “Lar”, é a porta de entrada para um mundo de felicidades musicais. Ela é a confirmação dos críticos que afirmam ter em 1977 o álbum mais rock ‘n roll dos seus oito componentes da discografia. Mas o que é esse rock? Enganam-se os chatos de plantão dizendo que rock ‘n roll é o peso das guitarras ecoando pelos amplificadores, os fazendo balançar a cabeça alucinadamente até cansar. Rock é muito além de uma constituição melódica pesada. É sim a atitude de Robert Plant, a melancolia romantista de Paul McCartney e o swing experimental de Jimi Hendrix.

“Cadafalso”, a segunda faixa, além de fazer você jogar no Google o que significa o título da música, nos faz fechar os olhos e imaginar uma história de amor frenética, aquela em que os beijos e toques se espalham terminados por tapas e dizeres de “não quero mais te ver”, enquanto o outro espera o chão correr para cair entre os braços da amada.

Mas as duas últimas faixas são as chaves de ouro de fechaduras marcantes do mundo da música. “Palavra Escondida”, parceria com Zeca Baleiro, nos leva a descobrir e refletir sobre uma palavra escondida em algum lugar, que você teve medo de dizer e o que fez perder seu próprio amor ou o amor da sua vida. Enquanto a outra faixa, “Um Dia Lindo de Sol”, é a única faixa não composta por Wado, mas chama a atenção pelas linhas de música mexicana encontradas na canção.

Poderia falar sobre as participações de artistas estrangeiros em outras faixas do CD, em que podemos ver Wado com vários sotaques e a poesia em várias vertentes. Contudo, paro por aqui. Corra, feche os olhos e ouça um deleite musical. Poético, romântico e melódico.

4.5 STARS

É possível ouvir o disco na íntegra no player abaixo.

por dinho de oliveira
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