Cinderela | Review

Exceto por alguns detalhes dispensáveis, o longa é um replay do filme de 1950

Cinderela posterA Disney está cada vez mais esperta. Após séculos com grandes animações, ela ficou pra trás um pouco quando surgiram a DreamWorks e, principalmente, a Pixar. Então o estúdio comprou a criadora de Toy Story. Aos poucos, ela foi melhorando seus próprios longas, como Operação Big Hero e Frozen. Ela adquiriu os direitos das franquias Indiana Jones, Star Wars e também é detentora dos direitos da Marvel. É basicamente um império cinematográfico. Por último, e não menos rentável, agora a criação de Walt Disney está se focando em fazer versões live-action de suas principais animações como Malévola, em 2016 tem A Bela e a Fera, e neste ano a bola da vez é Cinderela.

Por mais que soe fofinho ver algumas dessas animações na tela com gente em carne e osso, será que vale a pena fazê-los? Em termos de retorno financeiro, com certeza. A Disney não está mais apostando fichas sem saber as cartas que têm na manga, sem saber que a vitória é garantida. Dito e feito, Cinderela é realmente um fenômeno de bilheteria, arrecadando mais de US$ 67 milhões só no fim de semana de estreia nos EUA.

CINDERELLA

Cinderela é nada mais do que a transição da animação. Se em Malévola, por exemplo, a Disney se permitia brincar com a personagem vivida por Angelina Jolie, deturpando-a, em Cinderela isso não acontece e o longa-metragem respeita grande parte dos aspectos do filme original. É claro que não há como culpar ninguém do fato de o enredo ser o mesmo, com desenrolar e o desfecho basicamente iguais, salvo um detalhe ou outro que não fazem diferença. O xis da questão aqui é que Cinderela é o tipo de história datada, que já não serve mais pros dias de hoje. É a noção de que a mulher só será salva se tiver seu príncipe encantado. Mas tudo bem, não irei me ater a esse fato, até porque a resolução acaba sendo bonitinha, uma vez que a protagonista tem zero porcento de pulso firme ao deixar que três “intrusas” tomem conta de toda a sua vida e permite-as fazê-la de gato e sapato, e somente com o príncipe encantado ela consegue deixar tudo para trás.

O que salva Cinderela do limpo criativo é, primeiramente, o seu visual belíssimo, tanto em termos de direção de arte, figurino (pontual para marcar a personalidade da madrasta e suas filhas) e os penteados. É um deleite para quem é fã de filmes de época. O que também ajuda a trama a não cair no marasmo, uma vez que todos já sabemos exatamente como tudo vai se resolver, é o humor presente ao longo da narrativa. Além disso, os atores se comprometem em seus papeis, o que ao menos dá credibilidade à película. Cate Blanchett já teve em produções melhores, mas ela faz uma madrasta má deliciosa, enquanto as irmãs cumprem seu papel com dignidade – nada muito forçado, felizmente. A protagonista Lily James, mais conhecida por sua participação em Downton Abbey, segura bem a frente do longa, sendo doce na dose certa, sofrendo sem cara de choro desproporcional e com uma beleza encantadora, o que não é nada mal.

Cinderela é agradável, mas não surpreende, não inova, não reinventa (pra melhor) sua trama. É um filme, por fim, redundante. Ainda assim, parece ao menos esforçado, mas nada que seja imperdível ou que não se tenha visto antes. Vale mais pelo curta-metragem Frozen: Febre Congelante, exibido antes do longa.

CINDERELLA

Cinderella
EUA, 2015 – 105 min
Fantasia

Direção:
Kenneth Branagh
Roteiro:
Chris Weitz
Elenco:
Lily James, Cate Blanchett, Richard Madden, Stellan Skarsgård, Holliday Grainger, Sophie McShera, Derek Jacobi, Helena Bonham Carter

3 STARS

Por Rodrigo Ramos
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