Os Melhores Episódios de Parks and Recreation

Selecionamos os nove episódios mais marcantes de Leslie Knope e companhia

Começando como uma série focada em uma funcionária do departamento de Parques e Recreação de Pawnee, uma pequena cidade de Indiana, nos EUA, que tinha como propósito criar um parque onde havia um buraco gigante, Parks and Recreation evoluiu já em sua segunda temporada para se tornar umas das comédias mais memoráveis das últimas décadas. Enquanto o gênero atual vem acompanhado de humor negro, dramédias e sátiras, Parks and Rec é permeado por muito otimismo, confiança na mudança e, acima de tudo, mostra como os amigos são importantes na vida da gente, por mais diferentes que sejamos. Óbvio que há momentos hilários ao longo das sete temporadas em que permaneceu no ar, mas a série trouxe muito mais do que risadas. Ela se tornou um dos seriados mais adoráveis e calorosos dos últimos tempos.

É por tudo isso que o Previamente resolveu fazer este especial com os nove melhores episódios de Parks and Recreation. Chamamos alguns fãs da série para selecionar e argumentar qual é o seu episódio favorito. Será que o seu entrou na lista? Seja como for, aqui vai nossa singela homenagem ao seriado que chegou ao fim em fevereiro.

S02E01: Pawnee Zoo (2009) – Direção: Paul Feig

Se a série em sua primeira temporada focava exclusivamente no tal buraco, o primeiro capítulo do segundo ano de Parks trouxe uma pegada completamente diferente e que colocava-a nos trilhos. Leslie resolve realizar uma cerimônia de casamento entre dois pinguins no zoológico da cidade. O problema é que os dois animais são machos, o que começa a causar alvoroço por parte dos defensores da família tradicional, enquanto a classe LGBT celebra Leslie como uma defensora da causa, como se sua ação tivesse sido uma forma de protesto. O episódio é fantástico não só pelos momentos engraçadíssimos, como o casamento em si, a festa na balada alternativa e o debate no talk-show, mas também por trazer um tipo de discussão que hoje está muito em pauta, mostrando que sim, existe gente com uma visão quadrada e antiquada em relação aos direitos civis dos homossexuais. De certa forma, pode até parecer bobo dentro de uma série de comédia, mas a crítica aqui àqueles que creem na “família tradicional” é certeira e, mesmo após quase sete anos de sua exibição, mostra-se ainda um debate urgente e relevante.

Parks and Recreation - Pawnee Zoo

S02E10: Hunting Trip (2009) – Direção: Greg Daniels

BULA BULA BULA BULA! “Hunting Trip”, décimo episódio da segunda temporada de Parks and Recreation é, para mim, um divisor de águas. É nesse capítulo que conseguimos deixar para trás a Leslie que parecia uma versão feminina de Michael Scott para começar a amar a personagem ótima que ela se torna. Numa história que reúne aquele humor nonsense de sempre, temos todo o grupo indo para um dia de caça, contra a vontade de Ron, que realiza a atividade anualmente só com seus colegas homens. Depois de toda a confusão, temos a nossa querida Leslie assumindo a responsabilidade para defender seus amigos (e sendo reconhecida por isso). Detalhe para a minha cena preferida do episódio, que até hoje me faz chorar ao lembrar que Amy Poheler não ganhou um Emmy por isso: quando Leslie começa a falar desculpas do estereótipo machista para justificar ao guarda o “seu” erro, indo contra tudo o que ela defende. “Bitches be crazy!”. E, acima de tudo, o episódio termina daquele jeito fofo, feliz, que nos dá esperança no mundo. Ah, Parks, você faz falta.

Parks and Recreation

S02E15: Sweetums (2010) – Direção: Dean Holland

Após uma primeira temporada composta apenas por seis episódios, testando, assim, a reação da audiência e, de forma contrária, desenvolvendo as personagens da série, Parks and Recreation estabeleceu-se como uma boa e agradável série no estilo mockumentary já no início de sua segunda temporada, trazendo momentos hilários e inesperados logo no primeiro episódio, “Pawnee Zoo”. Se havia algum receio de que Parks perdesse sua qualidade nos episódios subsequentes até o fim desta temporada, “Sweetums”, o 15º, talvez seja, olhando agora para trás, um daqueles capítulos de uma série que nos faz parar e afirmar que gostamos realmente de assistir tal programa justamente por trazer um elemento que elevou Parks and Recreation a um nível em que poucas séries americanas chegam: o de unir críticas ácidas através do humor e, ainda mais, um humor que não é totalmente palatável para qualquer público.

“Sweetums” apresenta uma trama relativamente simples, em que Leslie Knope deve decidir se o departamento de Parques e Recreação de Pawnee deve ou não assinar um contrato com a única empresa expressiva da cidade: Sweetums, fabricante de guloseimas altamente nocivas às artérias de qualquer ser humano. Esse detalhe, porém, só vai ser observado pela recém-amiga de Leslie, Ann, que ao dar uma olhada em uma das embalagens da barra de cereal criada pela Sweetums, alerta Leslie sobre o perigo da população consumir os produtos da empresa municipal.

O episódio, então, vai mostrar diversas sequências que trazem um humor não só corrosivo, quanto involuntário, deixando o espectador refém de momentos inacreditáveis como quando um dos moradores questiona Ann que “se açúcar é algo tão ruim, por que Jesus fez ele ter gosto tão bom?”; ou quando, no mesmo fórum aberto à população, a empresa Sweetums decide trazer, ao vivo, os astros do comercial da barrinha de cereal, praticamente comprando todos os votos da população a seu favor. A partir daí nós começamos a perceber que Parks and Recreation não só vai criar situações absurdas a favor do humor, mas provar, através do humor, que as situações são absurdas justamente por serem possíveis no mundo real, mostrando que uma possível parceria entre um departamento público com uma empresa privada não prevê os danos inerentes à população, deixando as vantagens presas apenas aos interesses da empresa… bem fictício isso, não?

Sem contar que “Sweetums” nos presenteia com uma das sequências mais hilárias da série, quando os funcionários do departamento comem demasiadamente as barrinhas da Sweetums e, após alguns minutos, têm um “sugar rush”, fazendo passinhos de dança enquanto a repartição está tomada por música eletrônica. A queda do açúcar, depois, deixando todos pra baixo, é similar ao gosto que Ann e Leslie têm ao perceber que a população, levada na ilusão do livre-arbítrio e do American way of life de que todos são livres para fazer o que quiser, prefere ingerir algo ruim à saúde do que questionar, refletir e perceber que nem sempre o fato de poder escolher algo livremente é algo bom para o coletivo.

Parks and Recreation - Sweetums

S3E04: Ron & Tammy: Part Two (2011) – Direção: Tucker Gates

Possivelmente o episódio mais hilariante de Parks, “Ron & Tammy: Part Two” nos traz novamente a ex-esposa de Ron, Tammy. Isso acontece porque Ron está namorando a ex-esposa de Tom, mas eles acabam terminando. Porém, Tom não sabe disso. Em uma vingança em conjunto, Tammy usa Tom para fazer ciúmes em Ron. Há cenas antológicas nesse episódio e é difícil imaginar alguém que consiga ficar sequer dois minutos sem rir. Nomeie. As frases de efeito sujas e pervertidas de Tammy; Tom apanhando de Tammy; Ron de rastafári e preso; Ben falando sobre calzones e mostrando não ter domínio algum para falar com autoridades policiais. Esse é o episódio que mostra como Parks sabe bem fazer rir, ajudando a destacá-la também por seu dom cômico, sem precisar de bordões e tampouco fingir que é mais inteligente do que as demais comédias, apesar de ser.

Parks and Recreation - Ron and Tammy Part Two

S03E07: Harvest Festival (2011) – Direção: Dean Holland

Uma das coisas mais apaixonantes de Parks & Recreation, para mim, é a maneira como a série se transformou em uma comédia hilária e, ao mesmo tempo, uma história bonita de amizade. Lá pela terceira temporada, Parks alcançou o nível em que conseguia entregar ótimos episódios mesmo quando não era engraçada. O carinho que criamos pelos personagens foi tão grande, que Parks poderia ser um romance ou até um drama às vezes. “Harvest Festival”, sétimo episódio da terceira teporada, é o maior exemplo de tudo isso que a série consegue ser: hilária, bonita e até emocionante.

Antes de qualquer coisa, o episódio já veio com um peso de expectativa nas costas; desde o início da temporada a trama do festival era trabalhada. O resultado é um dos pontos de clímax da série, em um episódio que diverte e emociona, com alguns dos momentos mais gloriosos da série. Temos aqui a primeira aparição de Lil’ Sebastian, Ben sem entender o encanto do mini-cavalo, Ron tendo as melhores reações do mundo, o cavalo fugindo, Andy respondendo um “eu te amo” com “THAT’S AWESOME SAUCE!” e várias outras cenas que marcaram os fãs da série.

“Harvest Festival” é desses episódios que vez em quando me pego assistindo novamente, quando preciso daquela dose de conforto pra vida, que deixa tudo mais leve e alegra o dia. É um episódio que resume a minha paixão por Parks & Recreation, e que certamente vai deixar saudades.

Parks and Recreation - Harvest Festival

S03E09: Fancy Party (2011) – Direção: Michael Trim

“Fancy Party” não é um episódio perfeito de Parks and Recreation, e até poderia ser ofuscado quando exibido na fantástica (e pessoal favorita) season 3. Mas aqui está a essência da série perfeitamente encapsulada: um grupo de amigos que se ama e se importa uns com os outros. É o casamento surpresa de April e Andy, um casal jovem e recém-formado. Alguém que está mudando o canal e assistindo o seriado pela primeira vez poderia prever um desastre. Até Leslie indicaria uma lista de prós e contras antes de tomar uma decisão tão apressada. Mas essa é uma série sobre otimismo, sobre sonhos e a realização dos mais selvagens e loucos deles. April e Andy são um par tão contrastante que acabam se fundindo, na ideia de dois extremos de uma pessoa só. Além do grande evento, o episódio divide sua atenção com Ann (Oh Ann, you beautiful, heartwarming, gracious goose!) e Donna num bar pra solteiros; e Ben decidindo se fica em Pawnee ou aceita um emprego em Washington. É Parks no seu melhor, rendendo momentos engraçados como a falta de prática romântica de Ann e a super autoconfiança de Donna; e momentos-quentinho-no-coração quando Ben percebe que Pawnee é um lugar especial demais para se deixar pra trás. Na era do anti-herói e das comédias sombrias e sarcásticas, Parks se destacou sendo o contraponto: uma série energética e confiante na sua capacidade de melhorar o mundo à sua volta, uma pequena vitória de cada vez.

Parks & Recreation

S03E13: The Fight (2011) – Direção: Randall Einhorn

Escolher um só episódio de P&R é quase como escolher um filho pra ir pro parque de diversões, mas não tem como não lembrar com carinho durante todo o desenvolvimento da série do episódio “The Fight”.

O episódio gira em torno do possível novo emprego da Ann como RP do departamento de saúde de Pawnee após um escândalo e do Snakejuice, uma bebida criada por Tom, que resolve promover na sua casa noturna através de uma tática de marketing de guerrilha.

Todo o elenco é convidado pra promoção dessa nova bebida, que é no dia anterior da entrevista da Ann ao cargo. E bem, todos do elenco ficam bêbados e acontece tudo como geralmente ocorre em casas noturnas: fiascos, brigas e a personificação de pessoas imaginárias. Neste episódio nasce Bert Macklin – o melhor agente do FBI, até que foi culpado por um crime que nunca cometeu: ter roubado os rubis do presidente – feito por Andy e que surge diversas vezes durante a série.

Ver a Leslie bêbada e de ressaca no dia seguinte só me deu mais forças pra saber que: todo mundo é triste de ressaca e que não sou só eu que brigo bêbado repetindo coisas desconexas (e também nunca me rendeu tantas risadas).

parks-and-recreation-the fight

S05E14: Lesie and Ben (2013) – Direção: Craig Zisk

Esse é o tipo de episódio que celebra a amizade e todo o carinho que envolve Parks and Rec. É o dia do casamento de Leslie e Ben, uma decisão que é feita de maneira espontânea. Para que o casório aconteça, todos os amigos entram em ação para fazer com que a união aconteça. Há momentos para todos os personagens brilharem em cena, com momentos divertidos e emocionantes. Esse é um dos episódios que nos lembra como Parks é uma série tão carinhosa do público. É um dos mais engraçados? Não. Mas quem se importa, na verdade? O mais relevante aqui é a relação dos personagens, a química deles, como cada um é importante e como cada um deles evoluiu ao longo dos anos para chegarem até aqui.

Parks and Recreation - Leslie and Ben

S07E04: Leslie and Ron (2015) – Direção: Beth McCarthy-Miller

Tempo foi o tema central da última temporada de Parks and Recreation. Passamos por flashforwards e flashbacks que produziram um lindo dinamismo ao longo de treze episódios, conseguindo um feito único de ilustrar como os personagens mudaram com a passagem do tempo sem soar artificial na abordagem. O melhor é como esse tipo de narrativa ressoa facilmente no público. Para qualquer fã de televisão, é difícil ver uma série terminar, especialmente se ela possuir a longevidade de Parks and Recreation. Qualquer série que amamos, mesmo com seus pontos baixos, deixará uma ficha após o seu episódio final que dificilmente cairá tão cedo. Permanecemos ali, passando por estágios como o de agradecimento as pessoas envolvidas por compartilhar aquele universo conosco até o maldoso pensamento de que a nossa visita semanal àquele lugar especial só poderá ser feita através de reprises. Quando se trata de algo pelo qual nós nos importamos, é difícil aceitar que aquilo não estará mais lá. É praticamente uma propriedade matemática que vem nessa equação chamada vida.

Se isso é ruim para nós, imagine para Ron Swanson, aquele fã do lema “faça você mesmo”, distante do mundo e guardador de ouro que trabalha no governo mesmo esbravejando para todos os lados sobre a sua inutilidade. O cara durão bebedor de uísque também sofre com mudança. Afinal de contas, ele não se tornou um dos melhores personagens da história da televisão aprisionando-se a estereótipos. Ele cresceu, assim como todo mundo ali. Acompanhar “Leslie and Ron” é ter um choque de realidade fantástico. Parks and Recreation está acabando, tudo mudou ou está mudando e quem ficou para trás terminou esquecido. Não porque Leslie e companhia sumariamente o descartaram, mas porque a vida simplesmente não permite que façamos tudo o tempo todo com todo mundo. Ron Swanson foi uma vítima de um contexto que muda a medida que o relógio anda.

Mas, mas… estamos falando de Parks and Recreation! Sempre existe uma luz no fim do túnel. Não existe um problema que não possa ser resolvido e muito menos uma relação que não possa ser acertada.“Leslie and Ron” deixa sua proposta clara em seu título e entrega tudo no episódio: um ode inesquecível a um relacionamento exemplar entre duas pessoas que são capazes de conviverem e serem melhores amigas, mesmo sendo tão diferentes em suas personalidades. O mundo precisa de mais Leslies e Rons.

ParksandRec-LeslieRon

Textos por Rodrigo Ramos, exceto “Hunting Trip” por Dierli M. Santos; “Sweetums” por Ewerton Mera; “Harvest Festival” por Lucas Paraizo; “Fancy Party” por Fillipe Queiroz; “The Fight” por Fernando Alisson da Veiga; Leslie and Ron” por André Fellipe.

PRODUÇÃO, EDIÇÃO E TEXTO DE ABERTURA POR RODRIGO RAMOS
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