Previamente Entrevista: Rogério Flausino (Jota Quest)

Em um breve bate-papo, o cantor fala sobre a indústria fonográfica e longevidade

Rogério Flausino dispensa apresentações. Com uma simpatia gigantesca e uma camisa de passarinho, o frontman do Jota Quest, uma das bandas brasileiras de maior sucesso das últimas duas décadas, conversou sobre seu último disco, como fazer uma banda durar tanto tempo e se o rock morreu ou não.

Tendo em seu último disco parcerias com os mais diversos estilos musicais, como você vê o preconceito musical que existem em outros estilos como Samba e Pagode?
Rogério Flausino: Cara, eu acho que a gente tá no Brasil. O Funky Funky Boom Boom é um retorno às raízes da banda de fazer música dançante, que é a nossa base inicial, pela influência de funk, soul, disco music e tal, do início da carreira. Durante a carreira, deixamos outras tendências participarem do som da banda. A banda se transformou numa grande banda pop e tal. Esse disco foi uma tentativa de resgate disso tudo, então a gente quis de alguma maneira homenagear todos os estilos de música groovadas do Brasil. Aí o samba é o estilo mãe de todos os estilos que vieram depois. O samba gerou bossa nova, o samba funk, o samba rock, então tem alguns representantes que fazem esse tipo de música no Brasil, que eu pago pau, que é o Seu Jorge, o Xande de Pilares, que faz um samba esperto, o Pretinho da Serrinha, que tocou e produziu algumas faixas. Eles são nossos amigos, então tinham que estar ali, junto com o Nile Rodgers, que veio da gringa representando a disco music, um dos maiores nomes do estilo que participou de duas faixas tocando guitarra. A produção de um cara gringo que a gente sempre sonhou, um negão, que pensa o tipo de som que a gente queria fazer, mas talvez por a gente ser tão branco não conseguia ter chegado tão perto e eu acho que o disco conseguiu ter isso. E uma terceira perna é o Adriano Cintra, do Cansei de Ser Sexy, que conseguiu ultimamente com três álbuns fazer um barulho muito grande com música pra dançar com um som mais sintético e dançante. Ele também fez duas faixas. O Funky Funky tem esse leque aberto de músicas pra dançar, tem umas músicas românticas também a la Tim Maia e uma coisa meio gospel, que é “Dentro de Um Abraço”, no sentindo gospel da coisa.

j.questO Jota Quest é uma das bandas que mais durou em sua formação original. Como fazer pra durar esse casamento?
RF: É um casamento mesmo. Eu tava brincando com o Dado Villa-Lobos ali atrás, totalmente antagônico do que a gente tá falando ali antes e que é uma grande influência pra gente. A gente começou no boom do rock nacional, começamos pela força do rock nacional a referência primária de nós cinco. C*****, a gente pode ser isso aí, vamos montar uma banda. Então o Legião é uma das peças fundamentais do gênero. Nos 15 anos de Jota Quest, a gente começou abrir a caporta do nosso estúdio e do camarim e entraram pessoas de todos os estilos e gêneros. Então talvez esse flerte com outras coisas, às vezes você traz uma pessoa de fora pra melhorar o casamento até pra arejar mesmo. Por isso o Dado tá aqui hoje (no show de Itajaí, no último dia 31). Tem um percussionista com a gente esse fim de semana que toca com o Red Hot Chilli Peppers, um catarinense que mora em New York, tá aqui pra gente flertar, trocar experiências e influências. Todos nós, a gente se respeita muito. O fundamental está exatamente nisso, encontrar no seu companheiro o que ele tem de melhor e não de pior e saber usar a favor disso na banda, trabalhar pelo bem da banda. Então vejo muitas bandas passando por crise. Nós já tivemos a nossa, porque elas são naturais, já que é uma coisa de grupo e às vezes um tá olhando pra um lado e outro olhando pro outro. A banda está em ascensão agora porque estamos olhando todos pro mesmo lado.

O Rock morreu?
RF: Olha, eu só não gosto dessa coisa de ficar pontuando quando o rock morreu. Eu acho NX Zero legal, eu acho Fresno legal, eu acho que são bandas que tem o estilo deles, eles nasceram com esse DNA de fazer um punk rock melódico. E daí? Existe um movimento muito rico de bandas acontecendo no underground. Eu acho que a gente não pode confundir. Existe uma culpa do mercado brasileiro. As bandas de rock sempre foram nos anos 70, 80 e 90. Tudo que aconteceu com essas bandas é porque existiu uma indústria da música funcionando e investindo para que essas bandas crescessem e chegassem ao grande público. Parou de acontecer nos anos 2000 por causa das gravadoras e isso que tá gerando esse hiato. Existem muitas bandas interessantes que mereciam o apoio e a oportunidade de levar o seu som pra muita gente. Isso não está acontecendo porque não existe uma indústria preocupada com a cultura do pop-rock do pop e tal. Não existe no Brasil hoje. Outros segmentos souberam se organizar melhor e por isso estão em evidência e o nosso segmento deixou de ter seus patrocinadores e tal. Acho que é isso. Não é falta de criatividade. Não concordo quando colocam esses meninos em berlinda. Eles não são os responsáveis pela estagnação do segmento.

Por Dinho de Oliveira (pelo programa Transmissão)
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