Previamente Entrevista: Bonde do Rolê

O grupo fala sobre novo disco, preconceitos que enfrentaram no início da carreira e qual super-herói é o mais inútil

Em atividade desde 2005 e tendo o primeiro disco lançado no ano seguinte, o Bonde do Rolê surgiu de Curitiba/PR para tomar o planeta. Hoje, os caras tocam aonde quiserem. Na agenda pros próximos meses, Noruega e Holanda estão na lista de locais onde irão se apresentar. Recentemente, o trio formado por  Pedro D’Eyrot, Laura Taylor e Rodrigo Gorky veio a Florianópolis e Balneário Camboriú mostrar se toda a fama se justifica.

Numa noite onde houve chantili e doses na boca da galera, apagão na festa e muito pole dance, os caras provaram que conseguem botar todo mundo pra dançar e cantar as canções mais escatológicas e malcriadas do país. Confira abaixo o divertido papo que batemos no camarim (na verdade, no espaço de carga e descarga, na parte de trás da da balada, onde havia mais silêncio) com o Bonde do Rolê.

(Lucas Vieceli/1007 BC)

O que os fãs podem esperar desse ano?
Gorky: Disco novo. Estamos trabalhando. Tem metade do disco. A gente vai fazer a outra metade num peido só.
Pedro: Tem turnê na Europa.
G: Tem turnê na Europa em abril. Lançamento do disco provavelmente em maio ou junho.
P: Vai ter clipe novo. Saindo disco novo, tem clipe novo. Vai ser um ano bacana, bem agitado.

Vocês fazem mais sucesso fora do país do que a maioria dos artistas brasileiros. Muitos querem, mas não conseguem alcançar esse sucesso. Qual é a sensação de estar nessa posição privilegiada? 
P: Um luxo.
G: É um luxo, a gente recebe em euro, a gente ganha em dólar, em libra.
Laura: A gente viaja o mundo de graça.
G: Compra muita muamba. Aliás, se alguém quiser, é só escrever pra gente. A gente faz um precinho bacana.
P: Ele diz isso, mas nunca traz.

Vocês misturam vários ritmos e acho que o principal é o funk. Quando vocês começaram, o funk não tinha a aceitação que possui hoje. Acham que antes havia mesmo mais preconceito com o gênero?
P:
Principalmente aqui no Sul. Vou até além. Não digo nem que não era difundido, o pessoal não gostava mesmo, tinha preconceito. Principalmente Curitiba. A galera jogava coisa na gente.
G: Eu lembro até hoje a primeira carteira de cigarro na cara.
P: O pessoal ia embora. A dona da balada falava assim com a gente “então, não pode tocar funk, a galera tá me xingando que tá tocando funk”.

(Nesse momento, acontece um apagão no meio da festa)

P: Já acabou com a gente uma vez na hora do show.
G: Foi em Uberlândia.
L: E não voltou.
P: Povo todo saindo da balada sem pagar. Chovendo, chovendo. E o dono da balada louco assim, breaco, estacionou o carro na porta da balada e ficava olhando o pessoal saindo, com uma camerazinha de mão, na época não tinha celular. “Eu to filmando todos vocês, eu sei quem vocês são, eu vou cobrar a conta de vocês “. (risos)

Voltando ao assunto do funk…
P:
 Jogavam coisa na gente. Não jogava coisa legal, tipo, não jogava a mãe.
G: Não jogavam calcinha.
P: E brigavam com a banda da casa. Mas hoje mudou. Hoje se você não toca funk, eles pedem.

O som que a banda faz é cheio de escatologia. Vocês acham que as suas músicas são de censura 18 anos ou tá liberado pra todo mundo?
G: Muito tempo atrás a gente era censurado. As pessoas nos perseguem.
P: Até dá.
G: É mais difícil. É tipo um c*. É muito mais difícil do que entrar numa b*****, mas uma hora, de tanto bater, entra.

No programa Som Brasil, da Globo, vocês cantaram versões de músicas sertanejas e as deixaram com a cara de vocês. Foram vocês que escolheram as músicas?
P:
Não, foi o pessoal da Globo. Eles que escolhem.

Gostavam de alguma delas?
P:
Sim sim. Gostava de “Dormi na Praça”.
L: “Entre Tapas e Beijos”. “Dormi na Praça”. Gosto de todas, “Eu Me Amarrei” nem tanto.

Curtem sertanejo? Tem alguma coisa que ouvem e consideram vergonha alheia?
G:
A gente gosta um pouco de tudo. Nada pode ser considerado vergonha alheia.
L: Tem que ter cabeça aberta. Ah, eu curto rock, só rock. Ou hip-hop. Acho que todo mundo tem que gostar um pouco de tudo. Quem fala que só gosta de rock tá se limitando,  quem é besta. É como falar que só gosta de azul.
P: Menos só quem gosta de metal melódico. Daí pode. Tá liberado. (risos)

Como identificar um James Bonde e uma Marina Gasolina na balada?
P: Só pedir pra falar chiclete. Sempre foi a palavra chave.

Qual super-herói vocês consideram o mais inútil?
G:
O Aquaman é o clichê.
P: Super-herói com o poder mais cretino?
G: Supergêmos!
P: Transformava em balde de gelo. Eu sei! O Homem Pássaro! Porque ele é um advogado. O super poder dele é ser advogado. É muito bom. Adoro. Preciso baixar.
G: Space Ghost era bem inútil também.
P: Mas o poder dele, tem uma nave invisível.
G: A Mulher Maravilha é bem qualquer coisa também.
P: O poder mais inútil é o do Batman.
G: O Batman não tem poder.
P: É o poder do dinheiro. Tipo, o Lex Luthor. Só que não faz o bem.
P: Eu não acompanho muito os X-Men, mas os X-Men têm vários.
G: Acho o Hulk meio inútil. Ele gasta dinheiro a toa.
P: O Hulk? Com o que ele gasta dinheiro?
G: Com roupa. (risos)
P: Sabe o que que eu acho que tinha que usar o Hulk de garoto propaganda? A Lycra.
L: Não publica isso porque a gente vai vender a ideia.

O Artista Indica: A gente pede uma indicação de música pros nossos entrevistados. Pode ser tanto conhecida quanto desconhecida, pra mostrar pros nossos leitores o que vocês estão escutando.
P: Tô com a música da MC Beyoncé (Ludmila) na cabeça, mas não quero indicar essa. (risos)
L: Eu escuto um disco só faz uns 10 anos. Mentira. Tem um disco que ouço pelo menos três vezes por semana, já faz anos, que é da Lil Kim, Hard Core. Um disco que é um rap sujo. Só putaria. Eu gosto muito e indico muito.
G: Então, eu basicamente ando ouvindo as coisas das pessoas que estão fazendo disco junto com a gente. Que é o Omulu e o Comrade. Eles fizeram umas músicas juntos – “Bagulho Doido”.

 

Obs: Como o Pedro e a Laura não especificaram uma música em questão da Ludmila e do disco da Lil Kim, tomamos a liberdade de escolher.

Por Rodrigo Ramos
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