The Killing – Quarta Temporada | Review

Retornando dos mortos pela segunda vez, enfim série chega ao final por conta própria 

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Por Rodrigo Ramos

Não dá nem para comparar The Killing com Jesus, porque o homem mais conhecido do planeta ressuscitou apenas uma vez – estamos no aguardo da próxima. Talvez a série se equipare com Goku, que voltou à vida diversas vezes.

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O seriado policial foi cancelado ao final de seu segundo ano. Mas a FOX, uma de suas produtoras, juntamente com um empurrãozinho do Netflix, fizeram com que a AMC, canal exibidor, desse mais uma chance através de um acordo. Fomos então premiados com uma das melhores temporadas da temporada 2013/2014, inclusive com um dos episódios mais marcantes do ano.

Quando o terceiro ano terminou daquele jeito que acabou, os fãs esperavam por mais uma temporada. Então a AMC cancelou de vez e disse que não tinha jeito. Porém, o site de streaming Netflix impediu que a série fosse finalizada daquela maneira e produziu, por conta própria, mais seis episódios para dar um desfecho digno (e planejado) para The Killing.

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O quarto e decisivo ano de The Killing inicia logo na sequência dos eventos do último episódio da terceira temporada. Linden (Mireille Enos) e Holder (Joel Kinnaman) deram fim no carro e no corpo do Skinner, tendo agora que encobertar todos os seus passos para que ninguém descubra o que fizeram. E com isso, a verdade sobre os assassinatos das crianças ficam igualmente submersos. Enquanto tentam disfarçar, criar histórias e fazer pokerface, os dois ainda recebem uma nova tarefa: investigar uma chacina. Uma família com pai, mãe e duas filhas foram mortos à queima roupa dentro de casa. O filho, Kyle (Tyler Ross), que também foi alvo do ataque, acabou sobrevivendo, mas é o principal suspeito. O rapaz estuda em uma academia militar só para garotos e a diretora, a Coronel Margaret Rayne (Joan Allen), quer de todas as formas impedir que os detetives protagonistas cheguem nele, ao mesmo tempo que colabora (mas bem pouco) com a investigação.

The Killing - Quarta Temporada

Assim como nas temporadas anteriores, a série não se apressa para nos revelar quem é o culpado – apesar de que agora é bem mais ágil, uma vez que nesta temporada o número de episódios cai por mais da metade. De mesmo modo, as pistas são diversas, utilizadas tanto para nos enganar e nos apontar a direção correta. A série tem aquela mania de nos induzir a pensar que é uma pessoa e logo em seguida acusar outro. Não é ótimo isso? A atmosfera soturna e chuvosa, com fotografia em tons cinzentos e azulados estão lá, mantendo o clima da série intacto.

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A temporada traz temas bons de serem debatidos. O primeiro deles, o mais evidente, é o embate entre os costumes normais e os militares. A Coronel Rayne é a figura autoritária da qual Linden, uma eterna rebelde tanto no trabalho quanto na vida, tem um confronto inevitável. O duelo de atuação entre as duas atrizes é lindo de ver. Entra dentro desse embate a forma como os homens são colocados na linha, muitas vezes de maneira cruel, seja pelos militares nos níveis mais altos da hierarquia ou através do tratamento dos próprios colegas.

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Outro tema recorrente nesta temporada foi o da família. A convivência e a criação são objetos de análise dos personagens, cada um num momento. Kyle é o garoto traumatizado porque sua mãe não o considerava como filho já que é filho de outra mulher; Rayne nunca foi casada, então enxerga em Kyle o filho que nunca teve, por isso o protege como se fosse seu; Linden não sabe como ser uma boa mãe porque não teve uma – que a abandonou quando criança; Holder está prestes a ser pai e isso mexe com ele de diversas maneiras. Claro, existem outros detalhes nessas tramas, mas deixemos não ditas algumas surpresas. Os dois temas se fundem e ajudam a conduzir a narrativa, que se encaixa muito bem, fazendo com que a relação entre os personagens se aproxime.

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Mesmo numa temporada tão curta, dá tempo de explorar as figuras introduzidas aqui, enquanto o caso Skinner ainda continua assombrando e tirando o sono de Linden e Holder. Talvez por ser mais enxuta e objetiva, a temporada consegue passar em uma única sessão sem que o espectador se canse. O esmero vem diante da maneira com que destrincha os fatos, com sutileza, naturalidade, uma verdadeira escavação minuciosa e uma porrada emocional.

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Linden e Holder desempenham o papel de uma dupla predestinada a nunca ser feliz. Ambos são desgraçados na vida e um futuro é improvável para eles diante das circunstâncias, apesar de terem alguns lampejos de felicidade, ironicamente na área familiar. A química entre eles ainda é fantástica, uma das melhores duplas já vistas nas telas. Interessante notar como um é o equilíbrio do outro. Quando um perde a cabeça, o outro está lá para segurar a barra. A certo ponto, nota-se que os dois são iguais e confiança é algo que somente existe ali, nessa dinâmica conturbada, cheia de tragédias e assassinatos ao redor. É inegável que são os melhores amigos e o afeto que existe na relação transforma The Killing em uma série que vai além do mero seriado policial.

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O que The Killing de oferece de diferente dos demais do seu gênero é pegar crimes difíceis de serem solucionáveis, mas que têm saída. As pistas não caem do céu, a polícia erra (assim como as pessoas, em geral) e os assassinos nunca são psicopatas doentios. Eles têm motivações – nem sempre boas, mas estão lá. Os últimos minutos quase estragam o desfecho chocante e satisfatório, saindo totalmente do tom de todos os 44 capítulos, mas não estraga a experiência. O que The Killing faz de tão bem, afinal, é desenhar seus personagens e suas tramas como se fizessem parte de uma realidade tão fria e cruel quanto a nossa. E vamos sentir falta disso no ar.

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The Killing: Season Four EUA, 2014 – 6 episódios Drama / Policial

Desenvolvido por: Veena Sud Baseado na série: Forbrydelsen, de Søren Sveistrup Elenco: Mireille Enos, Joel Kinnaman, Joan Allen, Gregg Henry, Tyler Ross, Sterling Beaumon, Levi Meaden, Amy Seimetz, Liam James, Jewel Staite, Billy Campbell

4 STARS

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