Os Três Mosqueteiros | Review

Os Três MosqueteirosThe Three Musketeers
EUA / Inglaterra / Alemanha / França, 2011 – 110 min
Ação

Direção:
Paul W.S. Anderson
Roteiro:
Alex Litvak, Andrew Davies
Elenco:
Logan Lerman, Milla Jovovich, Matthew Macfadyen, Ray Stevenson, Luke Evans, Mads Mikkelsen, Gabriella Wilde, James Corden, Juno Temple, Freddie Fox, Orlando Bloom, Christoph Waltz

Em 1844, o escritor francês Alexandre Dumas lançou uma das obras mais icônicas da literatura mundial. Os Três Mosqueteiros, apesar de ser datado, continua sendo utilizado. Nos últimos 80 anos, foram produzidos cerca de 22 filmes baseados no livro e isso só mostra a riqueza existente nele. Agora pense comigo. Se neste tempo foram feitos tantos trabalhos baseados nele, o que uma nova produção poderia trazer em termos de novidade? Esta é a grande pergunta acerca de Os Três Mosqueteiros.

No comando desta empreitada está Paul W.S. Anderson que, não, não tem nada a ver com o ótimo Paul Thomas Anderson (Sangue Negro, Magnólia). W.S. dirigiu o primeiro e o quarto Resident Evil, os dois melhores exemplares de sua filmografia (ela ainda contém Mortal Kombat e Alien vs Predador). Não é exatamente uma lista para se orgulhar, mas aparentemente ele gosta do que cria. Parecia algo demasiadamente estranho ele se envolver numa produção como Os Três Mosqueteiros, já que é uma película de época, no entanto ele mostra que até na antiguidade consegue ser megalomaníaco. Quase um aprendiz de Michael Bay, mas até este é melhor do que Anderson.

Na trama, temos Milady (Milla Jovovich) ao lado de Athos (Matthew Macfadyen), Porthos (Ray Stevenson) e Aramis (Luke Evans) em uma missão na cidade de Veneza. No entanto, ela acaba traindo os três mosqueteiros e entrega o projeto que eles haviam conquistado para o Duque de Buckingham (Orlando Bloom). Com isso, os mosqueteiros acabam debandando por causa do fracasso e por ordem do Cardeal Richelieu (Christoph Waltz). Em outra vertente, D’Artagnan (Logan Lerman) parte para Paris esperando se tornar um mosqueteiro. Lá, ele se mete em altas confusões. A frase utilizada é para dar o mesmo tom trapalhão e abobado que o personagem proporciona com suas brigas devido ao seu temperamento.

Nesta farra, ele se encontra com os mosqueteiros, que acabam se unindo para impedir que a Inglaterra entre em conflito com a França. Isso tudo pode ser desencadeado caso os mosqueteiros não consigam resgatar o colar que o jovem Rei Louis XIII (Freddie Fox) deu para sua esposa, Rainha Anne (Juno Temple) e espera que ela o utilize numa festa. Caso não consigam resgata-lo antes da festa, o rei, decepcionado e acreditando que a rainha o está traindo com Buckingham, declarará guerra contra a Grã-Bretanha.

A trama é tão ridícula quanto parece ser. A resolução para todos os problemas da Coroa é simplesmente resgatar um colar? Não poderiam ter feito algo um pouco menos preguiçoso? O problema desta adaptação é realmente ser mais descerebrada do que a gente esperava. O roteiro é, em muitos momentos, verborrágico e sem graça. Sempre há espaço para uma piadinha ou outra, mas é aquela coisa. Você precisa de 10 minutos ruins, para ter um bom. Assim fica difícil.

O elenco é sofrível. Orlando Bloom e Christoph Waltz são competentes, no entanto eles passam longe de suas melhores atuações, entregando performances altamente caricatas. É um desperdício de talento acompanhar Waltz, depois de ganhar o Oscar por Bastardos Inglórios, ficar fazendo qualquer papel de vilão canastrão só para ganhar dinheiro fácil. Milla Jovovich está no filme só porque seu marido é o diretor e, claro, para coloca-la em situações à la Resident Evil. Situações muito forçadas, por sinal. Logan Lerman é altamente irritante, mas talvez o personagem necessite disso. E o trio dos mosqueteiros é até agradável, contudo, não se pode esperar nada demais em suas atuações.

Falando em absurdo, Anderson curte colocar tecnologia aonde não existe. Aqui, por exemplo, ele cria um super dirigível. É basicamente um barco, só que voa. Aliás, Os Três Mosqueteiros tem um toque de “quero ser Piratas do Caribe”. Não é à toa que, após o fracasso nos cinemas, Orlando Bloom declarou que gostaria de retornar à franquia dos piratas.

Apesar de muitos absurdos, Anderson é competente na hora de criar cenas de ação. Nesta adaptação não é diferente. As lutas são satisfatórias e até cria um clima de aventura típico dos filmes da Sessão da Tarde. Quase deu saudade da infância, mas daí o filme vem com aquelas tramóias piores do que a Equipe Rocket e nos lembra de que estamos assistindo a um filme de duas horas que não nos proporciona nada de novo. Absolutamente nada. Se este tivesse sido a primeira versão cinematográfica, até seria relevante, mas como não é, torna-se apenas um produto altamente descartável.

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