Apresentação acontece no dia 16 de agosto, no Largo da Catedral Metropolitana de Florianópolis.
A Orquestra de Baterias de Florianópolis — o maior encontro das Américas — faz o seu 13º encontro no próximo domingo, dia 16 de agosto, às 15h, no Largo da Catedral Metropolitana. O evento reúne cerca de 400 bateristas de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Ceará e Mato Grosso do Sul. Entre os inscritos, há uma participante de apenas um ano de idade e um músico de 78 anos. Ao todo, 120 pessoas estreiam em 2026, enquanto outras 260 retornam após já terem vivido a experiência em edições anteriores. Há, inclusive, quem nunca tenha faltado.
Mais do que os números, o que chama a atenção é a diversidade que faz a orquestra soar como ela soa. No mesmo palco estarão crianças e veteranos, músicos profissionais e iniciantes, bateristas do rock, do heavy metal, do gospel, do sertanejo, da música brasileira e do pop. Quase 30% dos participantes são mulheres, uma presença que cresce ano após ano em um instrumento historicamente associado ao público masculino.
Para Thales Stipp, baterista que participa da Orquestra há anos, é justamente essa mistura que faz o projeto continuar atraindo músicos de diferentes gerações e níveis de experiência. “O que sempre me fez voltar foi a vibe e o negócio de ser muito democrático. Vai da criancinha de 3, 4 anos até a senhora de 84”, conta. Para ele, a dimensão do evento também ultrapassa o palco e movimenta a cidade. “O impacto cultural é gigantesco. Traz turismo, traz as pessoas para Floripa, é muito legal.”
Para o idealizador e um dos regentes da Orquestra de Baterias de Florianópolis, Alexei Leão, essa mistura é justamente o que torna o projeto único. “O baterista normalmente toca sozinho dentro de uma banda. A orquestra cria esse momento de tocar junto com um amigo, com a esposa, com o marido, com os filhos. É uma grande confraternização”, afirma.
A ideia surgiu em 2013, quando Alexei foi convidado para criar um encontro de músicos durante a Maratona Cultural de Florianópolis. Em vez de reunir diferentes instrumentos, decidiu colocar a bateria no centro do espetáculo. A escolha parecia improvável e a proposta deu certo justamente por fazer o contrário do esperado. “Desde o início, a ideia era fazer algo diferente. A bateria como protagonista não é comum. Quando esse monte de baterias toca junto, cria uma massa sonora rara. As pessoas sempre se emocionam porque é uma experiência muito forte”, diz.
Ao longo de mais de uma década, a orquestra ultrapassou as fronteiras catarinenses. Hoje, recebe participantes de diferentes regiões do país e convidados internacionais, consolidando Florianópolis como referência para bateristas. “É uma grande vitrine musical de Florianópolis para o Brasil e também para o exterior. Tenho participado de encontros em outros países e convidado músicos de fora para estarem aqui. A orquestra acabou criando essa conexão”, explica Alexei.

Repertório
Se, por um lado, o número de participantes cresce, por outro, o espírito permanece o mesmo. O repertório é pensado para que músicos com diferentes níveis técnicos consigam tocar juntos. Embora a maioria dos bateristas tenha formação ligada ao rock, a seleção musical busca dialogar com públicos diversos e valorizar justamente o encontro entre diferentes estilos.
Neste ano, o público poderá ouvir versões para bateria de clássicos como “Song 2”, do Blur, “Crazy Little Thing Called Love”, do Queen, “Symphony of Destruction”, do Megadeth, “Highway Star”, do Deep Purple, e “Heart-Shaped Box”, do Nirvana, além de sucessos brasileiros como “Tarde de Outubro”, do CPM 22, e “Admirável Chip Novo”, da Pitty. A seleção ainda inclui hits mais recentes, como “Uprising”, do Muse, “Try”, da Pink, “Levitating”, da Dua Lipa, e “How You Remind Me”, do Nickelback, passando por “What’s Up?”, das 4 Non Blondes, “Remedy”, do The Black Crowes, e “We’re Not Gonna Take It”, do Twisted Sister. Um dos destaques fica por conta de “Acordar”, da banda catarinense Um Quarto, presença que reforça a valorização da música local em um repertório que mistura diferentes gerações e estilos em uma mesma apresentação.
A história de Thales ajuda a mostrar como essa mistura pode acompanhar um músico em diferentes momentos da carreira. Morador de Florianópolis por 12 anos, ele começou a tocar bateria ainda na adolescência e passou por bandas da cena independente da cidade, incluindo a Emo All Stars. Hoje, aos 25 anos, vive profissionalmente da música e integra a banda do cantor Di Ferrero. Em setembro, o baterista também sobe ao palco do Rock in Rio. Mesmo com a carreira ganhando novos caminhos, ele continua retornando à Orquestra, experiência que considera parte importante de sua trajetória musical.
É justamente essa convivência entre diferenças que Alexei aponta como a maior virtude da orquestra. “Tem quem toque pop, gospel, metal, sertanejo, música brasileira. Quando todo mundo toca junto, isso deixa de importar. Vira uma massa sonora unida. Acho que essa é uma das coisas mais bonitas da orquestra”. No fim, talvez seja esse o motivo de tanta gente voltar todos os anos. Em um instrumento acostumado à solidão, a Orquestra de Baterias de Florianópolis transformou o ato de tocar em um encontro coletivo e fez dessa reunião uma das imagens mais marcantes da música produzida em espaço público no Brasil.
A 13ª Orquestra de Baterias de Florianópolis é uma realização do Instituto Maratona Cultural com apoio cultural da Ibagy e da Hurbana – Cidade para as pessoas. Patrocínio Fundação Franklin Cascaes, Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Prefeitura Municipal de Florianópolis. Incentivo ICRH e Tigre, por meio do Programa Estadual de Incentivo à Cultura – Lei nº 17.942 de 13 de maio de 2020.
SERVIÇO
O quê: 13ª Orquestra de Baterias de Florianópolis
Data: 16 de agosto de 2026 (domingo)
Horário: 15h
Local: Largo da Catedral Metropolitana de Florianópolis (R. Padre Miguelinho, 321 – Centro, Florianópolis – SC, 88010-500)
Entrada gratuita ao público
Fotos: Maria Antônia Oliveira






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