Melhores Séries de 2020

Better Call Saul, I May Destroy You, BoJack Horseman e PEN15 estão entre as nossas séries favoritas do ano.

Dois mil e vinte… Foi, né. Vocês viveram, não preciso dizer muito mais. Contudo, ressalto que a TV, mesmo durante esses tempos, nos ofereceu conteúdo de qualidade para preenchermos nossas vidas e servir de cano de escape da realidade, nem sempre muito amigável, em especial neste ano.

Assim como no ano passado, esta lista focada nos melhores seriados dos últimos 12 meses não traz um ranking, mas sim os títulos em ordem alfabética. Confira as 21 produções de maior destaque de 2020, na humilde opinião da redação do Previamente.

Better Call Saul (AMC)
Quinta Temporada

Finalmente, é possível dizer com tranquilidade após esta temporada: Better Call Saul é melhor do que Breaking Bad. Tá bom ou quer mais? E Rhea Seehorn é a performer do ano. O Emmy é que perde.

Better Things (FX)
Quarta Temporada

Um retrato humano e fidedigno sobre o que é ser uma mulher na casa dos 50. A cada ano, Pamela Adlon se supera nesta joia ainda a ser descoberta pelas premiações e público em geral.

BoJack Horseman (Netflix)
Sexta Temporada

A segunda metade da última temporada de BoJack Horseman prova que sua equipe criativa sabia para onde queria ir, terminando no tempo certo e da maneira correta. De longe, a melhor produção original da Netflix e uma das mais importantes animações já feitas.

Evil (CBS)
Primeira Temporada

Pera, mas Evil não teve apenas 3 episódios em 2020? Sim, teve. Entretanto, a reta final da série é tão brilhante (sendo exatamente os melhores episódios do seu primeiro ano) que não há como deixar de mencioná-la. Terror de um jeito inesperado e ousado numa medida que a TV aberta estadunidense pouco foi nos anos recentes.

Feel Good (Netflix/Channel 4)
Primeira Temporada

Ter o melhor papel de Lisa Kudrow desde The Comeback já seria motivo, porém a série é um excelente retrato sobre ansiedade, e aborda também com primor questões como dependência emocional e insegurança.

I May Destroy You (BBC One/HBO)

Abuso e violência sexual são temas centrais de I May Destroy You, mas mais do que apenas o ato ou até mesmo a busca pelos culpados, a série preocupa-se em se aprofundar em como as vítimas desses crimes lidam com o trauma originado a partir deles. Os efeitos se manifestam de maneiras distintas para cada um dos personagens e é com muita franqueza que Michael Coel pinta esse retrato, tão pessoal e distinto um do outro. E serem vítimas não faz com que os personagens em si sejam pessoas necessariamente adoráveis, responsáveis, com relações saudáveis, gostáveis. O modo como Coel conduz sua obra é da forma mais humana e realista possível, mostrando as falhas desses personagens, mas sem perder a empatia em momento algum.

Ademais, tem possivelmente o melhor finale da TV já viu — e, naturalmente, o melhor episódio de 2020.

Insecure (HBO)
Quarta Temporada

Mais maduro e focado, o quarto ano de Insecure eleva a qualidade da série para novos patamares. Tratando seus personagens com muito carinho, a quarta temporada gira em torno da amizade de longa data de Issa e Molly e que precisa se renovar de algum jeito — um momento meio “ou vai ou racha”. Quem nunca passou isso com uma amizade das antigas, não é? O roteiro brilha, bem como as performances de Issa Rae e Yvonne Orji.

Mrs. America (FX)

O poder da narrativa bem feita: nos fazer sentir empatia por uma fascista. É o conto sobre o oprimido que sonha em ser o opressor, mas, no fim, ele vai acabar sendo oprimido de qualquer forma, pois os opressores fazem isso: oprimem.

Paralelamente, Mrs. America conta as histórias de várias mulheres, de diversas matrizes ideológicas, mas que buscam o bem comum para elas. Pena que as lutas continuam estagnadas em muitos sentidos. É mais atual do que deveria.

My Brilliant Friend (RAI/HBO)
Segunda Temporada

Bela e dolorosa. Assim é a vida, assim é My Brilliant Friend. Poucas coisas foram mais dolorosas de acompanhar na TV em 2020 do que a jornada de Lenù e Lila, ao mesmo tempo em que poucas coisas foram tão recompensadoras diante de tamanho apuro estético, execução técnica impecável e excelente construção narrativa.

Normal People (BBC One/Hulu)

Uma história de amor bem contada. E com muito sexo. Tipo, muito. A HBO ficou com inveja, me dizem.

PEN15 (Hulu)
Segunda Temporada

Maya Erskine e Anna Konkle são geniais. A capacidade de conseguir convencer que são mesmo duas crianças de 13 anos em meio a pessoas dessa idade de verdade ao seu redor é um grande feito por si só. A partir disso, elas abordam temas sobre a transição entre infância e adolescência sem pudor algum, algo impensável com protagonistas mirins de fato. E se havia algum problema de ritmo no primeiro ano, o segundo já vem com tudo, entregando situações vergonhosas, sim, mas que conquistam justamente quando tratam de tópicos mais sensíveis, como o divórcio de pais, humilhações públicas, paixonites, corações partidos, racismo, briga com os pais e amigos. A relação de Maya e Anna é preciosa demais. A série é engraçada de um jeito excêntrico e único, porém o que fica é a sensação de coração quentinho proveniente de uma amizade honesta no centro dessa narrativa, permitindo que todo o resto funcione.

Ramy (Hulu)
Segunda Temporada

A série dos episódios focados nos coadjuvantes que são melhores do aqueles focados no protagonista.

E dentro dessa mesma categoria: é melhor do que Atlanta. (sim, é um shade completamente desnecessário, mas preferi fazê-lo ainda assim).

Schitt’s Creek (CBC/PopTV)
Sexta Temporada

Nem todas as séries merecem ter o tempo que ganham para desenvolverem sua narrativa e seus personagens de maneira adequada. No entanto, Schitt’s Creek se provou ser um exemplo positivo disso. Meio perdida no seu primeiro ano, a série foi crescendo, temporada após temporada. Os personagens foram sendo desenvolvidos de modo que a simpatia se tornou inevitável em algum ponto, ainda que eles não sejam necessariamente as melhores pessoas do planeta. Mesmo que tenham mostrado evolução pessoal, algo que fica muito evidente nesta excelente sexta (e última) temporada, ainda assim os personagens nunca perdem sua essência. O roteiro foi ficando mais afiado, o timing cômico do elenco foi se aprimorando, e no fim a sensação que fica é a de que esses personagens se tornaram parte da nossa família — algo que não sentia desde Parks and Recreation. Felizmente, Schitt’s Creek se despede no seu auge.

Small Axe (BBC One/Amazon Prime Video)

Estamos tão acostumados em ouvir histórias sobre racismo vindas dos EUA e do Brasil que, por vezes, nós da América esquecemos que outras regiões do planeta descriminaram (e ainda descriminam) os negros. No Reino Unido não é diferente. Small Axe, a coleção de cinco EPISÓDIOS (não é porque é de cineasta que vou me referir a ele como longa-metragem, sai daqui, cinéfilo que chama Twin Peaks de filme) conta uma narrativa diferente em cada capítulo, sempre renovando elenco e até mesmo formato de tela. Em comum, elas possuem o foco nas experiências da comunidade oriunda dos países que compunham as Índias Ocidentais (como Jamaica e Bahamas, por exemplo) entre os anos 1969 e 1982.

A abordagem de Steve McQueen (ele dirige os cinco episódios e escreve/coescreve os cinco roteiros) é mostrar, sem filtro algum, os horrores, as injustiças, as dores da população negra no coração da Europa. Três das histórias têm a polícia como o principal problema, mas felizmente McQueen decide também investir em outras questões, como a segregação racial ocorrendo também no sistema educacional, além de dar espaço para um episódio focado quase que unicamente na experiência coletiva das pessoas em uma festa. Mesmo que seus episódios contem uma história distinta, eles acabam se convergindo em uma única temática. Nada mais conceitualmente televisivo do que isso.

Ted Lasso (Apple TV+)
Primeira Temporada

Otimismo sem cinismo. Uma comédia desprovida de qualquer pretensão, a não ser fazer um humor do bem (gente, isso faz sentido? espero que faça). Cada episódio emana uma energia extremamente positiva e quando você menos espera já está sorrindo. Num ano sombrio como foi 2020 em tantos aspectos, Ted Lasso joga uma luz, nem que seja por meia hora, em nossas vidas. Otimista de um jeito tão equilibrado que me lembrou de Parks and Recreation — e este é o melhor elogio que eu poderia fazer sobre a série. E sim, esta é a segunda vez que cito Parks & Rec nesta lista.

The Crown (Netflix)
Quarta Temporada

Casos de Família — Versão Realeza Britânica. O mais pura crocância do entretenimento.

The Good Fight (CBS All Access)
Quarta Temporada

O melhor (e mais inesperado) thriller conspiratório do ano. Os Kings mostram que não há limites criativos para eles. Anualmente, Robert e Michelle renovam o espírito de The Good Fight e trazem à pauta discussões que não veríamos em nenhum outro lugar. Mesmo tendo a temporada reduzida por conta da pandemia (de 10 foram para 7 episódios), por um milagre a temporada ainda termina de maneira satisfatória.

Nota do editor: I May Destroy You pode ter o melhor finale do ano, porém The Good Fight tem o melhor take final do ano.

The Good Lord Bird (Showtime)

História revisitada e revisada de um jeito bastante peculiar, além de contar com um Ethan Hawke brilhantemente surtado.

Unorthodox (Netflix)

A busca de uma mulher aprisionada pelas tradições e a religião mesmo em tempos atuais. A melhor minissérie da Netflix no ano. E uma das mais belíssimas performances de 2020, entregue por Shira Haas. Assistam!

What We Do In The Shadows (FX)
Segunda Temporada

Nem toda comédia precisa causar risada a todo momento ou em momento algum. Entretanto, é bom saber que ainda existe aquele tipo de comédia pura, arquitetada com o propósito de fazer o espectador rir. What We Do In The Shadows é piada atrás de piada e todas funcionam. Impressionante e admirável.

Zoey’s Extraordinary Playlist (NBC)
Primeira Temporada

Desde Glee as pessoas precisam de uma versão de Glee, só que melhor. Zoey’s Extraordinary Playlist vem para preencher essa lacuna dos fãs de séries musicais e se apresenta como uma surpresa muito agradável, misturando números musicais com realidade que se justificam pelo estranho plot. Ela é dona de alguns dos momentos mais cringe da temporada — nunca vou superar Lauren Graham cantando “(I Can’t Get No) Satisfaction”, dos Rollings Stones, e “Tik Tok”, da Kesha –, mas que funcionam dentro da proposta de pessoas comuns performando o que está passando em suas mentes. É uma série charmosa, adorável, até mesmo emocionante (o finale é inesperado — de uma forma positiva e necessária), e que deixa uma sensação gostosa.

Menções honrosas: Harley Quinn (HBO Max), Primal (Adult Swin), The Flight Attendant (HBO Max), Never Have I Ever (Netflix), Sex Education (Netflix), #blackAF (Netflix), The Haunting of Bly Manor (Netflix), High Fidelity (Hulu), Ozark (Netflix).

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Por Rodrigo Ramos

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