Melhores Discos de 2018

Janelle Monáe, Elza Soares, Jack White, Silva, Robyn, Gal Costa e Troye Sivan estão entre os destaques da lista.

Não há como negar que 2018 foi um ano conturbado, social e politicamente. E a música, sem dúvida, é um dos canos de escape para conseguirmos lidar com a realidade. Seja com canções que fujam totalmente do cenário e servem apenas para espairecemos a mente, com faixas relatando corações partidos — sempre há espaço para falarmos disso –, outras que celebram a diversidade cultural, até a retratação das dificuldades de algumas parcelas da sociedade.

Entre negros, pardos, caucasianos, homens, mulheres, héteros, gays, lésbicas, pansexuais, drags, jovens e idosos, entre rap, hip-hop, MPB, pop, country, folk, rock, eletrônica, alternativa, há uma seleção variada nesta lista e escolhida com carinho pelo júri do Previamente. Confira abaixo os nossos 20 melhores discos do ano que passou e que te ajudarão a passar por 2019.

20. Christine and the Queens — Chris

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Esteja preparado para Christine and the Queens. A francesa é um ótimo exemplo para rebater aqueles que dizem que o alternativo não inova mais. Com sua voz forte, seus arranjos eletrônicos e as letras cheias de uma crueza e causticidade muito peculiares, o álbum – lançado em duas versões, uma no original francês e outra para o mercado internacional, em inglês – lembra muito a sonoridade de algumas cantoras brasileiras dos anos 80 e 90, como Deborah Blando e Marina Lima. Além disso, suas músicas trazem um tom de melancolia que se confunde com as batidas e sintetizadores espalhados ao longo das onze faixas. Não há como passar batido pelo niilismo e flertes com o suicídio em “Doesn’t matter” ou pelo feminismo cru e direto em “Damn (what must a womann do)”. E não para por aí: Christine and the Queens ainda desconstrói a obra do pintor Goya em “Goya Soda” e critica de leve a liquidez dos relacionamentos atuais com “What’s-her-face”. — Ewerton Mera

Faixas de destaque: “Doesn’t Matter” / “Damn (what must a womann do)” / “Goya Soda”.

19. Brandi Carlile — By the Way, I Forgive You

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Confesso ter sabido da existência de Brandi Carlile quando ela apareceu entre os indicados ao Grammy 2019. Fui atrás e encontrei na cantora uma voz poderosa e composições ainda mais. Ao ouvir sua discografia, nota-se que By The Way, I Forgive You é o seu álbum mais equilibrado e também o mais pessoal. Como um bom artista de folk/country suas letras contam histórias — e ela é uma ótima contadora. As faixas contam experiências pessoais e compartilham também suas visões de mundo: relacionamento com os pais; críticas à brutalidade policial; o conto sobre o vício de um amigo; ser mãe por escolha e não por acidente (ela é lésbica e casada); o processo do perdão; o ateísmo; e casamento. A interpretação de Brandi nas faixas transporta o ouvinte pra dentro de suas histórias e comove com facilidade quem estiver de peito aberto para embarcar nessa jornada. — Rodrigo Ramos

Faixas de destaque: “The Joke” / “Every Time I Hear That Song” / “Part of One”.

18. Kacey Musgraves — Golden Hour

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Se alguém apostava que Kacey Musgraves seria um dos destaques do ano, avise a redação do Previamente pois ninguém aqui esperava por isso. A cantora country, em seu terceiro álbum de estúdio, entrega um trabalho coeso, consistente e bem executado. Da voz de Kacey às melodias, tudo é bem estruturado. As letras são otimistas, seja falando da relação com o seu marido, citando sua mãe, admirando a natureza, falando de amores passados, ou passando um final de semana sozinha. É um country pop de qualidade, que nos lembra um pouco de Taylor Swift das antigas, mas com ainda mais personalidade e riqueza nas composições. Há algumas experimentações, evocando os trabalhos mais recentes de Norah Jones até um passeio do gênero disco dentro do country. Golden Hour é um álbum fluído, honesto e de fácil degustação. — Rodrigo Ramos

Faixas de destaque: “Slow Burn” / “Lonely Weekend” / “Butterflies”.

17. Justin Timberlake — Man of the Woods

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Nascido em uma carreira de menino prodígio dentro da TV, transposto para uma boyband e catapultado para o sucesso de uma carreira solo, é inegável o talento de Justin Timberlake. Aventurando-se no cinema também como ator, o cantor nunca deixou de lado sua veia musical, que é forte. A aclamação da crítica chegou em seu álbum de estúdio de 2006, FutureSex/LoveSounds, permaneceu com The 20/20 experience, de 2013 e, agora, alça mais voos com o ótimo Man of the woods. Trabalhando com colaboradores de longa data como Timbaland, Danja e The Neptunes (especialmente Pharrell Williams), o som desse novo trabalho é um jam interminável, com músicas que aumentam o ritmo do álbum em um crescendo aparentemente sem fim, chegando a um ápice quase transcendental. Do início cheio de volúpia com “Filthy” e os interlúdios que referenciam a temática permeada no título e no conceito de mundo selvagem e como fazer parte dele, Man of the woods é, ao mesmo tempo, uma originalidade exercitada pelo já estilo consagrado de Timberlake e sua reverência a mestres como Michael Jackson. — Ewerton Mera

Faixas de destaque: “Say Something” / “Filthy” / “Midnight Summer Jam”.

16. Lady Gaga & Bradley Cooper — A Star is Born

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Lady Gaga continua impressionando. Buscando se reinventar de alguma forma a cada novo projeto, estrelar Nasce Uma Estrela talvez seja um dos seus maiores desafios, já que além de ter que cantar, ela assina as músicas as quais performa no filme — tendo que escrever letras que façam sentido para a jornada de sua personagem e da narrativa — e ainda precisa atuar. Felizmente, a cantora atinge um novo patamar conseguindo executar com êxito as três funções. Há as músicas pop genéricas dentro do álbum, que não estão no nível do pop que Gaga fizera no passado, possivelmente de propósito devido à narrativa, mas ainda assim divertem. Porém, exceto por elas, o disco tem alma e coração em toda sua extensão. O álbum é ótimo por conseguir contar uma história por si só — e por isso cabe tão bem dentro do roteiro do longa-metragem — e a simplicidade das faixas, sem arranjos extravagantes, sendo mais cru, funcionam. Gaga, inclusive, entrega algumas faixas que estão entre as 10 melhores de sua carreira aqui. Vale também ressaltar que Bradley Cooper é, surpreendentemente, um ótimo cantor e incorpora bem a vibe rockstar. — Rodrigo Ramos

Faixas de destaque: “Shallow” / “Always Remember Us This Way” / “I’ll Never Love Again (Extended Version)”.

15. Paul McCartney — Egypt Station

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Talvez Egypt Station seja um 8 ou 80 para os fãs do ex-beatle. Isso porque, além de Paul McCartney permitir influências de produtores atuais na maioria das faixas – algo preocupante para fãs de longa data, no sentido de a “originalidade” de Paul não ficar tanto em evidência –, Egypt station é um álbum conceitual. Não à toa, a faixa de abertura é um prólogo de poucos segundos apenas com sons reais de uma estação de trem. Ou seja, conceitualmente Paul McCartney vai nos levar para uma viagem de trem, passando por diversas estações – e cada música seguinte representa uma delas. De início, “I don’t know” já mostra um McCartney a todo vapor, numa balada formada por voz e piano, para logo depois pararmos na estação “Come on to me”, um pop-rock chiclete, com direito a riffs viciantes e uma batida ritmada que dificilmente vai sair da cabeça depois de uma primeira audição. As duas músicas, inclusive, foram escolhidas para formarem o primeiro single do disco. Há, também, incursões mais, digamos, diferentonas para a carreira de Paul McCartney, como nas faixas “Who cares” e “Fuh you” – esta provavelmente vai enfurecer alguns fãs, já que possui uma letra bastante rasa, muito incomum na carreira solo do ex-beatle. Inclusive há uma parada no Brasil com “Back in Brazil”. É cheia de clichês musicais na visão do gringo que olha nosso país lá de fora? Sim. Mas dá para perdoar por ser Paul McCartney? Claro. — Ewerton Mera

Faixas de destaque: “Back in Brazil” / “I Don’t Know” / “Come on to Me”.

14. Roosevelt — Young Romance

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Se você é alguém que gosta de um pop alternativo, com elementos eletrônicos e uma camada de sons etéreos, está perdendo tempo se não ouviu Roosevelt ainda. O alemão (mas que canta em inglês) surgiu mais proeminentemente em 2016 com suas estreia homônima, um álbum irretocável. Agora, dois anos depois, o cantor nos brinda com mais uma joia rara da atualidade com Young Romance. Os elementos eletrônicos continuam no centro das atenções aqui, mas, assim como o próprio trabalho com as imagens de capa e videoclipes sugere, Young Romance é um álbum muito mais ensolarado que o Roosevelt. Do introspectivo para o expansivo, Roosevelt não decepciona. Expande seus horizontes, na verdade, ao trazer camadas mais alegres com “Under the Sun” e a ótima “Losing Touch” – impossível ao menos não batucar os pés com esta última. Ainda há, porém, espaço para a contemplação mais amena, como em “Yr love” e “Getaway”. Espere também por ouvir metais inspirados como no final de “Shadows” e uma bateria forte em “Illusions”, como o artista já fazia lá no seu primeiro álbum. — Ewerton Mera

Faixas de destaque: “Losing Touch” / “Under the Sun” / “Yr Love”.

13. Pabllo Vittar — Não Para Não

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Esse foi um grande ano para as drags. Aretuza Lovi e Lia Clark lançaram discos, Gloria Groove se manteve relevante lançando singles próprios e fazendo participações com outros artistas. Os trabalhos apresentados são consistentes e o nível de qualidade continua numa crescente. Mas o grande destaque ainda é Pabllo Vittar. Em seu segundo álbum, a cantora não somente trouxe singles para dançar até cansar no meio da pista, com refrões chicletes e frases cheias de efeito, como apresentou evolução na sua capacidade vocal e também incorporou mais elementos da música brasileira em suas faixas. O sucesso de Vittar e sua insistência em não parar, em um país cheio de preconceitos e violento contra a comunidade LGBT+ — somos primeiro lugar no ranking de assassinatos de pessoas trans no planeta –, é um verdadeiro ato político. Não é só um disco pop, é um ato de resistência. — Rodrigo Ramos

Faixas de destaque: “Seu Crime” / “Disk Me” / “Problema Seu”.

12. The Carters — Everything is Love

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A trilogia musical de Beyoncé e Jay-Z, que começou com os álbuns solos Lemonade (2016) e 4:44 (2017), se encerrou, pelo menos por enquanto, com Everything is Love, trabalho coletivo que aparentemente apara as arestas entre o casal. Lançado na segunda rodada da turnê On The Run, o álbum surgiu do nada e foi acompanhado por um videoclipe gravado no Louvre, trazendo tantas referências artísticas e históricas que fariam a tradução intersemiótica virar de cabeça pra baixo. Dois dos principais artistas da música conseguiram não apenas gravar um álbum em sigilo, como filmar em um espaço restrito e fazer barulho. Tudo que lançam é inevitavelmente bem repercutido. Parece que eles têm tanta segurança no que fazem que preferem não explicar além do que está nas entrelinhas.

As músicas não carregam autopiedade conjugal. Pelo contrário, reafirmam o reinado que eles ocupam. APESHIT foi oficialmente a única faixa de trabalho do álbum, enquanto as outras faixas amarram a jornada pessoal do casal. Nas letras, eles buscam uma humanidade que ainda não convence todo mundo porque pode ser vista mais como estratégia e menos como sinceridade. Independentemente do que seja, o que podemos falar é que é impossível sair ileso da potência que eles representam no hip hop e no pop e dos lugares de fala que eles têm ocupado. Faixas como “713” e “BLACK EFFECT” falam muito sobre o que eles pensam do mundo. Os Carters seguem driblando a imprensa, sendo endeusados pela fan base, debochados pelos haters e, no fim das contas, mais unidos do que nunca, colaborando de forma notável com a música internacional e servindo de referência para a cultura pop. — Diego Benevides

Faixas de destaque: “APESHIT” / “713” / “BLACK EFFECT”.

11. Janelle Monáe — Dirty Computer

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Pode ser um pouco pedante dizê-lo, mas Janelle Monáe incorpora Prince em sua sonoridade e traz seu toque pessoal para Dirty Computer, seu terceiro disco de estúdio. Estilizado, conceitual e ambicioso, o álbum coloca em pauta a difícil missão de ser uma mulher negra — ainda que o ano seja 2018 e parece absurdo haver tantas dificuldades. Com letras pessoais e trabalhando constantemente com o empoderamento da mulher em si, Monáe transita entre os gêneros de rap, hip hop, R&B, funk e o pop com fluidez, perspicácia e competência. — Rodrigo Ramos

Faixas de destaque: “Make Me Feel” / “Pynk” / “Django Jane”.

10. Kendrick Lamar — Black Panther the Album Music From and Inspired By

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Kendrick Lamar coordenando um dream team para a trilha de um dos filmes do ano. O afrofuturismo funcionou bem demais na estética de Pantera Negra, e com a parte musical não foi diferente. Apesar de relegadas ao segundo plano dentro da obra, faixas como “All The Stars” e “Pray For Me” são grandiosas e bem lapidadas para serem radio-friendly sem perder valor de produção nem fugir do universo semântico incrível de Wakanda. Teoricamente nem precisaria ir tão longe: como daria errado um álbum que envolve Lamar, James Blake, SZA, Jorja Smith, Khalid, The Weeknd, Future, Vince Staples e todo um rol de artistas pesquisados extensamente para cair como uma luva no projeto? — Léo T. Motta

Faixas de destaque: “All the Stars” / “Pray For Me” / “The Ways”.

9. Kali Uchis — Isolation

Quando o álbum foi lançado confesso que não dei a devida atenção, apesar de já ter ouvido o nome da cantora. Após um amigo comentar sobre o álbum, parei para ouvir e entendi o motivo de tantos comentários elogiando o Isolation. É um álbum que explora diferentes sonoridades, conseguindo mesclar pop com outros ritmos, e que aliado à voz da cantora cria uma aura nostálgica ao mesmo tempo que é atual. A herança colombiana é encontrada em faixas como “Nuestro Planeta”, e que juntamente a influência de ritmos como R&B e Bossa Nova tornam este álbum uma surpresa agradável neste ano. — Darlan Brandt

Faixas de destaque: “Just a Strange” / “After the Storm” / “Tyrant”.

8. Baco Exu do Blues — Bluesman

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“Eu sou o primeiro ritmo a formar pretos ricos, o primeiro ritmo que tornou pretos livres… A partir de agora considero tudo blues… Jesus é blues, falei mermo”. Com certeza essa foi a parte, início da música “Bluesman”, que mais me chamou atenção no álbum. Não por conotação religiosa ou histórica, mas pela forma como Diogo Moncorvo, agora mais conhecido como Baco Exu do Blues, trata de maneira inédita, pelo menos pra mim, a forma como uma pessoa negra se sente e reage emocionalmente ao racismo. O disco também é uma afronta aos padrões musicais, misturando elementos de outros estilos pouco utilizados dentro do rap e não se preocupando tanto com a estética: o foco é a mensagem. — Lenon Cesar

Faixas de destaque: “Bluesman” / “Queima Minha Pele” / “Kanye West da Bahia”.

7. Troye Sivan — Bloom

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Assim como qualquer artista pop talentoso, Troye Sivan libertou-se das amarras do álbum de estreia. E como todos questionam o artista que faz sucesso logo no primeiro trabalho se este vai manter o sucesso com o segundo disco, esperava-se muito daquele que, muito novo, alçou patamares grandes em um mercado musical competitivo com Blue Neighbourhood, em 2015. A resposta veio em um álbum pop curto, de pouco mais de meia hora, mas que encara com perfeição a máxima de que menos é mais. Conciso, direto, irretocável. Bloom é uma libertação não apenas pessoal e íntima de Sivan, buscando letras autobiográficas que permeiam sua sexualidade e como ela afeta os arredores de sua vivência, mas seu crescimento como artista, seja seu lado cantor, seja seu lado compositor. O disco é um misto de dedicações, seja ao amor, seja ao sexo, seja ao desapego, seja à tristeza. Aliado a produtores tão talentosos quanto ele, como Ariel Rechtshaid (que produziu para HAIM, Kylie Minogue, Brandon Flowers e Adele), Troye Sivan entrega um segundo trabalho honesto, assumindo o pop como vestimenta perfeita para aquilo que ele deseja falar. — Ewerton Mera

Faixas de destaque: “Bloom” / “My My My!” / “Dance to This”.

6. Gal Costa — A Pele do Futuro

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Ao mesmo tempo em que busca inspirações da música black dos anos 1970, Gal Costa continua se reinventando ao olhar para o futuro e se atualizar. A cantora vem comprovando, disco após disco, que não tem medo de se arriscar na carreira — sua retomada com os ótimos Recanto e Estratorférica são provas disso. Com 53 anos de estrada, a cantora mantém a voz impecável e inconfundível. Há composições de nomes mais das antigas, como Gilberto Gil, Adriana Calcanhoto, Guilherme Arantes, Erasmo Carlos, Djavan e Nando Reis, mas também há nomes da nova geração da música brasileira, como Silva, Tim Bernardes, Dani Black, Emicida e Marília Mendonça, esta com quem divide os vocais em “Cuidando de Longe”, uma das melhores canções do álbum. Mesmo com um catálogo de compositores variados, o álbum é homogêneo e Gal interpreta cada faixa como se fosse sua. — Rodrigo Ramos

Faixas de destaque: “Sublime” / “Cuidando de Longe” / “Abre-Alas do Verão”.

5. Robyn — Honey

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Depois de oito anos sem lançar nada próprio, Robyn reapareceu e não decepcionou. Entre o lançamento do maravilhoso Body Talk até Honey, foram várias participações com outros artistas, em especial a parceria com o Royksopp, que rendeu ótimas músicas. A cada música nova, a expectativa de um lançamento próprio se reacendia. Então no meio do ano veio a confirmação e quando chegou o lançamento, depois de já ter morrido de amores pela faixas que já haviam sido lançadas (“Missing U” e a faixa-título), o resto do álbum é uma coletânea de faixas bem produzidas, com letras que formam um diário de um fim de relacionamento e a volta por cima. A própria Robyn contou em uma entrevista que a ordem das músicas no álbum foram escritas em ordem cronológica. E quem mais conseguiria fazer uma música dançante em um momento tão emocional quanto ela? “Dancing On My Own” do Body Talk está aí para mostrar do que ela é capaz. É um álbum repleto de pérolas como “Because It’s In the Music” e “Ever Again”, que tem uma batidinha anos 80 maravilhosa e extremamente nostálgica. Certamente valeu a pena esperar todo esse tempo. — Darlan Brandt

Faixas de destaque: “Missing U” / “Because It’s in the Music” / “Ever Again”.

4. Jack White — Boarding House Reach

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Uma das virtudes de Jack White é continuar tentando entregar algo de novo, passando longe do comodismo. Boarding House pode não ter nenhuma canção que seja radiofônica (até porque nunca fora sua intenção hitar nas rádios e nas paradas) e talvez nem seja o tipo de coisa que os fãs do músico estavam acostumados. Mais uma vez, ele experimenta, indo para lugares não investidos anteriormente, na carreira solo ou em uma de suas bandas. Apesar de ter influências do rock n roll e do jazz, White expande seus horizontes, e faz um álbum inquietante, difícil para se ouvir na maior parte dos dias comuns, definitivamente exótico e ao mesmo tempo com sua cara, com as cordas de gritando como sempre. Ousadia, loucura e genialidade. — Rodrigo Ramos

Faixas de destaque: “Over and Over and Over” / “Corporation” / “Connected By Love”.

3. Father John Misty — God’s Favorite Customer

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Josh Tillman já passou por algumas bandas, inclusive pelos Fleet Foxes. Mas, de uns anos para cá, parece que o moniker Father John Misty lhe caiu bem. E é o que o seu trabalho mais recente, God’s Favorite Costumer sugere através das belas composições. Evocando um Elton John de início de carreira, com mistos de artista solitário tocando em um pub, Tillman traz, com suas letras, um humor que pende entre o autoparódico e o amargurado, falando sobre encontros, poemas e a tarefa de um compositor. God’s Favorite Costumer sugere sua melancolia e contemplação ao nada desde a capa, inclusive, mostrando um Father John Misty à la David Bowie, banhado em cores que tornam sua tristeza ainda mais proeminente. Caso você esteja procurando um artista novo para ouvir, eis sua chance. — Ewerton Mera

Faixas de destaque: “Please Don’t Die” / “Date Night” / “God’s Favorite Customer”

2. Silva — Brasileiro

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Aparentemente os dias de synth pop alternativo do nacional Silva acabaram. O cantor, que começou de maneira literalmente tímida no cenário musical brasileiro, alçou voos cada vez maiores, saindo do introspectivo Claridão, de 2012, para o mais conceitual e alegre Vista Pro Mar, de 2014. Em 2015, tornou o simples uma virtude com o econômico em arranjos Júpiter. Parou um tempo para se dedicar ao projeto de covers Silva canta Marisa, o que já demonstrava sua inclinação para caminhos de MPB. E por ali ficou. A prova física é seu novo álbum, Brasileiro. Do nome e da capa às músicas, com suas letras que voltam a atenção para o nosso Brasil e arranjos que gritam Caetano, Gal, Bethânia e Chico Buarque, Brasileiro parece ser uma marca para um artista em constante ebulição. A diferença, agora, é que muito provavelmente não teremos mais um Silva mergulhado nos sintetizadores da era Claridão, já que o nome da primeira faixa indica que “Nada será mais como era antes”. Se isso é algo bom ou ruim, só o tempo dirá. Por enquanto, dá para aproveitar a beleza sem medidas de músicas como “Prova dos Nove”, “Milhões de vozes” (esta em parceria com Arnaldo Antunes na composição) e “Guerra de amor”. O misto do Silva de Vista Pro Mar com o de Brasileiro surge no principal single do disco, “A Cor é Rosa”. Há, ainda, surpresas instrumentais com “Sapucaia” e “Palmeira”. — Ewerton Mera

Faixas de destaque: “Prova dos Nove” / “Milhões de Vozes” / “A Cor é Rosa”.

 

1. Elza Soares — Deus É Mulher

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Com 65 anos de carreira, considerada a cantora do milênio passado pela Rádio BBC e vencedora do Grammy Latino, a carioca Elza Soares já recebeu todo o reconhecimento que poderia, sendo redescoberta por uma nova geração ainda nesta década. Aos 81 anos (ou 88, pois ela possui um segundo registro de nascimento, mas se recusa a afirmar qual é a sua verdeira idade — “Não tem idade, cara. Sou atemporal.”), a cantora não parece cansada e nem sua música demonstra degaste. Pelo contrário. Elza se mantém tão atual quanto em outrora. Se com A Mulher do Fim do Mundo ela veio “denunciar tudo que não presta”, Deus É Mulher vem com a mesma pegada, porém dando mais evidência e empoderamento às mulheres.

O disco lançado este ano, o 33º em sua discografia, joga Elza em nova vertente, trazendo os elementos eletrônicos para suas músicas, incorporando-os aos ritmos típicos brasileiros com até mesmo inserções sinfônicas. Nas composições, que vão de canções escritas por Tulipa Ruiz até Rômulo Fróes e Alice Coutinho (com quem trabalhou em A Mulher do Fim do Mundo), Elza coloca os holofotes para falar sobre a vida do negro, critica as hienas da televisão, fala sobre o desejo sexual da mulher, explora o verdadeiro sentido da fé, dá voz às vítimas de abuso e violência, examina a hipocrisia do estado que se diz laico mas na prática faz o oposto — e, inclusive, certamente hoje Jesus teria sido morto por essas mesmas pessoas que crucificam terceiros por suas crenças discrepantes. Em suma, Elza fala sobre tudo o que vivemos no Brasil. Sua voz e suas letras ecoam neste país problemático. É o disco essencial que representa com exatidão o que foi 2018. — Rodrigo Ramos

Faixas de destaque: “O Que Se Cala” / “Exú nas Escolas” / “Dentro de Cada Um”.

 

Fizeram parte desta eleição:
Léo Telles Motta, publicitário, supervisor musical e redator.
Lenon César, produtor audiovisual e músico.
Ewerton Mera, bacharel em Letras, mestre em Semiótica, professor de português e editor do blog Uma Estante.
Darlan Brandt, bacharel em Letras, estudante de Sistema de Informáticas, programador e DJ.
Paulo Henrique de Moura, jornalista, diretor da CULTURE lab*, professor na Faculdade Santa Marcelina, Senac São Paulo e no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.
Stefânia Enderle, jornalista e produtora de conteúdo.
Eliza Doré Milanezi, jornalista e assessora de comunicação.
Miro Lemos, publicitário, profissional de marketing e DJ da 1007 Balneário Camboriú.
Rodrigo Ramos, jornalista, editor do site Previamente, repórter do Jornal O Navegantes.
Diego Benevides, jornalista e crítico de cinema. Fundador/presidente da Associação Cearense de Críticos de Cinema (Aceccine) e membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Mestrando em Comunicação – Fotografia e Audiovisual pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Colaborador do Jornal Diário do Nordeste.

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Por Rodrigo Ramos, Ewerton Mera, Darlan Brandt, Lenon Cesar, Léo Telles Motta & Diego Benevides.
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