As Sequências Que São Melhores do Que os Originais

Quando o segundo filme é melhor do que o primeiro

Amazing Spider-Man 2

Por Rodrigo Ramos

Nesta quinta-feira, dia 1º de maio, estreia nos cinemas brasileiros O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro. No embalo desta sequência, o Previamente resolveu listar as melhores sequências do cinema. Neste caso, optamos por listar a primeira continuação. Por exemplo, é evidente que O Ultimato Bourne é o melhor de todos da trilogia do agente desmemoriado, porém queremos provar aqui que o segundo pode ser sim superior ao filme de origem. E como vocês irão conferir nas próximas linhas os casos não são tão raros assim.

Superman II

Superman II (1980) – Direção: Richard Lester, Richard Donner (não-creditado)

O primeiro da lista é um dos icônicos filmes de super-heróis. Veja bem, o primeiro longa-metragem do Homem de Aço é bem legal, mas histórias de origem nem sempre conseguem ser tão espetaculares. Sem contar que o final com o protagonista girando o globo terrestre ao contrário para voltar no tempo é uma das resoluções mais ridículas da história cinematográfica. Em Superman II há mais liberdade para desenvolver o romance entre Clark (Christopher Reeve) e Lois (Margot Kidder), com a adição de novos vilões e o desfecho não beira o risível. Os poucos erros do anterior são ajeitados aqui, o que transforma este na melhor versão do herói nas telonas.

Captain America 2 the winter soldier

Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014) – Direção: Anthony Russo, Joe Russo

É muito recente, mas dá pra falar sem pensar duas vezes que esta é a melhor película dentro do universo dos estúdios Marvel nas telonas. Capitão América 2 tem um tom totalmente diferente do seu antecessor, afinal o cenário muda da Segunda Guerra Mundial para os tempos atuais. Ótimas atuações, química em tela, cenas de ação espetaculares, equilíbrio entre emoção, alívio cômico e seriedade, além de introduzir a sensação de paranoia do mundo da espionagem no universo Marvel. Quase não parece um filme de super-herói.

Batman Returns

Batman: O Retorno (Batman Returns, 1992) – Direção: Tim Burton

Se Tim Burton tivesse continuado na direção de Batman nos cinemas, como o mundo hoje seria diferente… Com ele no comando dos longas do Homem Morcego, Gotham City nunca foi tão viva como nas HQs. Em Batman: O Retorno, ele conseguiu colocar dois vilões icônicos do herói mascarado e os desenvolveu de maneira a serem tão importantes quanto o próprio protagonista. Batman, de 1989, era bom, mas não se compara com o clima soturno imprimido nesta narrativa em que Pinguim (Danny DeVito) e Mulher-Gato (Michelle Pfeiffer) roubam a cena. Aliás, obrigado Michelle pela atuação inesquecível e pela roupa de couro.

Shrek 2

Shrek 2 (2004) – Direção: Andrew Adamson, Kelly Asbury, Conrad Vernon

Quando foi lançado, em 2001, o primeiro Shrek se tornou uma febre por pegar os contos de fada e transformá-los em piada, colocando um ogro como o protagonista de uma fábula. Essa história de faz de conta às avessas ganhou uma sequência expandindo o seu universo de maneira a introduzir novos personagens, possibilidades, sátiras e risadas, é claro. Shrek 2 é cheio de piadas e situações hilárias, fazendo com que seja impossível passar mais de cinco minutos sem rir. Além disso, injeta uma dose de sensibilidade seja pelas relações amorosas, familiares ou de pura amizade. É uma comédia com um grande coração.

Spider-Man 2

Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2, 2004) – Direção: Sam Raimi

Sam Raimi foi o responsável por mostrar novamente ao mundo que super-heróis podem render muito dinheiro e bons filmes. Em 2002, Homem-Aranha foi um boom nas bilheterias mundiais e dois anos depois houve a sequência. E que continuação! Sabiamente, Raimi pega tudo o que funcionou na primeira parte de sua trilogia e aprimora, adicionando novos personagens (Dr. Octupus, interpretado por Alfred Molina, é um dos melhores vilões já vistos nas telonas) e transformando a vida de Peter Parker (Tobey Maguire) num verdadeiro inferno astral, com pequenas alegrias e muito drama. É engraçado, é emocionante, é extasiante. Está facilmente no Top 5 dos melhores filmes de super-heróis dos anais do cinema.

Star Wars V - The Empire Strikes Back

Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca (Star Wars: Episode V – The Empire Strikes Back, 1980) – Direção: Irvin Kershner

George Lucas nem imaginava que Star Wars seria uma das maiores sagas cinematográficas que já passaram por este planeta. O primeiro Guerra nas Estrelas era um belo começo, mas foi com O Império Contra-Ataca que conhecemos personagens como Yoda, tivemos muito mais ação e entrosamento do elenco, a trama ficou mais sombria com a esperança se esvaindo e tivemos uma das maiores reviravoltas já vistas no cinema. Afinal, não é todo dia que o vilão revela ser o pai do protagonista (ops, spoiler!). Vida longa e próspera para Star Wars! Não, calma, essa frase é de outra franquia.

Tropa de Elite 2

Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro (2010) – Direção: José Padilha

A arte de se reinventar dentro da própria franquia. Quer dizer, ninguém imaginava que Tropa de Elite seria um estrondo nas bilheterias brasileiras e ganharia prêmio até no Festival de Berlim. Mas então Padilha quis ir adiante e contar uma nova história. Com o pé cada vez mais cravado na realidade brasileira, a violência, o contexto social e a corrupção mostrados no longa-metragem são o reflexo da nossa sociedade. O Capitão Nascimento (Wagner Moura, fantástico) se vê inserido numa rede de intrigas e se torna quase uma espécie de Jack Bauer tupiniquim lutando contra políticos e policiais nesta teia de conspiração, enquanto precisa garantir a segurança da sua família. Filmaço.

X-Men 2

X-Men 2 (X2, 2003) – Direção: Bryan Singer

Sam Raimi foi responsável pela popularização dos super-heróis nas telonas do mundo inteiro, mas quem começou com o reboot dos heróis nos cinemas de verdade foi Bryan Singer, com X-Men: O Filme, em 2000. Sem ele, não existiria Homem-Aranha. Então Singer criou uma das sequências mais explosivas e espetaculares do universo cinematográfico. Ele constrói uma narrativa que precisa se dividir entre a luta dos direitos dos mutantes (a metáfora sobre a luta pelos direitos das minorias do nosso mundo real), a busca de Wolverine (Hugh Jackman) por seu passado, além de introduzir novos personagens e desenvolver os que já estavam estabilizados. Tem contexto político e social, cenas de ação alucinantes e viradas inesperadas. O único ponto negativo é que Singer largou a cinessérie para comandar Superman: O Retorno e não fechou a primeira trilogia dos mutantes no alto nível com que começou e se desenvolveu aqui.

Before Sunset

Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset, 2004) – Direção: Richard Linklater

A melhor das estórias românticas feitas para o cinema é a trilogia criada por Richard Linklater e estrelada por Ethan Hawke e Julie Delpy. A cada filme, uma década se passa. A primeira parte fala sobre as aspirações do amor adolescente, ainda naquela utopia do sentimento, onde tudo é possível. Esta segunda parte traz o casal em outra bela cidade europeia, discutindo sobre suas experiências desde seu último encontro, mostrando como a vida pode ser diferente do que planejamos. A maturidade do diretor (também roteirista) e atores é evidente pelos diálogos, pelas expressões e até mesmo pelas primeiras rugas da dupla. A química está mais aguçada e a narrativa é ainda mais apaixonante. Mesmo que ainda preserve certo otimismo em relação ao amor e relacionamentos, não deixa de fincar o pé no chão. É fabuloso, um verdadeiro deleite.

Terminator 2 Judgment Day

O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (Terminator 2: Judgment Day, 1991) – Direção: James Cameron

Lembram quando James Cameron fazia filmes do c******? Então, O Exterminador do Futuro 2 tem uma pegada bem diferente do seu antecessor, que era uma espécie de ficção misturada com horror. Não era bem um filme de ação desenfreada como é o caso desta sequência. Uma das grandes mudanças é que agora o cyborg interpretado por Arnold Schwarzenegger está do lado dos mocinhos e precisa proteger John Connor (Edward Furlong) para garantir que haja um futuro para a humanidade. É o James Cameron hardcore, maroto, aventureiro que não reconhecemos mais hoje em dia. Mas uma coisa é reconhecível: os seus esforços em relação à novas tecnologias já era uma marca registrada. Enfim, O Exterminador do Futuro 2 é um filmaço, alguns anos luz à frente da obra original.

The Dark Knight

Batman: O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008) – Direção: Christopher Nolan

Simplesmente o melhor filme de super-heróis que já viu a luz das telas de cinema. Ponto. Dito isso, é lógico que este é a versão (por enquanto) definitiva do Cavaleiro das Trevas nas telonas. Batman Begins era ótimo, mas não tinha tanta liberdade para explorar o mundo de Gotham City e seus personagens. Christopher Nolan e toda a sua equipe estavam no auge da sua criatividade e criaram um longa-metragem que transcende o gênero de super-heróis, soando muito mais como um filme policial – tirando, é claro, o fato de que o protagonista está vestido de morcego. O roteiro é surpreendente, o tom é soturno, o ritmo é acelerado (não dá pra respirar nenhum segundo) e os atores estão excelentes, com destaque para a extraordinária performance de Heath Ledger como Coringa.

Aliens

Aliens: O Resgate (Aliens, 1986) – Direção: James Cameron

O James Cameron moleque, maroto, fanático por uma boa pancadaria já se mostrava nos anos 80. Ele transformou a sequência da ficção de horror dirigida por Ridley Scott em um filme de ação alucinante, com uma protagonista que abraça sua força para chutar a bunda de muitos aliens – agora não é apenas um, são vários. Sigourney Weaver se transforma e vira um dos principais ícones femininos, muito antes de Katniss Everdeen. Alien: O Oitavo Passageiro e Aliens: O Resgate são dois filmes completamente diferentes, ambos ótimos, mas esta sequência tem uma energia muito maior e certamente empolga bem mais do que seu antecessor. Ponto para Cameron, que conseguiu fazer o que já era bom ser ainda melhor.

GODFATHER PART II, THE

O Poderoso Chefão II (The Godfather: Part II, 1974) – Direção: Francis Ford Coppola

Venha aprender com Francis Ford Coppola a fazer uma continuação – mas ignore que ele continuou a filmar sequências e fez O Poderoso Chefão III. Como se o primeiro já não tivesse sido uma lição cinematográfica, o pai de Sofia foi o primeiro diretor na indústria audiovisual a provar que é possível sim fazer uma sequência melhor do que o original. Para alguns O Poderoso Chefão com Marlon Brando é o melhor, porém o mais marcante certamente é esta continuação. Sai Brando, mas entra um jovem Robert DeNiro interpretando o papel de Don Corleone na juventude. Sua história de ascensão é contada em paralelo com a do filho, Michael (Al Pacino), que assume seu lugar na chefia da máfia. Nenhum elogio foge à esta segunda parte da saga da família Corleone. Cenas inesquecíveis, diálogos marcantes, atuações memoráveis e uma direção irretocável. É mais uma aula de cinema.

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