The Walking Dead – Quarta Temporada | Review

Quando a série e seus personagens se tornam indiferentes para o espectador

The Walking Dead (34)

Inicialmente, não sei o que fazer com este texto. Estou me sentindo como os roteiristas de The Walking Dead. Esta série é incrível na arte de não saber para onde ir, de não se decidir que campo irá explorar, se afinal de contas irá mesmo se firmar como uma das melhores produções da TV ou se irá cair no comum. Talvez esta seja a série que mais tenha altos e baixos da história recente na televisão.

Lembram quando chegou a primeira temporada e ela explodiu nossas cabeças? Então. Daí o final de temporada foi horrível, mas a gente ignorou porque havia ali uma paixonite que nos fazia fingir que nem viu aquele finale decepcionante. Foi aí que a segunda temporada provou que tudo poderia ruir, se salvando lá nos 40 minutos do segundo tempo. Então a terceira temporada começou incrível, no melhor embalo que a série já teve. Então na segunda metade acabou deixando cair a peteca e foi deixando a desejar, ainda mais com o desfecho.

No fim, culpo essas mudanças drásticas de humor, tom e clima por conta das trocas de frontrunner da série – em quatro anos, já foram três diferentes. Assim fica complicado você conseguir trabalhar de maneira homogênea. Por conta disso é que cada retomada de The Walking Dead destoa tanto uma da outra. Poderia ser utilizado para benefício da série, mas esse troca-troca causa um destempero, um desinteresse latente no espectador que já não consegue mais sentir a empatia por aqueles personagens que nem sempre (ou quase nunca) foram desenvolvidos bem o suficiente para a gente se importar com eles.

Este quarto ano da série foi um imenso teste de paciência. Se o espectador não era tão fã assim dela, então certamente não passou dos oito primeiros episódios, que foram divididos da seguinte maneira. Uma parte do pessoal fica dentro da prisão, vivendo em paz dentro do possível, cuidando da horta e fazendo campana pra impedir que zumbis volta e meia adentrem à prisão. Outra vertente é o retorno à trama do Governador (David Morrissey), que resolveu ter um pouquinho de humanidade (mas só um pouco mesmo) e quer que as pessoas o chamem de Brian agora.

O fato é que a primeira parte da temporada carece de tudo um pouco. Falta emoção, desenvolvimento (até que tentam, mas não é o bastante ainda), ação, adrenalina e suspense. A maneira como conduzem seus personagens é quase redundante. Pouco se sai do lugar. Alguns dos episódios trabalham a figura de Brian, sua redenção até seu espírito de vingança despertar. Com isso temos um dos melhores episódios da série, “Too Far Gone”, o oitavo da temporada, esse que basicamente coloca um ponto final no drama da prisão – o que deveria ter acontecido no desfecho da temporada passada. É aí que nos sentimos enganado, porque esta primeira metade do quarto ano basicamente serviu para andar em círculos e voltar para o mesmo ponto do final da terceira temporada.

A segunda metade, no entanto, poderia ser incrível. Poderia. Mas não foi o caso. Confesso que os roteiristas até tentaram fazer com que a gente voltasse a se importar com os personagens. Cada um destes tomaram um caminho diferente e então houve oportunidade para criar narrativas diferentes e explorar isoladamente cada um deles. Nem sempre, no entanto, acertou-se o tom. Além disso, a introdução de novos rostos não ajudou muito. Como já aprendemos com o tempo, a cada dez personagens que entram pra série, apenas um consegue se desenvolver decentemente – obrigado por existir, Michonne (Danai Gurira). Há momentos interessantes como a investigação, ainda que breve, do passado dela e a relação entre Daryl (Norman Reedus) e Beth (Emily Kinney). Outros seguimentos deixam a desejar pela monotonia, diálogos muitas vezes que não são tão espirituosos ou profundos quanto gostariam que fossem, como no ápice irritante na trama de Glenn (Steven Yeun) e Tara (Alanna Masterson).

Talvez eu esteja até chato demais para a série, afinal a cada episódio eu já vou assistir com aquele preconceito de que não verei algo bom. E de fato aproveitei bem pouco os episódios dessa temporada. Acredito que The Walking Dead chegou naquele ponto em que de tanto nos decepcionar começou a ser completamente indiferente e nada que aconteça ali irá nos afetar. Nem mesmo as mortes conseguem criar tanto impacto (ok, teve uma que chocou pelo modo como foi, mas não irei jogar spoiler). De tanto que The Walking Dead brincou com os nossos sentimentos, ela acabou perdendo o nosso amor, paixão e devoção. Deu uma melhorada na reta final (como é de costume), incluindo um chocante e fantástico último episódio da temporada, mas ainda não foi o suficiente para retomar o interesse e apreensão em relação ao que irá acontecer a seguir. Os que chegaram até o final desta temporada são merecedores de um prêmio, porque a temporada ficou ainda abaixo das baixas expectativas que se criaram em torno dela. O futuro que enxergo para o seriado agora, apesar do ótimo desfecho da temporada, é só declínio até se tornar aquele programa que um dia já foi bom – mas por algum motivo ainda é líder de audiência na TV fechada nos EUA. Tudo bem, porque The Big Bang Theory e Two and a Half Men também são na TV aberta, logo, audiência não significa nada, especialmente no caso desses três títulos.

The Walking Dead: Season Four
EUA, 2013/2014
Drama/Ação/Terror
16 episódios

Desenvolvido por:
Frank Darabont
Baseado na série de graphic novels de:
Robert Kirkman, Tony Moore, Charlie Adlard
Elenco:
Andrew Lincoln, Norman Reedus, Steven Yeun, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Scott Wilson, Emily Kinney, Chad L. Coleman, David Morrissey, Sonequa Martin-Green, Lawrence Gilliard Jr., Michael Cudlitz, Josh McDermitt, Christian Serratos, Jeff Kober, Alanna Masterson, Denise Crosby

3 STARS

Confira também:
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