Tom Hanks tem atuação digna de Oscar em Capitão Phillips

Paul Greengrass conduz com maestria e de forma documental a história real do navio sequestrado por piratas somalis em 2009.

Captain Phillips

Poucas vezes em 2013 valeu a pena ter comprado o ingresso e ter passado duas horas dentro daquela agradável salinha escura. Como o fim do ano está chegando, assim estão os filmes de sustância (sendo alguns deles aparecendo no Brasil somente em 2014 devido às premiações). Capitão Phillips é o tipo de produção que nos faz acreditar que o cinema ainda tem salvação e que pode valer a pena sair de casa, deixando de lado o Netflix.

(Columbia Pictures)
(Columbia Pictures)

Paul Greengrass passou algum tempo afastado do cinema. Em 2010, ele fez Zona Verde, mas o longa é muito aquém da capacidade do diretor. Com Voo United 93 ele foi indicado ao Oscar de melhor direção, mas pra mim mostrou-se extremamente competente nas duas últimas partes da trilogia Bourne, especialmente em O Ultimato Bourne, de 2007, um dos melhores filmes da década passada.

(Columbia Pictures)

Greengrass é capaz de fazer qualquer história parecer real. É seu estilo. Transformar um roteiro em uma espécie de documentário, mesmo que não seja baseado em fatos, como é o caso de Bourne. Em Capitão Phillips, a história é real. Em 2009, um navio estadunidense de contêineres é sequestrado por piratas da Somália. Soa ridículo e antiquado, mas sim, existem piratas de verdade ainda hoje. E quem precisa tomar conta dos sequestradores é o tal capitão do navio que dá nome ao filme, interpretado por Tom Hanks.

(Columbia Pictures)

Como poucos, Greengrass consegue criar uma atmosfera tensa para rodear suas películas. Aqui, ele prepara muito bem o terreno até o ataque ocorrer. A conversa com a esposa, a apresentação ao navio, a origem dos somalianos. O filme toma o seu tempo e não se apressa pra contar a história. A construção da narrativa é comparável a uma orquestra e Greengrass é o maestro. Há vários atos e cada um tem seu pico. O tom vai aumentando a cada ato e o final do longa termina no ápice, que quase parece repentino. A película nos transporta pra dentro da tela e a sensação é de hipnose diante de uma história que soa genuína e de um elenco que se esforça para ser o mais natural possível, trazendo uma carga emocional gigantesca.

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Em Voo United 93, o diretor tenta balancear seus personagens e não desenha os ditos terroristas como pessoas essencialmente ruins, tendo suas motivações, mesmo que sejam contraditórias aos olhos de alguns. Pois o mesmo acontece com os piratas. Em uma fala, Phillips questiona Muse (Barkhad Abdi), um dos sequestradores, se não havia outra maneira de eles ganharem a vida que não fosse roubar. Muse rebate, e afirma que talvez nos EUA existam opções, mas não é assim na Somália. O choque de realidade. Pode não ser uma justificativa plausível para os atos deles, contudo percebe-se que estes não são gratuitos e há sim uma motivação verdadeira por trás.

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A odisseia acaba se tornando claustrofóbica com a câmera de Greengrass. Com ela na mão, ele dá um toque a mais de realismo, principalmente nos lugares mais fechados e que os ângulos utilizados dão ao expectador o ponto de vista do outro personagem na cena, juntamente com o close. É impossível disfarçar. Ali o ator tem que mostrar a que veio, impossibilitando falsear a atuação.

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Capitão Phillips é um grande filme e não o seria caso não contasse com Tom Hanks no papel título. Há muito tempo não tinha lembrança de que Hanks sabia atuar de verdade. Aqui, ele prova que consegue ter um desempenho tão bom quanto há cerca de 20 anos quando venceu o Oscar por Filadélfia e Forrest Gump. A atuação de Hanks é magnética e ele é o termômetro do longa-metragem. O ator dá uma aula de atuação. Ele se segura e explode nos momentos certos, provando que ainda tem um timing perfeito. E o que o favorece é seu jeitão de homem comum. Phillips parece real na pele de Hanks, nos fazendo ficar apreensivos com ele, torcendo por ele e castiga nosso emocional com seu desfecho impactante.

(Columbia Pictures)
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Capitão Phillips
(Captain Phillips)
EUA, 2013 – 134 min
Drama / Ação

Direção:
Paul Greengrass
Roteiro:
Billy Ray, baseado no livro “A Captain’s Duty: Somali Pirates, Navy Seals and Dangerous Days at Sea” de Richard Phillips com Stephan Talty
Elenco:
Tom Hanks, Barhad Abdi, Catherine Keener, Max Martini, Barkhad Abdirahaman, Faysal Ahmed, Mahat M. Ali, Michael Chernus, Corey Johnson, Chris Mulkey, Yul Vazquez, David Warshofsky

4.5 STARS

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