De robôs gigantes a detetives | Círculo de Fogo e Luther

Guilhermo Del Toro volta ao cinema depois de cinco anos e Idris Elba protagoniza o melhor detetive da TV

Pacific Rim

Fui ao cinema assistir Círculo de Fogo, o novo filme de Guilhermo Del Toro. Depois de uma tentativa frustrada de dirigir a trilogia O Hobbit – que parou nas mãos de Peter Jackson – e de abandonar o projeto Nas Montanhas da Loucura, por parecer muito com a trama de Prometheus, filme de Ridley Scott, Del Toro fugiu do seu lugar comum. Ele abandona o mundo fantasioso e de HQs para homenagear os filmes de monstros e robôs gigantes. Gostaria de acreditar que o longa-metragem fosse mais do que apenas um filme de robôs brigando sem nenhum sentido aparente. Ok, não chega a ser um Transformers, mas o oceano não tem muita profundidade aqui. O roteiro tenta trazer os personagens com os seus dramas, mas eles não parecem capazes de fazer com que o espectador se identifique com eles.

Na trama, uma fenda no núcleo da Terra faz com que monstros gigantes saiam de lá. Nós, os humanos, criamos então os nossos próprios monstros, os robôs. Acho dispensável chamá-los pelos nomes de batismo de Del Toro. É indiferente. Para controlá-los, funciona quase como um Megazorde em Power Rangers. Precisa haver alguém dentro dele para funcionar. Neste caso, são necessárias duas pessoas, que conectam seus cérebros com a máquina. Raleigh Becket (Charlie Hunnam) é um deles e perde seu irmão em combate. Ele fica lá, tristonho, até o dia em que seu chefe, o general Stacker Pentecost (Idris Elba) o chama para o combate e salvar o mundo. Ou seja, não há nada de novo aqui, especialmente no romance entre o protagonista bonitão e garota que serve como companheira de campo.

Quanto mais penso no filme, menos gosto dele. Os efeitos especiais são incríveis e Del Toro traz o efeito desejado em relação à grande escala das criaturas. Mas o que sobra, de verdade, em questão de narrativa, de história? Basicamente nada. Todos os clichês do gênero de Transformers e Battleship, só para citar alguns, estão ali. O alívio cômico forçado, o romance indiferente, e o passado sofrido dos personagens que tenta injetar uma dramaticidade que não combina com o resto da proposta do longa. O elenco, de rostos quase desconhecidos, até carrega bem a película quando está em cena, mas eu não sei se pagaria para ver uma sequência. Em suma, é um filme em que robôs brigam com monstros. Fim.

O que eu pagaria para ver é um filme com Idris Elba como protagonista. O ator inglês de 41 anos não é muito conhecido pelo grande público, especialmente no cinema. Na TV, no entanto, ele tem uma longa carreira, ganhando destaque em The Wire (A Escuta) e Luther. Esta última chegou ao seu final em julho, lá na Inglaterra. A série britânica teve três temporadas (as duas primeiras estão disponíveis no Netflix) e, em síntese, é simples. Na trama, John Luther é um policial/detetive que é chamado para resolver só os casos que ninguém consegue resolver. Ou seja, ele vai atrás de serial killers, assassinos fora do comum, coisas do tipo. O interessante é que Luther possui um método não ortodoxo para solucionar os casos, o que vai minando a sua vida, especialmente depois de se deparar com um crime que ele sabe que a assassina foi tal mulher, Alice (Ruth Wilson), mas não tem as provas necessárias para incrimina-la. A partir daí, os dois começam uma espécie de jogo, que é delicioso de acompanhar. Eles parecem Batman e Mulher-Gato, num conto do homem morcego mais realista e noir, no clima da cinzenta Londres. Perfeito!

A série é curtinha. No total, tem 14 episódios. Pra quem gosta de séries policiais inteligentes, é uma ótima pedida. E quem já viu o seriado, não precisa ficar triste com o seu término, pois o criador Neil Cross e o protagonista querem fazer um filme sobre o detetive, provavelmente contando uma história de origem do personagem título.

Pacific Rim
EUA, 2013 – 131 min
Ação / Ficção

Direção:
Guilhermo Del Toro
Roteiro:
Travis Beacham, Guilhermo Del Toro
Elenco:
Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Charlie Day, Rob Kazinsky, Max Martini, Ron Perlman

3 STARS

 

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