O final de Dexter

Uma análise sobre a oitava e última temporada de Dexter – incluindo seu declínio ao longo dos anos.

Dexter (45)

Dexter: The Final Season
EUA, 2013
Drama / Policial
12 episódios

Desenvolvido para televisão por:
James Manos Jr.
Baseado no livro:
Dexter – A Mão Esquerda de Deus, de Jeff Lindsay
Elenco:
Michael C. Hall, Jennifer Carpenter, Desmond Harrington, C.S. Lee, David Zayas, Aimee Garcia, Geoff Pierson, James Remar, Charlotte Rampling, Yvonne Strahovski

Lista de episódios:
8×01: A Beautiful Day
8×02: Every Silver Lining
8×03: What’s Eating Dexter Morgan?
8×04: Scar Tissue
8×05: This Little Piggy
8×06: A Little Reflection
8×07: Dress Code
8×08: Are We There Yet?
8×09: Make Your Own Kind Of Music
8×10: Goodbye Miami
8×11: Monkey in a Box
8×12: Remember the Monsters?

Dexter foi uma das primeiras séries que eu aprendi a gostar e que me firmou como um viciado em seriados. Ah, fala a verdade. Os primeiros anos, especialmente a temporada 2 e 4, foram excelentes. Eu até me lembro do tempo em que Michael C. Hall era um ótimo ator e convencia tão bem no papel. Infelizmente, alguns canais não sabem aonde querem chegar com a história; só querem que ela continue, independente da qualidade. Em determinado ponto da narrativa, foi se perdendo a essência do protagonista, enquanto os coadjuvantes foram cansando e ficando sem ter o que acrescentar. Dexter era um assassino ferrado, sem sentimentos, que não sabia como se encaixar no mundo “normal”. Aos poucos, retiraram tudo dele.

O último episódio em que Dexter fez sentido pra mim foi o primeiro da quinta temporada, em que rolou aquele flashback do relacionamento dele com a Rita (Julie Benz) e ele teve que aprender a lidar com aquelas sensações que ele nem tinha certeza se tinha. A incerteza dos seus sentimentos era o que alimentava o expectador, era o que nos instigava. Como era possível não sentir? Seu combate interno sempre foi fascinante. A gente assistia ele segurar o seu filho, sem saber o que passava por sua cabeça. O que descobrimos é que Rita realmente tinha uma conexão com ele, mesmo não sabendo do seu verdadeiro eu. Era uma relação de mentira? Acho que não. Até porque, de alguma forma, a ex-esposa conseguiu envolve-lo de uma maneira que nenhuma outra pessoa ao longo de toda a série teve êxito. Mas e o que aconteceu? Depois de superar totalmente a perda da mulher em um único episódio (o que pra mim faz sentido, condizendo com a personalidade do protagonista), o seriado foi desandando.

De um minuto pro outro, Dexter começou a ter relações afetivas com uma penca de personagens – até onde lembro, todas mulheres: Lumen (Julia Stiles), Hannah (Yvonne Strahovski), Dra. Vogel (Charlotte Rampling) e a própria Debra (Jennifer Carpenter). E o protagonista começou a se preocupar cada vez mais com o tal “dark passenger”. Uma temporada, aliás, foi totalmente dedicada a este termo, o que me tirou dos nervos e quase me fez desistir de vez da série, porque teve certo momento que não aguentava mais. Mas o que nós fazemos pelas séries que amamos, não é?!

Ou seja, Dexter virou um bundão sentimental, mas que continuava a matar pessoas. E a cada temporada, iam destruindo o personagem, incluindo tramas desinteressantes, com personagens pouco empolgantes e só salvando Jennifer Carpenter, mais importante a cada ano e melhor a cada episódio. O que aconteceu foi que Dexter acabou e o canal Showtime se esqueceu de finalizar lá no final da quinta temporada. Caramba, fizeram com que a Debra se apaixonasse pelo próprio irmão! Qual é o problema de vocês, roteiristas? Isso daqui não é Game of Thrones.

Na temporada final, não dava pra esperar lá grande coisa. Depois de ter matado LaGuerta (Lauren Vélez) – OBRIGADO, SENHOR, FINALMENTE! – Debra sumiu do mapa, virou biscate e detetive particular. Dexter foi atrás dela pra reatar a irmandade entre os dois. Ótimo momento para Jennifer Carpenter surtar e dar o melhor de si. Se há alguém ou alguma coisa que ainda ajuda o seriado a dar umas respiradas fundas e não morrer é Carpenter. O começo nem estava tão ruim, vai. Estava até legal ver a Debra pirando, quase entregando a si mesma e Dex pra polícia. Mas Michael C. Hall parece que virou um sonífero ambulante, porque eu tenho vontade de dormir cada vez que ele começa a falar, argumentar, se desculpar, mentir. Eis que surge a Dra. Evelyn Vogel, a mulher que ajudou o pai de Dexter a criar o código que o mantém na linha para assassinar só a galera do mal. Que querida ela. Um amor de pessoa! E é óbvio que tem algo de errado aí. Desde o início fica claro que ela não pode ser tão legal assim, sem ter segundas intenções.

Dava pra fazer uma temporada até decente. De verdade. Os elementos trabalhados ao longo do último ano da série, no entanto, não empolgam e optam por aquela saída que a gente não quer. Não queremos ver Dexter como mentor de ninguém. Não queremos Dexter legal. Não queremos Dexter namorando – de novo! – com Hannah. Na verdade, não queremos mais nada dessa série há muito tempo, mas por algum motivo ainda criamos coragem e aturamos.

Enquanto nosso protagonista não nos oferece muito, os coadjuvantes são ainda mais inúteis para a construção da narrativa. Batista (David Zayas) se limita apenas a decidir se vai ou não dar a vaga de tenente para Quinn (Desmond Harrington). Este se limita a não saber se quer o posto e a decepcionar Jamie (Aimee Garcia), pois ele ainda gosta de Debra. Como não sabiam mais o que fazer pra extrair graça de Mazuca (C.S. Lee), inventaram pra ele uma filha. Não há qualquer desenvolvimento que sirva de entretenimento pra quem assiste e tampouco dá lições de como finalizar uma série.

O pior de tudo é que nem mesmo o vilão – que a gente só descobre lá pelo final – presta desta vez. Honestamente, a motivação é pífia e nunca vi um ator com tanta má vontade. O cara até parece fisicamente com o Ryan Gosling, porém não possui nem 1/3 do talento. O caminho que leva até o último episódio certamente é um dos piores cliffhangers da história da televisão. Logo Dexter, que sempre soube como fazer uma virada, optou por uma resposta ridícula para causar o fato que determina o destino de Debra e Dex.

A temporada fracassou em criar clímax, em desenvolver seus personagens (especialmente os secundários) e finalizou com uma pressa que não é recorrente na série. O pior: pareceu o final de mais uma temporada normal e não o da série. O que quero dizer é que apesar de um tanto condizente com a realidade do personagem, o series finale não foi satisfatório. E não é porque o episódio em si foi ruim. Ok, bom não foi, mas o grande problema é como tudo foi orquestrado nas últimas três temporadas até aqui. Foi a estrutura criada pelos roteiristas que fez com que Dexter chegasse a um final risível em certos momentos e de nos deixar com raiva de ver uma série que fora boa ser finalizada num instante em que o espectador já não se importava muito com o que estava vendo. Se ainda existia um motivo para vê-la, como já citei, era Jennifer Carpenter, que nos fez importar muito mais com Deb do que qualquer outra personagem na trama. Se há um pingo de emoção no final da temporada, certamente é financiado pelo desfecho de seu papel na tela. E só.

A oitava temporada de Dexter foi apenas o prego no caixão de uma série que já tinha decretado seu fim há alguns anos. Quase nos arrependemos de ter chego até aqui, mas enfim vimos o enterro de um ente (neste caso, de um seriado) querido que estava na cama do hospital, sofrendo em agonia há tempos e que finalmente deu seu último suspiro. Descanse em paz. Prometemos lembrar dos bons momentos e esquecer das péssimas últimas temporadas. Amém.

2 STARS

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