Melhores da TV na Temporada 2012/2013

Em 365 dias, quantos episódios você é capaz de assistir? 50? 100? 200? Eu sou capaz de ver 600. Acredito que esta seja uma média boa para conseguir fazer um balanço de como foi a temporada. Mesmo assim, jamais conseguiria fazer esse trabalho sozinho. Por isso, pelo terceiro ano consecutivo, conto com a ajuda de pessoas tão viciadas quanto eu em seriados para eleger os principais destaques da temporada na TV. O período avaliado tenta respeitar o espaço entre 1º de junho de 2012 até o dia 31 de maio de 2013, caracterizando a temporada completa de 2012/13. Vale lembrar que os escolhidos não têm distinção de gênero (comédia e drama) nas categorias de atuação e a ordem dos melhores é aleatória.

Melhores Atrizes Coadjuvantes

Kate Mara (House of Cards)

A primeira produção do Netflix ganhou grande atenção por conta do protagonista Kevin Spacey e o diretor David Fincher, mas durante a temporada o elenco de House of Cards teve seu brilho. Kate Mara vive a jornalista Zoe Barnes, personagem que une várias tramas da série, juntando a política ao jornalismo. A atriz está ótima no papel, desde a jornalista novata do início da temporada, insegura atrás de uma história para brilhar; até a posição de sucesso e confiança que tem no final. Mais uma grande atriz da família Mara aparecendo para o mundo. (Kate é irmã mais velha de Rooney Mara, famosa pelo longa Os Homens Que Não Amavam As Mulheres)

Kate Mara - House of Cards

Michelle Fairley (Game of Thrones)

Catelyn Stark. Coitada. Viu o marido ser decapitado. Perdeu a pouca influência que ela tinha nos reinos. Cada filho seu partiu para um canto, lhe restando apenas Robb Stark. Pobre mulher. Ela sofreu sendo uma das personagens menos adoradas dos espectadores na série, mas acabou ganhando todos os pontos que ela foi perdendo ao longo dos episódios no famoso Red Wedding. Em menos de cinco minutos, Michelle provou ser uma atriz de mão cheia, exibindo todas as emoções possíveis para que a vida de seu filho, Robb, fosse poupada. Tadinha. Todos os estágios da morte (negação, raiva, barganha, depressão, aceitação) são expressados de forma intensa e impactante. Parabéns, Michelle.

Michelle Fairley - Game of Thrones

Monica Potter (Parenthood)

O fato de Parenthood conseguir manter a qualidade da sua incrível terceira temporada durante o seu quarto ano no ar pode ser facilmente atribuído à capacidade de Monica Potter de trazer o máximo que sua personagem pode oferecer. A transição de uma dona de casa com os problemas mais cotidianos possíveis à uma mulher com câncer de mama é realizada de forma esplêndida, utilizando o segundo evento como um fantástico caminho para provar o quanto a personagem ama a sua família e se mostrar cada vez mais segura como mulher. É difícil não cair nas lágrimas diante de cenas como aquela com a mensagem que ela deixa para a família enquanto está no hospital, um mero exemplo de como a atriz trabalhou de forma linda as vertentes emocionais da situação se afastando da pieguice.

Monica Potter - Parenthood

Jessica Walter (Arrested Development)

Aprendi a amar Jessica Walter muito antes de ver Arrested Development pela primeira vez. A Mother, do seriado animado Archer, dublada por ela, é sensacional. O tom de ordem em sua voz e ironia fazem parte de Lucille Bluth e tudo fica melhor quando podemos ver a interpretação física de Jessica. A construção da personagem continua sendo impecável. Mesmo após 7 anos, Jessica mantém sua persona desprezível, à prova de sentimentos, que usa as pessoas como ninguém e humilha seus familiares sempre que tem oportunidade – principalmente em se tratando do filho Buster, com quem tem uma relação doentia. A cena do cigarro, que ilustra bem isso, é memorável.

Jessica walter - Arrested Development

Christina Hendricks (Mad Men)

Só a beleza de Hendricks já me faria colocá-la aqui. Mas não é este o motivo para ela, depois de seis temporadas, continuar sendo uma das melhores coadjuvantes da TV. No mundo machista de Mad Men, é ela que pondera, traz o toque feminino ao escritório e luta para conseguir ganhar seu espaço entre os outros sócios. Joan subiu de cargo no trabalho, mas a que preço? Mesmo sendo uma das donas do local, sua função não muda e continua sendo tratada como uma secretária. Hendricks tem à sua disposição perseverança e delicadeza misturados com uma sensualidade ímpar. Ela passa a temporada tentando achar seu lugar no mundo, seja como uma funcionária competente ou uma mãe solteira. Sutil e perfeita.

Christina Hendricks - Mad Men

Anna Gunn (Breaking Bad)

Conforme Walter White se transforma em Heisenberg, Skylar vai se distanciando do marido. Se antes ela o enfrentava, nesta temporada ela se sente ameaçada. Quando percebe que o foco de Walter não é mais proteger sua família, ela tenta se impor e livrar-se dele, mas o companheiro se mostra implacável. A obrigação de se mostrar uma esposa e mãe feliz acaba trazendo danos psicológicos à Skylar e Anna Gunn, apesar de ter menos destaque nesta temporada em relação a quarta, consegue extrair de si mais uma performance memorável. Ela explode de ódio, se amedronta e cai em depressão. Gunn é perfeita em cada cena, conseguindo bater de frente com a performance extraordinária de Bryan Cranston, mantendo Breaking Bad perfeita de ponta a ponta.

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Melhores Atores Coadjuvantes

Max Greenfield (New Girl)

Lamento por não ter lembrado de Greenfield no ano passado. New Girl não seria uma das melhores (ou seria a melhor?) série de comédia no ar atualmente se não fosse a interpretação maluca do desregulado Schmidt. Seja gordo (os melhores flashbacks da história, superando qualquer um de Lost) ou magro e metrossexual, Greenfield arranca risadas. Sua eterna paixão por Cece e os planos para reconquistá-la, a forma como perdeu a virgindade, a luta pela vaga do estacionamento ou o porre de licor sem álcool. Escolha uma das opções ou outra qualquer. São vários os momentos em que o ator faz com que a gente caia na gargalhada e nada mais justo do que lembrar dele nesta lista.

Max Greenfield - New Girl

Peter Dinklage (Game of Thrones)

Disparado, o melhor personagem de Game of Thrones. Não há como negar a supremacia de Tyrion Lanister em nossa preferência. A temporada lhe fez tão bem e o personagem continua se dando mal. Mas a forma como Peter Dinklage leva isso é sensacional. Ele é um filho injustiçado, colocado pra trabalhar em uma função no reino que é desdenhada por todos, não pode ter a mulher que ama (novamente) e precisa casar com uma garota contra sua vontade. Dinklage é ótimo em fazer diálogos fluírem com uma acidez ímpar. Ele expõe um lado mais sensível e inédito em cena com Sansa Stark, mostrando que o personagem tem um grande coração. Mas ele não deixa de exibir sua força, astúcia e ousadia. Os diálogos com Cersei são ótimos, mas é quando enfrenta o asqueroso rei Joffrey e briga com seu pai é que Tyrion mostra a que veio e enche o espectador de entusiasmo e nos faz lembrar porque gostamos de Game of Thrones.

Peter Dinklage - Game of Thrones

Corey Stoll (House of Cards)

Muitas pessoas foram usadas pelo Deputado Underwood (Kevin Spacey) durante a temporada de House of Cards, mas Peter Russo, personagem vivido por Corey Stoll, foi o grande peão do protagonista da série do Netflix. Sendo primeiro um político viciado em drogas e alcólatra, e depois um viciado em recuperação, Peter Russo foi provavelmente o principal personagem de House of Cards a despertar algum afeto por parte do espectador, humanizando o frio e duro mundo da política retratado na série.

Corey Stoll - House of Cards

Mandy Patinkin (Homeland)

Saul passou a primeira temporada de Homeland vivendo um papel ambíguo (como todos os personagens). Não dava pra saber de que lado ele estava, se ele estaria armando pra Carrie ou não, enfim. Ficava a dúvida. Neste segundo ano, fica um pouco mais clara a posição dele, mas nem sempre. Esse mistério tem um motivo e mesmo quando causa algum dano para a protagonista, é para o bem dela. Afinal, Saul é uma espécie de paizão da personagem de Claire Danes. Nesta temporada, Mandy mantém com firmeza o seu papel durão e sua relevância na trama, ganhando mais atenção conforme o enredo se desenvolve. Ponto alto para o confronto com Estes e a visita de Saul à uma antiga conhecida na prisão.

Mandy Patinkin - Homeland

Vincent Kartheiser (Mad Men)

A ficção e a realidade se encontram quando o assunto é Pete Campbell. A série deixou de dar prioridade para ele, assim como aconteceu dentro da Sterling Cooper & Partners. A sexta temporada, episódio após episódio, encontra uma maneira de dar relevância para ele. O papel de Vincent Kartheiser passar por uma transformação. De mulherengo, um dos cérebros da agência e muito bem casado, ele passa para solteiro, perde importância no trabalho e ainda precisa tomar conta da mãe. Tudo o que ele tinha vai por água abaixo e é preciso muito jogo de cintura para não transformar um personagem assim em uma figura patética ou deprimente. Kartheiser lida bem com as mudanças, passando por situações que poderiam ser consideradas trágicas, mas se tornam cômicas devido ao roteiro pontual da série e sua performance centrada. Ele demonstra sagacidade ao fazer sua cara sarcástica e no segundo seguinte mostrar ultraje em suas feições. Pete torna-se mais relevante para Mad Men conforme a série caminha ao final por interagir com um novo Don Draper e é nessa relação estranha que reside um dos pontos altos da temporada – e da performance do ator.

Vincent Kartheiser - Mad Men

Aaron Paul (Breaking Bad)

Yeah, bitch! Magnets! Aaron Paul continua pegando fogo em Breaking Bad. A primeira metade da quinta e última temporada da série foca-se por completo em Walter, mas Jesse permanece como um dos protagonistas, duelando com Cranston em tela. Enquanto Walter vai se tornando um ser humano pior, Jesse desenvolve sua consciência e bondade. Ele queria se livrar de Gus e conquistou a liberdade. Mas a ganância de Walter tenta arrastar Jesse para o lado negro da força, mas ele resiste. Paul mostra um grande amadurecimento em sua atuação, principalmente se lembrarmos do moleque que era seu personagem na primeira temporada. O personagem passa por situações que colocam à prova o seu caráter. Paul expressa-se muito bem, não tendo medo de explorar seus limites. Ele explode com a mesma intensidade em que se exalta quando algo dá certo (os ímãs que o digam). Ele traz consigo também sensibilidade como é visto tanto na cena da janta em que fica no fogo cruzado de Skylar e Walter como na hora de fechar a porta na cara do ex-companheiro de trabalho. O ator é fundamental para a série e, mais uma vez, se estabelece como um ator fenomenal.

Aaron Paul - Breaking Bad

Melhores Atrizes

Tina Fey (30 Rock)

A última temporada de 30 Rock foi a única que conseguiu colocar as crises de Liz Lemon (um dos eternos problemas da série que terminou consertado logo no último instante) como um arco do nível dos outros que tomaram conta dos 13 episódios. Não é novidade a capacidade que Tina Fey possui ao conduzir a personagem, mas sua posição entre as melhores da temporada torna-se ainda mais justificável graças a essa guinada especial que o último ano da série exibiu. Tivemos o privilégio gargalhar e até mesmo chorar pela última vez com Liz, que tirou de letra todas as adversidades de um dos piores e mais divertidos ambientes de trabalho visto na televisão.

Tina Fey - 30 Rock

Zooey Deschanel (New Girl)

O que Zooey Deschanel proporciona ao espectador é uma adorável psicose. Se no começo da temporada sua Jess não estava encaixando bem na série, os roteiristas não demoraram muito para perceber o que estava de errado. Tire a chatice dela e aposte na química dos atores e o talento de passar por situações embaraçosas. Perfeito. Zooey se encontrou no seriado ao intensificar sua relação com Nick. A química entre a atriz e Jake Johnson é perfeita. Zooey deixa de ser um pé no saco para se tornar mais uma vez estranhamente linda, desengonçada e adorável.

Zooey Deschanel - New Girl

Tatiana Maslany (Orphan Black)

Interpreta um personagem com maestria é difícil. Dois então, nem se fala. E três? E quatro? E cinco??? Não, calma. Isso é possível? E tudo dentro de uma mesma trama? Pois é, Tatiana Maslany causa essa reação em Orphan Black. A história é interessante, mas vai se perdendo um pouco lá na metade. O que vale a pena de verdade é conferir esse show de representação. É incrível como Tati (sim, somos íntimos) consegue criar diversas personas e todas completamente distintas umas das outras. É genial quando uma das personagens, Alison, precisa fingir ser Sarah. A primeira tenta imitar os trejeitos da segunda e fica evidente para o espectador que uma não é a outra. Deu um nó na sua cabeça? Imagina na de quem assistiu a essa performance fabulosa. Tati faz algo inédito na TV e passa longe dos clichês de irmãs gêmeas malignas. Pode pintar como azarão no Emmy. Fiquem de olho.

Tatiana Maslany - Orphan Black

Claire Danes (Homeland)

Como diria Lucas Paraizo, esta categoria é o vulgo Troféu Claire Danes e motivos para sustentar esta afirmação não faltam. Homeland não seria nada sem a performance arrebatadora de Danes, na atuação de sua vida. Ela entrega uma atuação carregada de emoções, cheia de nuances. Carrie está prestes a explodir a qualquer momento, como se fosse uma bomba relógio ambulante. Nesta temporada, a protagonista tenta se recuperar de seu tratamento de choque, mas não demora muito para ela voltar a campo e todas as teorias da conspiração retornarem. Mais do que nunca, no entanto, ela tem razão e seu faro não falha. Danes consegue ponderar os sentimentos quando quer, mas também desaba numa onda de sensações que são impossíveis de serem descritas. É tudo de uma vez só. A raiva, a desconfiança, o medo, a paixão, a tensão. É tudo tão bem mesclado que posso dizer com segurança que hoje na TV somente Claire Danes poderia interpretar alguém assim e ainda fazer com que isso pareça fácil. Seu ponto alto é quando está com Brody e precisa saber lidar com o emocional e o profissional. Pois bem, mais uma atuação de gala da melhor atriz na TV, senhoras e senhores.

Claire Danes - Homeland

Elisabeth Moss (Mad Men)

Este ano foi ótimo para a carreira de Elisabeth Moss. Pela primeira vez, ela foi a protagonista, na minissérie Top of the Lake, e provou ser muito mais do que pôde mostrar até então em Mad Men. No entanto, na série de Matthew Weiner, ela não deixa de exercer o seu poderio cênico. Ela pode ter sido mais coadjuvante neste ano, mas suas tramas sempre foram das mais interessantes. Peggy continua na luta de cada dia para sobreviver e se tornar mais independente tanto como mulher quanto como profissional. Quando deixa se levar pelo coração, Peggy esbarra na vida real e nas desilusões. Moss esbanja talento em cena, seja pra correr de um rato dentro de casa como para reprovar Don. Novamente, ela tem a oportunidade de brilhar quando divide a câmera com Draper. Ela sofre uma decepção atrás da outra. Não morar aonde quer; morar no meio do inferno da cidade com o namorado, seguido do fora dele; a fusão da empresa, tendo que ser empregada de Don novamente; a paixão por Teddy, que lhe quebra o coração mais uma vez; e o nojo quando Draper expõe a relação dela com Teddy. São várias as adversidades e Moss tira de letra em mais uma vez.

Elisabeth Moss - Mad Men

Julia Louis-Dreyfus (Veep)

Selena Meyers é um dos grandes exemplos do que há de errado na política. Tadinha, não é que ela não tenha boas intenções. O problema é que ela não sabe o que fazer no poder. E quando sabe, bem, ela é vetada pelo presidente ou pelos outros membros políticos. Julia Louis-Dreyfus já fez a amiga louca, a mãe divorciada e viciada em vinho e agora interpreta uma vice-presidente boca suja. Basicamente, Julia faz qualquer coisa quando o assunto é comédia – e ela é perfeita em tudo o que faz, vencendo o Emmy através das três performances citadas. Nesta temporada, Julia explora as feições forçadas nos discursos, se faz de entendida em assuntos que não estão dentro de seu conhecimento, fala palavrões em formas nunca vistas antes e xinga toda a sua equipe sempre que tem a oportunidade. Julia nunca esteve tão à vontade em um papel e desenvolve aqui uma personagem problemática e que passa por situações adversas o tempo todo. Só pelo season finale, com a mudança de humor a cada cinco minutos, ela já merecia um Emmy, pois só os meus aplausos são poucos.

Julia Louis-Dreyfus - Veep

Melhores Atores

Jeff Daniels (The Newsroom)

Diferente do outro Jeff (o Bridges), Daniels nunca fora um grande ator dramático. Ele se deu melhor com a comédia. Em The Newsroom, no entanto, ele tem a oportunidade de mostrar que é um ator com grande desenvoltura. O texto de Aaron Sorkin é complicado e longo. Os atores na série parecem metralhadoras de palavras e por isso precisam estar preparados para conseguir não parecer jornalistas robóticos lendo TP. Daniels consegue interpretar o jornalista Will McAvoy da maneira que tem que ser. Um pouquinho de sarcasmo, seriedade, cheio de convicções e sempre com duas pedras na mão. Um verdadeiro idealista que se materializa no roteiro de Sorkin e na atuação de Daniels, o profissional da comunicação utópico que todos queríamos ser.

Jeff Daniels - The Newsroom

Kevin Spacey (House of Cards)

Kevin Spacey fala com o espectador. Ele revela seus segredos, compartilha seus desejos e cria um elo de amizade conosco. Seu personagem é ardiloso e manipulador, como todo político que se preze. Ele sabe a hora que deve mexer cada peça no tabuleiro para conseguir vencer a partida. Um ser tão frio, equilibrado, calculista e até mesmo perverso só pode ser interpretado por quem tem classe, e Spacey é uma escolha certeira. Se alguém estava com saudade de vê-lo atuando em alto nível, não pode mais esperar para assinar o Netflix e conferir House of Cards.

Kevin Spacey - House of Cards

Aden Young (Rectify)

Se Rectify foi para muitos a melhor estreia de 2013, Aden Young tem grande papel nisso. A premissa da série é complicadíssima, e somente um grande ator conseguiria viver com tanta proeza o papel de alguém se adaptando à liberdade. Aden brilha na série ao apresentar uma atuação que vence nos detalhes. A emoção, ou a falta dela, é demonstrada em atitudes singelas, e o silêncio na maioria das vezes diz mais do que as palavras. Aden encarna todo o espírito da série e traz uma atuação gloriosa neste personagem extraordinário.

Aden Young - Rectify

Damian Lewis (Homeland)

Brody é um personagem difícil de ser interpretado. Por pouco ele não se explode junto com o vice-presidente dos EUA. Então ele se infiltra dentro da política e aspira ser o novo candidato à vice-presidência. Perfeito para quem quer acertar os estadunidenses. Eis a vingança. Mas Brody não sabe se quer mais isso. Ele cansou das mentiras, mas fica difícil não contá-las. Para sua família, para os terroristas, para os políticos, para a polícia, para si mesmo. Damian Lewis está visivelmente afetado, prestes a explodir. Ele não sabe de que lado fica, do mesmo modo que nós, espectadores, não sabemos também. Afinal, aonde reside sua confiança? Esta ambiguidade é realizada com perfeição por Lewis, entregando o que seu personagem exige. E quando divide a cena com Claire Danes, não há nada melhor. Mais uma ótima atuação.

Damian Lewis - Homeland

Jon Hamm (Mad Men)

Don Draper é um dos personagens mais intrigantes da história da TV. Juntamente com Tony Soprano e Walter White, Draper é o anti-herói que amamos odiar. O sexto ano de Mad Men serviu para o personagem se afundar de vez em todos os aspectos de sua vida. Ele se drogou, traiu a nova esposa, prejudicou o a sua agência, caiu numa espécie de  depressão, xingou muitos, encheu a cara mais do que o normal, comprometeu toda a sua família, decepcionou as duas únicas pessoas que ainda tinham alguma admiração por ele (Peggy e Sally). Enfim, chegou ao fundo do poço, mostrando-se um ser inescrupuloso e difícil de ser compreendido. O roteiro ajuda a explicar os motivos que fizeram com que Draper se tornasse essa pessoa, numa infância desprovida de amor – o que fez com que ele não soubesse amar ninguém, seja suas mulheres ou seus filhos. Ver Jon Hamm atuando é uma experiência única. Ele entrega tudo o que o papel requer. São várias nuances e Hamm simplesmente destrói como Don Draper. Nunca lhe foi exigido tanto e ele reafirma o seu lugar como um dos melhores atores da atualidade na televisão. Se finalmente vier um prêmio Emmy para ele, não me surpreenderia. Mad Men é excelente por vários motivos, mas ela não seria uma das melhores série de todos os tempos se não fosse por seu protagonista.

Jon Hamm - Mad men

Bryan Cranston (Breaking Bad)

De professor de química à mestre do crime. Bryan Cranston tornou-se um dos personagens mais fascinante na TV. Honestamente, já faz tanto tempo que vi a quinta temporada que pouco lembrava do que tinha acontecido. Então fui pesquisando para ajudar minha memória e me lembrei de como Cranston provou, episódio por episódio, ser um ator excepcional. A transformação de Walter White é quase inacreditável, especialmente quando comparamos com a primeira temporada. Se no quarto ano Walter já nem acreditava mais em sua desculpa inicial, neste quinto ano ele lhe abdicou de vez e agora coloca todo seu foco em ser o grande traficante da região. Assim como Gus, Walter não mede esforços para conseguir o que quer. O que se percebe, no entanto, é que falta uma coisa nele: regras. Walter acredita que está acima de tudo e todos, passando longe de qualquer limite. Ele passa por cima daqueles que ficam na sua frente, seja a esposa, os concorrentes ou seu colega de fabricação. Nada mais lhe deixa horrorizado. Quando uma criança morre por causa da sua escalada no mundo do crime, ele não sente mais nada. Como todo bom psicopata, Walter se desprendeu de emoções e não resta compaixão, amor ou respeito. O que sobra é ganância, ânsia pelo poder e a capacidade de mentir, que está melhor do que nunca. Nós odiamos Walter White, mas admiramos Bryan Cranston, mais uma vez brilhante e sem comparações. Soberbo.

Bryan Cranston - Breaking Bad

Melhores Séries (Comédia)

Parks and Recreation

Infelizmente, muitas das melhores comédias do ano passado sofreram uma queda brusca de qualidade. Lembra de Community? Considerada por nós a melhor série cômica no ano passado, desta vez nem está por aqui. Modern Family marcou bobeira e ficou de fora também. Parks and Recreation por pouco não fez o mesmo. Mas por que ela continua entre as melhores? A graça diminuiu, mas quando os roteiristas se esforçam, nada é mais hilário do que Ron Swanson, nada é mais sem noção do que as loucuras de Andy, assim como nada é mais adorável do que a relação de Leslie com Ben. Parks and Rec é uma série de grande coração, esperta e que ainda extrai risadas dos espectadores, mostrando-se genial quando precisa e adorável também. Do hilário discurso de Ron sobre leite desnatado e gatos até o casamento de Leslie, a série respira e entretém, mesmo que não seja na mesma intensidade de outrora.

Parks and Recreation

Enlightened

Para ser sincero: Enlightened está longe de ser uma comédia. Para ser sincero mais uma vez: isso é totalmente irrelevante diante do quão excepcionais foram os 8 episódios que formaram a segunda e última temporada da série. A investigação da conspiração do mundo corporativo que moldava o espírito esperançoso de Amy (Laura Dern) afastou-se desse campo metafórico para entrar em linhas literais que permitiram um belo conjunto de conflitos que construíram a temporada. Alianças e inimizades foram sendo formadas dentro dos confins da empresa e esse compasso se manteve nos momentos essenciais. Os únicos instantes em que isso se quebrou foram quando Enlightened decidiu dedicar episódios inteiros apenas para certos coadjuvantes, ampliando o holofote para que vários personagens brilhassem, especialmente Tyler (Mike White), responsável por uma das narrações mais incríveis do ano, falando sobre solidão de forma apaixonante.

Enlightened

Arrested Development

Sete anos separam a quarta temporada de Arrested Development do restante da série. Foi um longo intervalo para uma das séries de comédia mais elogiadas da história. A família Bluth, no entanto, continua a mesma. Como as agendas dos integrantes do elenco eram cheias e juntá-los para filmar tudo no mesmo dia era quase impossível, são poucas as cenas com a maioria ou todos da desequilibrada família. Isso faz com que Arrested perca um pouco do seu brilho. Mas em momento algum dá pra afirmar que houve perda de qualidade. O elenco continua em plena sintonia. O roteiro, pensado justamente naquele que quer assistir tudo de uma vez – coisa que só o Netflix poderia oferecer – é intricado e é incrível ver como as tramas acabam se intercalando e formando uma única narrativa. Uma mesma cena é filmada em dois, três, quatro ângulos diferentes e encaixada em vários momentos distintos na temporada. O humor de Arrested não é pra qualquer um. Acho que a definição de humor inteligente ou mais elitizado cabe perfeitamente pra série, mesmo sendo possível cair em gargalhadas em determinadas situações absurdas que ocorrem com a família Bluth. Veja bem, Modern Family, isso sim é uma família disfuncional.

Arrested Development

30 Rock

Foram dados 13 episódios para que Tina Fey e companhia terminassem a saga de 30 Rock na televisão. O raciocínio elaborado a partir disso foi aproveitar cada um desses episódios da melhor forma possível, agarrando-se cada vez mais a uma narrativa recheada de arcos que sempre caminhavam para frente com ímpeto e se interligavam com excelência, fazendo cada momento valer a pena, tirando o máximo de risadas possíveis no processo. Essas tramas também não poderiam ser mais perfeitas, combinando a loucura característica da série com um lado tridimensional dos personagens que passaram a ter ainda mais sentido. Jack (Alec Baldwin) tentando afundar a NBC para ter uma epifania e, consequentemente, questionar sua felicidade termina sendo o exemplo mais adequado da lógica que guiou a temporada. Tudo terminou caindo, TGS encerrou sua saga na televisão com um cancelamento e todos os personagens ganharam de presente um desfecho afortunado e absurdo. Os três anos que precederam a sétima temporada podem não ter sido tão bons quanto as três primeiras temporadas, mas esse final nos lembrou porque 30 Rock é uma das melhores séries da televisão.

30 Rock

Veep

Julia Louis-Dreyfus é motivo o suficiente para se assistir Veep. Tenhamos calma, no entanto. Ela está longe de ser o único. A segunda temporada trata as situações e seus personagens de maneira ainda mais debochada. Selena Meyer mostra ainda mais despreparo para ser uma vice-presidente, com pouca influência, informação e crença de que ela consiga manter-se no cargo na próxima reeleição. Sua equipe é incompetente na maior parte do tempo, e a protagonista não é tão inteligente ao ponto de se virar sozinha. Ou seja, ela se mete em várias enrascadas. A reação dos personagens em relação aos problemas são sempre impagáveis, mostrando que o elenco tem sintonia. O retrato dos bastidores da política não parece ser tão distante do que realmente é, transformando o cenário em algo vergonhoso – e a série faz isso muito bem. Vergonha alheia. Não ficava tão constrangido vendo uma série desde o The Office britânico. Veep é inteligente, escrachada, boca suja e hilária. Uma das comédias mais originais dos últimos anos.

Veep

New Girl

New Girl foi de série despretensiosa estrelada pela fofa Zooey Deschanel para uma das melhores comédias da atualidade. Enquanto Community, Modern Family e outras foram perdendo força, a segunda temporada de New Girl abraçou a sua loucura e surtou de vez. A química dos personagens está mais forte do que nunca e a naturalidade com que Nick, Jess, Schmidt, Winston e Cece se tratam é incrível. Parecem ser amigos há décadas. Cada personagem é dono de manias e insanidades diferentes e o encontro delas costuma resultar em momentos inusitados, de vergonha alheia, transbordando maluquice. A série se preocupa em desenvolver os personagens, mas sem largar o cunho cômico. Os amigos passam por situações embaraçosas e que proporcionam situações hilárias, seja num casamento indiano, num parque de diversões, para estacionar o carro, num fim de semana numa casa de passeio no meio da floresta ou contando como foi perder a virgindade. Seja lá como for, New Girl cria momentos bizarros, engraçadíssimos e ainda mostra que por trás de tudo isso existe entre os personagens uma bela amizade e um grande coração.

New Girl

Melhores Séries (Drama)

Treme

Treme é um daqueles breves casos em que se manter em uma zona de conforto pode funcionar quando uma série tem uma pessoa como David Simon para conduzir toda a beleza de New Orleans e os efeitos do Furacão Katrina que abalaram a cidade em 2005. A terceira temporada não apresenta nenhuma alteração drástica no estilo da série, uma estratégia que é bastante adequada quando observamos como eventos mundanos e a busca pelo sucesso possuem consequências que alternam sempre entre tragédias e como as dezenas de personagens reagem a isso, conseguindo pequenas vitórias que podem demorar a aparecer, mas quando aparecem são capazes de nos envolver diante de um espetacular universo guiado pelo ritmo da marcante música da cidade.

Treme

Game of Thrones

A série mais superestimada da última década se chama Game of Thrones. Épica como O Senhor dos Anéis, mas sem nem um terço da carga emocional. Mas comparações à parte, a terceira temporada da série mantém a qualidade técnica, sempre inquestionável. A maioria dos atores encontra-se cada vez melhor em seus papeis e a trama finalmente começa a caminhar de verdade, com mais confrontos, diálogos afiados, violência e surpresas. A família Lannister é um deleite em especial. O seriado consegue focar-se um pouquinho mais nos personagens, mas não o suficiente. Um dos pontos baixos de Game of Thrones é a enorme quantidade de personagens. Mesmo com uma hora por episódio, é pouco para desenvolver os bem mais de 20 personagens relevantes e potenciais protagonistas. Nos livros há tempo para isso, mas como série de TV não funciona. Fã xiita, pode chorar, se irritar e me xingar, mas é a pura verdade. Apesar deste grande problema (o desenvolvimento apropriado dos personagens), a série evoluiu e mostra-se novamente presente na lista dos melhores da TV.

Game of Thrones

Rectify

Em um meio que tem dezenas de estreias a cada ano, repetição de fórmulas e os mesmos padrões de sempre, é no mínimo interessante uma série como Rectify alcançar o sucesso. Primeira produção do canal Sundance, a série opta por uma narrativa lenta, de planos longos, fotografia sensível e um ótimo uso do silêncio para contar a história de um homem que após 19 anos na fila do corredor da morte precisa se readaptar à liberdade. Rectify é uma série que vai fundo no que produções como Mad Men e Breaking Bad se propuseram nos últimos anos: fazer estudos de personagens. Para alguém que passou mais tempo na cadeia do que livre, a liberdade é algo surreal, e é isso que Rectify tenta mostrar, e, nessa temporada de estreia, consegue. Uma das séries mais originais dos últimos anos.

Rectify

Mad Men

Mad Men é excelente em vários níveis. Ela retrata os anos 60 de forma impecável, conseguindo trazer os conceitos de moda, costumes e acontecimentos para dentro da série. Mas é nos personagens que reside a base forte dela. Eles estão à procura de um rumo para suas vidas. Pete precisa se adaptar à vida sem a esposa; Joan busca respeito entre os colegas da agência; Roger abraça a sua inutilidade dentro da empresa; Peggy tenta embalar sua carreira longe de Don; e Megan quer subir no ramo da televisão sem deixar o marido de lado. Enquanto isso, Don Draper vai ladeira abaixo em uma jornada da autodestruição, bebendo exageradamente, se drogando, decepcionando a família, traindo a esposa, sendo um péssimo profissional e não conseguindo amar ninguém. A sexta temporada mostra como o caminho da perdição está logo ali e basta dar um passo para colocar tudo a perder. O novo personagem, Ted, quase chega lá, mas se salva. Ao contrário de Don, cada vez mais odiável e sozinho no universo. O sexto ano é um estudo de caso de personagem aprofundado e que segura a série como uma das melhores não só da temporada, mas de toda a história da TV.

Mad Men

Homeland

A melhor série da temporada passada perde um pouco de seu reinado absoluto. Quando se faz uma estreia tão expressiva, é difícil manter o nível. Então Homeland desceu alguns degraus, mas ainda permanece perto do topo. As teorias de conspiração continuam, assim como Claire Danes permanece surtada, Damian Lewis está ainda mais desesperado e a trama traz várias reviravoltas e surpreende. Homeland consegue aprofundar seus personagens, cria tensão como poucos, traz diálogos sensacionais (“Q&A” está no top 5 dos melhores episódios do ano) e injeta adrenalina na medida certa. Pode não ter mais aquele frisson e ar de novidade da temporada anterior, mas a série continua genial na maior parte do tempo.

Homeland

Breaking Bad

Em um dia num supermercado, quantas pessoas acabam esquecendo suas carteiras no caixa? Eu não tenho ideia, mas minha mãe costuma fazer isso todos os dias. Tente imaginar que você trabalha como um caixa. Você provavelmente não ganha muito e precisa sustentar esposa e dois filhos. Você precisa de dinheiro. Aí alguém esquece a carteira logo no seu caixa. Não há ninguém olhando. O que você vai fazer? Abre-se a carteira e encontra-se mil reais lá. Essa quantia iria lhe ajudar. Não tem ninguém olhando. Qual a sua atitude diante disso? Devo ou não? É tudo uma questão de ética e moral. Walter White é um personagem que foi colocado à prova. Sua necessidade de proteger e prover para sua família fizeram com que ele se corrompesse a partir de uma justificativa válida no início, mas que trouxe à tona um homem ganancioso, desprovido de emoções, inescrupuloso, que não tem respeito pelos demais e que não tem limites. Walter se corrompeu e entregou-se para o mundo do crime. O quinto ano explora até aonde este homem pode chegar. Walter passa por cima de tudo e todos. Quanto mais asqueroso e repulsivo Walter se torna, melhor a série fica. A quinta temporada (parte 1) de Breaking Bad é surpreendente. Fantástica. Perfeita. Do início ao fim, é impossível não sentir a tensão minuto a minuto e medo do que o protagonista é capaz de fazer. Imprevisível e extraordinário. Isso que Breaking Bad é.

Breaking Bad

Todos os textos por Rodrigo Ramos, exceto “Kate Mara (House of Cards), Corey Stoll (House of Cards), Aden Young (Rectify) Rectify“, por Lucas Paraizo, e “Monica Potter (Parenthood), Tina Fey (30 Rock), Enlightened, 30 Rock e Treme“, por André Fellipe.

Fizeram parte desta eleição
Lucas Paraizo, estudante de Jornalismo, colaborador do site Série Maníacos e repórter do site Noticenter
Flávio Augusto, estudante de Jornalismo, colaborador do site Ligado em Série
André Fellipe, estudante de Engenharia Elétrica e colunista do site Série Maníacos
Rodrigo Ramos, Jornalista, colunista de cinema e séries de TV nos sites Culture-se e Blumenews e apresentador do Programa Sem Nome, na Rádio Univali FM
Fillipe Queiroz, estudante de Psicologia
Guilherme Spiller, estudante de Medicina Veterinária

Fotos: Showtime, AMC, HBO, BBC America, Sundance Channel, FOX, NBC, Netflix.

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