O Homem de Aço | Review

Man of Steel poster

Man of Steel
EUA, 2013 – 143 min
Ação

Direção: 
Zack Snyder
Roteiro:
David S. Goyer, história de David S. Goyer e Christopher Nolan
Elenco:
Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon, Kevin Costner, Diane Lane, Laurence Fishburne, Antje Traue, Ayelet Zurer, Russell Crowe

Quando fui ao cinema para assistir O Homem de Aço, confesso que estava com as expectativas lá no alto. Apesar do sucesso recente da trilogia O Cavaleiro das Trevas, a Warner, que tem os direitos dos heróis da DC Comics, não teve muita sorte exceto pelo homem morcego. Lanterna Verde foi um tiro no pé que trouxe prejuízo e era ruim pra dedéu. Superman – O Retorno, de 2006, não era ruim, mas não foi tão rentável como um longa-metragem deste porte deveria ser, além de não contar com a simpatia de muitos espectadores. Ou seja, O Homem de Aço precisava ser capaz de arrumar a casa na Warner, que deseja fazer um filme da Liga da Justiça, mas antes de realiza-lo, precisa pavimentar essa estrada da melhor maneira possível, mas sem aquele asfalto vagabundo que colocam na rua na frente da sua casa ou numa BR qualquer do país.

Até hoje eu não entendo muito bem porque falam tão mal de Superman – O Retorno. O filme era, evidentemente, uma homenagem ao realizado por Richard Donner na década de 70. Faltava ação? Sim, isso é fato. E ver Kal-El, mais uma vez, tendo que brigar com Lex Luthor e parecer frágil devido à bendita kryptonita não era exatamente o que a gente esperava, mas tudo estava no seu lugar naquele longa. Entretanto, o público queria mais ação, um desafio a altura do homem (ou alienígena?) mais forte do planeta. E O Homem de Aço, que estreia em todo o território nacional no próximo fim de semana, traz o que faltava no trabalho de Bryan Singer, há sete anos.

Eu estava lá na sala de cinema e quis desde o minuto inicial amar o longa-metragem dirigido por Zack Snyder (300 e Watchmen). Ver, pela primeira vez, mais detalhes de Krypton foi fascinante. A produção caprichou no visual do planeta e o roteiro conseguiu justificar bem a destruição iminente da terra natal do protagonista, porque foi lançado para a Terra e as motivações do general Zod (Michael Shannon). A devastação do lugar é coisa de cinema – literalmente.  Depois disso, a trama vai para o Clark Kent/Kal-El (Henry Cavill) no meio do nada, sobrevivendo como um andarilho, tentando descobrir mais sobre si mesmo e sua função neste mundo.

A juventude do garoto na Terra não é exibida de modo linear. São flashbacks que complementam os momentos do presente do alienígena, com Jonathan (Kevin Costner) e Martha (Diane Lane) ajudando o garoto a lidar com seus dons e lhe dando a responsabilidade de ser a resposta para “nós estamos sozinhos no universo?”.

Mas e o resto do filme? Sobre o que é então? Em quase duas horas e meia de projeção, tudo o que temos, além da infância de Clark é: Zod quer mata-lo e usar a Terra para recriar Krypton. Fim. É isso. Ah, deixe-me expressar melhor. Kaboom, pow, vrruuum, ploft, papapapa,  aaah. Gostaria de poder dizer que há mais em O Homem de Aço do que apenas ação desenfreada, mas estaria cometendo uma injúria, pois não há. Tentei peneirar e encontrar um diferencial, algo a mais que este tem a oferecer que não existia em outras películas de super-herói – incluindo o próprio Superman – O Filme. Com exceção do próprio Clark, os demais personagens são mal desenvolvidos. Martha Kent, por exemplo, é tão mal aproveitada quanto a Tia May em O Espetacular Homem-Aranha. Lois Lane (Amy Adams), tadinha, é só mais uma dama indefesa que o homem de aço precisa salvar. O roteiro até esboça um pouquinho o lado independente e ousado dela, mas o tempo que lhe reservam é pequeno demais para dimensionar sua personagem. O diretor do Planeta Diário, Perry White (Laurence Fishburne), fica tão pouco tempo em tela que, no momento em que está lutando por sua vida (o roteiro achou que era melhor aproveitá-lo nesta situação do que dentro da redação do jornal), como espectador, eu não estava nem aí se ele morresse. E menos ainda se aquela outra jornalista aleatória que ficava chorando debaixo dos escombros viesse a morrer.

O grande problema de O Homem de Aço é a falta de conexão emotiva. Russell Crowe (interprete de Jor-El, o pai biológico de Clark) fala, fala e fala, mas eu não consegui acreditar em momento algum o amor dele em suas palavras. As ações podem demonstrar isso, mas Crowe não foi capaz de me atingir em cheio como Cavill conseguiu com um simples olhar ao ver Jonathan morrer para proteger sua identidade. Mesmo com um roteiro de poucos diálogos (principalmente aqueles que fazem diferença na trama), Cavill se destaca como o protagonista em todos os aspectos, do dramático ao físico.

A obsessão em colocar mais ação neste do que teve no anterior foi essencial para fazer de O Homem de Aço um filme ordinário. Sim, as cenas de ação, em sua maioria, são ótimas. Gosto bastante do duelo de Clark com Faora e outro robô no meio de Smallville. Mas como já disse diversas vezes em críticas de longas desse tipo, os efeitos especiais e as explosões jamais irão se sobrepor a uma história consistente, com um roteiro bem escrito e diálogos significativos. O filme não dá tempo para respirar – e isso é ruim para a película. É explosão daqui, porrada dali e isso acaba cansando. No clímax, eu já estava de saco cheio, com dor de cabeça e esperando dar a hora de ir embora. Estava incomodado e os motivos eram evidentes. O Homem de Aço é o Transformers dos super-heróis. Eu me pergunto se no meio das gravações não mudaram o diretor e colocaram Michael Bay no comando.

O que gostei aqui, além da já citada atuação de Cavill, foi o novo plot inicial para Clark. Se você achou que ele iniciaria como repórter, não é o que ocorre aqui. A ideia é, primeiramente, estabelecer a figura do Superman, como protetor dos terrestres, para depois Clark se infiltrar de vez na sociedade para ficar de olho no que acontece. Sua roupa também não é mais costurada a mão e o S não é um S de verdade, mas um símbolo da casa dos El. E o melhor acréscimo no figurino (ou seria decréscimo?): não há mais a cueca por cima da calça. A ação desenfreada e desembestada pesa contra o filme, mas não há como deixar de notar que os efeitos especiais empregados são espetaculares. A fotografia do longa é belíssima em alguns momentos, um trabalho a la Terrence Malick, mas que me lembrou mais Cinzas do Paraíso do que A Árvore da Vida.

Eu tentei gostar de O Homem de Aço desde o início, mas não deu. Eu me esforcei ao máximo, mas não foi desta vez. Consigo enxergar um futuro, daqui alguns anos, em que as pessoas se lembrarão de Superman – O Retorno como o grande filme do super-herói e O Homem de Aço será apenas um deslize na história de Kal-El. Mas honrando a casa dos El, não iremos perder a esperança e aguardamos 2015 para ver se finalmente irão acertar um longa-metragem do maior herói de todos os tempos. Ou não.

3 STARS

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