Cidade do Som – Sound City | Review

Sound City

Sound City
EUA, 2013 – 108 min
Documentário

Direção:
Dave Grohl
Roteiro:
Mark Monroe

Desde o lançamento do disco Wasting Light, em 2011, o vocalista do Foo Fighters, Dave Grohl, viu sua carreira tomar proporções ainda maiores. Ele foi considerado um dos salvadores do rock naquele momento – mesmo que dissesse que o rock não precisava ser salvo. O disco foi elogiado e venceu cinco prêmios Grammy (no mesmo ano em que Adele levou cinco, incluindo disco do ano por 21). Então Grohl acabou se tornando cada vez mais relevante no meio musical. O senhor que já foi baterista do Nirvana e Queens of the Stone Age, além de criador do Probot, agora tenta a sorte grande nos cinemas, mas sem deixar de lado o que ele mais ama: a música.

Dave Grohl Sound City

Cidade do Som (Sound City) estreou no Festival de Sundance e teve uma ótima recepção. Prova disso são os 100% de aprovação da crítica especializada no site Rotten Tomatoes. Os motivos para isso são de fácil compreensão. No documentário assinado por Grohl, ele conta a história de um local mítico da música nos Estados Unidos. O Sound City Studios é uma gravadora que fica localizada em Van Nuys, Los Angeles, existente desde 1969 e que ao longo de sua existência, recebeu mais de 100 certificados de disco de ouro e platina pelos álbuns feitos com o seu selo, incluindo aí discos antológicos de Johnny Cash, Tom Petty, Fleetwood Mac, Rage Against the Machine, entre outros.

Soundy City neve 8028

O principal atrativo do estúdio é seu sistema de gravação analógica, feito através da mesa dos sonhos: uma Neve 8028 analógica. O Nirvana gravou o disco mais importante de sua carreira nesse estúdio, Nevermind, o que fez com que Grohl tivesse um sentimento afetivo pelo Sound City. Com o anúncio do fechamento do lugar por falta de condições do proprietário mantê-lo, Grohl resolveu comprar a tal mesa e fazer este documentário como forma de homenagem.

Sound city

Grohl conta com uma malandragem típica de quem já é diretor há anos. A edição é ágil, sabendo que música colocar, a imagem que deve entrar, a duração perfeita entre um depoimento e outro. Nada é sobrecarregado e a direção consegue criar a pluralidade de vozes necessária para conseguir contar a história que se deseja. São vários os entrevistados e cada um adiciona uma peculiaridade à trama, já que estes artistas viveram exatamente isso. São as experiências de cada um deles que tornam o documentário tão interessante. Além do próprio estúdio, é um retrato de como funciona o espetáculo do rock n roll por trás dos microfones.

Stevie Nicks Sound City Movie

Uma tecla que Grohl bate forte aqui é a mudança do sistema analógico para o digital. O retrato vem em ordem cronológica, com o auge do estúdio, passando pelas dificuldades nos anos 80 com o início do novo processo de gravação que muitas gravadoras estavam adotando, mas que o Sound City Studios relutava e se negava a incorporar. O elemento humano, tanto para Grohl quanto para os entrevistados, seja Tom Petty, Neil Young ou Mick Fleetwood, é essencial. Mesmo quando Trent Reznor, criador do Nine Inch Nails, aparece com o seu som modificado por computadores, Grohl justifica. Apesar de ser algo digital, ele serve como um instrumento; Reznor cria a partir desta ferramenta, não a utilizando para melhoramento. Portanto, ele não engana o ouvinte, usando a tecnologia para adicionar e não substituir.

Josh Homme

O documentário é nostálgico, mostrando como, em tese, deveriam ser feitos os discos. A música precisa ter alma, ter o toque de seus criadores em tudo. O erro de uma nota na guitarra, uma batida que não sai totalmente como deveria, a leve desafinação do vocalista. Estes pequenos escorregões transformam a música em algo humano e não feito por máquinas. E é nisso em que Grohl se baseia aqui, além de toda a paixão pelo rock n roll, partilhada por todos os entrevistados. De tão genuíno, o longa tem certos momentos que são até emocionantes, acertando o coração até do roqueiro mais durão.

Rick Springfield

Cidade do Som cresce a cada minuto de projeção e Grohl vai firmando cada vez mais suas convicções, inclusive quando convoca uma porrada de gente competente para gravar um disco na forma analógica, com a mesa do estúdio, e provar suas convicções iniciais. É um deleite a parte ver as colaborações com Stevie Nicks, Josh Homme, Trent Reznor e o sir Paul McCartney, além de todos os integrantes do Foo Fighters.

Paul McCartney Dave Grohl Sound City

Dave Grohl parece que sabe muito bem o que está fazendo com sua carreira. Cidade do Som é certeiro em suas intenções, mostrando que Grohl é um diretor esforçado e promissor, além de reforçar seu talento como músico. De um moleque atrás de uma bateria, para o Festival de Sundance. E agora, qual será o próximo passo do salvador do rock?

O filme está disponível em cópia digital em seu site oficial (http://buy.soundcitymovie.com) no valor de US$ 9,99, com legendas em oito idiomas, incluindo português.

4.5 STARS

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