Distopias: O futuro está no presente

Por Leonardo Costa

Desde 2012, o mundo é distópico.

Jogos Vorazes trilogiaSuzanne Collins arrebatou o mundo com sua trilogia Jogos Vorazes que, após ser adaptada para o cinema e gerar um sucesso de público surpreendente, a consolidou como escritora por lançar uma das primeiras bem sucedidas distopias que estariam por vir.

Lembra da febre de Crepúsculo? O fenômeno resultou em centenas de obras com a temática do amor impossível e sobrenatural como os superestimados Beautiful Creatures e Hush Hush, e os bem desenvolvidos Fallen e Os Lobos de Mercy Falls. Foram várias publicações e editoras lucrando num ritmo acelerado com as obras e sendo acompanhadas pela empolgação jovem por romances sobrenaturais, magia, maldições e afins.

Esse efeito dominó de publicações pode ser avaliado por dois pontos de vista:

Primeiro: Causa uma limitação da criatividade e variedade de ideias originais que padroniza o mercado durante um longo período de tempo e influencia vários tipos de mídia como cinema, TV e até mesmo os quadrinhos e as consequências disso podem ser desastrosas para produtoras, diretores, etc.

Porém, vendo por um lado mais positivo, esse apelo correspondido influencia a apreciação de jovens leitores por obras literárias e os torna fieis à leitura, algo significativo em nosso país por exemplo, que historicamente possui um número preocupante de leitores.

Sendo assim, antes mesmo da fase Crepúsculo passar, em 2012 entramos em uma nova onda de publicações temáticas em massa: As distopias.

Entende-se por distopia uma sociedade normalmente futurista e, mas não obrigatoriamente, no auge de seu desenvolvimento tecnológico sendo regida por governos totalitários, ditatoriais, os quais exercem um poder tirânico e um domínio ilimitado sobre o grupo social. No meio literário, além das características comuns, as distopias têm início sempre após a consolidação de um regime utópico.

Mas a ideia dessas sociedades não surgiu com Jogos Vorazes.

Admirável Mundo NovoEm 1932, Aldous Huxley publicou Admirável mundo novo, uma obra que se consolidaria como um clássico da literatura ao apresentar uma das primeiras sociedades distópicas e desprovidas de conceitos religiosos, familiares ou sentimentais, onde quaisquer dúvidas eram tiradas por meio de drogas que induziam o ser humano à rápida satisfação de seu desejo de questionar.

Voltando ao presente, temos a obra de Suzanne Collins, trazendo a heroína do momento Katniss Everdeen em uma sociedade dividida em 12 Distritos num futuro onde as condições de vida em muitos dos Distritos são precárias e a Capital, que governa esses Distritos, proporciona anualmente uma edição dos chamados Jogos Vorazes. Neles, um garoto e uma garota de cada distrito são colocados em uma arena para que lutem até a morte em uma espécie de Big Brother que é assistido pelo mundo todo, gerando mais lucro e poder à Capital. Sucesso garantido.

Não demorou para que novos autores começassem surgir com suas distopias. Confira abaixo uma lista com as principais obras da atualidade que ganharam destaque mundial e prometem levar essa fase distópica muito longe ainda.

FeiosFeios

De início, me deparei com Feios, do americano Scott Westerfield, que já havia publicado o primeiro volume que intitula a saga antes do sucesso de Suzanne, mas que não possuía muito destaque ainda. A série apresenta uma sociedade futurista e extremamente dependente da tecnologia, onde as crianças ao completarem 16 anos passam por uma cirurgia plástica e se tornam “perfeitos”, destituindo-as de deformações visuais e estabelecendo um padrão. Mas claro que nesse mundo perfeito há traidores, mentirosos e um sistema falho e corrupto que se mantém à custa de uma sociedade enganada e iludida com as maravilhas da tecnologia, até que Tally Youngblood resolve sair dos padrões e começar sua busca por respostas. A série, que inicialmente era uma trilogia, possui quatro livros publicados pela editora Galera, muito bem estruturados entre si, contando em detalhes as consequências de uma vida baseada em imagem, fama e status social.

A SeleçãoA Seleção

Kiera Kass apresentou com A Seleção, uma distopia diferente e sem o apelo tecnológico: Castelos, bailes, um príncipe e 25 garotas de Castas (divisões da sociedade, como os Distritos de Jogos Vorazes), diferentes para ver qual delas conquistará o coração do jovem Maxon e se tornará rainha, salvando sua família da pobreza em que vivem ou, no caso das garotas vindas das castas mais altas, ganhando a oportunidade de ficar mais ricas e reconhecida no reino de Illéa. É sabendo disso que America Singer resolve se inscrever para a Seleção e acaba entrando nesse mundo de realeza tão diferente de sua antiga realidade. Logo, a simplicidade com que foi criada torna um diferencial na competição que acaba chamando a atenção do príncipe e, ao mesmo tempo, problemas para si mesma.

Na trilogia, a autora aborda além do romantismo comum, a escassez de alimentos nas zonas fora dos muros do castelo, as consequências de se viver sob um regime autoritário e a realeza com uma vida constantemente ameaçada por invasões de outros países. Com uma história simples, se comparada a Jogos Vorazes e Feios, porém com personagens cativantes e um enredo envolvente, Kiera Cass conseguiu cativar leitores do muno todo e sua obra já está sendo adaptada para a TV pela Warner que está produzindo o piloto, escrito por Elizabeth Craft e com Yael Groblas no papel principal.

Estilhaça-meEstilhaça-me

Estilhaça-me, da americana Tehereh Mafi, foi de todas as distopias que li, uma das que menos me agradou até agora. A autora apresenta um mundo onde pessoas com poderes especiais são retiradas da sociedade e levadas para campos de treinamento onde são forçados a utilizar suas habilidades em prol do governo. Lá encontra-se Juliette, que viveu em cativeiro durante várias anos até que um dia consegue fugir e tenta usar suas habilidades para acabar com a repressão dos governantes. O livro publicado no Brasil pela editora Novo Conceito começa de forma agradável, mas quando Juliette conhece Adam e o romance é introduzido no contexto, os capítulos se tornam melosos e atrapalham o desenrolar da história, desviando a atenção da personalidade marcante da personagem principal que era o diferencial do livro. Estilhaça-me é o primeiro de uma trilogia que já tem o segundo volume, Destroy-me, publicado nos EUA.

PurosPuros

Julianna Baggott traz uma ousada obra que apresenta uma sociedade dividida entre os Puros, que vivem saudáveis e a salvo sob um domo que os protegeu de um apocalipse nuclear, e o resto das pessoas, que estão fora do domo e possuem deformações, e outras características que os privam de ser aceitos no domo. Eles têm que viver com o que restou do mundo lá fora e esperar que um dia possam ser aceitos de volta em suas comunidades. Porém, as realidades começam a se chocar e as diferenças em determinado momento começam a ser pesadas apresentando os Puros como uma sociedade não tão perfeita assim. O livro da editora Intrínseca aborda temas como preconceito e injustiça e curiosamente ganhou destaque por mostrar a visão de quem está fora e dentro do domo, deixando o leitor sempre em dúvida de quem está certo ou errado.

StartersStarters

Eu diria que é uma versão mais fraca de Feios e com maior apelo tecnológico ainda. Na obra, as crianças e jovens alugam seus corpos para os Enders – idosos que desejam ser velhos novamente – e recebem uma boa quantia de dinheiro em troca. É baseada nessa crença que Callie, desesperada para salvar seu irmão doente, se envolve com o sistema e se torna uma doadora. Porém, o que parecia uma solução começa a se mostrar um problema ainda maior e Callie se vê arriscando tudo para conseguir reverter a situação na qual se meteu. O livro de Lissa Price foi publicado no Brasil pela editora Novo Conceito.

Delírio

Em uma outra obra distópica publicada pela Intrínseca, a autora Lauren Oliver nos mostra o amor como uma doença no mundo Delírioem Delírio. Assim, o governo criou uma cura para isso realizando uma cirurgia obrigatória para os maiores de 18 anos. Todos querem tomar a cura que vai livrá-los desse tormento sentimental, até que Lena, uma garota de 17 anos esperando pela cura, conhece um Alex, um garoto que ainda não foi curado. Juntos eles trilham seu próprio caminho tentando decidir o quanto o governo deveria ter de controle na vida de uma pessoa. A trilogia que conta ainda com apenas dois volumes, Delírio e Pandemônio, será adaptada para a TV pela FOX e conta com Emma Roberts (Pânico 4) e Gregg Sulkin (Pretty Little Liars) nos papéis principais.

Divergente

Por fim, a obra distópica mais recente e popular é Divergente, de Veronica Roth. Publicada no Brasil pela editora Rocco, a obra nos Divergenteapresenta à uma Chicago pacífica e feliz, dividida em cinco facções de acordo com a índole e os princípios de seus cidadãos, sendo eles classificados em Sinceros, Altruístas, Destemidos, Amigos ou Eruditas e não ser apto a nenhuma dessa facções é ser invisível e desprovido de qualquer ajuda do governo. Nesse meio, Beatrice, de 16 anos, acaba entrando para uma das facções e depara-se com uma realidade violenta onde jovens participam de lutas brutais para que os mais fortes sejam selecionados para proteger as fronteiras da cidade de um suposto inimigo. Em meio a isso tudo, ela ainda começa a descobrir tramas de guerra e domínio de uma facção sobre outra.

A obra está em fase de adaptação para os cinemas pela Summit Entertainment e conta com Kate Winslet no elenco.

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