Girls – Segunda Temporada | Review

Girls (2)

Girls: The Second Season
EUA, 2013
Comédia
10 episódios

Criado por:
Lena Dunham
Elenco:
Lena Dunham, Allison Williams, Jemima Kirke, Zozia Mamet, Adam Driver, Alex Karpovsky, Christopher Abbott

Lista de episódios:
2×01: It’s About Time
2×02: I Get Ideas
2×03: Bad Friend
2×04: It’s a Shame About Ray
2×05: One Man’s Trash
2×06: Boys
2×07: Video Games
2×08: It’s Back
2×09: On All Fours
2×10: Together

Logo de cara, confesso, não gostei de Girls. A série escrita, estrelada e, algumas vezes, dirigida por Lena Dunham foi um fenômeno de público e para a crítica. Inicialmente, eu não achava graça nenhuma e tudo o que eu via era uma série que se destacava por mostrar pessoas fazendo e falando sobre sexo como qualquer uma outra (ou como na mente de Dunham mesmo).  Aos poucos, o seriado me conquistou pela sua dinâmica, diálogos descolados e até mesmo inteligentes, personagens bagunçados e que não sabem exatamente o que querem para suas vidas – retrato perfeito de muitos jovens adultos nos dias de hoje.

Da metade da primeira até o season finale, Girls surpreende e se mostra competente dentro de suas ambições. Em minha mente, Girls tinha tudo para ser uma das melhores comédias da TV. E aí então começou a desandar. O primeiro passo foi darem o Globo de Ouro de melhor atriz para Dunham, um prêmio que não se justifica nem se ela fosse a única concorrente, e menos ainda sabendo que Amy Poehler, Tina Fey e Julia Louise-Dreyfuss (vencedora do Emmy no ano passado) disputavam com ela. Superestimada, Dunham voltou à estaca zero no início da segunda temporada, cometendo os mesmos erros, dando pouca substância, muito chororô adolescente e sexo desvairado.

Dunham dá continuidade para sua personagem egocêntrica, verborrágica, egoísta, crítica e sonhadora, a protagonista Hannah. Agora que Adam (Adam Driver) resolveu se importar e se apaixonar por ela, a garota decidiu que não o quer mais e prefere viver sua independência. Não adianta. Hannah é uma personagem que não sabe o que quer – e isso acontece em todos os momentos. A segunda temporada serve para desconstruir a personagem e transformá-la em um ser desprezível, insuportável e perdida dentro do seu próprio universo. Ela é cheia de falhas, mas não assume seus erros. Aliás, ela sempre dá um jeito – ou ao menos tenta – de escapar das situações que a incomodam ou podem causar danos a ela. O problema é que o mundo real sempre vem e bate na sua cara, uma hora ou outra.

Apesar dos problemas de Hannah, Dunham não consegue deixar de fechar a temporada com o final “feliz” para a personagem, mesmo após todas as besteiras que ela comete. Dunham, aliás, transforma Hannah numa personagem megalomaníaca, cheia de si e da razão o tempo todo. Parece ser um retrato da própria criadora da série, já que em 2010 ela fez um filme em moldes semelhantes ao daqui. Em Tiny Furniture, ela aborda o que ela vai fazer com sua vida após ter se formado. Em Girls, ela só torna essa trama maior. E o que podemos perceber é que Dunham sabe o que fazer com o seu futuro, mas todos os traços de Hannah são rastros de sua personalidade. Ela realmente acha que sua escrita é genial, que sua direção é perfeita, que sua atuação é acima da média. A segunda temporada de Girls é uma massagem no ego de Dunham. Mesmo com todos os erros, ela parece amar a personagem interpretada por si.

Na maior parte da temporada, o foco é em Hannah. Isto me faz questionar porque não chamar a série de Girl de uma vez. O plural fica meio de lado, mas ainda está lá. Marnie (Allison Wiliams) se tornou uma pessoa infantil só porque seu namorado, Charlie (Charlie Dattollo) a deixou de vez. Ela não o quis mais, e depois quando ela o quis, foi ele quem a rejeitou. A história do ‘quero se não posso ter’. Enquanto isso, Jessa (Jemima Kirke) é inexplicavelmente surtada. Nesta temporada, ela se casa num impulso, e em outro salto da mesma proporção ela acaba deixando o marido. E depois de mostrar que continua completamente sem rumo, ela some da série. Outra personagem, a única que se salvou da série ao longo dos episódios, é Shoshanna (Zozia Mamet), que após nos fazer morrer de rir com o caso do crack, agora ela entra em seu primeiro relacionamento, perde a virgindade e aos poucos percebe que quer bem mais daquilo que tem. Ou seja, Girls é um seriado de mulheres insatisfeitas, infelizes e que no final das contas não sabem o que querem.

A segunda temporada de Girls não possui as boas tiradas que habitavam a primeira temporada. Dunham para de se preocupar com a história universal e se foca majoritariamente em si e as egocentricidades de sua personagem. Muitos dos episódios são em prol de Hannah. Como é a personagem menos interessante, a série simplesmente não entretém e não empolga. Aliás, as filosofias de Hannah estão cada vez mais entediantes e repetitivas.

Um item em particular que me incomoda na série é a necessidade de Dunham em mostrar o seu corpo nu. Sabemos que as produções da HBO possuem o aval para colocarem o que quiserem no ar, incluindo nudez e cenas de sexo. Girls expõe ambas e sem nenhum pudor. No início, era compreensível. Era o realismo estranho da mente de Dunham. Mas na segunda temporada é tudo gratuito. Qualquer coisa é pretexto para a criadora da série aparecer pelada em cena. Se há um pretexto ou uma função, tanto a nudez quanto a violência ou qualquer outro item é justificável. Mas Lena Dunham não quer saber de ter um motivo. Ela realmente só quer exibir o seu corpo rechonchudo para nós, como uma forma de provar que ela não tem vergonha de ser gordinha.

Por fim, Girls tenta provar-se uma série feminista, mas que no final das contas acaba se apoiando no clichê. Por mim, pode levar um caminhão de prêmios. Não me importo. Girls é uma série sobre adolescentes com prazo de validade expirado. A ideia de explorar a falta de rumo dos jovens adultos é ótima, mas Dunham perde a mão e afunda a série a cada episódio, sobrando para os personagens secundários tentarem extrair alguma coisa de bom dela, mas que nem isso conseguem perante tramas tão entediantes e desinteressantes. Se quiser manter-se, Girls precisa se renovar e amadurecer – e com urgência.

2.5 STARS

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