Hitchcock | Review

Hitchcok

Hitchcock
EUA, 2012 – 98 min
Drama

Direção:
Sacha Gervasi
Roteiro:
John J. McLaughlin, baseado no livro de Stephen Rebello
Elenco:
Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Toni Collette, Danny Huston, Jessica Biel, James D’Arcy, Michael Wincott

Era uma questão de tempo até perceberem que um dos maiores cineastas deste planeta merecia ganhar uma retratação no cinema. Sacha Gervasi foi o primeiro a embarcar num projeto e dirigir um longa-metragem falando sobre uma parte da vida do mestre do suspense.

 

Em Hitchcock, a trama é ambientada em 1959. Alfred Hitchcock (Anthony Hopkins) está no auge de sua carreira e os jornalistas e fofoqueiros de plantão começam a questionar se não é hora de o diretor largar a profissão e se aposentar enquanto está na sua melhor fase criativa. Contrariado, Hitchcock procura uma boa história para fazer seu próximo filme e surpreender a todos. O personagem é inquieto e sente a necessidade de surpreender o público a cada obra. A busca por um novo trabalho consome-o e ele nega a se aposentar.

 

Essa ânsia do diretor cai nas costas de sua esposa, Alma (Helen Mirren), uma mulher que, como ela mesma define, é invisível aos olhos dos outros por ela estar ao lado do glorioso e genial Alfred Hitchcock. Já ouviram a expressão “atrás de todo grande homem, há uma grande mulher”? Ela vem bem a calhar nesta situação. A esposa do diretor o ajuda a manter sua saúde, serve de consultora de seus trabalhos, ajuda na produção, revisa e reescreve roteiros dos filmes dele sem nem ao menos levar crédito e se mantém fiel em todos os sentidos a ele. É uma companheira no sentido mais literal da palavra.

 

O tal trabalho que fará com que Hitchcock mostre para os críticos de plantão é Psicose. Contudo, não é com facilidade que ele conquista a chance de filmar o livro que, por sinal, ele fez questão de tirar de circulação para que as pessoas não soubessem o final. Mesmo com o estúdio declinando bancar as filmagens, Hitchcock persiste e vai em frente. Seu ego e teimosia são muito maiores do que um mero estúdio, neste caso a Paramount. Para angariar o dinheiro da produção, o diretor penhora sua casa, colocando-a como garantia caso o filme não reverta em bilheteria o seu investimento.

 

O longa-metragem tem a pretensão de mostrar os bastidores de Psicose, maior sucesso comercial da filmografia do diretor, mas o foco aqui acaba caindo em outra direção. Sacha Gervasi parece fascinado em exibir a figura da esposa de Hitchcock. Alma se torna a atração principal da película. A personagem ganha espaço pouco a pouco ao mostrar-se essencial na vida e no trabalho do marido. Helen Mirren (ótima, como sempre) consegue demonstrar as nuances das emoções de Alma. De certa forma, ela é presa e fica comprometida a dar 100% de seu tempo para o marido encarar as musas inspiradoras de seu filme. Alma se mantém fiel – em todos os sentidos – a Hitchcock, mas em determinado momento sua paciência fica limitada e a necessidade de ter uma carreira própria longe dele. É a busca por uma identidade sua e não limitar-se apenas a ser a esposa que ninguém conhece. Não é nem questão de feminismo, mas de encontrar o seu espaço e ter sentido na sua vida. Afinal, ser casado não é o ápice da carreira profissional de alguém.

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Mesmo tendo o seu nome no título da película, Alfred Hitchcock permanece uma figura um tanto quanto misteriosa. Resumi-lo apenas a um senhor que adora uma moça com belos atributos e a um marido ciumento não faz muito jus à figura icônica. Há muitos mistérios em torno dele que permanecem silenciados e não explorados aqui. Anthony Hopkins faz o possível para honrar a imagem do diretor e entrega uma performance interessante e que exige muito dele, mas acaba se saindo bem no papel.

 

Hitchcock é uma obra que tinha mais potencial do que aquilo que entrega. Entretanto, somos convidados a uma boa sessão de cinema com algumas peculiaridades por trás dos bastidores e o reconhecimento da figura fundamental que foi Alma na vida de um dos diretores mais importantes da história do cinema.

3.5 STARS

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