A Hora Mais Escura | Review

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Zero Dark Thirty
EUA, 2012 – 157 min
Drama

Direção:
Kathryn Bigelow
Roteiro:
Mark Boal
Elenco:
Jessica Chestain, Kyle Chandler, Joel Edgerton, Jennifer Ehle, Jason Clarke, Harold Perrineau, Chris Pratt

Kathryn Bigelow e Mark Boal mal deixaram o corpo de Osama Bin Laden esfriar e já partiram para fabricar o roteiro e o longa-metragem intitulado A Hora Mais Escura, que chega às telas brasileiras neste final de semana. A odisseia registrada aqui conta, desde o início, a operação realizada para achar o creditado líder do ataque ao World Trade Center no fatídico 11 de setembro de 2001.

A Hora Mais Escura tem lá suas mentirinhas. É uma retratação do que aconteceu, mas nem mesmo a protagonista existiu. Por conta disso, fica a questão se tudo o que é retratado no longa é passível de ter acontecido ou não. De qualquer maneira, é uma adaptação cinematográfica, portanto as coisas não precisam ser de fato verídicas, mas embasadas na História.

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O longa-metragem dirigido por Bigelow entrou na polêmica em que ele incentivaria a tortura. Sinceramente, já vi torturas piores, inclusive nos filmes do 007. Alguém lembra da cena de tortura de Daniel Craig em Cassino Royale? Por isso, a polêmica – assim como àquela envolvendo a escravidão em Django Livre – é pura bobagem. Mas, de certa forma, ajuda a criar algo a mais em torno da película. Essas polêmicas chamam a atenção. Se bem que um filme sobre a morte de Bin Laden não precisava de um chamariz além do principal.

Diferente de Guerra ao Terror, Bigelow resolve se distanciar das emoções em A Hora Mais Escura. A protagonista, Maya (Jessica Chastain), não se importa em olhar pessoas sendo torturadas. Raramente ela esboça algum tipo de expressão ou emoção. É a frieza de uma agente que usou boa parte de sua vida – e toda a profissional – para caçar o homem mais procurado do mundo. Talvez Bigelow ache que tenha a necessidade de deixar a atmosfera com esse clima mais denso e sem se apegar às emoções. Contudo, este é um erro que deixa o longa-metragem menos atrativo. Os colegas de trabalho de Maya vão morrendo, e eles são tão triviais e mal explorados que o espectador não se importa com os óbitos.

Em duas horas e meia de projeção, Bigelow foca todas as forças na caçada e na descoberta de alguém que tenha ligação com Bin Laden e seu paradeiro. Por se focar tanto no alvo principal, ela se esquece de coisas simples como o desenvolvimento de sua protagonista. Nada contra Jessica Chastain. Para o papel em que se encontra, ela ainda tira leite de pedra, mas sua personagem sofre com a falta de desenvolvimento pessoal. Para o público, ela é só uma agente. Não há a priorização do ser humano. Para quem seja estadunidense, talvez seja mais fácil se envolver emocionalmente. Contudo, Bigelow não se esforça para que a trama em si o faça – ela aposta apenas na memória recente do americano. A Hora Mais Escura simplesmente não é envolvente o suficiente.

O que A Hora Mais Escura faz com qualidade é registrar os movimentos governamentais. Bigelow mostra ter um senso de humor sombrio ao mostrar cenas de tortura e, em seguida, colocar um vídeo na TV do presidente Barack Obama afirmando que os Estados Unidos não torturam ninguém. A burocracia é um dos protagonistas do filme. Afinal, é ela que impede que Maya cace Bin Laden com antecedência. Mas tudo que acontece é apenas um procedimento cinematográfico para dar mais aflição e desembocar na captura do terrorista.

O ápice do longa-metragem é a operação em solo para matar líder do ataque às Torres Gêmeas. O momento da ação faz com que todo o restante do filme pareça insignificante. A sensação é de que tudo isso é uma desculpa apenas para mostrar a morte de Bin Laden. Apesar de tecnicamente ser impecável, é fato que Bigelow não consegue fazer um filme ágil, menos patriótico, que flua, tenha profundidade e personagens críveis. A Hora Mais Escura é o oposto de Argo, que alcança todos os itens citados na frase anterior. É inevitável afirmar que A Hora Mais Escura é um filme promocional, servindo mais para exaltar a captura do homem que feriu os Estados Unidos publicamente do que um experimento cinematográfico válido. É um longa-metragem para os estadunidenses, não oferecendo nada além do que já não vimos até então no cinema e na televisão.  Caçada por caçada, prefiro assistir Homeland.

3 STARS

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