O Lado Bom da Vida | Review

O Labo Bom da Vida cartaz

Silver Linings Playbook
EUA, 2012 – 121 min
Comédia / Drama

Direção:
David O. Russell
Roteiro:
David O. Russell, baseado no livro de Matthew Quick
Elenco:
Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert DeNiro, Jacki Weaver, Anupam Kher, Chris Tucker, Julia Stiles, John Ortiz, Shea Whigham

Nas palavras do dr. Drauzio Varella, o transtorno bipolar, que no passado era conhecido como psicose maníaco-depressiva, é uma doença psiquiátrica caracterizada por alternância de fases de depressão e de hiperexcitabilidade ou mania. Nesta fase, a pessoa apresenta modificações na forma de pensa, agir e sentir, e vive num ritmo acelerado, assumindo comportamentos extravagantes como sair comprando compulsivamente tudo o que vê pela frente, ou então investindo em empreendimentos acreditando que renderão lucros vertiginosos ou envolvendo-se em experiências perigosas sem levar em conta o mal que podem causar, como é o caso do uso de drogas e/ou fazer sexo com inúmeros parceiros diferentes.

O filho do diretor David O. Russell é portador da doença e por conta desta situação ele decidiu fazer um filme que mostrasse as variáveis da enfermidade. Foi a forma que Russell encontrou para lidar e entender melhor o que é o transtorno bipolar. Ele adapta o livro de Matthew Quick para as telas e transforma O Lado Bom da Vida em seu melhor trabalho até aqui. Russell lida com situações difíceis e alcança uma sensibilidade singular ao expor os lados dessa doença.

O Lado Bom da Vida inicia com a saída de Pat Solitano (Bradley Cooper) de uma instituição que atende pacientes com problemas mentais (também conhecido como sanatório). Depois de oito meses internado, ele retorna ao lar para morar com a mãe Dolores (Jackie Weaver) e o pai Pat (Robert DeNiro), que também se trata do transtorno bipolar. O protagonista acredita que está melhor e que precisa demonstrar a sua melhora para a esposa Nikki (Brea Bee). A sua doença, no entanto, foi desencadeada ao ver a mulher com o professor de história e colega de trabalho no chuveiro de casa, o que fez com que Pat espancasse o homem quase até a morte.

Pat enfrenta muitos problemas. Apesar de toda a alegria de estar em casa e a confiança de que tudo tem um lado bom, Pat ainda sofre com a doença. Além de não tomar seus remédios, ao ouvir “My Cheri Amour”, de Stevie Wonder, a canção do casamento dele e que tocava no momento em que pegou a esposa no flagra, ele perde o controle. Durante todo o longa, ele luta para conseguir lidar com a música e se manter focado, mas o desafio é difícil. O que ajuda o rapaz é conhecer Tiffany (Jennifer Lawrence), que perdeu recentemente o marido e parece ser tão problemática quanto ele, mas em outros termos.

THE SILVER LININGS PLAYBOOK

David O. Russell foge completamente dos clichês do gênero e constrói uma película cheia de nuances. Primeiramente, ele dá vida a personagens tridimensionais. Estes possuem características bem delineadas e parecem complicados, assim como as pessoas são. Os problemas causados pela doença são expostos de maneira crua e, por vezes, bem humorada. O que dá pra perceber é o compromisso de Russell em mostrar a verdade por trás do transtorno bipolar. Além de tudo, ele se compromete em contar que é possível viver com a enfermidade e que há um ser humano ali, que sente dor, saudade, ama, odeia, e por aí vai.

O Lado Bom da Vida é, acima de tudo, um filme sobre pessoas e seus dramas. Russell conduz a trama passando pelo drama, comédia e romance. Por isso, o filme tem momentos divertidos, engraçados, tensos, imprevisíveis e tocantes. A emoção permeia a película. Russell trabalha brilhantemente ao explorar as relações interpessoais. A dinâmica entre Pat e seu pai; o casamento de Ronnie (John Ortiz) e Veronica (Julia Stiles); a amizade entre Pat e Tiffany. Os problemas são credíveis e tornam estes vínculos palpáveis.

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O que diferencia O Lado Bom da Vida das demais comédias é a linguagem diferenciada de Russell ao contar o que poderia ser uma comédia escrachada ou um dramalhão. A questão é que o diretor consegue manejar os acontecimentos de forma com que nada soe clichê e fuja do previsível. A conclusão, talvez, seja óbvia para o espectador. Contudo, o caminho trilhado pelos personagens até lá não o é. Russell é perspicaz neste trabalho. Entre diálogos inspirados e relações bem exploradas, ele se mostra um diretor competente, chegando no ápice de sua carreira ao fazer com que esta película não seja apenas uma comédia romântica – e, acredite, é bem mais do que isso.

Jennifer Lawrence Silver Linings Playbook

É bom lembrar que David O. Russell não é o único a ser aclamado no longa. O elenco é magnífico. Robert DeNiro nos lembra que ele é o ator que já faturou dois Oscars na carreira, um por O Poderoso Chefão II e outro por Touro Indomável. A surpresa, no entanto, fica para Bradley Cooper. Acostumado a fazer comédias e o tipo galã, Cooper impressiona neste papel, mesclando os momentos mais densos com os mais descontraídos. Mas o grande destaque é Jennifer Lawrence. A atriz de 22 anos está melhor a cada filme e nesta película ela está misteriosa, sombria, sarcástica, seca, sensual, explosiva, imprevisível. Fisicamente, pode não ter sido uma grande transformação como a Academia curte, mas a performance de Lawrence não deixa de ser, no mínimo, ótima. Até aqui, o papel de sua carreira, que é promissora e tem tudo para ser brilhante.

Silver Linings Playbook 4

O Lado Bom da Vida consegue ser insano, engraçado e tocante. David O. Russell faz uma comédia diferenciada que tem muito que dizer e o diz com soberba. É um filme que faz o espectador se sentir bem e, pra mim, grita por um Oscar. E é de melhor filme.

5 STARS

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