Os Miseráveis | Review

Os Miseráveis cartaz

Les Misérables
Inglaterra, 2012 – 158 min
Musical / Drama

Direção:
Tom Hooper
Roteiro:
William Nicholson, Alan Boublil, Claude-Michel Schönberg, Hebert Kretzmer
Elenco:
Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Eddie Redmayne, Helena Bonham Carter, Sacha Baron Cohen

Há dois anos, Tom Hooper saiu do anonimato e se tornou um diretor renomado por conta de seu prêmio de melhor direção por O Discurso do Rei no Oscar, que também levou o troféu de melhor filme. Depois disso, ele precisava de um projeto que o alavancasse novamente. Por isso, nada poderia dá-lo mais uma chance do que fazer um musical – gênero que o pessoal da Academia ama – e ainda por cima fazê-lo com uma história mundialmente conhecida e aclamada.

Os Miseráveis acompanha a história de Jean Valjean (Hugh Jackman), o prisioneiro 24601. Por 19 anos ele cumpriu pena na França do século XIX por ter roubado pão para alimentar o filho de sua irmã. Mas depois de tanto tempo, ele resolve fugir e reinventar a sua vida. O problema é que aonde ele vai, o policial Javert (Russell Crowe) também aparece tentando prendê-lo. No meio desta saga que dura por várias décadas, diversos personagens passam pela vida de Valjean.

Não há como negar que a produção de Os Miseráveis é maravilhosa. Tom Hooper fez questão de fazer um musical de luxo, tão belo quanto uma Ferrari zero quilômetro e um colar de diamantes, daqueles que Marilyn Monroe costumava usar. Um trabalho técnico primordial, mas a essência do longa-metragem é o mais importante e o que mais incomoda.

O filme tem quase três horas de duração. Quando um longa tem uma metragem tão extensa, ele precisa encontrar algum elemento que deixe o espectador confortável o suficiente para não se incomodar de ficar tanto tempo sentado. Mas Tom Hooper toma as providências para deixar o espectador cada vez mais desconfortável. Os Miseráveis é praticamente uma ópera. A película é inteiramente cantada, totalmente sem diálogos.

Para o apaixonado pela obra, pode ser que tenha seus encantos. Contudo, a maior parte do público tem todas as chances de se entediar. A cantoria desenfreada é um dos principais fatores, mas a qualidade das canções também pesa. Além disso, a própria história se arrasta da metade pra frente e cada vez menos queremos seguir adiante.

O ápice da película é a participação de Anne Hathaway. É uma pena, porém, que ela apareça apenas em 20 minutos das quase três horas. Sua personagem é a sofrida Fantine, mãe solteira e que batalha para conseguir sustentar a filha. Mesmo com pouco tempo em tela, ela é a que mais sofre. Hathaway consegue transpor tanto sentimento, dor, agonia e sofrimento, seja nas expressões de seu rosto, na fragilidade de sua voz e sua linguagem corporal, como se estivesse sendo acuada o tempo todo. Sua participação no longa culmina na incrível interpretação de “I Dreamed a Dream”. É de encher os olhos de lágrimas com uma performance tão bela, que também mostra a fragilidade da personagem juntamente com a força dela em prol de sua filha.  Se Os Miseráveis tem um motivo para ser visto, certamente é Hathaway, na melhor atuação de sua carreira.

Outro ator que merece reconhecimento é Hugh Jackman. O ator já provou ser talentoso e que manda bem no gogó, e só confirma estas impressões em seu papel, apesar deste enfraquecer conforme a película se desenrola. Quem merece um puxão de orelha é Russell Crowe, evidentemente deslocado em seu papel e que não tem o mesmo poder vocal dos demais integrantes do elenco. Ainda na questão vocal, é válida a atitude de Hooper conceber este musical sem playback, com os atores cantando ao vivo no set. Isto faz com que a emoção e as atuações sejam críveis. De qualquer maneira, este detalhe não é o suficiente para fazer de Os Miseráveis um filme memorável.

É difícil superar a sessão de Os Miseráveis, mas com muito esforço e cafeína no sangue é até possível. É uma obra superestimada, que se apoia na produção arrojada e nas atuações de Jackman e Hathaway, mas não empolga e tampouco emociona do jeito que pretende. Além disso, reconta uma história que não precisava de um novo tratamento cinematográfico. Logo, Os Miseráveis é ruim até mesmo para o gênero musical. Há filmes que ficam melhores conforme o tempo passa (como é o caso da filmografia de Quentin Tarantino), enquanto há outros em que o processo é inverso e a película fica cada vez pior. Os Miseráveis está inserido neste segundo exemplo e se prova, de longe, o pior dentre os longas-metragens indicados ao Oscar de melhor filme.

2.5 STARS

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