Piores Filmes de 2012

Em 2012, os brasileiros tiveram a chance de assistir ótimos longas-metragens. Contudo, nem todas as produções foram fáceis de digerir. Títulos como Diário de Tati (anos engavetado e lançado apenas no ano do fim do mundo) e Motoqueiro Fantasma 2 (Nic Cage, why?) fizeram de 2012 um ano de causar náusea no espectador, sem contar o remorso de ter gastado seus míseros reais para assistir obras que não valem uma casquinha do McDonald’s. Como dois mil e doze foi um ano recheado com muita porcaria, fizemos questão de selecionar 25 pérolas que vão deixar o cinema marcado por sua falta de originalidade, criatividade, qualidade e vergonha na cara. Sejam bem vindos aos piores filmes do ano!

25 Cavalo de Guerra (War Horse)

Direção: Steven Spielberg

Steven Spielberg errou feio ao tentar fazer um drama meloso, que te coloca contra a parede para te fazer chorar. Seja com o cavalo sofrendo, com pessoas gritando ou lacrimejando, ou com a trilha sonora de John Williams lá em cima. Seja como for, Spielberg faz aqui o seu pior filme nos últimos… Eu diria anos, mas acho que é o pior de sua carreira. É uma desconstrução de tudo o que ele já mostrou que sabe fazer como diretor.

24 Atividade Paranormal 4 (Paranormal Activity 4)

Direção: Henry Joost, Ariel Schulman

A franquia Atividade Paranormal é uma das mais rentáveis da história do cinema. O motivo para isso é que os longas custam em torno de uns 10 mil dólares (ou menos) e arrecada mais de 200 milhões de dólares mundialmente por filme. Ou seja, o lucro é absurdo. Por isso, do ponto de vista financeiro, não existe motivo para parar de criar continuações. Esta é a única justificativa para esta quarta parte (sendo o quinto da franquia, que teve uma edição em Tóquio). É mais do mesmo. E se o que já era feito não agradava antes, agrada menos ainda depois de várias doses idênticas.

23 Hotel Transilvânia (Hotel Transylvania)

Direção: Genndy Tartakovsky

Em termos de qualidade técnica, Hotel Transilvânia é um filme bem feito. O problema do longa animado é que por trás dele está a cabeça pensante (?) de Adam Sandler. O filme é chato, previsível, com personagens que parecem saídos dos piores exemplares da carreira de Sandler, só que sem poder pronunciar palavrões. O timing para piadas continua tão bom quanto o do tio que vem para a ceia do natal e faz a piada do pavê.

22 Fúria de Titãs 2 (Wrath of Titans)

Direção: Jonathan Liebesman

O que mudou de Fúria de Titãs para este segundo? Praticamente nada. Os efeitos especiais continuam bons, o 3D melhora, mas os atores parecem estar fazendo hora extra e a história é um fiapo. Uma desculpa para ganhar dinheiro e nada mais.

21 O Vingador do Futuro (Total Recall)

Direção: Len Wiseman

Bonitinho, mas ordinário. O Vingador do Futuro é um remake desnecessário e que não respeita nada do filme original de Paul Verhoeven, estrelado por Arnold Schwarzenegger. A única coisa em comum é uma alienígena de três peitos. O visual pode ser arrojado, mas nada tão incrível que já não tenhamos visto em Eu, Robô, por exemplo, entre diversos títulos. As cenas de ação são boas, mas tirando isso, o que sobra? Nada. Ok, tem Bryan Cranston (de Breaking Bad) chutando bundas, mas prefiro ele sendo Walter White. Enfim, O Vingado do Futuro é bonito por fora, mas vazio por dentro.

20 Os Mercenários 2 (The Expendables 2)

Direção: Simon West

Já levamos na brincadeira Os Mercenários. Precisava mesmo de mais um? Ok, Hollywood precisa ganhar dinheiro às nossas custas. Pois bem, Os Mercenários 2 não tem nenhum pingo do humor que continha no primeiro e tampouco cenas de ação tão bacanas quanto. É tudo muito mais absurdo, com atuações ainda piores, falas péssimas, atores de ação que mal se aguentam em pé se fazendo de durões e a pior direção de fotografia deste novo século.

19 O Corvo (The Raven)

Direção: James McTeigue

A produção já nasceu mal. A comparação com O Corvo, estrelado por Brandon Lee, era clara, mas não tinha nada a ver. O novo O Corvo fala sobre Edgar Allan Poe (John Cusack) na época em que trabalhava para um jornal e não estava no ápice de sua carreira. Então um assassino começa a cometer homicídios iguais aos de um livro de Poe. Com isso, a polícia vai atrás do escritor para que ele os ajude a capturar o culpado e até, quem sabe, capturá-lo, já que ele pode ser o serial killer. A premissa é igual às de vários filmes já feitos e Cusack não está exatamente no ápice de sua carreira. Atuações caricatas, somadas ao desfecho vagabundo e uma direção medonha fazem de O Corvo um filme que merece ser esquecido e que revira Edgar Allan Poe em seu caixão.

18 Sombras da Noite (Dark Shadows)

Direção: Tim Burton

Burton se safou de passar um ano negro (e não de um jeito positivo) fechando-o com Frankenweenie. Mas alguns meses antes ele cometeu o seu pior filme desde Planeta dos Macacos. Sombras da Noite começa bem, mas lá pela metade ele se perde. Não é comédia, não é terror, não é romance. Ele não é nada. É um filme sem identidade e que não sabe em que direção vai e no final não vai pra lugar algum. Decepcionante.

17 Battleship: A Batalha dos Mares (Battleship)

Direção: Peter Berg

Este ano não teve nenhum filme de Michael Bay, mas teve diretor por aí que o honrou. Peter Berg (Hancock) mostrou que é fácil fazer um filme sem roteiro, apenas com muitas explosões, atores bonitos, algumas falas de efeito e personagens canastrões. Ah, e tem a Rihanna. As cenas de ação são legais, mas só isso não é o suficiente. Não adianta, efeitos especiais impecáveis não maquiam um roteiro furado e jamais irão substituir uma boa história.

16 Espelho, Espelho Meu (Mirror Mirror)

Direção: Tarsem Singh

No mesmo ano surgiram dois filmes completamente distintos baseados no conto de Branca de Neve. Enquanto Branca de Neve e o Caçador era mais sério (e só valia a pena por Charlize Theron), Espelho, Espelho Meu aposta na comédia. Coitadinha de Lily Collins, tão bonitinha, mas tão mal aproveitada. Ela, Julia Roberts, Nathan Lane e Armie Hammer passam vergonha do início ao fim nesta obra que aposta no humor infantilizado e caricato, não obtendo um bom resultado.

15 De Pernas Pro Ar 2

Direção: Roberto Santucci

Tem gente que gosta do primeiro De Pernas Pro Ar, afinal de contas Ingrid Guimarães é até uma boa comediante. Mas nada me encantou naquele longa. Com o sucesso nas bilheterias brasileiras, o filme ganhou uma sequência inevitável e desnecessária do ponto de vista de uma boa história. A película mostra Alice (Guimarães) viciada em trabalho e precisando relaxar. Então ela decide trabalhar escondida do marido, que em algum momento descobre tudo, eles ficam brigados e depois ela percebe que o amor é mais importante do que qualquer coisa. É menos apelativo do que o antecessor, mas também é menos engraçado. De Pernas Pro Ar 2 até começa bem, mas vai se perdendo e enrola por quase duas horas uma história entediante e previsível.

14 Um Homem de Sorte (The Lucky One)

Direção: Scott Hicks

Zac Efron é um soldado que passou três anos na guerra do Iraque. Por lá, ele encontrou a foto de uma mulher. Ele acredita que ele sobreviveu ao conflito por causa da bendita foto e que ela é uma espécie de anjo da guarda ou amuleto da sorte. Partindo do nada, ele vai atrás da mulher que ele nem sabe onde mora. Incrivelmente, através da foto, ele adivinha que ela mora em Louisiana. Ele vai atrás dela e, óbvio, começa um romance. É neste plot absurdo que se constitui Um Homem de Sorte. E só essa história absurda já é motivo o suficiente para este longa estar na lista.

13 Katy Perry – Part of Me 3D

Direção: Dan Cutforth, Jane Lipsitz

Virou praxe filmar turnês e colocar no cinema em 3D. O motivo disso? É que dá dinheiro – nem que às vezes alguns tropecem, como foi o caso do documentário da turnê do elenco de Glee. Seja lá o motivo, a questão é que não há justificativa plausível para assistir Part of Me. Os 90 minutos mostram que Katy Perry não surgiu do nada, batalhou pela sua carreira até atingir o topo das paradas musicais. Além disso, ela parece ser uma pessoa legal e foi largada pelo marido. Este é o resumo do documentário. Ou seja, pra que mesmo assistir isto?

12 Guerra é Guerra (This Means War)

Direção: McG

É triste ver dois atores de qualidade e que estão em alta atualmente se prestarem a passar vergonha ao fazer um filme desses. Guerra é Guerra traz um confronto entre dois agentes secretos (Chris Pine e Tom Hardy) que disputam a mesma mulher, interpretada por Reese Whiterspoon. A ação é entediante, o humor é sem graça e o romance é broxante, sem contar nas atuações que são tão boas quanto o português do Tiririca. É uma torre de babel.

11 A Sombra do Inimigo (Alex Cross)

Direção: Rob Cohen

Tyler Perry não tem muita fama no Brasil, mas nos Estados Unidos ele é bem conhecido e sempre garante bons números nas bilheterias com os terríveis filmes do seu personagem Madea, em que ele interpreta uma mulher idosa e bem acima do peso, seja em filmes de ação, comédia ou drama. Juro que não estou inventando. Perry é constantemente massacrado pela crítica e tenta ganhar o respeito dela com A Sombra do Inimigo, ao interpretar o policial Alex Cross, papel reconhecido pelo público nas interpretações de Morgan Freeman em Na Teia da Aranha e Beijos Que Matam. A Sombra do Inimigo é tão bom que quando Freeman o assistir, deve ser hospitalizado em seguida devido a um infarto ou um derrame. Isso é quão bom é o longa-metragem. Ainda não foi desta vez que Perry mostrou talento e ganhou o respeito de qualquer ser humano.

10 A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2 (The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 2)

Direção: Bill Condon

O grande mérito deste capítulo da Saga Crepúsculo é ser o último da franquia. Sim, finalmente acabou! Os erros continuam os mesmos e a história de Meyer continua sendo um retrocesso à luta dos direitos das mulheres. Mais uma vez, Bella (Kristen Stewart) mostra que tudo o que a mulher precisa para ser feliz é ter um homem e ser mãe. E mais nada! O sonho dela é ser eternamente uma esposa, sem profissão, sem família, nada. Só ser uma esposa, submissa ao outro sexo. Amanhecer – Parte 2 só está na décima posição porque o ano teve muitos filmes que não valem nem um ovo frito, provando que 2012 não foi um ano tão brilhante assim para o cinema.

9 Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros (Abraham Lincoln: Vampire Hunter)

Direção: Timur Bekmambetov

Presidente durante o dia e caçador de vampiros durante a noite. Se fosse focado nisso, poderia até ser um filme interessante, mas isto é tudo o que Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros não é. O protagonista é fraco, o vilão é genérico e o roteiro é risível de tão ruim. Não é sério o suficiente, mas também não faz ri e tampouco diverte. É chato do começo ao fim e cada minuto de duração parece uma hora.

8 Chernobyl – Sinta a Radiação (Chernobyl Diaries)

Direção: Bradley Parker

Até parece legal, mas não é. Chernobyl é um filme de suspense que tem uma premissa que parece que pode resultar em algo bom, mas a história de Oren Peli (criador de Atividade Paranormal) esquece que para se fazer um bom longa de horror é necessário criar personagens que instiguem o espectador e crie uma empatia com o público, além de montar o suspense de maneira convincente. Mas a película é igual a tudo o que você já viu. Nada de novo, só um monte de clichês e o desfecho mais utilizado por Hollywood depois do “felizes para sempre”.

7 A Hora da Escuridão (The Darkest Hour)

Direção: Chris Gorak

Tem problemas parecidos com o do filme anterior nesta lista. Os personagens não são cativantes e o espectador não fica com pena alguma quando um deles morre. Se os personagens já são unidimensionais, os atores também não fazem questão de ajudar, tampouco a direção enfadonha e o roteiro vomitado. A Hora da Escuridão é mais um filme sobre o fim do mundo que é monótono, inexpressivo e que desgraça o gênero da ficção científica.

6 O Que Esperar Quando Você Está Esperando (What to Expect When You’re Expecting)

Direção: Kirk Jones

O longa tem um bom elenco, mas que é subaproveitado em uma produção que tenta ser aquela comédia descontraída e super descolada. O grande problema da comédia é que ela não é engraçada. Sendo assim, está tudo errado nela. É mais um daqueles produtos com prazo de validade expirado antes mesmo de ser consumido. As histórias tentam fazer graça com a gravidez, mostrando que nem tudo é belo durante a gestação. Até poderia ser divertido se o longa tivesse foco em uma história e ela fosse bem trabalhada. O que vemos aqui são várias piadas de mau gosto, e muitas precisam apostar na nojeira para tentar arrancar alguma risada. Não há uma alma que se salva por aqui e o resultado é o equivalente a uma fralda suja.

5 Cada Um Tem a Gêmea Que Merece (Jack and Jill)

Direção: Dennis Dugan

Para classificar mais um filme ruim de Adam Sandler, resolvi utilizar citações de alguns críticos. Acompanhe a seguir.
“O apocalipse começa aqui” – Tom Long, Detroit News
“É muito triste se você é comediante e Al Pacino é a coisa mais engraçada em seu filme” – Lou Lumenick, New York Post
“Mais de 24 horas desde que eu assisti o novo filme de Adam Sandler e eu ainda estou morta por dentro” – Mary F. Pols, TIME Magazine
“A coisa mais triste de Cada Um Tem a Gêmea Que Merece é que nós permitimos que Adam Sandler chegasse até esse ponto” – Katey Rich, Cinema Blend
“Um Adam Sandler é ruim o suficiente, mas este filme prova como tudo pode ficar pior quando há dois… Vai do terrível convencional ao péssimo surreal” – Frank Swietek, One Guy’s Opinion

4 As Aventuras de Agamenon – O Repórter

Direção: Victor Lopes

Houve um tempo em que o pessoal do Casseta & Planeta fora relevante com o seu humor. O problema é que há mais de duas décadas seus integrantes apostam nas mesmas piadas e elas já perderam o seu efeito. Hubert e Marcelo Madureira cuidam das piadas batidas e exageram na escatologia infantil. Nem Marcelo Adnet salva o longa. As Aventuras de Agamenon é um apanhado de más escolhas e erros que o pessoal do Casseta continua cometendo, seja no cinema ou na telinha.

3 Filha do Mal (The Devil Inside)

Direção: William Brent Bell, Joaquin Perea

Filha do Mal é mais um daqueles filmes vagabundos com “filmagem encontrada”. O problema é que as pessoas vão ao cinema assistir esse tipo de produção barata e daí nossos cinemas continuam sendo entupidos com esta porcaria que nem bem produzida ao menos é. O longa finge ser baseado em uma história real (mas acredite em mim, não é) para conseguir se destacar e se mostra uma película sobre possessão. É tudo amador, partindo das atuações, passando pelo roteiro até a direção, sem contar o final, que é o mais medíocre do século, provavelmente.

2 Até Que a Sorte Nos Separe

Direção: Roberto Santucci

Em 2012, o Brasil não deixou saudades nas telas de cinema. Das produções nacionais que o grande público teve acesso, nenhuma realmente marcou o brasileiro de forma positiva. Pelo contrário, a maioria delas deixou o público envergonhado do que assistiu. Até Que a Sorte Nos Separe representa tudo o que há de errado no humor em nosso país. O humor é infantilizado, repetitivo e forçado, do mesmo jeitinho que o Zorra Total está acostumado a proporcionar à população. Enquanto o cinema brasileiro não elevar a sua qualidade, jamais conseguiremos elevar a cultura do brasileiro. Os estereótipos sociais estão ali, como de costume, junto com atuações sinistras e exageradas de Leandro Hassum e Danielle Winits, figurando entre as piores do ano. Até Que a Sorte Nos Separe é péssimo da primeira à última piada, partindo do pressuposto de que há, de fato, alguma ao longo do filme.

Até que a sorte nos separe foto

1 Este é o Meu Garoto (That’s My Boy)

Direção: Sean Anders, John Morris

Adam Sandler conseguiu fazer uma comédia com classificação 18 anos nos Estados Unidos e não se privou de usar tudo o que poderia fazer de mais repugnante. Em um dos piores filmes de sua carreira, ele é um cara que não conquistou nada da vida além de ser o cara que transou com a professora quando era apenas um adolescente – e dali nasceu seu único filho, interpretado por Andy Samberg (de Saturday Night Live), do qual não vê há 18 anos. Para Sandler, incesto e masturbação são coisas hilárias e a capacidade do espectador de distinguir o que é engraçado do que é de mau gosto inexiste. É difícil crer que o ator que protagonizou Tá Rindo do Quê? e Embriagado de Amor é o mesmo que conduz Este é o Meu Garoto. O longa é vulgar, asqueroso, apelativo, de baixo nível e que faz um câncer não parecer tão ruim. Se depois do poço existe um lugar, lá é o local ideal para Este é o Meu Garoto, o pior filme de 2012.

That's My Boy

Confira também:
Piores Filmes de 2011

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